{"id":5659067,"date":"2018-11-28T20:27:18","date_gmt":"2018-11-28T22:27:18","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659067"},"modified":"2018-11-28T20:27:18","modified_gmt":"2018-11-28T22:27:18","slug":"apresentacao-do-texto-em-direcao-a-adolescencia-de-jacques-alain-miller","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/28\/apresentacao-do-texto-em-direcao-a-adolescencia-de-jacques-alain-miller\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o do texto \u201cEm dire\u00e7\u00e3o \u00e0 adolesc\u00eancia\u201d de Jacques-Alain Miller"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659067?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659067?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<figure id=\"attachment_5659068\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659068\" style=\"width: 251px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659068\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/zavaglia280-251x300.jpg\" alt=\"\" width=\"251\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/zavaglia280-251x300.jpg 251w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/zavaglia280-274x328.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/zavaglia280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 251px) 100vw, 251px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659068\" class=\"wp-caption-text\">Cayce Zavaglia, Sophie, bordado a m\u00e3o, 2013<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Ana Lydia Santiago<\/h6>\n<h3><small>Interven\u00e7\u00e3o de encerramento da 3\u00aa Jornada do Instituto Psicanal\u00edtico da Crian\u00e7a<\/small><\/h3>\n<\/div>\n<p align=\"left\">O texto que me cabe apresentar hoje -\u0336\u00a0<em>Em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 adolesc\u00eancia<\/em>, de Jacques-Alain Miller &#8211; \u00e9, em resumo, uma proposta de orienta\u00e7\u00e3o para os trabalhos preparat\u00f3rios para a 4\u00aa Jornada do Instituto Psicanal\u00edtico da Crian\u00e7a, prevista para acontecer em Paris, em abril de 2017. Consiste, pois, numa indica\u00e7\u00e3o de pontos cardeais para um estudo da adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>A leitura desse texto permite-me dividi-lo em duas grandes partes, que designo\u00a0<strong>Aspectos cl\u00ednicos da adolesc\u00eancia e, mais especificamente, A adolesc\u00eancia na cl\u00ednica do\u00a0<em>parl\u00eatre<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p><strong>I \u2013 Aspectos cl\u00ednicos da adolesc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Pode-se considerar a tend\u00eancia a se definir a adolesc\u00eancia como uma constru\u00e7\u00e3o, independentemente de v\u00e1rias outras perspectivas de estudo poss\u00edveis \u0336 a biol\u00f3gica, a psicol\u00f3gica e outras \u0336 , como o aspecto epist\u00eamico mais geral desse texto de Miller. Dizer que a adolesc\u00eancia<em>\u00a0\u00e9 \u201cuma constru\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>\u00a0incorpora o esp\u00edrito da presente \u00e9poca \u0336 ou seja, uma vertente p\u00f3s-moderna, segundo a qual tudo \u00e9 constru\u00eddo, tudo \u00e9 artif\u00edcio significante.<\/p>\n<p>A tese de Miller \u00e9 a de que esta \u00e9poca nega o real, por representar um per\u00edodo muito incerto quanto ao real, que prefere conferir import\u00e2ncia preponderante a signos. Que s\u00e3o signos? S\u00e3o semblantes, um misto de simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio. Sobre esse ponto, a originalidade de Lacan e da psican\u00e1lise resume-se a articular o semblante com o real. Levar em conta o real, o real da puls\u00e3o, esse \u00e9 o ponto que se deve priorizar em qualquer pesquisa psicanal\u00edtica sobre a adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Na maior parte das pesquisas psicol\u00f3gicas, considera-se que, por se tratar de uma constru\u00e7\u00e3o, a adolesc\u00eancia pode ser descontru\u00edda. Miller cita, a prop\u00f3sito, a obra\u00a0<em>Contra a adolesc\u00eancia: redescobrindo o adulto em cada adolescente<\/em>, livro de Robert Epstein, psic\u00f3logo e jornalista americano, cujo t\u00edtulo, ressalta ele, prop\u00f5e um\u00a0<em>slogan simp\u00e1tico.