{"id":5658950,"date":"2018-11-28T18:36:54","date_gmt":"2018-11-28T20:36:54","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5658950"},"modified":"2018-11-28T18:36:54","modified_gmt":"2018-11-28T20:36:54","slug":"as-vias-do-cien","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/28\/as-vias-do-cien\/","title":{"rendered":"As vias do CIEN"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658950?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658950?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><figure id=\"attachment_5658951\" aria-describedby=\"caption-attachment-5658951\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5658951\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/hifen-300x219.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"219\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/hifen-300x219.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/hifen-274x200.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/hifen.jpg 680w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5658951\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Micaela Lattanzio<\/figcaption><\/figure>\n<h6 style=\"text-align: left;\" align=\"right\">\u00c9ric Laurent<br \/>\nBarcelona, novembro de 1997.<\/h6>\n<p>Gra\u00e7as ao trabalho do CIEN, confirmado na sua brochura n\u00famero 1, sabemos o sentido que come\u00e7a a ter a palavra interdisciplinar e podemos come\u00e7ar a dar uma melhor forma \u00e0s vias que ela vai tomando para alcan\u00e7ar seus objetivos.<\/p>\n<h3><strong>1. O que \u00e9 disciplina e o que \u00e9 interdisciplinar.<\/strong><\/h3>\n<p>Existem as diversas disciplinas ou pr\u00e1ticas que tomam \u00e0 crian\u00e7a como objeto. Podemos enumerar v\u00e1rias delas, sem pretender a exaust\u00e3o, e propor uma primeira lista: a pedagogia, a pediatria, a neonatologia, a psiquiatria infanto-juvenil, as ci\u00eancias sociais, a gest\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es especializadas, etc. Neste n\u00edvel, os saberes ou as pr\u00e1ticas n\u00e3o circulam, ou circulam pouco, entre elas. Nascem e se desenvolvem em compartimentos estanques. Por um lado, h\u00e1 um n\u00edvel interdisciplinar que existe desde o in\u00edcio na cidade que \u00e9 o direito. Este assegura a linguagem interdisciplinar necess\u00e1ria para que seus saberes n\u00e3o produzam incoer\u00eancia pol\u00edtica nas encruzilhadas e interse\u00e7\u00f5es de suas consequ\u00eancias pr\u00e1ticas. Seja qual for a disciplina, ela \u00e9 respons\u00e1vel pelos efeitos produzidos pelo seu saber frente ao direito, pois nossa civiliza\u00e7\u00e3o se define sobre a base dos direitos do homem. Um centro interdisciplinar sobre a crian\u00e7a interessa-se, ent\u00e3o, ao mesmo tempo, por cada disciplina e pela linguagem formalizada que coloca uma em rela\u00e7\u00e3o com a outra. Interessa-se pelas dificuldades, problemas, incoer\u00eancias, disfun\u00e7\u00f5es e esc\u00e2ndalos que se apresentam na aplica\u00e7\u00e3o dos direitos do homem ao sujeito qualificado como crian\u00e7a. Estas rupturas se apresentam tanto na pr\u00e1tica como na teoria do direito. O que n\u00e3o \u00e9 interdisciplinar \u00e9 pensar que \u00e9 suficiente acrescentar a verdade psicanal\u00edtica a cada disciplina para estar \u00e0 altura da nossa tarefa.<\/p>\n<h3><strong>2. Os limites de acrescentar a verdade ed\u00edpica.<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o \u00e9 suficiente simplesmente recordar que a avalia\u00e7\u00e3o correta das dificuldades da crian\u00e7a deve levar em conta as dificuldades familiares, n\u00e3o s\u00f3 na realidade, mais tamb\u00e9m no n\u00edvel da verdade fantasm\u00e1tica ed\u00edpica.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9, neste registro, irm\u00e3 da impot\u00eancia. Na gravidez quando estranhas demandas de adop\u00e7\u00e3o s\u00e3o propostas, na constata\u00e7\u00e3o dos maus tratos ou nos abusos sexuais, o contexto familiar est\u00e1 no limite do que pode se chamar de fam\u00edlia \u2013 pelo menos na defini\u00e7\u00e3o tomista habitualmente considerada como natural.<\/p>\n<p>A perspectiva tomista, reduzida a seu aspecto mec\u00e2nico, volta a considerar a fam\u00edlia como a institui\u00e7\u00e3o mediadora que pode educar uma crian\u00e7a de acordo as normas de uma \u00e9poca. Esta institui\u00e7\u00e3o reduz-se cada vez mais a uma propriedade da classe m\u00e9dia. Seja qual for a configura\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, da tradicional \u00e0 multidivorciada, passando pela monoparental, todas elas encontram apoios e suportes psicol\u00f3gicos e sociais para cumprir sua fun\u00e7\u00e3o. As disfun\u00e7\u00f5es que tem lugar dentro destas configura\u00e7\u00f5es, podem se apoiar mais facilmente em uma abordagem terap\u00eautica inspirada pela psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, esta abordagem deixa fora do caminho os grupos humanos nos quais o tratamento social se apoia na segrega\u00e7\u00e3o e n\u00e3o na media\u00e7\u00e3o. Os fen\u00f4menos de viol\u00eancia que se apresentam n\u00e3o se sustentam mais no cuidado psicol\u00f3gico individual ou na vontade de fazer acreditar na exist\u00eancia de uma fam\u00edlia ali onde ela n\u00e3o existe. Como se orientar diante destes fen\u00f4menos de gozo mau (<em>mauvaise jouissance<\/em>) que surgem nestas margens?