{"id":5658074,"date":"2018-11-16T20:39:49","date_gmt":"2018-11-16T22:39:49","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5658074"},"modified":"2018-11-28T17:58:26","modified_gmt":"2018-11-28T19:58:26","slug":"conversacao-internacional-do-cien-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/16\/conversacao-internacional-do-cien-2017\/","title":{"rendered":"Conversa\u00e7\u00e3o Internacional do CIEN 2017 &#8211; Os la\u00e7os sociais e suas transforma\u00e7\u00f5es[1]"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658074?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658074?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><figure id=\"attachment_5658799\" aria-describedby=\"caption-attachment-5658799\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5658799\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/002-300x192.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/002-300x192.png 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/002-274x175.png 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/002-600x383.png 600w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/002.png 681w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5658799\" class=\"wp-caption-text\">TIRO na Cabe\u00e7a. In: ENCICLOP\u00c9DIA Ita\u00fa Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. S\u00e3o Paulo: Ita\u00fa Cultural, 2018. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/enciclopedia.itaucultural.org.br\/obra14755\/tiro-na-cabeca&gt;. Acesso em: 23 de Set. 2018. Verbete da Enciclop\u00e9dia.<br \/>ISBN: 978-85-7979-060<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Buenos Aires, 12 de setembro de 2017<\/h6>\n<h6>Mesa de Encerramento<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Beatriz Udenio:<\/strong><\/p>\n<p>Toda conversa\u00e7\u00e3o tem um come\u00e7o e um final. E chegamos ao final. Assim como foi reiterado durante o trabalho desta jornada, talvez tenhamos a sorte de sair um pouquinho transformados pelo encontro. Diria que existem sinais de que algo assim ir\u00e1 acontecendo.<\/p>\n<p>As <em>pontua\u00e7\u00f5es e perspectivas<\/em> ficaram ao encargo de nosso assessor de fato, Juan Carlos Indart, que vem nos acompanhando h\u00e1 muito tempo com sua presen\u00e7a e interven\u00e7\u00f5es. Algu\u00e9m que se refere ao trabalho do CIEN com grande generosidade, citando-o como exemplo da incid\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 desej\u00e1vel ou poss\u00edvel, mas concreta da psican\u00e1lise no mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Assim, situarei uma lembran\u00e7a que presta tributo a um certo estilo, que \u00e9 o estilo do CIEN. \u00c9 dif\u00edcil falar de um estilo quando se trata de uma inst\u00e2ncia, pois, no campo psicanal\u00edtico, estamos mais acostumados a falar de estilo ligado ao singular, ao <em>sinthoma<\/em>. Minha refer\u00eancia, neste caso, ser\u00e1 trazer e compartilhar uma lembran\u00e7a da Sra. Judith Miller, quem desde o in\u00edcio do CIEN nos acompanhou, balizou e sustentou o nosso trabalho.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, apoiamos nossa orienta\u00e7\u00e3o nos ensinamentos e refer\u00eancias de Jacques-Alain Miller, \u00c9ric Laurent, e na leitura de textos esclarecedores de Sigmund Freud e Jacques Lacan. E, de tudo isto, aprendemos que existe algo valioso na maneira em que cada um, no CIEN, sustenta estas express\u00f5es de um modo original, ali onde se perde a autoria &#8211; como indicava Foucault. Em rela\u00e7\u00e3o a isto, Judith Miller contribuiu muito ao cuidar do que considerava a boa maneira de faz\u00ea-lo, localizando a responsabilidade no compromisso de trabalho assumido por cada um. Uma anedota permitir\u00e1 situar melhor esta pincelada e que diz muito bem o que vivenciamos nesta conversa\u00e7\u00e3o. Durante uma jornada, h\u00e1 anos, num di\u00e1logo ao lado, Judith surpreendeu-me ao comentar sobre algu\u00e9m que apresentava um trabalho naquele momento: \u201cEsta pessoa s\u00f3 trabalha para si mesma, s\u00f3 quer ser c\u00e9lebre\u201d.