<\/em>\u00a0Nessa obra, o autor defende a tese de que, na atualidade, s\u00e3o os adultos que criam a experi\u00eancia adolescente e, assim, impedem os jovens de agir como adultos. Se, antes, os adolescentes conviviam com os adultos e os tomavam como modelo, hoje, os adultos levam os jovens a viver entre pares, segundo uma cultura que lhes \u00e9 pr\u00f3pria e suscept\u00edvel a varia\u00e7\u00f5es de moda e \u00e0s mais diversas manifesta\u00e7\u00f5es socioemocionais. Essa \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o dos adultos para a adolesc\u00eancia, afirma Epstein. Resolver o problema consiste, ent\u00e3o, em desconstru\u00ed-la.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659069\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659069\" style=\"width: 201px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659069\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/schiele280-201x300.jpg\" alt=\"\" width=\"201\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/schiele280-201x300.jpg 201w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/schiele280-274x408.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/schiele280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 201px) 100vw, 201px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659069\" class=\"wp-caption-text\">Egon Schiele, Zwei sich umarmende Frauen, 1911<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>I.1 \u2013 O que \u00e9 a adolesc\u00eancia para a psican\u00e1lise?<\/strong><\/p>\n<p>Tanto para Freud quanto para Lacan, a puberdade representa uma escans\u00e3o sexual, um corte no desenvolvimento da personalidade. O tema central do terceiro ensaio, de Freud, antes referido, \u00e9 este: quando a sexualidade tem in\u00edcio no per\u00edodo p\u00fabere, h\u00e1 uma<strong>\u00a0supress\u00e3o da diferen\u00e7a entre os sexos<\/strong>, a aboli\u00e7\u00e3o das predisposi\u00e7\u00f5es \u00e0 posi\u00e7\u00e3o feminina ou \u00e0 posi\u00e7\u00e3o masculina, o que implica consequ\u00eancias significativas para a sexualidade, que passa a incluir o outro sexo.<\/p>\n<p>Essa supress\u00e3o \u00e9 um fato plenamente observ\u00e1vel nas meninas. Elas, que, desde muito cedo, bancam a mulher e, para tanto, adotam uma posi\u00e7\u00e3o adulta, demonstrando precocidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 posi\u00e7\u00e3o sexual, apresentam, no per\u00edodo p\u00fabere, atributos essencialmente masculinos. Toda a prepara\u00e7\u00e3o presente no seu jogo l\u00fadico \u2013 cuidar de bonecas, fazer \u201ccomidinha\u201d, ir ao\u00a0<em>shopping<\/em>, resolver problemas pelo celular, levar o cachorro ao\u00a0<em>pet shop<\/em>\u00a0e outros \u2013, que constitui um exerc\u00edcio da posi\u00e7\u00e3o feminina, desaparece, na puberdade, por tr\u00e1s de uma reivindica\u00e7\u00e3o viril.<\/p>\n<p>No que concerne aos rapazes, em sua condi\u00e7\u00e3o de meninos, sempre \u201c<em>\u00e0s voltas com os mais inflamados tormentos da inf\u00e2ncia<\/em>\u201d, o adulto intromete-se marcando a puberdade. A prop\u00f3sito, considere-se o exemplo, reportado por Lacan, do\u00a0<em>teenager<\/em>\u00a0Andr\u00e9 Gide: aos 13 anos de idade, ele prometeu a si mesmo proteger sua prima Madeleine, de 15 anos, portanto dois anos mais velha que ele. Esse acontecido expressa a imiscui\u00e7\u00e3o do adulto na crian\u00e7a, a antecipa\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o adulta no menino.<\/p>\n<p>Ainda na perspectiva da elimina\u00e7\u00e3o da diversidade entre os sexos na puberdade, deve-se atentar ao fato de que, nessa fase<strong>,\u00a0<\/strong>o narcisismo se reconfigura. \u00c9 importante, pois, verificar os modos de articula\u00e7\u00e3o do Eu Ideal e do Ideal do Eu no desenvolvimento da personalidade, tal como elaborado por Freud, em \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o ao narcisismo\u201d, e por Lacan, tanto no esquema R quanto ao longo de O Semin\u00e1rio, Livro 3, As Psicoses.