{"id":5659007,"date":"2018-11-28T19:34:12","date_gmt":"2018-11-28T21:34:12","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659007"},"modified":"2018-11-28T19:34:12","modified_gmt":"2018-11-28T21:34:12","slug":"as-vantagens-de-ser-invisivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/28\/as-vantagens-de-ser-invisivel\/","title":{"rendered":"As vantagens de ser invis\u00edvel"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659007?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659007?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<figure id=\"attachment_5659008\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659008\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659008\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/nadia-taquary-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/nadia-taquary-200x300.jpg 200w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/nadia-taquary-274x411.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/nadia-taquary.jpg 313w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659008\" class=\"wp-caption-text\">Nadia Taquary<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Margarete P. Miranda e Teresa Mendon\u00e7a &#8211; Laborat\u00f3rio Trocando em Mi\u00fados<\/h6>\n<\/div>\n<p>Trata-se de um texto originado de uma Conversa\u00e7\u00e3o com jovens, no CINE- CIEN Minas, em 23 de mar\u00e7o de 2016. Essa experi\u00eancia possibilitou o levantamento de tr\u00eas pontos, a partir dos quais o filme \u201cAs vantagens de ser invis\u00edvel\u201d, recoloca em cena o despertar da adolesc\u00eancia.<\/p>\n<h4><strong>O nojo e o furo no sexual<\/strong><\/h4>\n<p><em>Ai! Que nojo!<\/em>\u00a0Express\u00e3o extra\u00edda do instante em que a jovem T, de 17 anos, assistia ao filme e se deixa tomar pela cena do beijo entre dois rapazes. Por tratar-se de uma adolescente do s\u00e9culo XXI, em que a diferen\u00e7a sexual tem sido questionada pelos jovens, interrogamos o estatuto de tal inflex\u00e3o.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo passado, Freud (1905- 1989) traz o conceito de \u201casco\u201d, sinon\u00edmia do\u00a0<em>nojo<\/em>, como um dos agentes reguladores do \u201crecalque\u201d, assim como a \u201cvergonha\u201d e a \u201cmoral\u201d, ressituados definitivamente, na puberdade.<\/p>\n<p>Sobre a sexualidade dos adolescentes, Lacan (1974-2003) alude ao \u201cpudor\u201d, voc\u00e1bulo pr\u00f3ximo \u00e0 \u201cvergonha\u201d, como elemento que priva o sexual. Faz men\u00e7\u00e3o ao v\u00e9u que encobre: \u201cQue o v\u00e9u levantado n\u00e3o mostre nada\u201d (p.558). Em sua passagem ao p\u00fablico, a sexualidade se exibe como gozo proibido, portanto. Consenza (2016), referindo-se a Lacan, destaca que \u00e9 nessa tens\u00e3o entre o \u201ctempo do v\u00e9u\u201d (existe rela\u00e7\u00e3o sexual) e o \u201ctempo do trauma\u201d (n\u00e3o existe rela\u00e7\u00e3o sexual), que os adolescentes vivenciam a experi\u00eancia da sexualidade.<\/p>\n<p>Perguntamos: O\u00a0<em>nojo<\/em>\u00a0de T, acionado pela cena do filme, faria liga\u00e7\u00e3o a que, por tr\u00e1s do v\u00e9u, h\u00e1 A Mulher que n\u00e3o existe?<\/p>\n<h4><strong>A Conversa\u00e7\u00e3o dos jovens e o\u00a0<em>estranho<\/em>\u00a0da sexualidade<\/strong><\/h4>\n<p>Quando interrogada em sua rea\u00e7\u00e3o de nojo, na Conversa\u00e7\u00e3o, T desdobra os dizeres:\u00a0<em>O que mais me tocou foi o beijo entre os dois: Achei estranho&#8230;<\/em>\u00a0Sua fala nos remete ao \u201cestranho\u201d e \u201cfamiliar\u201d freudiano, quando o sujeito se defronta com a pr\u00f3pria imagem.<\/p>\n<p>Sobre o objeto olhar e a fun\u00e7\u00e3o esc\u00f3pica, Lacan (1964-1996) diz que o sujeito diante do quadro \u00e9 um expectador que dep\u00f5e algo de si na tela. \u00c9 a pr\u00f3pria mancha no quadro sobre a cena que inclui o sujeito.<\/p>\n<p>Interrogamos: Aquela imagem cinematogr\u00e1fica despertou em T o \u201cestranho\u201d da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual?<\/p>\n<p>Na Conversa\u00e7\u00e3o, a adolescente insiste em um ponto:\u00a0<em>Mas, eu n\u00e3o tenho preconceito!<\/em>\u00a0Destacamos, ent\u00e3o, que algo merecia ser pensado:\u00a0<em>Por que a rea\u00e7\u00e3o e express\u00e3o de nojo se n\u00e3o havia preconceitos?<\/em>\u00a0A voz do Outro poderia estar sendo interpretada como exig\u00eancia tir\u00e2nica, como alude Miller (2015). Fez-se sil\u00eancio por instantes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659009\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659009\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659009\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/daniela-busarello-300x221.