<\/p>\n<p>Aprendi muito com esta interven\u00e7\u00e3o de Judith, pois, para entrar na cozinha dos laborat\u00f3rios, aquelas mencionados por Daumas, \u00e9 preciso sujar-se. E se n\u00e3o o fizermos assim, n\u00e3o estamos entrando na cozinha. Nas cozinhas do CIEN n\u00e3o se admitem celebridades. Trata-se muito mais de despojar-se de toda expectativa de tornar-se c\u00e9lebre. E esta mulher devia saber do que falava, porque viveu e sustentou fortes convic\u00e7\u00f5es em uma \u00e9poca na qual o culto \u00e0 personalidade era algo cunhado em torno de figuras muito \u201cc\u00e9lebres\u201d \u2013 que deixaram suas deplor\u00e1veis marcas no mundo. Lacan faz uma refer\u00eancia a isto no Semin\u00e1rio 17. De modo que o CIEN n\u00e3o \u00e9 um lugar para celebridades, nem para o culto a nenhuma personalidade. E n\u00e3o sei como o conseguimos, mas cada um com sua modalidade consegue somar-se a isto. E de imediato podemos ressoar algumas frases cruciais, sustentar alguma chama relacionada \u00e0quilo que nos interessa, segundo o jeito de cada um.<\/p>\n<p>Seja como analisantes esclarecidos ou sabendo do imposs\u00edvel de ensinar, vamos nos enfiando na cozinha, cada um \u00e0 sua maneira. Ent\u00e3o, retomando a ideia de Alejandro Daumas, ao falar da alegria, podemos dizer que por n\u00e3o ser c\u00e9lebres e por n\u00e3o querermos s\u00ea-lo, podemos celebrar de outra o trabalho no qual nos juntamos em torno de uma brecha, de um furo que n\u00e3o se fechar\u00e1 nunca \u2013 isto Lacan nos ensinou \u2013 de uma hi\u00e2ncia, que representamos no h\u00edfen, o <em>hyphen<\/em> que suporta e protege este lugar vazio, e, em cada sujeito, neste trabalho entre v\u00e1rios, entre muitos, sem celebridades.<\/p>\n<p>Bom, agora sim, a palavra de Juan Carlos Indart para as <em>Pontua\u00e7\u00f5es e Perspectivas<\/em><\/p>\n<p><strong>Juan Carlos Indart<\/strong>: Estou aqui outra vez com voc\u00eas convidado por Beatriz Udenio, mas este \u201coutra vez\u201d n\u00e3o tem tanta frequ\u00eancia que me impe\u00e7a de usar algumas das belas express\u00f5es forjadas no CIEN, e dizer, por exemplo, que estou me \u201cincluindo desde fora\u201d \u2026 e vamos ver se conseguimos nos abrir ao desconhecido do Outro.<\/p>\n<p>(Risos do audit\u00f3rio)<\/p>\n<p><strong>J.C. Indart: <\/strong>N\u00e3o \u00e9 muito c\u00f4moda para mim esta posi\u00e7\u00e3o de fazer um encerramento com pontua\u00e7\u00f5es e perspectivas, porque costuma ser uma posi\u00e7\u00e3o que inclui resumos e generaliza\u00e7\u00f5es. Um lugar muito ruim para o que aqui foi suscitado: a singularidade, o detalhe, a diversidade\u2026<\/p>\n<p><strong>Beatriz Udenio:<\/strong> Foi por isto que te convidamos!<\/p>\n<p><strong>J.C.Indart<\/strong>: Mas, por que \u00e9 preciso fazer pontua\u00e7\u00f5es e imaginar perspectivas?<\/p>\n<p>(Risos do audit\u00f3rio)<\/p>\n<p><strong>Beatriz Udenio: <\/strong>Para que voc\u00ea subverta isto!<\/p>\n<p><strong> C. Indart: <\/strong>Ent\u00e3o devo dizer que, na minha singularidade, aproveitei este convite para vir vigiar.