{"id":5658977,"date":"2018-11-28T19:16:57","date_gmt":"2018-11-28T21:16:57","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5658977"},"modified":"2018-11-28T19:23:30","modified_gmt":"2018-11-28T21:23:30","slug":"juventude-trauma-e-mal-estar-na-contemporaneidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/28\/juventude-trauma-e-mal-estar-na-contemporaneidade\/","title":{"rendered":"Juventude, trauma e mal-estar na contemporaneidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658977?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658977?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><figure id=\"attachment_5658979\" aria-describedby=\"caption-attachment-5658979\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5658979 size-medium\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/ana-linnermann-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/ana-linnermann-300x225.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/ana-linnermann-768x575.jpg 768w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/ana-linnermann-274x205.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/ana-linnermann.jpg 796w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5658979\" class=\"wp-caption-text\">Ana Linnemann<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Margaret Diniz<\/h6>\n<p>O projeto \u201cSOU MAIS JUVENTUDE\u201d realizado na Universidade Federal de Ouro Preto, desde 2013, derivou de uma situa\u00e7\u00e3o de morte de dois jovens estudantes, por uso e abuso de \u00e1lcool e drogas. Alunos\/as nos procuraram abalados pelo epis\u00f3dio, dizendo-nos do impacto daquele acontecimento em suas vidas. Participamos, hoje, de situa\u00e7\u00f5es de inseguran\u00e7a social, era dos atentados terroristas, da viol\u00eancia urbana, dos ataques sexuais, das cat\u00e1strofes naturais, de uma grande taxa de mortalidade nos casos de traumatismos. Para Laurent (2004), essa inseguran\u00e7a social n\u00e3o \u00e9 somente um fen\u00f4meno sociol\u00f3gico, mas \u00e9 um novo plano da cl\u00ednica. Podemos pensar que, para alguns sujeitos, at\u00e9 o acontecimento traum\u00e1tico, eles funcionavam bem, existia uma subjetividade organizada que lhes permitia funcionar sem sobressaltos.\u00a0O car\u00e1ter traum\u00e1tico nessas circunst\u00e2ncias, entendendo o conceito de trauma como nos ensina Laurent (2004), sugere que depois do trauma \u00e9 preciso reinventar o Outro. Faz-se importante para os psicanalistas trabalharem com o dizer do sujeito para que ele novamente encontre as regras da vida, possa criar certa mentira, uma fic\u00e7\u00e3o que inclua o traum\u00e1tico. Conforme Lacan nos diz a respeito do\u00a0<em>troumatisme<\/em>: \u201cInventamos um truque para preencher o buraco no real, ali onde n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, Um se inventa\u201d (Lacan, li\u00e7\u00e3o de 19\/02\/1974).<\/p>\n<p>O impacto da morte dos dois estudantes sobre a comunidade de Ouro Preto, levou algumas\/uns professores\/as a interrogarem: O que querem os jovens na atualidade? Como n\u00f3s, adultos\/as, professores\/as do ensino superior, psicanalistas estar\u00edamos implicados com os excessos, atos e passagens ao ato de nossos\/as jovens estudantes? Diante dessas perguntas e do nosso embara\u00e7o em respond\u00ea-las, nos propusemos a conversar entre os pares e os\/as pr\u00f3prios jovens da Universidade. Naquele momento, a convoca\u00e7\u00e3o era \u00e9tica, n\u00e3o nos permitindo pactuar com o silenciamento. Existe na cidade de Ouro Preto uma tradi\u00e7\u00e3o republicana, onde festas e eventos s\u00e3o promovidos, quase de forma secreta, impondo rituais de passagem a jovens homens e mulheres para que acedam ao ensino superior e \u00e0s moradias estudantis federais.