{"id":5659048,"date":"2018-11-28T20:17:12","date_gmt":"2018-11-28T22:17:12","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659048"},"modified":"2018-11-28T20:17:12","modified_gmt":"2018-11-28T22:17:12","slug":"o-desejo-do-analista-no-parlamento-jovem-de-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/28\/o-desejo-do-analista-no-parlamento-jovem-de-minas-gerais\/","title":{"rendered":"O desejo do analista no parlamento jovem de Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659048?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659048?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<figure id=\"attachment_5659049\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659049\" style=\"width: 222px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659049\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/thiel280-222x300.jpg\" alt=\"\" width=\"222\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/thiel280-222x300.jpg 222w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/thiel280-274x370.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/thiel280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 222px) 100vw, 222px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659049\" class=\"wp-caption-text\">Frank Thiel, Stadt 12 59 Berlin, 2006<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Paula de Paula<a style=\"font-size: 16px;\" href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/h6>\n<\/div>\n<p>Em tempos de descren\u00e7a na democracia representativa como pol\u00edtica capaz de promover justi\u00e7a social, vimos acontecer ao longo dos anos uma forte evas\u00e3o de alunos do Projeto Parlamento Jovem de Minas (PJ Minas) fruto da parceria da PUC Minas e Escola do Legislativo da Assembleia de Minas Gerais<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Assumindo a edi\u00e7\u00e3o de 2015 do polo em BH, fui desafiada a pensar em como fazer para que os adolescentes voltassem a se interessar por um projeto que investe no formato da pol\u00edtica parlamentar.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>Contrariamente a refor\u00e7ar o cacoete de uma pol\u00edtica representativa, pensei em criar um lugar nas escolas onde pud\u00e9ssemos escutar os jovens, fazendo valer uma pol\u00edtica de base que radicalizasse a democracia direta.<\/p>\n<p>Como o desejo do analista \u00e9 o de colocar em ato o desejo de Freud (1932-1933), de estender\/aplicar a psican\u00e1lise para al\u00e9m das paredes do consult\u00f3rio particular, pensei em deixar de lado a defesa de um dos v\u00e1rios m\u00e9todos de trabalhos com grupos (usados nos projetos sociais, tais como: pesquisa-a\u00e7\u00e3o, oficinas terap\u00eauticas, din\u00e2micas de grupo, rodas de conversa e etc), para destacar o que de fato est\u00e1 em jogo quando objetivamos produzir um \u201csaber novo\u201d, pr\u00f3prio dos coletivos com os quais iriamos trabalhar.<\/p>\n<p>Como toda produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica n\u00e3o se separa de sua articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e desejante, evitei defender um tipo de m\u00e9todo de trabalho com grupos, para destacar a import\u00e2ncia da fun\u00e7\u00e3o \u00e9tico-pol\u00edtica de quem conduziria o trabalho com os jovens. Para isso recorri primeiramente a dois textos de Lacan. Em 1958 ele discorre no texto \u201cA Dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os Princ\u00edpios de seu Poder\u201d sobre a fun\u00e7\u00e3o t\u00e1tica, estrat\u00e9gica e pol\u00edtica do psicanalista, para mostrar que sua pol\u00edtica \u00e9 a de se colocar na posi\u00e7\u00e3o de um objeto que cause o outro ao trabalho, se situando melhor \u201cem sua falta-a-ser do que em seu ser\u201d. Em \u201cPsiquiatra inglesa e a guerra\u201d de 1947, Lacan destaca o que aprendeu dos psiquiatras ingleses Bion e Rickmann com a t\u00e9cnica dos \u201cgrupos sem chefe\/lider\u201d. Ele observa que este modelo de trabalho com grupos possibilitou a constitui\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito vencedor a partir do que Lacan nomeou como \u201cum agregado de irredut\u00edveis\u201d.