<\/p>\n<p>(Risos do audit\u00f3rio)<\/p>\n<p><strong>J.C. Indart<\/strong>: Porque a \u00faltima vez que participei no CIEN foi aqui em Buenos Aires\u2026 J\u00e1 faz quanto tempo?<\/p>\n<p><strong>Beatriz Udenio:<\/strong> Em 2013.<\/p>\n<p><strong>J.C. Indart: <\/strong>2013, bem, 4 anos. Nessa oportunidade estive muito entusiasmado com a tarefa dos laborat\u00f3rios do CIEN\u2026, mas com d\u00favidas se este estilo de trabalho poderia durar e perseverar \u2026, sobretudo com a diversidade de pa\u00edses, de cidades, de grupos e de pessoas que articula. De maneira que, ap\u00f3s vigiar, <em>uma pontua\u00e7\u00e3o<\/em> que posso fazer e testemunhar que, ap\u00f3s 4 anos, <em>este estilo persevera<\/em> e se sustenta explicitamente em quase todos os trabalhos apresentados hoje.<\/p>\n<p>Para dizer isto \u00e9 preciso dizer algo sobre este estilo, inicialmente, da maneira mais abrangente poss\u00edvel. \u00c9 um estilo de conversa\u00e7\u00e3o, mas, o incr\u00edvel, o que persevera, \u00e9 que nestes dispositivos as pessoas dos laborat\u00f3rios do CIEN que escutam \u2013 c\u00f4moda ou incomodamente \u2013 interv\u00eam na conversa\u00e7\u00e3o sem entrar nunca em uma rivalidade imagin\u00e1ria por causa das identifica\u00e7\u00f5es. Quando se trata de temas que suscitam &#8211; para situ\u00e1-lo rapidamente &#8211; o colocar-se sob algum S1. Ou inclusive, poder\u00edamos dizer, quando se trata de responder politicamente segundo o que se entende por pol\u00edtica no discurso comum. Observem que se trata de interven\u00e7\u00f5es que induzem a um deslizamento, a um deslocamento, a sair do lugar segregativo e mort\u00edfero. N\u00e3o devemos nunca esquecer que, em um grupo, em \u00faltima inst\u00e2ncia, diante do insuport\u00e1vel, diante desse \u201cn\u00e3o sei que fazer com o outro\u201d, a resposta que o habita \u00e9: mat\u00e1-lo e\/ou suicidar-se. Contra esta inclina\u00e7\u00e3o o que encontramos nestas experi\u00eancias do CIEN \u00e9 que nessas encruzilhadas um deslocamento, uma transforma\u00e7\u00e3o do tema, um desvio, comp\u00f5em sempre o estilo atrav\u00e9s do qual se consegue dissolver a tens\u00e3o pulsional no imagin\u00e1rio. Quando isso acontece, pode aparecer aquilo que insistiram em chamar de \u201cconversa\u00e7\u00e3o plena\u201d, porque certamente nem sempre uma conversa\u00e7\u00e3o chega a este ponto.<\/p>\n<p>Por isto, assinalo que, quando no CIEN se diz \u201cconversa\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o \u00e9 uma conversa\u00e7\u00e3o qualquer. \u00c9 uma conversa\u00e7\u00e3o na qual se interv\u00e9m para n\u00e3o deixar cristalizar um S1. Beatriz insistiu nisso, porque \u00e9 s\u00f3 quando cada um pode arriscar-se a colocar um pouco em palavras a sua singularidade, &#8211; isto \u00e9 inventar &#8211; e por isto uma conversa\u00e7\u00e3o s\u00f3 e plena quando existem tais inven\u00e7\u00f5es. Quatro anos depois comprovamos que os efeitos deste dispositivo ocorrem e, portanto, sua vig\u00eancia continua vigorosa. \u00c9 assim que come\u00e7aram, e em uma diversidade de situa\u00e7\u00f5es distintas \u2013 escolas, grupos para drogaditos, centros comunit\u00e1rios, escolas de teatro, e muitas outras institui\u00e7\u00f5es &#8211; onde se recebem crian\u00e7as e adolescentes. Existe, pois, uma inser\u00e7\u00e3o variada em diferentes institui\u00e7\u00f5es sociais, o que nos faz imaginar o CIEN, em sua extens\u00e3o, como um avesso real da vida contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Quando acontece o que poder\u00edamos chamar de o m\u00e1ximo