{"id":5658688,"date":"2018-11-17T18:15:31","date_gmt":"2018-11-17T20:15:31","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?page_id=5658688"},"modified":"2018-11-18T11:27:27","modified_gmt":"2018-11-18T13:27:27","slug":"textos-de-referencia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/textos-de-referencia\/","title":{"rendered":"Textos de Refer\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O texto POR QUE UM BOLETIM ELETR\u00d4NICO DO CIEN NO BRASIL?, \u00e9 considerado por n\u00f3s como passagem obrigat\u00f3ria para pisarmos no terreno do Cien no Brasil.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Escrito por Judith Miller, Coordenadora do CIEN desde a sua funda\u00e7\u00e3o em 1996, \u00e9 um texto de orienta\u00e7\u00e3o fundamental para nosso caminhar no Brasil. Trata-se, igualmente, de um texto inaugural, fato que vai de m\u00e3os dadas com a seguran\u00e7a com a qual demos nossos primeiros passos. A data de 04 de agosto de 2007 \u00e9 o marco zero para o CIEN Digital. Nossa hist\u00f3ria come\u00e7a aqui:<\/p>\n<div class=\"sidebox\">\n<blockquote>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">&#8220;A mesma reuni\u00e3o geral dos laborat\u00f3rios brasileiros que decidiu a cria\u00e7\u00e3o deste boletim reconheceu a necessidade de designar uma equipe de quatro que t\u00eam a responsabilidade do CIEN no Brasil e de um moderador do Espa\u00e7o Cien-Brasil que tamb\u00e9m zelar\u00e1 pela pertin\u00eancia do conte\u00fado de diversas rubricas do Boletim Eletr\u00f4nico. Espero ter com isso explicitado o que est\u00e1 em jogo. Serei uma leitora ass\u00eddua e agrade\u00e7o a todos aqueles que aprimorar\u00e3o, por uma ou outra raz\u00e3o, esse novo instrumento de trabalho, modesto e precioso.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<h6 style=\"padding-left: 120px;\"><small><cite title=\"Fonte\">Judith Miller<\/cite><\/small><\/h6>\n<\/div>\n<div class=\"sidebox\">\n<h3><strong>Por que um Boletim Eletr\u00f4nico do CIEN no Brasil?<\/strong><\/h3>\n<\/div>\n<h6>Judith Miller<\/h6>\n<hr \/>\n<p>Simplesmente porque a experi\u00eancia demonstra que um boletim como este faz parte dos instrumentos que o CIEN \u00e9 levado a forjar para responder \u00e0s suas finalidades.<\/p>\n<p>Este boletim pressup\u00f5e ent\u00e3o que laborat\u00f3rios do CIEN funcionem hoje no Brasil, que a continua\u00e7\u00e3o das iniciativas concretas que eles constituem em algumas cidades de diferentes estados \u00e9 desejada, e que \u00e9 poss\u00edvel ter not\u00edcias dele aqui e alhures. Estes tr\u00eas pontos foram destacados na reuni\u00e3o geral dos laborat\u00f3rios brasileiros em 04 de agosto de 2007, onde a cria\u00e7\u00e3o deste boletim foi decidida.<\/p>\n<p>Esta decis\u00e3o tem import\u00e2ncia em v\u00e1rios registros: aqui assinalo dois.<\/p>\n<p>Neste, tanto em cada laborat\u00f3rio quanto em suas trocas com outros, ela corrobora o bem fundado da cultura do escrito, que \u00e9 a do CIEN, onde ele exista.<\/p>\n<p>Todo laborat\u00f3rio declarado do CIEN presta contas periodicamente \u2013 preto no branco \u2013 de seu percurso, de seus avan\u00e7os, de seus acidentes e de suas conseq\u00fc\u00eancias, em um relat\u00f3rio anual endere\u00e7ado ao anu\u00e1rio nacional do CIEN.<\/p>\n<p>Aperiodicamente, declarado ou n\u00e3o, ele pode querer testemunhar uma experi\u00eancia redigida por um ou por v\u00e1rios de seus participantes.