<\/p>\n<p>Para explicar a posi\u00e7\u00e3o do coordenador no PJBH usei do \u201cAto de Funda\u00e7\u00e3o da Escola Freudiana de Paris\u201d de 1964, quando aparece a primeira proposta de trabalho com grupos, que estava na base do engajamento de sua Escola, nomeada por Lacan de cartel. Ele destaca tamb\u00e9m sobre a fun\u00e7\u00e3o do \u201cmais um\u201d que \u00e9 a de dar uma dire\u00e7\u00e3o ao trabalho no cartel. \u00c9 logo percept\u00edvel que a figura que inspira a fun\u00e7\u00e3o do \u201cmais um\u201d \u00e9 a de S\u00f3crates, que atrav\u00e9s de seu m\u00e9todo mai\u00eautico, provoca seus disc\u00edpulos a elaborarem um saber diante de uma quest\u00e3o colocada, a partir de onde ele esperava ensinar. Mas \u00e9 importante lembrar o que Miller (1994) destacou a respeito do \u201cmais-um\u201d, pois ele n\u00e3o deve se esgotar encarnando a fun\u00e7\u00e3o do sujeito provocador, j\u00e1 que no fundo ele n\u00e3o porta o saber que espera que os outros encontrem por meio do trabalho que prop\u00f5e. Assim o efeito de sujeito dividido \u00e9 inserido no cartel, ou seja, como n\u00e3o \u00e9 o sujeito da consci\u00eancia, isso faz com que o \u201cmais-um\u201d funcione como \u201cmenos-um\u201d e ao inv\u00e9s de completar o grupo, se junta \u00e0 ele exatamente para descomplet\u00e1-lo (MILLER, 1994).<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659050\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659050\" style=\"width: 230px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659050\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/picasso280-230x300.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/picasso280-230x300.jpg 230w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/picasso280-274x357.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/picasso280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659050\" class=\"wp-caption-text\">Picasso, Portrait of Arthur Rimbaud, 1960<\/figcaption><\/figure>\n<p>A primeira coisa que mudamos no funcionamento do PJBH, para que o sujeito estivesse no comando do trabalho, foi a maneira como os grupos nas escolas eram formados, pois ela deixou de ser pela indica\u00e7\u00e3o dos professores que elegiam (a partir de sua avalia\u00e7\u00e3o) os melhores alunos. Em 2015 o convite foi estendido a todos os alunos do ensino m\u00e9dio que quisessem conhecer sobre o PJ e para isso participariam de uma oficina de jogos, de maneira a lhes dar oportunidade de se expressar ludicamente. Alain Badiou (1994) nos ensinou que a verdadeira pol\u00edtica s\u00f3 existe quando a participa\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e9 volunt\u00e1ria e desinteressada<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>\u00a0de maneira que fizemos quest\u00e3o que tanto o aceite para a participa\u00e7\u00e3o daquele dia, quando o desejo posterior de participar do PJ, se dessem por livre e espont\u00e2nea vontade de cada um. O jovem que quis participar teve que escrever um par\u00e1grafo expressando seus motivos e seu interesse pelo tema que em 2015 foi \u201cSeguran\u00e7a P\u00fablica e Direitos Humanos\u201d.<\/p>\n<p>Para nosso prop\u00f3sito no PJBH o coordenador deveria assumir a fun\u00e7\u00e3o de \u201cmais-um\u201d, lan\u00e7ando sempre para o grupo um dos tr\u00eas subtemas referente ao tema central. Estivemos ocupados com a \u201cpreven\u00e7\u00e3o social do crime\u201d com a \u201cprote\u00e7\u00e3o aos segmentos vulner\u00e1veis \u00e0 viol\u00eancia\u201d e \u201cnovas perspectivas para a atua\u00e7\u00e3o policial e em todos os encontros os jovens eram convidados a falar o que lhes viesse a cabe\u00e7a sobre cada um desses subtemas.<\/p>\n<p>Como o desejo de participar estaria posto em destaque desde o in\u00edcio, a elabora\u00e7\u00e3o coletiva de um saber sobre estes temas viria da experi\u00eancia com o real da vida de cada um dos jovens nas suas comunidades. Zizek (2013) destacou que em todos os movimentos sociais onde h\u00e1 espontane\u00edsmo, h\u00e1 tamb\u00e9m um verdadeiro encontro de pessoas e nos lembra que foi assim que aconteceu na primavera \u00e1rabe e no \u201cOcupy All Street\u201d no ano de 2011. L\u00e1 houve elabora\u00e7\u00e3o coletiva de pequenos textos que se tornaram pequenos\u00a0<em>slogans.\u00a0<\/em>Assim n\u00e3o me parece abusivo pensar que quanto mais cultivamos a l\u00f3gica lacaniana posta na forma\u00e7\u00e3o dos cart\u00e9is, mais a elabora\u00e7\u00e3o de saber se coletiviza e se legitima.