do alcance do dispositivo \u2013 <em>o n\u00f3 do dispositivo completo<\/em>, n\u00e3o s\u00f3 o primeiro passo \u2013 temos em algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 prediz\u00edvel, em algu\u00e9m que pode ser a crian\u00e7a problema, mas poderia ser seu docente, ou outros que participam da conversa\u00e7\u00e3o, a recupera\u00e7\u00e3o de uma \u2018dignidade\u2019. Tomo esta express\u00e3o que Alejandro Daumas utilizou, uma vez que parece excelente para descrever o m\u00e1ximo poss\u00edvel de se alcan\u00e7ar. Isso! Mas quando existe \u201cisso\u201d, creio que <em>uma perspectiva<\/em> \u00e9 centrar-se nisso como trabalho a apresentar, como um testemunho \u201cd\u2019isso\u201d que deve oferecer-se a uma teoriza\u00e7\u00e3o, como uma p\u00e9rola que pode servir muito aos outros, n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s pessoas do CIEN. Observem que, em algumas ocasi\u00f5es, \u201cisso\u201d aparece com dados precisos e suficientes para sua considera\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica, mas, outras vezes, os que apresentam d\u00e3o testemunho de um trabalho, de que algo ocorreu, mas ainda n\u00e3o se entende bem como teve tal alcance, essa conquista.<\/p>\n<p>Bem, agora, em <em>perspectiva<\/em>, isto que chamo alcance m\u00e1ximo do que se pode aspirar implica que, na conversa\u00e7\u00e3o, em uma ou em mais de uma, algu\u00e9m atravesse esse momento novo, in\u00e9dito, que podemos chamar de <em>dignidade singular<\/em>, e creio que no que tange \u00e0 perspectiva, \u201cisso\u201d ter\u00e1 que ir sendo situado com a no\u00e7\u00e3o de <em>sintoma<\/em>. Voc\u00eas dizem isto de muitas maneiras: divis\u00e3o subjetiva, surgimento de um desejo, apaziguamento de um gozo, todas formas de indicar \u201cisso\u201d. Mas, se ocorre dizia Daumas, ser\u00e1 fundamental ir provando aos poucos que se trata da \u00faltima no\u00e7\u00e3o de sintoma presente no ensino de Lacan.<\/p>\n<p>Eu gostaria de trazer alguns exemplos sobre isto. J\u00e1 mencionei em uma interven\u00e7\u00e3o durante a conversa\u00e7\u00e3o: o caso desse menino que mente em um jogo e ganha sempre, e n\u00e3o se consegue modificar nada pelo fato de que lhe digam que mente, ou que descobriram, ou que tem que dizer a verdade, ou que assim n\u00e3o se joga. \u00c9 uma mentira bem sintom\u00e1tica e a conversa\u00e7\u00e3o possibilita que a coisa deslize de um modo muito diferente ao que seria colocar-se como um espelho na sua frente para localiz\u00e1-lo: \u201cou voc\u00ea diz a verdade ou n\u00e3o jogo mais com voc\u00ea\u201d, ou, \u201ccom este menino n\u00e3o sei o que fazer, ele trapaceia\u201d. Quando isso desliza um pouco e aparece isto \u201cfa\u00e7o isso porque n\u00e3o quero ficar como um tonto\u201d, algo novo acontece. Porque n\u00e3o \u00e9 um passar por tonto de algu\u00e9m com fortes ideais constitu\u00eddos, e que n\u00e3o suporta um efeito de castra\u00e7\u00e3o, de &#8211; \u1d60, uma vez que lhe custa um pouco aceitar que \u00e0s vezes se perde e \u00e0s vezes se ganha. \u00c9 in\u00fatil buscar isso. O que ele chama \u201cficar como um tonto\u201d significa perder toda imagem de si no la\u00e7o social e assim resolveu isto com este sintoma.<\/p>\n<p>Isto permite entender que, quando lhe foi exigida \u201ca verdade\u201d, se retira do jogo e permanece um pouco deprimido e fechado, at\u00e9 que algu\u00e9m vai busc\u00e1-lo dizendo que n\u00e3o pretende julg\u00e1-lo, nem nada neste estilo, mas, que pondo a m\u00e3o no seu ombro diz que \u00e9 \u201cpara falar sobre o que te acontece\u201d.