<\/p>\n<p>Convidamos os\/as alunos\/as e professores\/as para uma Conversa\u00e7\u00e3o sobre aquele epis\u00f3dio que abalou a cidade. Apostamos nas Conversa\u00e7\u00f5es, como dispositivo da psican\u00e1lise, que pela oferta da palavra visa tratar o impacto de experi\u00eancias avassaladoras. Pretend\u00edamos tratar o que restava da experi\u00eancia, provocando deslocamentos de lugares fixos, j\u00e1 consolidados em nome de \u201cuma tradi\u00e7\u00e3o\u201d. Tal estrat\u00e9gia poderia fazer vacilar o sujeito preso a verdades inquestion\u00e1veis, provocando a busca de novos posicionamentos. Uma aposta que colocaria em funcionamento os restos do trauma, aquilo que como \u201crealidade escondida\u201d carece de significa\u00e7\u00e3o. A\u00ed, ent\u00e3o, seria poss\u00edvel inventar novas sa\u00eddas.<\/p>\n<p>Naquele momento n\u00e3o havia proposta pr\u00e9via de um projeto, e o que podemos hoje nomear como o projeto \u201cSou mais Juventude\u201d nasceu de forma coletiva e compartilhada, como efeito de v\u00e1rias Conversa\u00e7\u00f5es entre nossos\/as colegas professores\/as, t\u00e9cnicos\/as e estudantes da UFOP. Desde ent\u00e3o, alojado no Programa de Pesquisa\/extens\u00e3o Caleidosc\u00f3pio<a id=\"_ftn2\" href=\"#ftn2\">[2]<\/a>, que visa tratar do mal-estar produzido quando est\u00e3o em pauta categorias como diferen\u00e7a, subjetividade, inclus\u00e3o e direitos humanos. Com o transcorrer dos trabalhos, o \u201cSou Mais Juventude\u201d vem ganhando aliados\/as e se organizando como uma a\u00e7\u00e3o de pesquisa\/interven\u00e7\u00e3o na Universidade. Com o prop\u00f3sito de proporcionar a reflex\u00e3o cont\u00ednua na comunidade acad\u00eamica buscamos a constru\u00e7\u00e3o conjunta de sa\u00eddas e interven\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas para o enfrentamento dos signos de mal-estar na juventude.<\/p>\n<p>Ao trabalharmos em torno do termo juventudes no plural enfatizamos a multiplicidade de sentidos e interpreta\u00e7\u00f5es presentes nesse tema, como tamb\u00e9m ressaltamos a descontinuidade hist\u00f3rica que rompe com a concep\u00e7\u00e3o naturalizante das idades de vida do sujeito. Nosso prop\u00f3sito \u00e9 criar possibilidades de discutir o termo juventude na sua dimens\u00e3o simb\u00f3lica, insepar\u00e1vel das transforma\u00e7\u00f5es decorrentes na ordem social, cultural, pol\u00edtica, ps\u00edquica e econ\u00f4mica, levando em conta as singularidades.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5658978\" aria-describedby=\"caption-attachment-5658978\" style=\"width: 273px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5658978\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/tea-leaves-273x300.jpg\" alt=\"\" width=\"273\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/tea-leaves-273x300.jpg 273w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/tea-leaves-274x301.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/tea-leaves.jpg 375w\" sizes=\"auto, (max-width: 273px) 100vw, 273px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5658978\" class=\"wp-caption-text\">Joshua Evans-Hooper, Tea Leaves<\/figcaption><\/figure>\n<p>Alguns princ\u00edpios nos orientam nessa condu\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de juventudes na UFOP: o car\u00e1ter indissoci\u00e1vel entre ensino, pesquisa e extens\u00e3o; uma discuss\u00e3o coletiva e horizontal sobre o tema e seus desdobramentos; a participa\u00e7\u00e3o de representantes de v\u00e1rios cursos da UFOP; o protagonismo juvenil assegurado por meio de direitos e