<\/p>\n<p>Esse trabalho foi realizado semanalmente nas escolas, preparando os jovens para participar das mesas de debates, dos Gt\u2019s com as escolas e para elaborarem propostas de maneira fundamentada. Ele provocou uma interven\u00e7\u00e3o nos modos autorit\u00e1rios das escolas se relacionarem com os alunos, democratizando o uso de seus pr\u00f3prios espa\u00e7os e lhes dando acesso a conversa com diretores e coordenadores. Pudemos fazer os jovens entenderem que o PJBH n\u00e3o era lugar para disputa entre as escolas e os munic\u00edpios envolvidos, desmobilizando-os de rivalizarem-se. Assim deixaram de defender e votar apenas as propostas elaboradas em suas escolas, visando derrubar as outras, tomando a produ\u00e7\u00e3o como coletiva. A partir da\u00ed, trabalharam para que as melhores propostas ficassem no documento base a ser entregue a Comiss\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o popular da CMBH no final do ano.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659051\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659051\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659051\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/madere280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/madere280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/madere280-274x183.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659051\" class=\"wp-caption-text\">Jared Madere, Untitled, 2015<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os professores de refer\u00eancia e a coordena\u00e7\u00e3o das escolas compreenderam que o PJBH n\u00e3o era um projeto de atividades externas (tipo excurs\u00e3o) mas prioritariamente um espa\u00e7o de estudo, reflex\u00e3o, s\u00ednteses e afetividade. Houve uma mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o dos alunos frente ao desd\u00e9m que demostravam ter em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s diferen\u00e7as entre os princ\u00edpios da pol\u00edtica liberal com os de esquerda. No final do ano, um menino que havia nos dito que tanto fazia ser \u201cdireita\u201d ou \u201cesquerda\u201d, porque ele queria mesmo era andar \u201cpra frente\u201d nos disse que s\u00f3 podia ser de esquerda, porque era pobre e tinha que contar com pol\u00edticas p\u00fablicas para ter o que os ricos tinham. Outro nos disse que a pol\u00edtica de cotas para negros depunha contra a intelig\u00eancia dos negros e no final disse no grupo de sua escola que n\u00e3o acreditava na meritocracia quando as pessoas n\u00e3o tinham a mesmas oportunidades para competir. Essas mudan\u00e7as foram registradas em cada uma das escolas com a confec\u00e7\u00e3o de um painel que ficava em uma parede da escola e era alimentado com not\u00edcias e frases extra\u00eddas do trabalho nos grupos.<\/p>\n<p>Outra mudan\u00e7a se deu ap\u00f3s elei\u00e7\u00e3o dos representantes para a etapa estadual em setembro\/2015, pois o grupo pensava que os encontros terminariam ali. N\u00f3s mostramos que a prepara\u00e7\u00e3o do representante para e Etapa estadual devia ser feita juntamente com seus pares, desfazendo o costume da pol\u00edtica convencional, que ap\u00f3s elei\u00e7\u00e3o dos representantes, interrompem a rela\u00e7\u00e3o dos mesmos com suas bases. Para isso cada escola escolheu uma das propostas do documento base (que este coletivo de jovens aprovou em plen\u00e1ria) e se organizou para realizar uma pesquisa de campo, buscando avaliar como estava aquele ponto da pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica em seu territ\u00f3rio. O efeito disso nos alunos foi o de entender que mesmo ap\u00f3s elei\u00e7\u00e3o de representantes n\u00e3o se pode desmobilizar, deixando em m\u00e3os dos eleitos a tarefa de fazer a pol\u00edtica a partir de seus pr\u00f3prios interesses e por sua pr\u00f3pria conta.<\/p>\n<p>Outro ponto forte foi o encontro dos alunos do PJBH com os alunos da EE Protagonista Juvenil, que atende adolescentes que cumprem medida de interna\u00e7\u00e3o no Estado. A Subsecretaria de Atendimento \u00e0s Medidas Socioeducativas (SUASE) organizou conosco o encontro de alunos de duas escolas (uma feminina e outra masculina) abrindo espa\u00e7o para a express\u00e3o de adolescentes que perderam a liberdade por terem cometido um ato infracional grave. Alguns alunos que eram a favor da diminui\u00e7\u00e3o da maioridade penal, \u201cporque achavam que adolescente de 16 anos j\u00e1 sabe o que \u00e9 errado\u201d, puderam mudar de opini\u00e3o quando conheceram e escutaram algumas hist\u00f3rias de meninos e meninas que tinham a mesma idade que a deles, mas vidas muito diferentes.