{"id":5658965,"date":"2018-11-28T18:57:29","date_gmt":"2018-11-28T20:57:29","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5658965"},"modified":"2018-11-28T19:22:54","modified_gmt":"2018-11-28T21:22:54","slug":"sobre-a-diferenca-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/28\/sobre-a-diferenca-sexual\/","title":{"rendered":"Sobre a diferen\u00e7a sexual: breve coment\u00e1rio a partir da experi\u00eancia do CIEN"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658965?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658965?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><figure id=\"attachment_5658967\" aria-describedby=\"caption-attachment-5658967\" style=\"width: 251px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5658967\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/giuseppe-capogrossi-251x300.jpg\" alt=\"\" width=\"251\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/giuseppe-capogrossi-251x300.jpg 251w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/giuseppe-capogrossi-274x328.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/giuseppe-capogrossi.jpg 669w\" sizes=\"auto, (max-width: 251px) 100vw, 251px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5658967\" class=\"wp-caption-text\">Giuseppe Capogrossi<\/figcaption><\/figure>\n<h6><em>Virg\u00ednia Carvalho<\/em><\/h6>\n<p><em>\u201cQue \u00e9 ser homem?\u201d<\/em>\u00a0Tal quest\u00e3o foi isolada a partir da\u00a0<em>Conversa\u00e7\u00e3o dos Laborat\u00f3rios CIEN Minas<\/em>. Um desses laborat\u00f3rios convida \u00e0 palavra 20 rapazes que, em atitude de recusa, n\u00e3o permaneciam dentro da sala de aula na escola onde estudavam. Uma outra conversa\u00e7\u00e3o teve como ponto \/problema o comportamento exibicionista de um adolescente que, tal como Di\u00f3genes, no centro da sala de aula produz reboli\u00e7o com a exibi\u00e7\u00e3o de seu \u00f3rg\u00e3o sexual. Outro laborat\u00f3rio destaca o testemunho de uma jovem de se passar por homem, tentando, para isso e com apoio no jogo significante, bancar a \u201chomi-cida\u201d. O laborat\u00f3rio interessado pelo uso das tecnologias digitais p\u00f5e em evid\u00eancia a busca de jovens rapazes nas redes sociais como suporte para decifrar a quest\u00e3o de como ser homem. Essa tamb\u00e9m \u00e9 a quest\u00e3o de jovens que se encontram envolvidos com o tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p>Assim,\u00a0<em>\u201cQue \u00e9 ser homem?\u201d<\/em>\u00a0se tornou a quest\u00e3o do CIEN Minas para o segundo semestre de 2016. Pretendemos trabalhar este tema de forma livre e divertida, como Jacques-Alain Miller, em seu texto de Arcachon (1997), destacou a respeito das conversa\u00e7\u00f5es dos gregos. Por isso, designamos \u201cconversa\u00e7\u00f5es ao vivo\u201d nossa iniciativa de trazer para o debate o que se extrai da experi\u00eancia\u00a0<em>inter-disciplinar<\/em>. Como j\u00e1 \u00e9 sabido, \u201cinter\u201d e \u201cdisciplinar\u201d, no CIEN, s\u00e3o separados por um h\u00edfen, para preservar o vazio de n\u00e3o saber entre as disciplinas (orienta\u00e7\u00e3o de Judith Miller, 2007):\u00a0<em>\u201cUm vazio que pode indicar o lugar de uma aus\u00eancia vibrante, viva, como um cora\u00e7\u00e3o que bate, pulsante\u201d (MILLER, 2007, p.5)<\/em>.<\/p>\n<h4>XXY: elei\u00e7\u00e3o do sexo?<\/h4>\n<p>O filme XXY, de Luc\u00eda Puenzo, animou uma sess\u00e3o CINECIEN neste semestre.\u00a0<em>O que \u00e9 ser homem e o que \u00e9 ser mulher?<\/em>\u00a0\u00e9 apresentado por meio de um imperativo social. Alex deve se decidir entre uma ou outra posi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que nasceu hermafrodita. O enredo do filme mostra como a sexualidade n\u00e3o \u00e9 natural, nem pass\u00edvel de normatiza\u00e7\u00e3o. XXY, sob o vi\u00e9s da intersexualidade, instigou uma conversa sobre as escolhas (for\u00e7adas ou n\u00e3o), na esfera do g\u00eanero, da posi\u00e7\u00e3o sexuada, do modo de gozo, perpassando pela interfer\u00eancia da biologia.