{"id":5658079,"date":"2018-11-16T20:42:01","date_gmt":"2018-11-16T22:42:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5658079"},"modified":"2018-11-28T17:58:26","modified_gmt":"2018-11-28T19:58:26","slug":"editorial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/16\/editorial\/","title":{"rendered":"Editorial"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658079?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658079?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><figure id=\"attachment_5658798\" aria-describedby=\"caption-attachment-5658798\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5658798\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/001-300x188.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/001-300x188.png 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/001-768x482.png 768w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/001-274x172.png 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/001-600x376.png 600w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/001.png 877w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5658798\" class=\"wp-caption-text\">Hilma af Klint<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Siglia Le\u00e3o &#8211; Editora<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caro leitor,<\/p>\n<p>Mais um Cien-digital est\u00e1 a\u00ed, na rede.<\/p>\n<p>Esse n\u00famero se apresenta justamente no auge de um tempo fervoroso, em que o discurso \u00e9 comandado pelo racismo e pelo \u00f3dio \u00e0 diferen\u00e7a, em que a palavra est\u00e1 amea\u00e7ada\u00a0<span id=\"m_5400318295870055905ydp114c6686yiv5964104542yui_3_16_0_ym19_1_1542686896848_39764\">em sua livre circula\u00e7\u00e3o<\/span>. Ou ainda, tempo de um discurso \u00e0 parte, onde n\u00e3o h\u00e1 palavra, reina a puls\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse contexto, como conting\u00eancia ou interpreta\u00e7\u00e3o precisa de um momento j\u00e1 anunciado, <em>o tema da VI Manh\u00e3 de Trabalhos do Cien-Brasil<\/em> cai muito bem. Seu argumento, que abre esse Cien-digital 22, incide justamente sobre a fala, a singularidade e a diferen\u00e7a; sobre o dizer do sujeito, sobre o ato e a palavra. \u201cComo cada crian\u00e7a e cada jovem pode constituir e sustentar seu lugar frente \u00e0 intoler\u00e2ncia?\u201d \u00e9 uma das perguntas norteadoras dos trabalhos a serem apresentados no pr\u00f3ximo dia 23 de novembro, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>E qual o estatuto da palavra no CIEN? Outra pergunta norteadora da VI Manh\u00e3 e principal fio condutor dos diversos textos deste n\u00famero, que buscaram cingir <em>o que<\/em> da Conversa\u00e7\u00e3o faz efeito. Sob esse crivo, convido-os inicialmente \u00e0 leitura inspiradora e elucidativa do <em>texto de encerramento da Conversa\u00e7\u00e3o Internacional do CIEN 2017: Os la\u00e7os sociais e suas transforma\u00e7\u00f5es<\/em>, na rubrica <em>H\u00edfen.<\/em> Ali, Juan Carlos Indart nos brinda com <em>pontua\u00e7\u00f5es<\/em> sobre o estilo de conversa\u00e7\u00e3o do CIEN, ressaltando que ela produz, nas \u201cencruzilhadas\u201d de um grupo, um deslocamento, uma transforma\u00e7\u00e3o, compondo um estilo \u201catrav\u00e9s do qual se consegue dissolver a tens\u00e3o pulsional no imagin\u00e1rio\u201d; \u201cuma conversa\u00e7\u00e3o na qual se interv\u00e9m para n\u00e3o deixar cristalizar um S1\u201d. Ainda, em suas <em>perspectivas<\/em> para o Cien, J-C Indart aponta para a <em>\u201cdignidade singular\u201d.<\/em> J\u00e1 Beatriz Udenio recupera uma indica\u00e7\u00e3o de Alejandro Daumas para precisar o lugar dos laborat\u00f3rios, \u201cuma cozinha<em>\u201d<\/em>, onde coloca-se a m\u00e3o na massa, suja-se, e n\u00e3o o palco das \u201ccelebridades\u201d.