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659070\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659070\" style=\"width: 265px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659070\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/jevtic280-265x300.jpg\" alt=\"\" width=\"265\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/jevtic280-265x300.jpg 265w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/jevtic280-274x310.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/jevtic280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 265px) 100vw, 265px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659070\" class=\"wp-caption-text\">Bojan Jevti\u0107, Kiss, 2015<\/figcaption><\/figure>\n<p>Miller convida, ent\u00e3o, seu leitor a precisar toda a muta\u00e7\u00e3o que ocorre na puberdade \u0336 ou seja, a\u00a0<strong>supress\u00e3o da diferen\u00e7a entre os sexos, pela antecipa\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o adulta e pela reconfigura\u00e7\u00e3o do narcisismo<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>I.2 \u2013 A contemporaneidade da adolesc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>O que h\u00e1 de novo sobre a adolesc\u00eancia? O novo pode ser lido em fun\u00e7\u00e3o dos\u00a0<strong>impasses dos adolescentes<\/strong>\u00a0diante do individualismo democr\u00e1tico resultante da derrocada de ideologias e do enfraquecimento do Nome do Pai. Como se sabe, esse enfraquecimento tem como efeito uma desorienta\u00e7\u00e3o, antes garantida pela ordem simb\u00f3lica. No texto em discuss\u00e3o, Miller extrai de estudos cl\u00ednicos sobre a adolesc\u00eancia produzidos recentemente por integrantes da AMP, os principais sintomas da adolesc\u00eancia no momento atual, de que trato a seguir.<\/p>\n<ol>\n<li>A procrastina\u00e7\u00e3o\n<p>A procrastina\u00e7\u00e3o da adolesc\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um sintoma novo. No s\u00e9culo passado, mais precisamente em 1923, Siegfried Bernfeld j\u00e1 a sinaliza e, neste s\u00e9culo, Robert Epstein, j\u00e1 referido, bem como Philippe La Sagna, nosso colega da AMP, retomam esse tema. Este \u00faltimo afirma que, na adolesc\u00eancia, h\u00e1\u00a0<em>\u201cum sujeito, que est\u00e1 diante de v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es poss\u00edveis e que as coloca um pouco \u00e0 prova\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Miller relaciona tal conduta dos adolescentes \u00e0 incid\u00eancia dos aparelhos e instrumentos digitais, que se traduz numa singular extens\u00e3o do universo dos poss\u00edveis. H\u00e1 uma multiplica\u00e7\u00e3o do elemento do poss\u00edvel, das escolhas poss\u00edveis de objetos, que devem ser aferidos para se saber qual o melhor. Tal aferi\u00e7\u00e3o pode, no entanto, se tornar uma indecis\u00e3o infinita, cujo efeito implica o adiamento de qualquer op\u00e7\u00e3o para o mais tarde poss\u00edvel. Assim, conclui ele, a pr\u00f3pria adolesc\u00eancia \u00e9 uma procrastina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escolha de objetos.<\/li>\n<li>A autoer\u00f3tica do saber\n<p>A incid\u00eancia do mundo digital curto-circuita a media\u00e7\u00e3o do adulto no que diz respeito a acesso ao saber, que n\u00e3o est\u00e1 mais no professor ou nos pais, mas no celular que os adolescentes trazem no bolso ou em outros instrumentos digitais que eles t\u00eam \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o. O saber n\u00e3o \u00e9 mais do Outro nem relativo a desejos dele. Assim, n\u00e3o mais \u00e9 preciso seduzir, ser obediente ou ceder \u00e0 exig\u00eancia do Outro e o saber passa a incluir alguma atividade, de prefer\u00eancia autoer\u00f3tica.