{"id":5658941,"date":"2018-11-28T18:29:48","date_gmt":"2018-11-28T20:29:48","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5658941"},"modified":"2018-11-28T18:29:48","modified_gmt":"2018-11-28T20:29:48","slug":"conversacao-inter-disciplinar-cien-bahia-as-trans-formacoes-no-laco-social-a-inquietante-estranheza-do-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/28\/conversacao-inter-disciplinar-cien-bahia-as-trans-formacoes-no-laco-social-a-inquietante-estranheza-do-genero\/","title":{"rendered":"Conversa\u00e7\u00e3o Inter-disciplinar\/CIEN-Bahia: \u201cAs (Trans) Forma\u00e7\u00f5es no La\u00e7o Social: A Inquietante Estranheza do G\u00eanero\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658941?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658941?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><figure id=\"attachment_5658942\" aria-describedby=\"caption-attachment-5658942\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5658942\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/laboratorio002-300x292.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/laboratorio002-300x292.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/laboratorio002-274x267.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/laboratorio002-50x50.jpg 50w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/laboratorio002.jpg 631w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5658942\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Babel &#8211; Miguel Gontijo<\/figcaption><\/figure>\n<h6 style=\"text-align: left;\" align=\"right\">M\u00f4nica Hage Pereira e Wilker Fran\u00e7a<\/h6>\n<p>Por ocasi\u00e3o do forte debate na cidade sobre as quest\u00f5es de g\u00eanero e instigados em nos deixar aprender pelos diversos discursos que giram em torno dessa tem\u00e1tica, no dia 04 de Maio de 2017, o CIEN-Bahia, em parceria com o N\u00facleo de Psican\u00e1lise e Audiovisual, promoveu uma conversa\u00e7\u00e3o inter-disciplinar sobre\u00a0<em>\u201cAs (trans) forma\u00e7\u00f5es no la\u00e7o social: a inquietante estranheza do g\u00eanero\u201d<\/em>, com a presen\u00e7a da m\u00e9dica endocrinologista M\u00e1rcia Sampaio, e a psicanalista Marcela Antelo (AME\/Membro AMP\/EBP). Uma conversa\u00e7\u00e3o calorosa foi composta por v\u00e1rios profissionais psic\u00f3logos, psicanalistas, m\u00e9dicos, estudantes de diversas \u00e1reas das Ci\u00eancias Humanas e um grande contingente de pessoas interessadas pessoalmente no tema.<\/p>\n<p>O CIEN decidido em participar dos debates de temas candentes e que tocam diretamente a popula\u00e7\u00e3o de jovens da nossa atualidade, adota como dispositivo da sua pr\u00e1tica, a Conversa\u00e7\u00e3o, que dever\u00e1 sempre estar orientada pelo real em jogo que emerge como ponto limite do saber. O espa\u00e7o vazio, como pontua Judith Miller (2007), marcado pelo tra\u00e7o de uni\u00e3o do interdisciplinar, sustenta um espa\u00e7o que n\u00e3o \u00e9 de elabora\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, mas que se guia pelas formula\u00e7\u00f5es freudianas e lacanianas e dos diferentes discursos como modalidade de la\u00e7o social que Lacan esclareceu em seu Semin\u00e1rio O Avesso da psican\u00e1lise (LACAN, 1969- 1970). Lacad\u00e9e (2007) nos faz lembrar que o \u201cO CIEN tem uma pr\u00e1tica, deduzida dos diferentes testemunhos, que faz valer como ele trata os pontos dolorosos da vida cotidiana que o discurso corrente agrava mediante suas queixas e mesmo por seus protestos\u201d (p. 8).<\/p>\n<p>Desta vez, o tema pulsante escolhido girou em torno da quest\u00e3o de \u201cg\u00eanero\u201d, e as implica\u00e7\u00f5es dessa quest\u00e3o nas \u201ctransforma\u00e7\u00f5es no la\u00e7o social\u201d &#8211; tema norteador do debate do CIEN em 2017. Dentre os diversos discursos, seja o do determinismo biol\u00f3gico ou daqueles que veem no g\u00eanero uma norma alienante que levaria o sujeito sempre \u00e0 sujei\u00e7\u00e3o, a psican\u00e1lise vem questionar o que \u00e9 ser homem e o que \u00e9 ser mulher, descompletando assim, os outros discursos. Para a psican\u00e1lise, trata-se, de algo \u201cda ordem de uma posi\u00e7\u00e3o subjetiva, dando conta de uma certa rela\u00e7\u00e3o com o corpo e com o Outro\u201d (LEGUIL, 2016, p.40).<\/p>\n<p>Se o g\u00eanero nos confronta com certa estranheza, \u00e9 porque nos remete a uma parte \u00edntima, imposs\u00edvel de dizer em termos de estere\u00f3tipos, ou em termos biol\u00f3gicos.