<\/p>\n<p>E o convida a jogar outro jogo \u2013 porque o jogo que o menino jogava n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 &#8211; dizendo-lhe: \u201cVou te ensinar o <em>truco<\/em> \u2013 um jogo argentino, rioplatense, no qual efetivamente as cartas est\u00e3o cobertas, nas apostas pode-se mentir e enganar ao outro em rela\u00e7\u00e3o ao que se tem ou n\u00e3o se tem. E acrescenta: \u201cVamos jogar isto que \u00e9 um jogo no qual se pode mentir\u201d, ao que o menino responde: \u201cNisto eu sou bom!\u201d<\/p>\n<p>Neste caso voc\u00eas t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de uma mentira sintom\u00e1tica contra a mentira como defeito na lei kantiana, que obriga a \u201cdir\u00e1s sempre a verdade\u201d. N\u00e3o s\u00f3 poderia tornar-se um bom jogador de truco, como tamb\u00e9m poderia transformar-se em um grande diplomata \u2026 ou em um pol\u00edtico \u2026 psicanalista seguramente!<\/p>\n<p>(Risos)<\/p>\n<p>Lacan foi um grande seguidor dos ensinamentos de Balthazar Graci\u00e1n \u2013 um jesu\u00edta a quem admirava \u2013 porque assinalava que n\u00e3o h\u00e1 caminho de santidade poss\u00edvel se n\u00e3o se sabe mentir e que dizer a verdade \u00e9 muitas vezes o pior. Ent\u00e3o, observem este funcionamento atrav\u00e9s do qual ele consegue reinserir-se e obter um lugar, pois seu desejo foi escutado: Sim! E se sustenta absolutamente naquilo que havia sido <em>sua <\/em>solu\u00e7\u00e3o. A chance que ele tem \u00e9 de que agora em vez de n\u00e3o fazer la\u00e7o com \u201cisso\u201d, ele possa com \u201cisso\u201d, em outro dispositivo como o <em>truco,<\/em> passar ao outro que pode ganhar ou perder sustentando sua imagem corporal com o sintoma \u201cmentiroso\u201d.<\/p>\n<p>Em outro caso, tem um menino que fuma e n\u00e3o lhe dizem: \u201cN\u00e3o tens que fumar\u201d. Deslocam a quest\u00e3o dizendo-lhe que isto tem consequ\u00eancias e que assim n\u00e3o poder\u00e1 treinar um esporte. Tamb\u00e9m aqui se observa o efeito de uma conversa\u00e7\u00e3o, onde se fala com este jovem e o qual se respeita tanto ao ponto de deix\u00e1-lo s\u00f3 com sua decis\u00e3o em um campo induzido de desejo. No texto sobre este caso o colega que o apresentou deixou algo fora, por exig\u00eancias de concis\u00e3o. Mas, logo depois ao ampli\u00e1-lo, em nossa conversa\u00e7\u00e3o, disse o que me parece fundamental saber, \u00e9 que o menino chapado continuava comparecendo aos treinos dos demais, ele ficava olhando. De modo que durante uma semana continuou chapado e olhando. De repente j\u00e1 n\u00e3o se apresentou assim e integrou-se no treino. A gente depois pergunta por que diabos houve um acatamento subjetivo a uma norma qualquer? Evidentemente que n\u00e3o foi por ter aderido a um princ\u00edpio kantiano do estilo \u201cn\u00e3o fumarei jamais\u201d ou \u201cfumarei sempre\u201d, mas, tampouco foi por ter assumido um princ\u00edpio aristot\u00e9lico, do tipo \u201cfumarei com modera\u00e7\u00e3o\u201d. Podemos comprovar que ele inventa algo assim \u201calguns dias sim, outros n\u00e3o\u201d, mas porque sente gozo no corpo, como imagem de si um corpo esportivo. Vemos, uma vez mais, que \u00e9 para sustentar um imagin\u00e1rio corporal que ele renuncia aos excessos do gozo da droga.