<\/li>\n<li>Uma realidade imoral\n<p>Em outros tempos, os ritos de inicia\u00e7\u00e3o enquadravam o acesso \u00e0 adolesc\u00eancia num registro sagrado, m\u00edstico. Hoje, por\u00e9m, os progressos da cogita\u00e7\u00e3o pubert\u00e1ria; o uso do pensamento abstrato, que, em linhas gerais, \u00e9 a capacidade de pensar sobre coisas n\u00e3o concretas \u2013 como o amor, o futuro e as regras morais \u2013 e de estabelecer hip\u00f3teses sobre fatos imagin\u00e1rios, permite aos adolescentes avaliar diferentes alternativas e optar por aquela que mais lhes conv\u00e9m. Segundo Piaget, essa \u00e9 uma caracter\u00edstica dos jovens a partir dos 12 anos de idade.<\/p>\n<p>Marco Focchi, nosso colega da AMP, em um estudo sobre a adolesc\u00eancia, observa que, presentemente, os pensamentos abstratos conduzem \u00e0 desidealiza\u00e7\u00e3o oriunda da queda do grande Outro do saber. A prop\u00f3sito, recomendo a todos assistir ao v\u00eddeo\u00a0<em>Aspirational<\/em>\u00a0\u2013 Kirsten Dunst Selfie Short Film Called Aspirational, de Matthew Frost, dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rwDbOmPQNx0\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rwDbOmPQNx0<\/a>, que \u00e9 um exemplo desta desidealiza\u00e7\u00e3o, na atualidade.<\/p>\n<p>Consequentemente, n\u00e3o h\u00e1 sublima\u00e7\u00e3o, investimento da libido no saber valorizado pela cultura; em vez disso, observa-se uma\u00a0<em>\u201crealidade degradada e imoral\u201d<\/em>. Como afirma Miller, esse aspecto encontra-se na origem das teorias do compl\u00f4, que, por sua vez, incitam ampla ades\u00e3o de estudantes e universit\u00e1rios. Tal ades\u00e3o \u00e9 indicativa do Outro com que os adolescentes t\u00eam que se haver \u0336 um Outro degradado e nocivo, um Outro mau. A realidade imoral, portanto, concerne ao Outro do compl\u00f4 \u0336 ou seja, a uma desconfian\u00e7a paranoica em rela\u00e7\u00e3o ao outro, visto como aquele que tem inten\u00e7\u00e3o de destruir o sujeito.<\/li>\n<li>Socializa\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica\n<p>H\u00e9l\u00e8ne Deltombe, tamb\u00e9m nossa colega da AMP, em\u00a0<em>O inconsciente da crian\u00e7a<\/em>, obra recentemente publicada, ao estudar os sintomas que se articulam ao la\u00e7o social \u0336 entre eles, o alcoolismo, a anorexia\/bulimia, a delinqu\u00eancia, o suic\u00eddio \u0336, demonstra que tais sintomas podem se tornar, na adolesc\u00eancia, fen\u00f4menos de massa. Essa socializa\u00e7\u00e3o do sintoma indica que a socializa\u00e7\u00e3o dos adolescentes pode acontecer de forma sintom\u00e1tica, marcada pela puls\u00e3o de morte.<\/li>\n<li>O\u00a0<em>\u201cOutro tir\u00e2nico\u201d\u00a0<\/em>ou quando as demandas do Outro s\u00e3o tomadas como explora\u00e7\u00e3o, como ordens superegoicas\n<p>Daniel Roy destaca duas formas de presen\u00e7a do Outro tir\u00e2nico na vida dos adolescentes: de um lado, a demanda do Outro familiar ou escolar \u00e9 recebida por eles como um imperativo tir\u00e2nico; do outro, durante momentos de crise provocadas por adi\u00e7\u00f5es, os pais e os educadores, na tentativa de proteg\u00ea-los, instauram regras tir\u00e2nicas. O autor enfatiza que a interpreta\u00e7\u00e3o do desejo do Outro familiar ou escolar e o entendimento do desejo da sociedade de tiraniz\u00e1-los imp\u00f5em uma autoridade brutal aos adolescentes.<\/p>\n<p>Miller destaca, a prop\u00f3sito, os trabalhos de dois outros colegas nossos da AMP, que estudam a ocorr\u00eancia na adolesc\u00eancia de fen\u00f4menos sintom\u00e1ticos decorrentes de muta\u00e7\u00f5es da ordem simb\u00f3lica e do decl\u00ednio do Lugar do Pai.<\/li>\n<li>A destitui\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>\u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, que afeta, tamb\u00e9m, os pais\n<p>Vilma Coccoz, de Madri, estuda casos em que os pais se fazem amigos de seus filhos, apenas porque j\u00e1 n\u00e3o sabem mais como ser pais, como exercer a fun\u00e7\u00e3o do Outro que orienta.<\/li>\n<li>D\u00e9ficit de respeito\n<p>Lacad\u00e9e, de Bordeaux, destaca a\u00a0<em>\u201cdemanda de respeito\u201d<\/em>\u00a0dos adolescentes como uma busca desarticulada do Outro. Ningu\u00e9m sabe quem pode satisfazer tal car\u00eancia, pois n\u00e3o h\u00e1 suposi\u00e7\u00e3o no Outro. Miller traduz essa demanda dos adolescentes nesta frase interjetiva: \u201cComo seria bom ser respeitado por algu\u00e9m que respeit\u00e1ssemos!