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"221\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/daniela-busarello-300x221.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/daniela-busarello-274x202.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/daniela-busarello.jpg 637w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659009\" class=\"wp-caption-text\">Daniela Busarello<\/figcaption><\/figure>\n<h4><strong>O que \u00e9 adolesc\u00eancia e teria esta, um fim?<\/strong><\/h4>\n<p>Em tempo de concluir, W disse:\u00a0<em>Adolesc\u00eancia \u00e9 o tempo de errar e aprender com os erros. A\u00ed a gente vira adulto, ganha responsabilidade<\/em>. T retrucou:\u00a0<em>Penso que a adolesc\u00eancia pode n\u00e3o ter fim, porque a gente erra e aprende a vida inteira<\/em>, surpreendendo-nos.<\/p>\n<p>No filme \u201cAs vantagens de ser invis\u00edvel\u201d, Stephen Chbosky privilegia a cena da travessia de um t\u00fanel pelos adolescentes. Freud (1905-1989) faz refer\u00eancia ao t\u00fanel perfurado em ambas as extremidades, na puberdade, admitindo, por\u00e9m, que alguns ficam retidos em fase libidinal anterior. Daniel Roy (2016), aponta o car\u00e1ter contradit\u00f3rio da metamorfose freudiana da puberdade que, devido a l\u00f3gica das puls\u00f5es parciais, est\u00e1 \u201csemeada de emboscadas\u201d. Diz, ent\u00e3o, que \u201cn\u00e3o h\u00e1 verdadeiramente sa\u00edda poss\u00edvel do t\u00fanel\u201d (p.1). Neste sentido, podemos dizer que a adolesc\u00eancia n\u00e3o tem fim?<\/p>\n<p>Prevalece, na adolesc\u00eancia, um inacabamento do sujeito em que \u201ca possibilidade de escolha \u00e9 preservada mais do que tudo\u201d , diz La Sagna\u201d (2016, p.2). Miller (2015) usa o termo \u201cprocrastina\u00e7\u00e3o\u201d para distinguir um adiamento pr\u00f3prio ao sujeito adolescente, especialmente na contemporaneidade, diante das v\u00e1rias op\u00f5es de escolha.<\/p>\n<p>Aqueles jovens, quando interrogados sobre as poss\u00edveis sa\u00eddas da adolesc\u00eancia, esbo\u00e7aram alguns sintomas:\u00a0<em>Para fazer parte do grupo, alguns fumam maconha. Eu n\u00e3o!<\/em>\u00a0Diz S. Para T,\u00a0<em>a gravidez na adolesc\u00eancia \u00e9 uma forma de ganhar responsabilidade e virar adulto<\/em>.<\/p>\n<p>Ao final, diante do vazio do n\u00e3o saber dos analisantes esclarecidos do CIEN, T interpela a participante:\u00a0<em>E para voc\u00ea, o que \u00e9 adolesc\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o desse texto demonstra que levamos a s\u00e9rio sua indaga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"footer-notes\">\n<h6>Notas:<\/h6>\n<h6>CONSENZA, D.\u00a0<em>A inicia\u00e7\u00e3o na adolesc\u00eancia: entre mito e estrutura<\/em><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.institutopsicanalise-mg.com.br\/ciendigital\/n19\/hifen.html\">http:\/\/www.institutopsicanalise-mg.com.br\/ciendigital\/n19\/hifen.html<\/a>\u00a0mar\u00e7o, 2016<\/h6>\n<h6>FREUD, S.(1905-1989)\u00a0<em>Os tr\u00eas ensaios sobre a sexualidade<\/em>. Obras Completas, ESB, v.VII. RJ: Imago<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1964-1996) O Semin\u00e1rio, livro 11:\u00a0<em>Os quatro conceitos fundamentais da Psican\u00e1lise<\/em>, RJ: Jorge Zahar<\/h6>\n<h6>_________ (1974-2003)\u00a0<em>Pref\u00e1cio a O despertar da primavera<\/em>. Outros escritos. RJ: Jorge Zahar<\/h6>\n<h6>LA SAGNA, P.\u00a0<em>A adolesc\u00eancia prolongada, ontem, hoje e amanh\u00e3<\/em>. Almanaque 16<br \/>\n<a href=\"http:\/\/almanaquepsicanalise.com.br\/almanaque-no-16\/\">http:\/\/almanaquepsicanalise.com.br\/almanaque-no-16\/<\/a>\u00a0Mar\u00e7o, 2016<\/h6>\n<h6>MILLER, J. A.\u00a0<em>Em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Adolesc\u00eancia<\/em>. Minas com Lacan. EBP\/MG- PSIM\/MG.br<br \/>\n<a href=\"http:\/\/minascomlacan.com.br\/blog\/author\/jacques-alain-miller\/\">http:\/\/minascomlacan.com.br\/blog\/author\/jacques-alain-miller\/<\/a>\u00a0Fev, 2015<\/h6>\n<h6>Roy. D-Metamorfose. MinascomLacan.EBP\/MG-PSIM\/MG.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/minascomlacan.com.br\/blog\/qqpega-03-metamorfose-daniel-roy\/\">http:\/\/minascomlacan.com.br\/blog\/qqpega-03-metamorfose-daniel-roy\/<\/a>\u00a0Abril, 2016<\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Margarete P. Miranda e Teresa Mendon\u00e7a &#8211; Laborat\u00f3rio Trocando em Mi\u00fados Trata-se de um texto originado de uma Conversa\u00e7\u00e3o com jovens, no CINE- CIEN Minas, em 23 de mar\u00e7o de 2016. 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