<\/p>\n<p>Esses testemunhos s\u00e3o a ocasi\u00e3o de se descobrir como pode ser formulada adequadamente a import\u00e2ncia de um momento, que se revela mais freq\u00fcentemente, num a posteriori. Eles encontram uma segunda ocasi\u00e3o, no efeito de transmiss\u00e3o que eles comportam. Eles contribuem assim com a orienta\u00e7\u00e3o do CIEN ao apreender as condi\u00e7\u00f5es \u00e0s quais a tradu\u00e7\u00e3o em palavras dos impasses que se colocam, um laborat\u00f3rio opera uma modifica\u00e7\u00e3o, uma muta\u00e7\u00e3o, uma perspectiva de subjetiva\u00e7\u00e3o, bem diferente da passagem ao ato cega ou o caminho da repeti\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica. Eles afiam a vigil\u00e2ncia requerida pelo fio vermelho que encarna o tra\u00e7o de uni\u00e3o, em que Philippe Lacad\u00e9e prop\u00f5e encarnar a especificidade da interdisciplinaridade que o CIEN inventa, pelo fato de que ele se guia pelas li\u00e7\u00f5es de Freud e de Lacan. A primeira li\u00e7\u00e3o consiste precisamente em \u201csaber n\u00e3o saber\u201d, segundo a bela express\u00e3o de Virg\u00ednio Ba\u00efo \u2013 e n\u00e3o de uma vis\u00e3o de mundo Weltanshaung, seja ela progressista ou humanista, baseada na ilus\u00e3o de deter um saber que d\u00e1 as solu\u00e7\u00f5es dos problemas.<\/p>\n<p>Situarei o segundo registro no que Jacques-Alain Miller nomeia \u201ceduca\u00e7\u00e3o freudiana\u201d\u00a0 propondo com isto alargar o c\u00edrculo da opini\u00e3o esclarecida \u00e0s dimens\u00f5es da opini\u00e3o p\u00fablica. Esta concerne, mais ou menos, \u00e0 abordagem feita pelo CIEN dos pontos dolorosos da vida cotidiana que o discurso corrente agrava, por suas queixas e pelos pr\u00f3prios protestos, pelo fato de que ele perturba e difunde o canto universalista com um cientificismo surdo \u00e0 particularidade do ser falante e alimenta infalivelmente as pol\u00edticas segregativas, ou mesmo secund\u00e1rias, que reduzem o cidad\u00e3o em consumidor- produtor, o corpo ao organismo e o sintoma ao d\u00e9ficit. Se a psican\u00e1lise restitui a particularidade de cada um, \u00e9 precisamente por n\u00e3o verter em um determinismo utilitarista ou consolador e de contar com as fontes inventivas e po\u00e9ticas da conting\u00eancia, do equ\u00edvoco, do encontro. Longe de manter as impot\u00eancias for\u00e7adas pela modernidade, a psican\u00e1lise oferece a chance de cernir o imposs\u00edvel da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>Esclarecido por ela, o CIEN trata os pontos de apoio dos quais se lamenta o mundo contempor\u00e2neo: ele opera por um deslocamento que resulta de se tomar em considera\u00e7\u00e3o a puls\u00e3o e\u00a0 seus destinos, sem pretender com isto assegurar uma cl\u00ednica da qual ao menos um dos participantes dos laborat\u00f3rios tenha, de um outro ponto de vista, experi\u00eancia.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o escrita das transforma\u00e7\u00f5es produzidas pela pr\u00e1tica da conversa\u00e7\u00e3o, pr\u00f3pria ao CIEN, garante um meio de prote\u00e7\u00e3o do dizer em rela\u00e7\u00e3o ao Charybde em Scylla contempor\u00e2neo que leva do amorda\u00e7amento \u00e0 passagem ao ato. Toda a diferen\u00e7a da cura anal\u00edtica, responde \u00e0 mesma l\u00f3gica, que desfaz as identifica\u00e7\u00f5es e permite um jogo de vida advindo de uma nova rela\u00e7\u00e3o com o Outro. O CIEN deve fazer conhecer