\u201d E observa que esse lugar \u2013 o de quem merece respeito \u2013 est\u00e1 vazio.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>II \u2013 A adolesc\u00eancia na cl\u00ednica do\u00a0<em>parl\u00eatre<\/em><\/strong><\/p>\n<p>As muta\u00e7\u00f5es da ordem simb\u00f3lica \u2013 tema de estudo dos \u00faltimos congressos do Campo Freudiano \u2013, o decl\u00ednio do patriarcado ou a perda de pot\u00eancia da voz do Pai associam-se \u00e0 quebra dos constrangimentos naturais promovida pela ci\u00eancia, \u00e0 medida que esta passa a manipular a procria\u00e7\u00e3o, a transmiss\u00e3o de saberes e o saber fazer.<\/p>\n<p>Essa\u00a0<strong>interfer\u00eancia da ci\u00eancia no campo do saber<\/strong>\u00a0acarreta, por via de consequ\u00eancia, a perda dos registros tradicionais, que ensinavam o que convinha fazer para ser homem ou mulher. Tais registros adv\u00eam tanto de religi\u00f5es quanto do\u00a0<em>common decency \u2013<\/em>\u00a0ou seja, a dec\u00eancia que, comum a todas as classes sociais, orientava as pessoas no sentido de como ser\u00a0<em>\u201cuma boa mo\u00e7a\u201d<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>\u201cum bom rapaz\u201d<\/em>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659071\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659071\" style=\"width: 215px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659071\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/hokusai280-215x300.jpg\" alt=\"\" width=\"215\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/hokusai280-215x300.jpg 215w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/hokusai280-274x383.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/hokusai280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 215px) 100vw, 215px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659071\" class=\"wp-caption-text\">Katsushika Hokusai. One Hundred Tales (Hyaku monogatari), 1830<\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo Miller, a\u00a0<em>\u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, no ensino de Lacan, designa a religi\u00e3o judaico-crist\u00e3. As muta\u00e7\u00f5es da ordem simb\u00f3lica pelo discurso da ci\u00eancia v\u00eam destruindo, portanto, as tradi\u00e7\u00f5es dessa religi\u00e3o, deixando um vazio no lugar. \u00c9 nesse vazio que, bruscamente, se inscreve outra \u201c<em>tradi\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>: a do Isl\u00e3, que, ent\u00e3o dispon\u00edvel no \u201cmercado\u201d, permanece intocada diante das muta\u00e7\u00f5es na ordem simb\u00f3lica que ocorrem no Ocidente e chega ao mundo ocidental, tornando-se acess\u00edvel a todos por meio da divulga\u00e7\u00e3o e da globaliza\u00e7\u00e3o promovidas pelos diversos canais de comunica\u00e7\u00e3o contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>O que Miller assinala \u00e9 que o Isl\u00e3, por n\u00e3o se deixar intimidar pelo discurso da ci\u00eancia, estabelece um meio de controlar a rela\u00e7\u00e3o sexual e, assim, organiza o la\u00e7o social sobre a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o. Dessa forma, estatui o que \u00e9 preciso fazer para\u00a0<em>\u201cser homem, para ser mulher, para ser pai, para ser m\u00e3e digna desse nome\u201d<\/em>\u00a0. Enfim, a \u201c<em>tradi\u00e7\u00e3o\u201d\u00a0<\/em>isl\u00e2mica n\u00e3o vacila em instruir, em propor normas que ordenam os sexos separadamente e de maneira altamente diferenciada. Cito Miller:<\/p>\n<p>Ele [o Isl\u00e3] faz da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o um imperativo que proscreve, que pro\u00edbe as rela\u00e7\u00f5es sexuais fora do casamento e de uma maneira muito mais absoluta que nas fam\u00edlias, que s\u00e3o criadas com refer\u00eancia a outros discursos, em que, hoje, tudo \u00e9 laxista, permissivo.<\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o do Isl\u00e3, Al\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um pai, \u00e9 o Um absoluto, sem dial\u00e9tica e sem compromisso; \u00e9 o Deus Um e \u00fanico, que n\u00e3o \u201cd\u00e1 brecha\u201d para historietas de romance familiar.