{"id":5658072,"date":"2018-11-16T20:38:27","date_gmt":"2018-11-16T22:38:27","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5658072"},"modified":"2018-11-28T17:58:26","modified_gmt":"2018-11-28T19:58:26","slug":"entre-vista-com-daniel-roy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/16\/entre-vista-com-daniel-roy\/","title":{"rendered":"ENTRE-VISTA COM DANIEL ROY"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658072?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658072?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><figure id=\"attachment_5658800\" aria-describedby=\"caption-attachment-5658800\" style=\"width: 209px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5658800\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/003-209x300.png\" alt=\"\" width=\"209\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/003-209x300.png 209w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/003-274x394.png 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/003-600x862.png 600w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/003.png 629w\" sizes=\"auto, (max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5658800\" class=\"wp-caption-text\">Inside and Out, 1964, Melvin Edwards. Welded steel. 12 x 8 3\/4 x 5 3\/4 in. Collection of Susan and David Lawrence. \u00a9 Melvin Edwards<\/figcaption><\/figure>\n<h6><strong>Cien Digital, setembro de 2018, por Paola Salinas<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cien Digital:<\/strong> Diferentemente do Brasil, na Fran\u00e7a o <em>Institut de L\u2019\u00c9nfant<\/em> (I.E. &#8211; Instituto da Crian\u00e7a) re\u00fane o trabalho das tr\u00eas redes: CIEN, CEREDA e RI3. Gostar\u00edamos que voc\u00ea nos contasse um pouco como se d\u00e1 a articula\u00e7\u00e3o entre essas tr\u00eas redes e quais os pontos de aproxima\u00e7\u00e3o entre elas. O que pode ser recolhido como uma especificidade do CIEN nesse contexto? Ademais, o que uma rede pode extrair como ensinamento da outra, a saber, o que uma pode ensinar \u00e0 outra?<\/p>\n<p><strong>Daniel Roy:<\/strong> Cara Paola, obrigado por suas perguntas para o CIEN Digital Brasil, elas me d\u00e3o a oportunidade de esclarecer alguns pontos que concernem ao <em>Instituto da Crian\u00e7a<\/em> (I.E.). O IE foi criado por J.-A.Miller no contexto da cria\u00e7\u00e3o da Universidade Popular Jacques-Lacan (UPJL), que deu uma maior extens\u00e3o \u00e0 UFORCA (as Se\u00e7\u00f5es Cl\u00ednicas), situando-as explicitamente sob o nome de Lacan; o IE veio se juntar \u00e0 UFORCA na UPJL a partir da proposta que nos foi feita por J.-A.Miller para unir as for\u00e7as do CEREDA, do CIEN e das institui\u00e7\u00f5es do RI3 para fazer valer diante da &#8220;opini\u00e3o esclarecida&#8221; a posi\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o lacaniana concernente \u00e0 psican\u00e1lise com crian\u00e7as. Esse movimento n\u00e3o \u00e9 portanto <em>a priori<\/em>, mas se constitui na efic\u00e1cia de cada passo dado. Para n\u00f3s, o primeiro passo foi dado por mim quando propus a J.-A.Miller organizar uma Jornada de Estudos sobre o tema &#8220;Medos das crian\u00e7as&#8221;, reunindo essas mesmas for\u00e7as. Nesse mesmo passo, ele comp\u00f4s o comit\u00ea de iniciativa do I.E. que se ocupou de organizar essa primeira Jornada, em torno de Judith Miller, com Jean-Robert Rabanel, Alexandre Stevens e eu mesmo. Nesse mesmo tempo l\u00f3gico, nos pediram para considerar a quest\u00e3o das publica\u00e7\u00f5es e cada rede decidiu colocar um fim \u00e0 sua publica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para privilegiar a elabora\u00e7\u00e3o comum, o que se concretizou pela cria\u00e7\u00e3o da cole\u00e7\u00e3o La Petite Giraffe, com edi\u00e7\u00e3o Navarin, que publica as obras ligadas \u00e0s Jornadas do I.E. Cada rede ent\u00e3o atravessou uma certa forma de perda para se reunir com as outras, e isso foi, algumas vezes, duramente ressentido por alguns de