<\/p>\n<p>Face \u00e0 elei\u00e7\u00e3o sexual, o que o sujeito elege? Mais al\u00e9m da anatomia ou das identifica\u00e7\u00f5es, trata-se de uma elei\u00e7\u00e3o do gozo, como explicitou os trabalhos do 1\u00ba Col\u00f3quio Internacional do OCA \u2013 Observat\u00f3rio da Crian\u00e7a e do Adolescente, realizado em parceria com o CIEN, sobre a rubrica:\u00a0<em>Mais al\u00e9m do g\u00eanero: o corpo adolescente e seus sintomas<\/em>(maio\/2016).<\/p>\n<p>\u201cSou homem e sou mulher\u201d, afirma o personagem Alex. Ou, ainda: \u201cE se n\u00e3o h\u00e1 o que escolher?\u201d A conversa\u00e7\u00e3o provocada pelo filme em CINECIEN levou os presentes a se interrogarem se j\u00e1 n\u00e3o havia uma elei\u00e7\u00e3o feita por Alex \u2013 escolha que n\u00e3o escapa, em certa medida, ao tr\u00e2nsito entre o lado feminino e o masculino da sexua\u00e7\u00e3o. A esse respeito, a psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 binarista, justamente porque considera que esse tr\u00e2nsito entre as duas posi\u00e7\u00f5es sexuais existe para todos os seres falantes. Mais al\u00e9m da diferen\u00e7a anat\u00f4mica, \u201cconserva o princ\u00edpio da diferen\u00e7a entre os sexos concernentes \u00e0s distintas distribui\u00e7\u00f5es do gozo \u2013 seja ele o gozo f\u00e1lico ou o gozo \u201cn\u00e3o-todo\u201d f\u00e1lico\u201d (SANTIAGO et al, 2014).<\/p>\n<figure id=\"attachment_5658966\" aria-describedby=\"caption-attachment-5658966\" style=\"width: 226px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5658966\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/josh-smith-226x300.jpg\" alt=\"\" width=\"226\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/josh-smith-226x300.jpg 226w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/josh-smith-274x363.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/josh-smith.jpg 377w\" sizes=\"auto, (max-width: 226px) 100vw, 226px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5658966\" class=\"wp-caption-text\">Josh Smith<\/figcaption><\/figure>\n<h4>\u201cErro comum\u201d: menino ou menina?<\/h4>\n<p>A\u00a0<em>conversa\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0dos integrantes dos cart\u00e9is do OCA, com Daniel Roy, em agosto\/2016, sobre o tema &#8220;TRANS &#8211; sexo e g\u00eanero no tempo da inf\u00e2ncia\u201d \u2013realizada tamb\u00e9m em parceria com o CIEN \u2013, evidenciou a contribui\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise de explicitar que a nomea\u00e7\u00e3o feita com base na anatomia n\u00e3o corresponde, necessariamente, ao modo de gozo sexual. O que constitui normalmente um impasse para o p\u00fabere, frente \u00e0 elei\u00e7\u00e3o que busca fazer, \u00e9 esse modo de gozo, pr\u00f3prio a cada um.<\/p>\n<p>Daniel Roy, remetendo-nos ao \u201c..ou pior\u201d (1971\/72), de Lacan, nos lembra que entramos na vida por um \u201cerro comum\u201d, \u00e0 saber, o de considerar que ter ou n\u00e3o ter nos representaria. Quando o beb\u00ea ainda est\u00e1 na barriga da m\u00e3e, diz-se, a partir da anatomia, se ser\u00e1 menino ou menina. A presen\u00e7a do instrumento f\u00e1lico leva a dizer que \u00e9 um menino e a esperar que se comporte como tal, na perspectiva da l\u00f3gica do propriet\u00e1rio. A aus\u00eancia do mesmo, leva \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de que \u00e9 uma menina e espera-se dela certa feminilidade. Seria essa a tentativa de dar uma significa\u00e7\u00e3o \u00e0 diferen\u00e7a sexual a partir do que \u201cse tem ou n\u00e3o no