<\/p>\n<h3><strong>3. A \u00e9tica da psican\u00e1lise<\/strong><\/h3>\n<p>Ao querer regulamentar tudo nos limites da raz\u00e3o familiar ou ed\u00edpica, corremos o risco de ficar submersos no familiarismo delirante. Isto n\u00e3o nos alivia do fato de que devemos nos orientar pelas quest\u00f5es do gozo, por piores que sejam, a partir da \u00e9tica da nossa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>O ponto de vista moral sobre as quest\u00f5es do<em>\u00a0\u201cmal-gozar<\/em>\u201d que implicam \u00e0 crian\u00e7a n\u00e3o nos satisfaz, como nos maus-tratos que ela pode sofrer ou as viol\u00eancias que ela pode infringir aos outros. Por outro lado, isto n\u00e3o implica irresponsabilidade. Podemos lembrar que isso se manifesta sob a m\u00e1scara da permissividade ou da repress\u00e3o cega. O supereu tamb\u00e9m se apresenta sob essas duas vertentes e empuxa o sujeito a uma ou outra via em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cat\u00e1strofe. Precisamos favorecer o despertar \u00e0 responsabilidade do gozo que retorna a cada um, das proibi\u00e7\u00f5es universais que outros enunciam.<\/p>\n<p>O estado moderno busca institui\u00e7\u00f5es as quais delegar as responsabilidades e para aliviar os custos institucionais. N\u00e3o se trata de dar cr\u00e9dito \u00e0s tentativas de restaura\u00e7\u00e3o das figuras de autoridade que se consideram mais ou menos dignas de serem seus deposit\u00e1rios. Tamb\u00e9m n\u00e3o vemos porqu\u00ea nos opor \u00e0s reflex\u00f5es contempor\u00e2neas sobre os limites da permissividade. Ent\u00e3o, nada de universais a\u00ed, trata-se de uma a\u00e7\u00e3o que cuide das velhas luas<a title=\"\" href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">\u00a0<\/a>e dos novos \u00eddolos. Uma vontade de uma pesquisa precisa, para al\u00e9m dos preconceitos, e especialmente necess\u00e1ria nos espa\u00e7os onde as quest\u00f5es do gozo est\u00e3o em primeiro plano.<\/p>\n<p>Nossa a\u00e7\u00e3o jamais \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o em massa, e n\u00e3o se localiza no n\u00edvel sociol\u00f3gico. Isso n\u00e3o quer dizer simplesmente que a n\u00f3s nos corresponde o caso a caso, pois chegamos a enunciar princ\u00edpios. Pelo contr\u00e1rio, isso quer dizer que \u00e9 necess\u00e1rio fazer obst\u00e1culo a uma vontade de aplica\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica da norma e poder levar em conta a dimens\u00e3o subjetiva na qual ela faz exce\u00e7\u00e3o, que ela ultrapassa a norma, mesmo que seja a do direito. Devemos encontrar a maneira de traduzir o saber cl\u00ednico no n\u00edvel da norma.<\/p>\n<p>Para concluir, o CIEN pode ajudar a produzir as fic\u00e7\u00f5es do direito concernentes \u00e0 crian\u00e7a e que melhor convenham aos terr\u00edveis problemas que enfrentam. O CIEN n\u00e3o pode produzi-las. Deve se informar dos lugares de gozo (assim como h\u00e1 lugares de mem\u00f3ria), se aproximando a outros que precisam desta inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as das popula\u00e7\u00f5es, que implica o regime segregativo na nossa civiliza\u00e7\u00e3o, nos for\u00e7am a saber que sempre ser\u00e3o necess\u00e1rias inven\u00e7\u00f5es e fic\u00e7\u00f5es. A psican\u00e1lise pode ajudar a escolh\u00ea-las melhor e a invent\u00e1-las, se desembara\u00e7ando dos preconceitos do velho e, ao mesmo tempo, sabendo que o novo seguramente n\u00e3o se confunde com o poss\u00edvel. \u00c9 necess\u00e1rio saber antecipar o imposs\u00edvel para evitar os golpes.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: left;\" align=\"right\">Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: Nohem\u00ed Brown<br \/>\nRevis\u00e3o: Paola Salinas<\/h6>\n<div>\n<div><\/div>\n<hr \/>\n<h6 id=\"ftn2\">NT: Da express\u00e3o em franc\u00eas, traduzida literalmente ao espanhol: &#8220;Vieilles lunes&#8221;. Significa ideias antiquadas, o que junto a express\u00e3o \u201cnovos \u00eddolos\u201d sugere tratar-se de ideais antigas disfar\u00e7adas de novas op\u00e7\u00f5es.<\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9ric Laurent Barcelona, novembro de 1997. Gra\u00e7as ao trabalho do CIEN, confirmado na sua brochura n\u00famero 1, sabemos o sentido que come\u00e7a a ter a palavra interdisciplinar e podemos come\u00e7ar a dar uma melhor forma \u00e0s vias que ela vai tomando para alcan\u00e7ar seus objetivos. 1. 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