<\/p>\n<p>O \u201cMais-um\u201d enquanto fun\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>descompletude<\/em>, possibilitou mudan\u00e7as de posi\u00e7\u00e3o subjetiva no saber abrindo caminho para os jovens pensarem que sua participa\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica independe de serem representantes de um coletivo e n\u00e3o se realiza apenas na ocasi\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es. Funcionando como \u201cMais-um\u201d pude testemunhar os efeitos internos do trabalho de elabora\u00e7\u00e3o de saber de modo singularizado, manejando o discurso da hist\u00e9rica que conv\u00e9m ao cartel como grupo, mas visando como analista a fala do \u201cUm por Um\u201d. Al\u00e9m disso pudemos testemunhar uma evas\u00e3o 79% inferior \u00e0quela que vinha acontecendo e grande parte dela (quando procurada por n\u00f3s) nos deu motivos bastantes compreens\u00edveis, como ter ido trabalhar, mudan\u00e7a de escola e problemas na familia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Notas:<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Doutora em Psicologia Social na PUC-SP no n\u00facleo de pesquisa Psican\u00e1lise e Sociedade. Prof. da faculdade de psicologia da PUCMG.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0O Projeto Parlamento Jovem de Minas (PJ Minas) tem sido h\u00e1 10 anos um projeto de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, destinado aos estudantes do ensino m\u00e9dio, que valoriza a import\u00e2ncia do poder Legislativo como amadurecimento de uma sociedade democr\u00e1tica. A forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos jovens que participam do PJ \u00e9 de responsabilidade da parceria da Escola do Legislativo da C\u00e2mara Municipal de Belo Horizonte, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e da Pro-reitoria de extens\u00e3o da PUC-Minas. O PJ se ancora no conceito de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, pois se divide em tr\u00eas etapas e em todas elas, representantes s\u00e3o escolhidos pelos pares nas escolas, para seguirem o processo em n\u00edveis mais afunilados de participa\u00e7\u00e3o. Todo o ano os jovens elegem na plen\u00e1ria estadual um tema a ser trabalhado no ano seguinte e em 2015 o tema escolhido foi \u201cSeguran\u00e7a P\u00fablica e Direitos Humanos\u201d.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0A pesquisa do\u00a0<em>Instituto Brasileiro de An\u00e1lises Sociais e Econ\u00f4micas<\/em>\u00a0(IBASE) e a de Abramovay e Castro (ambas de 2006) j\u00e1 mostravam que apenas 3% dos jovens brasileiros se interessam pela pol\u00edtica convencional, evolvendo-se com organiza\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias. \u017di\u017eek (2013) em artigo publicado na ocasi\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es que tomaram as ruas do Brasil, analisou os motivos da descren\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas tradicionais (como os partidos e as c\u00e2maras legislativas). O primeiro motivo \u00e9 efeito direto da ruptura da continuidade das conquistas sociais atribu\u00eddas \u00e0 partidos de esquerda no poder, ap\u00f3s vit\u00f3ria da pol\u00edtica neoliberal dos estados. O segundo adveio do consequente decl\u00ednio (no mundo inteiro) dos partidos como forma cl\u00e1ssica de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, j\u00e1 que com a internet os jovens se comunicam mais rapidamente dando condi\u00e7\u00f5es de mobilizar pessoas, que de outra forma estariam dispersas. O terceiro \u00e9 paradoxal pois adv\u00e9m do sucesso da comunica\u00e7\u00e3o em rede na internet que, de t\u00e3o r\u00e1pido e f\u00e1cil, acaba desencorajando o trabalho mais lento e mais dif\u00edcil de criar movimentos pol\u00edticos com estrutura e organiza\u00e7\u00e3o mais duradouras.