<\/p>\n<p>Tem tamb\u00e9m aquele menino que pensa que deveria ser levado a um centro de sa\u00fade mental e que, em vez disso, termina incorporando-se em uma escola de dan\u00e7a. Mas n\u00e3o se trata de \u201cdan\u00e7aterapia\u201d, nem de orientar de modo geral as pessoas para que realizem atividades \u201csaud\u00e1veis\u201d para o corpo, assim como a dan\u00e7a ou outras. Trata-se de saber que ele j\u00e1 havia conquistado isto como sintoma. Em um estado de m\u00e1xima degrada\u00e7\u00e3o, onde j\u00e1 n\u00e3o tinha nada, numa solid\u00e3o completa, ele havia se inventado como bailarino, solu\u00e7\u00e3o que usou, mais ou menos profissionalmente, at\u00e9 que desmoronou. De maneira que \u00e9 <em>atrav\u00e9s <\/em>de seu sintoma que ele faz la\u00e7o.<\/p>\n<p>Temos, ent\u00e3o, um sujeito que consegue usar seu sintoma \u2018esporte\u2019 para fazer la\u00e7o social e apaziguar o gozo da droga, e outro que consegue isso com seu sintoma \u2018mentiroso\u2019 e temos ainda outro que consegue isso com seu sintoma \u2018bailarino\u2019.<\/p>\n<p>Nos momentos em que se \u00e9 e se est\u00e1 a\u00ed com seu sintoma singular e por defini\u00e7\u00e3o usando-o, estes s\u00e3o, na minha opini\u00e3o, momentos de \u2018dignidade\u2019, que o dispositivo da conversa\u00e7\u00e3o do CIEN faz nascer, resu(s)cita.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Isto \u00e9 o que considero o ganho maior a ser obtido nos dispositivos do CIEN. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m situa\u00e7\u00f5es nas quais n\u00e3o verificamos isto. Constatamos, sim, que h\u00e1 divis\u00e3o subjetiva, um deslocamento da posi\u00e7\u00e3o em que se estava, uma sa\u00edda da impot\u00eancia podendo come\u00e7ar algo. Mas, sem que haja uma conclus\u00e3o sintom\u00e1tica, e sim uma abertura a um novo tempo de compreender.<\/p>\n<p>Quando estamos nesse ponto, \u00e9 preciso que tenham cuidado; n\u00e3o tomem como fato que a pr\u00e1tica do dispositivo impede que desemboquem na religi\u00e3o. Frente aos protocolos, perante o frio das normas burocr\u00e1ticas, o surgimento de um momento de piedade, ou de caridade (que poderia encontrar-se, por exemplo, nessa vice-diretora que se jogou no ch\u00e3o para segurar a crian\u00e7a desesperada) \u00e9 de fato uma grande mudan\u00e7a. Assim o \u00e9 a partir do ponto de vista de uma vice-diretora que se guiava somente pela boa pr\u00e1xis e o protocolo, mas n\u00e3o sabemos de antem\u00e3o se vai na dire\u00e7\u00e3o que nos interessa.<\/p>\n<p>Nestes casos, que tamb\u00e9m foram apresentados de forma muito resumida, foi exclu\u00eddo algo que me parece essencial. Uma das professoras se joga no ch\u00e3o para ver uma crian\u00e7a que n\u00e3o falava quase nada e que s\u00f3 se enraivecia e batia, e ao fazer isto n\u00e3o busca cont\u00ea-la piedosamente; <em>ela v\u00ea nesse contato<\/em> que existe uma possibilidade de trabalhar com esta menina com certos m\u00e9todos de psicomotricidade, que conhecia, e que se lembra. E \u00e9 esta interven\u00e7\u00e3o singular, exerc\u00edcios de psicomotricidade, o que permite uma mudan\u00e7a incr\u00edvel nessa menina. Esta \u00e9, sem d\u00favida, a parte que nos interessa, a inven\u00e7\u00e3o e seu saber, e n\u00e3o a complac\u00eancia de ter sido piedosa com a menina.<\/p>\n<p>Em outro caso, o da biblioteca, ainda n\u00e3o se v\u00ea bem, parece \u2026 Neste caso, trata-se da vice-diretora, para quem pode ser mais dif\u00edcil jogar-se no ch\u00e3o, entretanto para ela foi um momento de grande divis\u00e3o, frente ao qual <em>teve a ideia<\/em> de dar-lhe um espa\u00e7o pr\u00f3prio, convidando-a para um encontro na biblioteca. Mas n\u00e3o temos mais dados para saber se na biblioteca foram rezar juntas pela f\u00e9, pela esperan\u00e7a e pela caridade ou se prosseguir\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o da singularidade do sintoma que nos interessa. \u00c9 nesta linha que lhes digo quando me parece pleno o \u00eaxito de um laborat\u00f3rio do CIEN. Nem sempre acontece e \u00e9 preciso busc\u00e1-lo, t\u00ea-lo como um horizonte.