<\/p>\n<h3>A Conversa\u00e7\u00e3o e um corpo que se transforma<\/h3>\n<p>Na conversa\u00e7\u00e3o discutiu-se que o corpo biol\u00f3gico, heran\u00e7a do jogo de uma gen\u00e9tica, n\u00e3o define o g\u00eanero do ponto de vista subjetivo. Contudo, no senso comum convencionou-se chamar de homem, o indiv\u00edduo que possui um p\u00eanis; e de mulher, aquele que possui uma vagina. Aliados a esses \u00f3rg\u00e3os sexuais, este \u201chomem\u201d, ou \u201cmulher\u201d, apresenta-se com toda uma carga hormonal, que o ajuda a definir-se como tal, do ponto de vista da biologia.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica Marcia Sampaio nos apresentou v\u00e1rios recursos f\u00edsico-qu\u00edmicos que a Medicina se utiliza para tentar diminuir o sofrimento daqueles indiv\u00edduos que n\u00e3o se \u201cencaixam\u201d no corpo que se tem. Discorreu sobre como se d\u00e1 o processo de encaminhamento para uma cirurgia de mudan\u00e7a de sexo, destacando que se faz necess\u00e1rio um diagn\u00f3stico preciso de um profissional da sa\u00fade mental, levando em conta toda a \u201cpsicopatologia do paciente\u201d. Destacou, ainda, a necessidade de preencher um protocolo, no qual \u201cse exige de 6 meses a 2 anos de psicoterapia, antes que o paciente inicie o processo de mudan\u00e7a de sexo\u201d.<\/p>\n<p>O discurso m\u00e9dico-cient\u00edfico suscitou v\u00e1rias cr\u00edticas dos que ali estavam, e foi acusado de ser patologizante \u201cpor colocar o sujeito em um lugar de objeto de estudo cient\u00edfico e tentar enquadr\u00e1-lo em etiquetas classificat\u00f3rias\u201d. O argumento utilizado foi o de que \u201ca sexualidade humana n\u00e3o deve se patologizada\u201d.<\/p>\n<p>Descompletando alguns discursos que apareceram durante a Conversa\u00e7\u00e3o, a psicanalista Marcela Antelo, enfatizou que, para a Psican\u00e1lise, corpo e organismo n\u00e3o se confundem e destacou que se a anatomia n\u00e3o \u00e9 o destino, ela s\u00f3 nos interessa enquanto marcada pela linguagem. Em outras palavras, esse corpo biol\u00f3gico que temos, o nosso organismo, se tornar\u00e1 corpo quando for tocado pelo significante. Por sermos seres falantes, \u201co \u00fanico lugar onde se pode ter certezas identit\u00e1rias \u00e9 a loucura\u201d, nos disse Marcela. Dessa forma, ela questionou as certezas identit\u00e1rias dos g\u00eaneros e afirmou que as diferen\u00e7as s\u00f3 existem nos discursos, por isso mesmo, para o discurso psicanal\u00edtico, g\u00eanero \u00e9 um fen\u00f4meno de linguagem.<\/p>\n<p>Como exemplo disso, temos no Facebook americano 56 maneiras diferentes de se ter uma identidade de g\u00eanero e na rede social brasileira s\u00e3o 17 nomes diferentes. \u201cToda essa prolifera\u00e7\u00e3o de nomes s\u00e3o tentativas de dar conta daquilo que j\u00e1 \u00e9 traum\u00e1tico, j\u00e1 \u00e9 um \u201ctranstorno\u201d, para todos n\u00f3s, que \u00e9 a sexualidade\u201d, diz ela. A psican\u00e1lise revela que a sexualidade humana repousa sobre uma aus\u00eancia estrutural e traum\u00e1tica (FUENTES e ANTELO, 2017).<\/p>\n<p>Na Conversa\u00e7\u00e3o p\u00f4de-se perceber tamb\u00e9m a presen\u00e7a de uma forte abordagem social e pol\u00edtica sobre a quest\u00e3o de g\u00eanero. Em algumas falas, foi poss\u00edvel perceber que o incur\u00e1vel imposs\u00edvel se apresenta como impot\u00eancia principalmente quando \u00e9 endere\u00e7ada para o Outro.<\/p>\n<p>Advertidos desse imposs\u00edvel sempre presente na interdisciplinaridade, os impasses vivenciados por v\u00e1rios indiv\u00edduos e profissionais diante dessas transforma\u00e7\u00f5es ficaram em evid\u00eancia na Conversa\u00e7\u00e3o. Um sujeito nos relatou uma de suas viv\u00eancias: Pedro (nome fict\u00edcio) que se denomina transexual masculino, ao ir a uma consulta de rotina foi questionado pela secret\u00e1ria: \u201cComo assim Pedro? O que um homem vem fazer em uma ginecologista?