nossos colegas. O desafio \u00e9 aquele da psican\u00e1lise mesma, que s\u00f3 pode sofrer por associar-se com outros discursos, os quais t\u00eam, sem exce\u00e7\u00e3o, como combust\u00edvel um, ou alguns, significantes-mestres. E &#8220;crian\u00e7a&#8221; \u00e9 um significante extremamente poderoso em nossa civiliza\u00e7\u00e3o, com diversas declina\u00e7\u00f5es. O psicanalista que recebe crian\u00e7as numa cura se depara assim com os significantes da fam\u00edlia e suas encarna\u00e7\u00f5es nos pais presentes. Faz parte do trabalho dos grupos do CEREDA demonstrar, pela via do caso, a efic\u00e1cia da psican\u00e1lise face \u00e0s dificuldades encontradas e as sa\u00eddas poss\u00edveis pela via do sintoma. O psicanalista que interv\u00e9m na institui\u00e7\u00e3o \u00e9 confrontado com a pluralidade dos discursos que acompanham a crian\u00e7a nas situa\u00e7\u00f5es atuais e a inven\u00e7\u00e3o do sintagma &#8220;trabalho entre v\u00e1rios&#8221; no contexto do RI3 responde a esse real. O CIEN \u00e9, no que lhe concerne, tomado por uma outra realidade &#8220;fascinante&#8221;, aquela da inf\u00e2ncia em perigo e aqueles que o precederam neste trabalho suscitam nosso respeito; entretanto, a &#8220;a\u00e7\u00e3o beneficente&#8221; da psican\u00e1lise n\u00e3o pode ser da mesma ordem que a ajuda samaritana ou a a\u00e7\u00e3o militante, mesmo se ela n\u00e3o denuncia os semblantes.<\/p>\n<p>Neste contexto a especificidade do CIEN \u00e9 dar a conhecer o modo como psicanalistas participam dessas a\u00e7\u00f5es\u00a0 com outros profissionais da inf\u00e2ncia, sem dar consist\u00eancia a esses semblantes. Certamente, tanto para uns quanto para outros, a perspectiva fornecida por J-A Miller sobre o fato de o gozo ser prim\u00e1rio ajuda muito no sentido de manter os ideais a certa dist\u00e2ncia, mas n\u00e3o \u00e9 in\u00fatil estar entre v\u00e1rios para isto!<\/p>\n<p>Cada rede pode ser ensinada pela maneira como os outros t\u00eam que &#8220;fazer com&#8221; o ponto de real, ao qual os praticantes se confrontam pela modalidade particular de sua a\u00e7\u00e3o; \u00e9 por outro lado assim que uma certa &#8220;fraternidade&#8221; se estabelece entre todos n\u00f3s &#8230; n\u00e3o \u00e9, querida Paola?<\/p>\n<p>Assim, parece-me poss\u00edvel em cada pa\u00eds visar esse estilo de fraternidade, quaisquer que sejam os meios institucionais criados pela circunst\u00e2ncia, \u00e9 assim que vejo o esp\u00edrito do Campo Freudiano.<\/p>\n<p><strong>CIEN Digital:<\/strong> Sobre o tema da Manh\u00e3 de Trabalho no Brasil &#8211; O que falar quer dizer? singularidade e diferen\u00e7a hoje, lhe pedimos um coment\u00e1rio sobre dois pontos:<\/p>\n<ol>\n<li>O estatuto da palavra no CIEN, onde o principal dispositivo \u00e9 a conversa\u00e7\u00e3o. Podemos ainda consider\u00e1-la como uma ferramenta de a\u00e7\u00e3o em face ao que \u00e9 colocado como um imperativo de satisfa\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Daniel Roy:<\/strong> Quando comecei a trabalhar no hospital-dia de Podensac, antes dele se tornar uma institui\u00e7\u00e3o associada no RI3, escrevi um breve texto intitulado: &#8220;Vamos aprender o que falar quer dizer\u201d. E criei &#8220;reuni\u00f5es de palavra&#8221; e entrevistas &#8220;entre v\u00e1rios.&#8221; As crian\u00e7as autistas foram, ent\u00e3o, nossos mestres, que rapidamente nos ensinaram que em primeiro lugar &#8220;falar quer gozar&#8221; e que \u00e9 disso que eles tinham que se defender. O que veio a ser chamado de &#8220;conversa\u00e7\u00e3o&#8221; em v\u00e1rios grupos do CIEN, entendo mais como um &#8220;convite&#8221;, feito pelos psicanalistas envolvidos com outros profissionais, para trocarem a partir de um ponto de real frequentemente desconhecido dos participantes e que escapa nos discursos O que aprendi durante os 10 anos que coordenei o laborat\u00f3rio CIEN na Bulg\u00e1ria \u00e9 a import\u00e2ncia de se fazer existir esse furo central dos