<\/p>\n<p>Em face da desorienta\u00e7\u00e3o promovida como efeito do saber da ci\u00eancia, o Isl\u00e3 desponta para os adolescentes como uma\u00a0<em>\u201cboia de salva\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>\u00a0com vistas \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do la\u00e7o social com a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o. Miller enfatiza que a\u00a0<em>\u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>\u00a0isl\u00e2mica poderia, inclusive, ser vislumbrada como uma solu\u00e7\u00e3o para o problema do corpo do Outro, n\u00e3o fosse o desvio a que deu origem: o Estado Isl\u00e2mico. Eis o empecilho levantado por ele quanto a essa\u00a0<em>\u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>: o Estado Isl\u00e2mico \u00e9 um discurso do Mestre que se apoia no Isl\u00e3, mas implica consequ\u00eancias altamente destrutivas.<\/p>\n<p><strong>II.1 \u2013 A quest\u00e3o fundamental do\u00a0<em>corpo do Outro<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Neste ponto, Miller retoma o terceiro ensaio de Freud sobre as transforma\u00e7\u00f5es da puberdade e ressalta o problema da transi\u00e7\u00e3o do gozo na adolesc\u00eancia. E aponta que, para Freud, no momento da puberdade, h\u00e1 uma mudan\u00e7a de estatuto do modo de gozo, que passa da satisfa\u00e7\u00e3o autoer\u00f3tica para a satisfa\u00e7\u00e3o copulat\u00f3ria.<\/p>\n<p>De acordo com Lacan, por\u00e9m, isso n\u00e3o acontece. Considerando a proposta freudiana de que, nessa fase, todas as puls\u00f5es parciais ligadas \u00e0s zonas er\u00f3genas se unificam em dire\u00e7\u00e3o a um \u00fanico objeto exterior, ele adverte que tal posicionamento \u00e9 uma ilus\u00e3o, que se conecta com toda uma\u00a0<em>\u201dmitologia do par perfeito\u201d<\/em>, em que os gozos se correspondem, juntamente com o amor e outras manifesta\u00e7\u00f5es sentimentais. Por isso, o gozo \u00e9 essencialmente autoer\u00f3tico: goza-se da fantasia. N\u00e3o h\u00e1 gozo do corpo do Outro, s\u00f3 o do pr\u00f3prio corpo. Mas a ilus\u00e3o imagin\u00e1ria de se gozar do corpo do Outro embala o imp\u00e9rio das imagens.<\/p>\n<p>Esse esclarecimento permite a Miller introduzir uma quest\u00e3o fundamental e, a meu ver, de grande atualidade: Pode o corpo do Outro se encarnar no grupo? O grupo, a seita, n\u00e3o d\u00e1 certo acesso a algo do tipo \u201c<em>Eu gozo do corpo do Outro, logo fa\u00e7o parte\u201d?<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_5659072\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659072\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659072\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/haring280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/haring280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/haring280-274x186.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659072\" class=\"wp-caption-text\">Keith Haring, sem t\u00edtulo, 1984<\/figcaption><\/figure>\n<p>Cantar junto n\u00e3o cria certa harmonia, n\u00e3o eleva o esp\u00edrito, n\u00e3o \u00e9 da ordem da sublima\u00e7\u00e3o? Assiste-se, no momento atual, a significativa prolifera\u00e7\u00e3o de grupos: os chamados de\u00a0<em>\u201cc\u00e9lulas religiosas\u201d<\/em><strong>,\u00a0<\/strong>em que se pretende cultivar o esp\u00edrito; os de mulheres, m\u00e3es que desistem da vida matrimonial e dizem preferir o casamento com Deus para sustentar o cuidado com a prole; os de jovens que se re\u00fanem, tamb\u00e9m em c\u00e9lulas, para orar, mas em que prevalece a pr\u00e1tica da exclus\u00e3o do diferente com base em crit\u00e9rios socioecon\u00f4micos. H\u00e1 sublima\u00e7\u00e3o nesses grupos? A sublima\u00e7\u00e3o, informa Miller, n\u00e3o satisfaz diretamente a puls\u00e3o. Trata-se, ent\u00e3o, de\u00a0<strong>uma nova alian\u00e7a entre a identifica\u00e7\u00e3o e a puls\u00e3o<\/strong>? Essa quest\u00e3o parece-me central e concorde com a proposi\u00e7\u00e3o de Lacan de que o desejo do Outro determina identifica\u00e7\u00f5es entre sujeitos. Resta, assim, a puls\u00e3o que n\u00e3o se satisfaz por essa via.