responsabilidades dos jovens; a inser\u00e7\u00e3o de temas da diferen\u00e7a e da diversidade (g\u00eanero, sexualidade, ra\u00e7a e etnia, classe, defici\u00eancias e necessidades espec\u00edficas) nas a\u00e7\u00f5es da UFOP; a busca da qualidade de vida para estudantes, com melhoria das condi\u00e7\u00f5es de moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, cultura, lazer, transporte e esporte; a constru\u00e7\u00e3o de melhores rela\u00e7\u00f5es com as cidades; a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda, bem como a preocupa\u00e7\u00e3o com a inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho; o incentivo \u00e0 continuidade de estudos em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e avan\u00e7o na internacionaliza\u00e7\u00e3o por meio de interc\u00e2mbios e conv\u00eanios.<\/p>\n<p>Levando em conta esses princ\u00edpios, bem como o contexto de cada semestre letivo, a programa\u00e7\u00e3o das edi\u00e7\u00f5es \u00e9 constru\u00edda, passo a passo, com a participa\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos\/as, professores\/as e alunos\/as por meio de conversa\u00e7\u00f5es com o Comit\u00ea Gestor do Projeto. Podemos definir alguns eixos que balizam nossas a\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ol class=\"lista-espacada\">\n<li>Colocar em discuss\u00e3o as representa\u00e7\u00f5es acerca do jovem, sua imagem e seus reflexos na sociedade contempor\u00e2nea, ressaltando os momentos de transi\u00e7\u00e3o dos sujeitos.<\/li>\n<li>Enfatizar a rela\u00e7\u00e3o do jovem com a m\u00eddia e a comunica\u00e7\u00e3o, pois nos interessa investigar as novas formas de comunica\u00e7\u00e3o que v\u00eam se consolidando para garantir o la\u00e7o social entre os jovens, promovendo assim a interlocu\u00e7\u00e3o com o eixo anterior sobre as representa\u00e7\u00f5es de juventudes: em que medida essas representa\u00e7\u00f5es criam discursos sobre os jovens como v\u00e2ndalos, depredadores, desordeiros, violentos, funkeiros, etc&#8230;<\/li>\n<li>Colocar acento na rela\u00e7\u00e3o da juventude com o cotidiano universit\u00e1rio, nos interessando analisar a perspectiva inclusiva, ou o acolhimento \u00e0 diferen\u00e7a como bandeira do papel social da universidade.<\/li>\n<li>Importa-nos investigar a rela\u00e7\u00e3o com as drogas e os seus diferentes usos entre universit\u00e1rios, identificando tanto a preval\u00eancia do consumo de subst\u00e2ncias psicoativas entre estudantes, quanto as estrat\u00e9gias da Pol\u00edtica de Assist\u00eancia ao estudante para o acolhimento, encaminhamento ao tratamento e discuss\u00f5es com estudantes sobre o consumo de drogas.<\/li>\n<li>Al\u00e9m das quest\u00f5es anteriormente ressaltadas, destacamos a pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o do jovem com a aprendizagem de saberes que o levem \u00e0 forma\u00e7\u00e3o e profissionaliza\u00e7\u00e3o tem sido outro ponto que nos interessa.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Dos eixos derivam as tem\u00e1ticas que discutimos nas seis edi\u00e7\u00f5es j\u00e1 realizadas abordando temas como g\u00eanero e sexualidade, segrega\u00e7\u00e3o, viol\u00eancias em torno das quest\u00f5es de misogenia, homofobia e racismo, lutas e resist\u00eancias pol\u00edticas, incluindo o pr\u00f3prio movimento estudantil e as ocupa\u00e7\u00f5es por jovens de espa\u00e7os p\u00fablicos; tentativa de garantir e ampliar direitos junto \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas desenvolvidas. Os debates s\u00e3o francos e abertos junto aos gestores\/as, professores\/pesquisadores, convidados e com representantes das cidades onde nos inserimos: Ouro Preto, Mariana e Jo\u00e3o Monlevade, buscando construir de forma coletiva e horizontal a pol\u00edtica de juventudes na Universidade Federal de Ouro Preto.