discursos, l\u00e1 onde se aloja o sintoma da crian\u00e7a, que \u00e9 a nossa \u00fanica b\u00fassola. Assim, estritamente falando, n\u00e3o h\u00e1 estatuto especial da palavra nos grupos do CIEN: encontra-se a\u00ed, como em todo lugar, o duplo valor da palavra, por um lado de comando e por outro lado de surpresa, e \u00e9 essa \u00faltima que privilegiamos, nos v\u00e1rios trope\u00e7os da l\u00edngua. Isso \u00e0s vezes leva tempo &#8230;<\/p>\n<p><strong>CIEN Digital:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>A crian\u00e7a e jovem violentos, assim como a viol\u00eancia direcionada a eles, s\u00e3o fen\u00f4menos recorrentes no cotidiano das institui\u00e7\u00f5es pelas quais eles circulam. A viol\u00eancia excluiria uma rela\u00e7\u00e3o com a palavra? Seria isso o que est\u00e1 implicado no ato violento? Entendemos que n\u00e3o, a palavra n\u00e3o vem como rem\u00e9dio para a viol\u00eancia, que precisaria ser extirpada, mas qual articula\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a fim de que a singularidade e a diferen\u00e7a &#8211; subt\u00edtulo da Manh\u00e3 de trabalho do CIEN Brasil -, possam ter um lugar?<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Daniel Roy:<\/strong> A sua leitura do tema &#8220;Crian\u00e7as violentas&#8221; proposto por J.-A. Miller \u00e9 bastante pertinente, e faz eco \u00e0 diferencia\u00e7\u00e3o que ele faz no texto dele de orienta\u00e7\u00e3o, entre o que \u00e9 sintoma e o que n\u00e3o \u00e9 sintoma em rela\u00e7\u00e3o ao ato violento. Sabemos que &#8220;a coisa violenta&#8221; existe para cada um dos seres falantes e Lacan nos ensinou a estrutura da passagem ao ato. Nas institui\u00e7\u00f5es onde h\u00e1 \u201cem situa\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel, uma rela\u00e7\u00e3o baseada na liberdade\u201d (Lacan J., &#8220;Alocu\u00e7\u00e3o sobre as psicoses da crian\u00e7a&#8221; Outros escritos, p. 360), constatamos que as passagens ao ato s\u00e3o finalmente muito raras. No entanto, tamb\u00e9m fazemos a constata\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 grupos e ideologias que estabeleceram a passagem ao ato violenta como uma lei e me refiro aqui ao final do texto de J.-A. Miller &#8220;Em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 adolesc\u00eancia&#8221;<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> quando ele evoca\/faz refer\u00eancia a &#8220;uma nova alian\u00e7a entre a identifica\u00e7\u00e3o e a puls\u00e3o, especialmente [&#8230;] a puls\u00e3o agressiva&#8221;<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, dando acesso, no grupo, \u00e0s panelinhas, \u00e0 seita para um &#8220;eu gozo do corpo do Outro do qual fa\u00e7o parte&#8221;<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>[3]. Como encontrar um lugar para a singularidade nesta identifica\u00e7\u00e3o massificante e mortal? S\u00e3o as respostas a esta delicada quest\u00e3o que esperamos da pr\u00f3xima Manh\u00e3 de Trabalho do CIEN-Brasil, para a qual envio-lhes meus votos de sucesso.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Tradu\u00e7\u00e3o: Diva Rubim Parentoni<\/h6>\n<h6>Revis\u00e3o: Cristiana Cardoso Pittella<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> MILLER, Jacques Alain. &#8220;Em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 adolesc\u00eancia&#8221;. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise.<\/em> S\u00e3o Paulo, Edi\u00e7\u00f5es Eolia. Mar\u00e7o de 2016, n\u00ba 72.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Idem, p. 28.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Idem, Ibidem.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cien Digital, setembro de 2018, por Paola Salinas &nbsp; Cien Digital: Diferentemente do Brasil, na Fran\u00e7a o Institut de L\u2019\u00c9nfant (I.E. &#8211; Instituto da Crian\u00e7a) re\u00fane o trabalho das tr\u00eas redes: CIEN, CEREDA e RI3. 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