<\/p>\n<p>Seguindo esse racioc\u00ednio, Miller interpreta as cenas de decapita\u00e7\u00e3o que o Estado Isl\u00e2mico divulga pelo do mundo. Como ele esclarece, tais cenas se tornaram um bom\u00a0<em>marketing<\/em>\u00a0para a ades\u00e3o de novos seguidores, como uma forma de alian\u00e7a entre a identifica\u00e7\u00e3o e a puls\u00e3o agressiva. N\u00e3o se trata, de forma alguma, de sublima\u00e7\u00e3o. Nesse caso, est\u00e1-se diante do discurso do Mestre:<\/p>\n<p>Em S<sub>1<\/sub>, o sujeito identificado como servidor do desejo de Al\u00e1 se faz agente da vontade. [\u2026] S<sub>1<\/sub>\u00a0\u00e9 o carrasco; S<sub>2<\/sub>, a v\u00edtima ajoelhada; a flecha de S<sub>1<\/sub>\u00a0em dire\u00e7\u00e3o a S<sub>2<\/sub>, a decapita\u00e7\u00e3o.\u00a0<em>Eu satisfa\u00e7o essa vontade de morte<\/em>.<\/p>\n<p>No Cristianismo, imp\u00f5e-se a\u00a0<em>\u201cvontade de castra\u00e7\u00e3o inscrita no Outro\u201d<\/em>, pois a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 a de pai e filho. O processo resultante leva \u00e0 castra\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio sujeito, ao que Lacan descreve como o narcisismo supremo da causa perdida: \u201c<em>Eu me mortifico, eu me privo, eu me castro e eu sou grande porque sou devotado \u00e0 causa perdida\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>No Estado Isl\u00e2mico, n\u00e3o h\u00e1 pai nem filho. Trata-se, essencialmente, de vontade de morte inscrita no Outro. A rela\u00e7\u00e3o est\u00e1, portanto, a servi\u00e7o da puls\u00e3o de morte do outro:\u00a0<em>\u201cEu corto a cabe\u00e7a do outro e eu estou no narcisismo da causa triunfante\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a proposta da desradicaliza\u00e7\u00e3o dos sujeitos submetidos ao discurso do Mestre revela-se uma ilus\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel descontruir essa constru\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o se trata de semblante. Essa constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada ao real do gozo.<\/p>\n<p>Concluindo, afirma Miller: \u201c<em>Como eu acho que estamos lidando com o real, a conclus\u00e3o pol\u00edtica a tirar dessa considera\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica \u00e9<\/em>\u00a0<em>que, face ao discurso do Estado<\/em>\u00a0<em>Isl\u00e2mico<\/em>,<em>\u00a0a \u00fanica maneira de acabar com ele \u00e9 venc\u00ea-lo\u201d<\/em>.<\/p>\n<div class=\"sidebox\">\n<h6>Cien Digital agradece a autora por seu acolhimento ao nosso pedido de publica\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Lydia Santiago Interven\u00e7\u00e3o de encerramento da 3\u00aa Jornada do Instituto Psicanal\u00edtico da Crian\u00e7a O texto que me cabe apresentar hoje -\u0336\u00a0Em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 adolesc\u00eancia, de Jacques-Alain Miller &#8211; \u00e9, em resumo, uma proposta de orienta\u00e7\u00e3o para os trabalhos preparat\u00f3rios para a 4\u00aa Jornada do Instituto Psicanal\u00edtico da Crian\u00e7a, prevista para acontecer em Paris, em&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5659068,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[132,23],"tags":[120],"post_series":[],"class_list":["post-5659067","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cien-digital-19","category-contribuicoes","tag-cien_digital_19","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659067","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5659067"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659067\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5659068"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5659067"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5659067"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5659067"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5659067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}