\u201d<\/p>\n<p>Nesse sentido, Leguil (2016) nos esclarece quando coloca que o g\u00eanero para a psican\u00e1lise excede toda norma comportamental e afirma que:<\/p>\n<p>\u201cO g\u00eanero lacaniano \u00e9, portanto, inicialmente, um modo de ser que excede toda norma comportamental. Ele remete a uma certa maneira de assumir, como sujeito, o significante\u00a0<em>homem\u00a0<\/em>ou o significante\u00a0<em>mulher<\/em>, e at\u00e9 mesmo ser ultrapassado por aquilo ao qual remete a esse significante, decorrendo de uma outra cena que n\u00e3o a da consci\u00eancia. Mesmo que haja jogo de g\u00eanero, esse jogo n\u00e3o se reduz a uma mascarada. Para al\u00e9m da mascarada, h\u00e1 um endere\u00e7amento ao Outro. E um modo singular de responder \u00e0 angustia, a partir dos efeitos das palavras sobre o pr\u00f3prio corpo. O g\u00eanero que se tem, no que diz respeito ao Outro, ou o g\u00eanero que se \u00e9, se assentam numa interpreta\u00e7\u00e3o ligada a uma hist\u00f3ria \u00edntima constitu\u00edda de bons e maus encontros, de desejo e de repeti\u00e7\u00e3o, de avan\u00e7os e retornos ao mesmo. Portanto, esse g\u00eanero n\u00e3o remete a uma natureza ou a uma conven\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Trata-se de um desejo de ser ou de n\u00e3o ser, mas tamb\u00e9m de um gozo que p\u00f5e em jogo o corpo\u201d (p.112).<\/p>\n<h3>A Conversa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma aposta<\/h3>\n<p>As Conversa\u00e7\u00f5es do Cien s\u00e3o sempre uma aposta, incluindo o corpo, em deixar-se marcar pela diferen\u00e7a. S\u00f3 podemos dizer que houve uma Conversa\u00e7\u00e3o quando algo se deslocou. Ou seja, quando as palavras de um, tocaram o outro, e algo se modificou.<\/p>\n<p>A partir disso, uma quest\u00e3o se colocou para n\u00f3s do Cien: como fazer um bom uso do dispositivo da Conversa\u00e7\u00e3o quando um impasse n\u00e3o est\u00e1 localizado previamente? Se o\u00a0<em>n\u00e3o saber\u00a0<\/em>\u00e9 o que faz falar, como se d\u00e1 uma Conversa\u00e7\u00e3o quando diferentes saberes s\u00e3o convidados a expor, sustentando-se no discurso de mestre? Como disse Marcus Andr\u00e9 Vieira, na V Manh\u00e3 de Trabalhos do Cien\/Brasil, \u201cA gente precisa se desafetar um pouquinho para poder perguntar o que est\u00e1 acontecendo&#8230; Quando ficamos afetados, j\u00e1 sabemos o que aconteceu.\u201d Quando esses saberes encontram-se apenas para defender seu ponto de vista, a vista do ponto n\u00e3o permite que apare\u00e7a o seu ponto de opacidade.<\/p>\n<p>Os efeitos de uma Conversa\u00e7\u00e3o, para cada um, s\u00f3 saberemos \u00e0 posteriori.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><br \/>\nBROWN, N., MAC\u00caDO, L. e LYRA, R.\u00a0<em>Trauma, solid\u00e3o e la\u00e7o na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia. Experi\u00eancias do Cien no Brasil.<\/em>\u00a0Belo Horizonte: EBP Editora, 2017.<br \/>\nFUENTES, M. J. e ANTELO, M.\u00a0<em>A Semiologia da Sexualidade<\/em>. A Psicopatologia Lacaniana. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2017.<br \/>\nMILLER, J.\u00a0<em>Apresenta\u00e7\u00e3o<\/em>. In.: CIEN Digital. N. 2. 2007.<br \/>\nLACADDE. P. A vinheta pr\u00e1tica tal como ela se elabora no laborat\u00f3rio do CIEN. In.: CIEN Digital. N. 2. 2007.<br \/>\nLEGUIL, C.\u00a0<em>O ser e o g\u00eanero: homem\/ mulher depois de Lacan<\/em>. Belo Horizonte: EBP Editora, 2016.<br \/>\nLACAN, Jacques.\u00a0<em>Semin\u00e1rio 17 &#8211; o avesso da psican\u00e1lise<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.<\/h6>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00f4nica Hage Pereira e Wilker Fran\u00e7a Por ocasi\u00e3o do forte debate na cidade sobre as quest\u00f5es de g\u00eanero e instigados em nos deixar aprender pelos diversos discursos que giram em torno dessa tem\u00e1tica, no dia 04 de Maio de 2017, o CIEN-Bahia, em parceria com o N\u00facleo de Psican\u00e1lise e Audiovisual, promoveu uma conversa\u00e7\u00e3o inter-disciplinar&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5658942,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[126,22],"tags":[82],"post_series":[],"class_list":["post-5658941","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cien-digital-21","category-laboratorios","tag-cien_digital_21","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658941","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5658941"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658941\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5658942"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5658941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5658941"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5658941"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5658941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}