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0\u00c9 preciso entender o que Badiou nos diz com isso, pois afinal h\u00e1 sempre um interesse implicado quando aderimos voluntariamente a alguma atividade. \u00c9 claro que muitas vezes n\u00f3s desconhecemos parcialmente os motivos que nos movem a fazer as coisas, pois muitos deles s\u00e3o inconscientes. A pol\u00edtica verdadeira \u00e9 o encontro de pessoas que desejam fazer pol\u00edtica ancoradas na busca pelo Bem-Estar de todos. Se exercendo a pol\u00edtica nossas conquistas n\u00e3o puderem ser estendidas a todos, \u00e9 porque esta n\u00e3o \u00e9 a pol\u00edtica verdadeira da qual fala Badiou.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/h6>\n<h6>ABRAMOVAY, Miriam; CASTRO, Mary Garcia.\u00a0<strong>Juventude juventudes<\/strong>: o que une e o que separa. Bras\u00edlia: Unesco, 2006. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.dominiopublico.gov.br\/download\/texto\/ue000185.pdf&gt;. Acesso em: 09 ago. 2013.<\/h6>\n<h6>BADIOU, Alain.\u00a0<strong>Para uma nova teoria do sujeito<\/strong>: confer\u00eancias brasileiras. Rio de Janeiro: Relume-Dumar\u00e1, 1994.<\/h6>\n<h6>IBASE; P\u00d3LIS. Juventude Brasileira e Democracia: participa\u00e7\u00e3o, esferas e pol\u00edticas p\u00fablicas. Relat\u00f3rio Final. Rio de Janeiro: Ibase\/P\u00f3lis, 2006. Dispon\u00edvel em:&lt;http:\/\/www.bdae.org.br\/dspace\/bitstream\/123456789\/2372\/11\/Juv_Relatorio_Final_.pdf&gt;. Acesso em: 01 set. 2013.<\/h6>\n<h6>FREUD, Sigmund (1932-1933). Confer\u00eancia XXXIV, Explica\u00e7\u00f5es, Aplica\u00e7\u00f5es e Orienta\u00e7\u00f5es. In: ESBOPC. Rio de Janeiro: Imago, 1976. p.167-191.<\/h6>\n<h6>LACAN, J.\u00a0<strong>D`\u00c9colage.<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Manual de Cart\u00e9is. Belo Horizonte: Ed. Scriptum, 2010.<\/h6>\n<h6>_________ (1958) A dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios do seu poder. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998, p.591-652<\/h6>\n<h6>_________ (1947). A psiquiatria inglesa e a guerra. In:\u00a0<strong>Outros Escritos<\/strong>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003. p.106-126.<\/h6>\n<h6>_________\u00a0<strong>El Senor A.<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.wapol.org\/es\/las_escuelas\/TemplateArticulo.asp?intTipoPagina=4&amp;intEdicion=1&amp;intIdiomaPublicacion=1&amp;intArticulo=160&amp;intIdiomaArticulo=1&amp;intPublicacion=10\">http:\/\/www.wapol.org\/es\/las_escuelas\/TemplateArticulo.asp?intTipoPagina=4&amp;intEdicion=1&amp;intIdiomaPublicacion=1&amp;intArticulo=160&amp;intIdiomaArticulo=1&amp;intPublicacion=10<\/a><\/h6>\n<h6>MILLER, J.A.\u00a0<strong>Lacan e a pol\u00edtica.<\/strong>\u00a0Op\u00e7\u00e3o Lacaniana n\u00ba40.<strong>\u00a0<\/strong>Rio de Janeiro, 2004.<\/h6>\n<h6>_________ Cinco varia\u00e7\u00f5es sobre o tema da elabora\u00e7\u00e3o provocada. In: JIMENEZ, Stella. (org.).\u00a0<strong>O Cartel<\/strong>: conceito e funcionamento na escola de Lacan. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1994, pp. 1-10.<\/h6>\n<h6>\u017dI\u017dEK, Slavoj.\u00a0<strong>Problemas no Para\u00edso<\/strong>. Acesso em 06\/08\/2013 http:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2013\/07\/05\/problemas-no-paraiso-artigo-de-slavoj-zizek-sobre-as-manifestacoes-que-tomaram-as-ruas-do-brasil\/<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paula de Paula[1] Em tempos de descren\u00e7a na democracia representativa como pol\u00edtica capaz de promover justi\u00e7a social, vimos acontecer ao longo dos anos uma forte evas\u00e3o de alunos do Projeto Parlamento Jovem de Minas (PJ Minas) fruto da parceria da PUC Minas e Escola do Legislativo da Assembleia de Minas Gerais[2]. Assumindo a edi\u00e7\u00e3o de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5659049,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[132,22],"tags":[120],"post_series":[],"class_list":["post-5659048","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cien-digital-19","category-laboratorios","tag-cien_digital_19","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659048","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5659048"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659048\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5659049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5659048"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5659048"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5659048"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5659048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}