<\/p>\n<p>Apresentaremos a seguir alguns recortes das Conversa\u00e7\u00f5es, localizando quest\u00f5es encaminhadas pelos jovens:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cPassei a falar das imposi\u00e7\u00f5es de fazer sexo nas festas em que freq\u00fcentamos, n\u00e3o somos obrigadas a transar com quem n\u00e3o queremos..\u201d. (Joana, 2014).<\/p>\n<p>\u201cA noite os conservadores de plant\u00e3o v\u00e3o para as ruas \u00e0 procura de pessoas do mesmo sexo para transarem&#8230;\u201d(Leon, 2014).<\/p>\n<p>\u201cQueremos discutir sobre os crit\u00e9rios sociais para ocupar as vagas nas rep\u00fablicas federais\u201d. (Renato, 2014).<\/p><\/blockquote>\n<p>Dos efeitos desse trabalho j\u00e1 recolhemos alguns elementos, como o surgimento de grupos de mulheres que v\u00eam se organizando de forma contundente e denunciando situa\u00e7\u00f5es de estupro, viol\u00eancias diversas, machismo, ass\u00e9dio, segrega\u00e7\u00e3o. Grupos de jovens homossexuais que passaram a denunciar fatos de segrega\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o nas moradias federais. Recusa de alguns jovens em beber at\u00e9 cair para provar que fizeram o ritual de passagem. Recusa em usar as placas de \u201cBICHO\u201d que antes v\u00edamos espalhadas aos montes pela cidade&#8230; cada um\/a \u00e0 sua maneira, mas empoderado\/a pelo grupo, decide se quer compartilhar com o Outro o sofrimento por ter vivido a mesma experi\u00eancia, identificando-se, mas produzindo n\u00e3o um silenciamento, uma paralisia dos corpos, mas sim um deslocamento. Onde antes reinava o sil\u00eancio, hoje h\u00e1 espa\u00e7o para a circula\u00e7\u00e3o da palavra, a qual nos fornece os elementos para continuar construindo com os jovens, sa\u00eddas para o mal-estar contempor\u00e2neo, al\u00e9m de interrogar a \u201ctradi\u00e7\u00e3o republicana\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"footer-notes\">\n<h6>Notas:<\/h6>\n<h6><a id=\"ftn1\" href=\"#_ftn1\">1<\/a>\u00a0O projeto \u00e9 realizado em parceria com Claudia Braga Andrade e Carla Ferreira Jatob\u00e1, psicanalistas e professoras da UFOP.<\/h6>\n<h6><a id=\"ftn2\" href=\"#_ftn2\">2<\/a>\u00a0O Grupo de pesquisa Caleidosc\u00f3pio\/UFOP, coordenado por Margareth Diniz, inscrito no CNPQ (2009) tem como objetivo realizar pesquisas que discutam quest\u00f5es te\u00f3rico-metodol\u00f3gicas propostas pelas diferentes abordagens sobre subjetividade, diversidade, diferen\u00e7as, direitos humanos, mal estar docente e seus impactos na doc\u00eancia e na rela\u00e7\u00e3o com a inf\u00e2ncia e a juventude, em torno de temas fronteiri\u00e7os no campo Psican\u00e1lise e Educa\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6>Refer\u00eancias:<\/h6>\n<h6>LAURENT, E. (2004)\u00a0<em>O trauma ao avesso<\/em>, in Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de MG,.\u00a0Pap\u00e9is de Psican\u00e1lise, vol. 1, n. 1, p.21-28, abr.\/2004.<\/h6>\n<h6>LACAN, J.\u00a0O Semin\u00e1rio, livro 21: le non-dupes errent. Li\u00e7\u00e3o de 19 de fevereiro de 1974. In\u00e9dito.<\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Margaret Diniz O projeto \u201cSOU MAIS JUVENTUDE\u201d realizado na Universidade Federal de Ouro Preto, desde 2013, derivou de uma situa\u00e7\u00e3o de morte de dois jovens estudantes, por uso e abuso de \u00e1lcool e drogas. Alunos\/as nos procuraram abalados pelo epis\u00f3dio, dizendo-nos do impacto daquele acontecimento em suas vidas. 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