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m advertiria que \u00e9 preciso ter cuidado com as experi\u00eancias que est\u00e3o vinculadas a grupos que t\u00eam uma pr\u00e1tica art\u00edstica, como \u00e9 o caso de um trabalho de um laborat\u00f3rio com um grupo de teatro. Para localizar onde um laborat\u00f3rio pode intervir com a conversa\u00e7\u00e3o, posso advertir de um risco que correm, &#8211; este \u00e9 o opaco papel que me cabe &#8211; de deslizarem \u00e0quilo que se fez em demasia, o psicodrama, pois as mudan\u00e7as que se diz obter, como sair das inibi\u00e7\u00f5es e atravessar n\u00e3o sei que coisas tendo como base a representa\u00e7\u00e3o de personagens no teatro. Isto n\u00e3o tem nada a ver com conseguir algo no real, pela via do sintoma. Isso verificou-se nas loucuras que ocorreram com o efeito do psicodrama e do uso do teatro com inten\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas. Por isto, \u00e9 necess\u00e1rio fazer um esfor\u00e7o para ver como seria poss\u00edvel realizar nesta experi\u00eancia uma articula\u00e7\u00e3o mais precisa.<\/p>\n<p>E quando os efeitos do estilo CIEN, al\u00e9m do que \u00e9 convocado a produzir em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inf\u00e2ncia, tamb\u00e9m t\u00eam a ver com todas estas divis\u00f5es subjetivas que s\u00e3o produzidas nos docentes, ou nos m\u00e9dicos, ou no pessoal da sa\u00fade mental, quando rapidamente interv\u00eam na conversa\u00e7\u00e3o produzindo um efeito de renova\u00e7\u00e3o neles. Isto tamb\u00e9m acontece com os pr\u00f3prios respons\u00e1veis pelo Laborat\u00f3rio, ent\u00e3o \u2026 o nome que daria \u2026 \u00e0 ess\u00eancia deste estilo \u2026 n\u00e3o sei se devo diz\u00ea-lo Beatriz \u2026<\/p>\n<p><strong>Beatriz Udenio<\/strong>: Diga \u2026<\/p>\n<p><strong>J.C Indart<\/strong>: \u00c9 uma pr\u00e1tica sem valor.<\/p>\n<p>(Sil\u00eancio do audit\u00f3rio)<\/p>\n<p><strong> C Indart<\/strong>: E isto n\u00e3o se suporta! Alejandro j\u00e1 n\u00e3o estava suportando muito bem, fazendo-se de fil\u00f3sofo pol\u00edtico, declarando que a escola \u00e9 medieval e que se extingue\u2026<\/p>\n<p>(Risos do audit\u00f3rio)<\/p>\n<p><strong> C. Indart<\/strong>: Fazer grandes profecias sobre aonde iremos parar com isto\u2026 crer na hist\u00f3ria\u2026 nossa pr\u00e1tica n\u00e3o vale nada para isto\u2026 a hist\u00f3ria n\u00e3o saber\u00e1 para que servimos. Se com a palavra buscamos regar o broto da singularidade que o mercado arrasa, devemos aceitar o pre\u00e7o a pagar, ou seja de que o valor de nossa pr\u00e1tica \u00e9 o de n\u00e3o ter valor. N\u00e3o h\u00e1 que se atormentar com problemas que o Laborat\u00f3rio n\u00e3o pode resolver. Conseguir instantes de uma mudan\u00e7a subjetiva como os que estamos discutindo, pois bem, \u00e9 \u201cisso\u201d: n\u00e3o h\u00e1 seguimento, nem tratamento a longo prazo, nem nada nesse estilo; \u00e9 um exemplo do que Lacan pedia da psican\u00e1lise: conseguir ser uma pr\u00e1tica sem valor.<\/p>\n<p>Assim diria, preste aten\u00e7\u00e3o nisso, pois a conversa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m introduz, de imediato imposs\u00edveis para seus participantes; e tamb\u00e9m podem introduzir imposs\u00edveis para os pr\u00f3prios laborat\u00f3rios, e \u00e9 preciso aceitar que algumas situa\u00e7\u00f5es talvez n\u00e3o cheguem a produzir \u201cisso\u201d.