esta l\u00f3gica e a\u00ed associar os profissionais que se ocupam das crian\u00e7as e dos jovens, principalmente pelos relat\u00f3rios das atividades diversas de seus laborat\u00f3rios publicados no boletim eletr\u00f4nico. Tomo tr\u00eas exemplos:<\/p>\n<ol>\n<li>Uma carta de Val\u00e9rie Laurent, respons\u00e1vel pelo Grupo de Reflex\u00e3o sobre as Pris\u00f5es na Fran\u00e7a, relata que uma senhora que trabalha no meio\u00a0 carcer\u00e1rio declara: \u201cTenho a impress\u00e3o de estar em um mundo em que me obrigam a ver as pessoas como objetos\u201d. Na leitura de sua carta, ela decide participar do GRP: \u201cn\u00e3o estou completamente doida e sobretudo, n\u00e3o estou completamente s\u00f3\u2026 n\u00e3o pensava que uma coisa parecida poderia ainda existir, \u00e9 magn\u00edfico, obrigada\u201d.<\/li>\n<li>Sob a pena de Daniel Roy, os princ\u00edpios do trabalho de um laborat\u00f3rio b\u00falgaro sobre \u201cuma segrega\u00e7\u00e3o moderna\u201d, tra\u00e7ada pela prolifera\u00e7\u00e3o dos objetos, roubos, prostitui\u00e7\u00e3o, droga, gravidez na adolesc\u00eancia.<br \/>\nResultado: as crian\u00e7as e adolescentes entregues ao mercado, barganhando suas vidas pelo pre\u00e7o de meio quilo de carne ou do \u201cproduto\u201d.<br \/>\nUma nova aproxima\u00e7\u00e3o: responder em conjunto \u00e0 quest\u00e3o \u201cQue dizer ao adolescente\u00a0 delinq\u00fcente?\u201d; partir pois da constata\u00e7\u00e3o que,nestas situa\u00e7\u00f5es, o dizer j\u00e1 est\u00e1 exclu\u00eddo e que \u00e9 preciso ent\u00e3o reinvent\u00e1-lo com todas as pe\u00e7as&#8230;; em que a inutilidade dos pactos, contratos e outros \u201cquadros\u201d, e a necessidade de partir da l\u00edngua do sujeito para (faz\u00ea-lo) encontrar e dar-lhe um lugar no discurso comum.<\/li>\n<li>Este, bastante recente, que muito me esclareceu sobre o alcance do trabalho do CIEN: a descri\u00e7\u00e3o da sua situa\u00e7\u00e3o por um jovem de uma favela em Belo Horizonte encontrado no Fica Vivo, \u201c\u2026n\u00e3o podemos sair. A gente aprende a viver s\u00f3 aqui nesta \u00e1rea. Nossa vida se resume a esse lugar da boca. Corremos o risco de sermos mortos\u2026 Nossa vida \u00e9 correr para fugir pol\u00edcia e viver como ratos escondidos nos becos\u201d (citado por Elaine Rocha Maciel Carneiro \u2013 laborat\u00f3rio L\u00edngua Viva).<\/li>\n<\/ol>\n<p>A mesma reuni\u00e3o geral dos laborat\u00f3rios brasileiros que decidiu a cria\u00e7\u00e3o deste boletim reconheceu a necessidade de designar uma equipe de quatro que t\u00eam a responsabilidade do CIEN no Brasil e de um moderador do Espa\u00e7o Cien-Brasil que tamb\u00e9m zelar\u00e1 pela pertin\u00eancia do conte\u00fado de diversas rubricas do Boletim Eletr\u00f4nico. Espero ter com isso explicitado<\/p>\n<p>o que est\u00e1 em jogo. Serei uma leitora ass\u00eddua e agrade\u00e7o a todos aqueles que aprimorar\u00e3o, por uma ou outra raz\u00e3o, esse novo instrumento de trabalho, modesto e precioso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto POR QUE UM BOLETIM ELETR\u00d4NICO DO CIEN NO BRASIL?, \u00e9 considerado por n\u00f3s como passagem obrigat\u00f3ria para pisarmos no terreno do Cien no Brasil. Escrito por Judith Miller, Coordenadora do CIEN desde a sua funda\u00e7\u00e3o em 1996, \u00e9 um texto de orienta\u00e7\u00e3o fundamental para nosso caminhar no Brasil. 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