meio das pernas\u201d. Para Vilela (2012), eis o \u2018erro comum\u2019, pois\u00a0<em>\u201cisso s\u00f3 ser\u00e1 verdade se a crian\u00e7a consentir com o gozo f\u00e1lico, se ela tirar da\u00ed consequ\u00eancias em sua rela\u00e7\u00e3o com o homem e com a mulher, e as aceitar\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Para Daniel Roy, n\u00e3o importa ao psicanalista \u201cse \u00e9 um homem ou uma mulher\u201d, j\u00e1 que ele n\u00e3o se baseia em nenhuma norma pr\u00e9via. Isso n\u00e3o o leva, por outro lado, a desconsiderar os efeitos da anatomia e da biologia sobre o sujeito. A psican\u00e1lise considera o corpo biol\u00f3gico \u2013esclarece J\u00e9sus Santiago na Conversa\u00e7\u00e3o \u2013, assim como a natureza e a diferen\u00e7a entre os sexos. Desde Freud (1925\/1996) s\u00e3o lembradas as consequ\u00eancias ps\u00edquicas da distin\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica entre os sexos e a\u00a0<em>pr\u00e1xis<\/em>\u00a0nos mostra o quanto, mesmo em tempos\u00a0<em>trans<\/em>, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel anular essa diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Enfim, a psican\u00e1lise acolhe a flexibilidade e a transgeneidade dos modos de gozo, e se interessa pelos efeitos do choque do significante sobre o corpo, que tamb\u00e9m \u00e9 de carne e osso. E o CIEN, com sua interven\u00e7\u00e3o orientada e, ao mesmo tempo, em contextos plurais, pode nos trazer mais avan\u00e7os sobre o tema, no\u00a0<em>\u201cao vivo\u201d<\/em>\u00a0que a\u00a0<em>inter-disciplinariedade<\/em>\u00a0possibilita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"footer-notes\">\n<h6>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/h6>\n<h6>FREUD, Sigmund (1925).\u00a0<em>Consequ\u00eancias ps\u00edquicas da distin\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica entre os sexos<\/em>. In: ESB. Rio de Janeiro: Imago, 1996.<\/h6>\n<h6>LACAN, Jacques. (1971-72).\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, livro 19: &#8230; ou pior<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.<\/h6>\n<h6>MILLER, Jacques-Alain et al.\u00a0<em>Os casos raros, inclassific\u00e1veis da cl\u00ednica psicanal\u00edtica: a Conversa\u00e7\u00e3o de Arcachon<\/em>.\u00a0S\u00e3o Paulo: Biblioteca Freudiana Brasileira, 1998.<\/h6>\n<h6>MILLER, Judith. Judith Miller nos diz o que \u00e9 o CIEN. In:\u00a0<em>Cien Digital<\/em>, n.2, dez, 2007. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.institutopsicanalise-mg.com.br\/ciendigital\/pdf\/CIEN-Digital02.pdf\">http:\/\/www.institutopsicanalise-mg.com.br\/ciendigital\/pdf\/CIEN-Digital02.pdf<\/a><\/h6>\n<h6>SANTIAGO, J\u00e9sus et al.\u00a0<em>Corpo de homem<\/em>. 2013. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.enapol.com\/pt\/template.php?file=Las-Conversaciones-del-ENAPOL\/Cuerpo-de-Hombre\/Jesus-Santiago.html\">http:\/\/www.enapol.com\/pt\/template.php?file=Las-Conversaciones-del-ENAPOL\/Cuerpo-de-Hombre\/Jesus-Santiago.html<\/a><\/h6>\n<h6>VILELA, Yolanda. O \u201cerro comum\u201d e a paix\u00e3o transexual. In:\u00a0<em>Almanaque on-line<\/em>, n\u00ba11, jul-dez 2012. Dispon\u00edvel:\u00a0<a href=\"http:\/\/almanaquepsicanalise.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Incurs%C3%B5es-O-erro-comum-e-a-paix%C3%A3o-transexual-Yolanda-Vilela.pdf\">http:\/\/almanaquepsicanalise.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Incurs%C3%B5es-O-erro-comum-e-a-paix%C3%A3o-transexual-Yolanda-Vilela.pdf<\/a><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Virg\u00ednia Carvalho \u201cQue \u00e9 ser homem?\u201d\u00a0Tal quest\u00e3o foi isolada a partir da\u00a0Conversa\u00e7\u00e3o dos Laborat\u00f3rios CIEN Minas. 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