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, o leitor pode deliciar-se nas diversas cozinhas brasileiras. Do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Paran\u00e1, os diferentes <em>Labor(a)t\u00f3rios<\/em> testemunham suas experi\u00eancias e relatam os desafios di\u00e1rios da vida em um abrigo, na escola, no hospital e institui\u00e7\u00f5es afins, perguntando-se: como inventar sa\u00eddas pr\u00f3prias e originais diante dos obst\u00e1culos? Como n\u00e3o ser afastado de sua mais intima diferen\u00e7a? Como dizer do pr\u00f3prio desejo, do mais particular no meio da massa? Como operar uma sa\u00edda da estereotipia institucional? Como trazer os alunos para o la\u00e7o com a escola? O que se pode diante de impasses resultantes da pol\u00edtica do <em>paratodos<\/em>? Quais as conseq\u00fc\u00eancias para os profissionais de escutar a voz singular de uma crian\u00e7a? E respostas v\u00e3o aparecendo, sendo tecidas na medida do um a um, quando o arriscar-se toma corpo. Arriscar-se a ir al\u00e9m do que \u201creza a cartilha\u201d, apostar no <em>savoir-faire<\/em> de cada profissional e incluindo os desvios do protocolo, permitindo que as quest\u00f5es ecoem fora dos termos tecnocr\u00e1ticos.\u00a0 Ou ainda, como nos diz Emelice Prado Bagnola, em uma bela constru\u00e7\u00e3o de seu encontro com o CIEN, na rubrica <em>Contribui\u00e7\u00f5es<\/em>: \u201cpermitir que as normas tirassem uma folga para que a experi\u00eancia com a subjetividade pudesse realizar um plant\u00e3o de forma singular\u201d.<\/p>\n<p>Na rubrica <em>Historia do Cien no Brasil,<\/em> M\u00f4nica Hage tamb\u00e9m fala de sua entrada no CIEN, seu instante de ver e as elabora\u00e7\u00f5es que se seguiram, com a aposta no corte. O tra\u00e7o da pol\u00edtica do Cien seria fazer dos restos, corte na rotina do trabalho dos profissionais, \u201cdeixando a experi\u00eancia aberta, em suspenso a um tempo de compreender\u201d e \u201cinserir a conversa\u00e7\u00e3o nessa abertura\u201d.<\/p>\n<p>Em <em>\u00d3rbita<\/em>, dois textos nos remetem ao entorno do CIEN, a experi\u00eancias afins que brotam na cidade, que podem nos tocar e de onde podemos extrair ensinamentos. Na contra-corrente da estrondosa massa midi\u00e1tica, Jon Russo nos fala de sua pr\u00e1tica audiovisual interessada no dizer da crian\u00e7a e de sua tentativa de recolher um saber de cada uma delas. Ele nos leva, no passo a passo da cria\u00e7\u00e3o, a entrar num outro tempo.<\/p>\n<p>J\u00e1 Ana Lydia Santiago, a partir da rede Zadig, fala da l\u00f3gica contempor\u00e2nea do racismo, como apontou Lacan, que \u201cconsiste em recha\u00e7ar no Outro um modo diferente de gozo\u201d. O convite a diluir a tinta do discurso racista por meio da palavra est\u00e1 l\u00e1. Aponta-nos uma arma potente: a conversa\u00e7\u00e3o. A \u2018associa\u00e7\u00e3o livre coletivizada\u2019 como um discurso que, ao acolher a trajet\u00f3ria singular de uma vida, resiste \u00e0s ideologias, utopias, ideais e pr\u00e1ticas que gravitam em torno da uniformiza\u00e7\u00e3o dos modos de gozo.<\/p>\n<p>Por fim, remeto-os \u00e0 <em>ENTRE-vista<\/em> de Daniel Roy sobre a especificidade do CIEN, sua rela\u00e7\u00e3o com as outras inst\u00e2ncias do Campo Freudiano e sobre nossa VI Manh\u00e3. Ele nos lembra que a \u201ccoisa violenta\u201d existe para cada um dos seres falantes e retoma Lacan para dizer que \u201cnas institui\u00e7\u00f5es onde h\u00e1 \u2018em situa\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel, uma rela\u00e7\u00e3o baseada na liberdade\u2019, constatamos que as passagens ao ato s\u00e3o finalmente muito raras\u201d.<\/p>\n<p>Que nos tempos que se aproximam, o CIEN resista, em sua extens\u00e3o, como um avesso real da vida contempor\u00e2nea. Que sua vig\u00eancia permane\u00e7a vigorosa!<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Siglia Le\u00e3o &#8211; Editora &nbsp; Caro leitor, Mais um Cien-digital est\u00e1 a\u00ed, na rede. Esse n\u00famero se apresenta justamente no auge de um tempo fervoroso, em que o discurso \u00e9 comandado pelo racismo e pelo \u00f3dio \u00e0 diferen\u00e7a, em que a palavra est\u00e1 amea\u00e7ada\u00a0em sua livre circula\u00e7\u00e3o. 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