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o sobre o que est\u00e1 acontecendo com o Outro dessa escola, na qual se descrevem todos alunos fazendo grunhidos e instaurando ativamente um paradoxo esquizofr\u00eanico, o de \u201cqueremos aula \u2013 n\u00e3o deixaremos dar nenhuma aula\u201d, se prop\u00f5e um pouco como um limite. Alunos organizados com o grunhido e capazes de utilizar o que n\u00f3s adjudicamos ao grande Outro, que n\u00e3o cuida da singularidade e que se rege por hor\u00e1rios fixos e protocolares como o m\u00e1ximo do negativismo\u2026 Assim, quando uma professora p\u00f5e o corpo para tentar ensinar, \u00e9 o grupo que lhe diz: \u201cn\u00f3s nos guiamos pelo protocolo e n\u00e3o \u00e9 seu hor\u00e1rio\u201d. O que acontece a\u00ed? \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o de ruptura extrema do la\u00e7o. E \u00e9 preciso ver sob quais condi\u00e7\u00f5es se poderia inventar algo \u2026 n\u00e3o sei o qu\u00ea. Mas \u00e9 preciso aceitar tamb\u00e9m que podem haver situa\u00e7\u00f5es onde a conversa\u00e7\u00e3o n\u00e3o consiga nada, ou podem dar de cara com os mesmos grunhidos, ou o mesmo desafio ao Outro desta pequena tribo, este pequeno bando.<\/p>\n<p>Para concluir: se a conversa\u00e7\u00e3o pode acontecer \u2013 pode acontecer! \u2013 quando conta com todas vantagens das quais j\u00e1 falamos, \u00e9 porque tem seu imposs\u00edvel e seu real. Assim, o que queria lhes dizer \u00e9: sigam em frente! Minha <em>perspectiva<\/em>, a que considero como sendo a melhor para o CIEN, \u00e9 a de que se interessem pelos ganhos do sintoma, como sustenta\u00e7\u00e3o para um sujeito instalar-se na vida, no mundo, no la\u00e7o social. Muito obrigado.<\/p>\n<h6>(Aplausos)<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: <\/strong>Glacy Gonzales Gorski<\/h6>\n<h6><strong>Revis\u00e3o: <\/strong>Paola Salinas<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Este texto est\u00e1 em trabalho de edi\u00e7\u00e3o para publica\u00e7\u00e3o em espanhol em \u201cCuaderno Nro 8 del CIEN\u201d. Los lazos sociales y sus transformaciones&#8221;, em Buenos Aires. Agradecemos a Hernan Villar e Beatriz Udenio pelo envio do texto para public\u00e1-lo em portugu\u00eas.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> No original, jogo com o equ\u00edvoco de suscitar novamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 12 de setembro de 2017 Mesa de Encerramento &nbsp; Beatriz Udenio: Toda conversa\u00e7\u00e3o tem um come\u00e7o e um final. E chegamos ao final. 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Diria que existem sinais de que algo assim ir\u00e1 acontecendo.&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5658799,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[118,21],"tags":[81],"post_series":[],"class_list":["post-5658074","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cien_digital_22","category-hifen","tag-cien_digital_22","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658074","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5658074"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658074\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5658799"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5658074"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5658074"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5658074"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5658074"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}