{"id":5659082,"date":"2018-11-28T20:35:41","date_gmt":"2018-11-28T22:35:41","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659082"},"modified":"2018-11-28T20:35:41","modified_gmt":"2018-11-28T22:35:41","slug":"a-iniciacao-na-adolescencia-entre-mito-e-estrutura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/28\/a-iniciacao-na-adolescencia-entre-mito-e-estrutura\/","title":{"rendered":"A inicia\u00e7\u00e3o na adolesc\u00eancia:\u00a0entre mito e estrutura"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659082?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659082?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<figure id=\"attachment_5659083\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659083\" style=\"width: 253px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659083\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/fetridge280-253x300.jpg\" alt=\"\" width=\"253\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/fetridge280-253x300.jpg 253w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/fetridge280-274x325.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/fetridge280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 253px) 100vw, 253px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659083\" class=\"wp-caption-text\">Geoff Mc fetridge \u2022 Us as a logo 2, 2011<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Domenico Cosenza<\/h6>\n<\/div>\n<p>Em nossos dias, a ideia da adolesc\u00eancia como momento de crise estruturante na experi\u00eancia do sujeito foi colocada em quest\u00e3o. O debate coloca em d\u00favida o tamanho do corte, da discontinuidade no tempo da experi\u00eancia infantil, como o alcance liberador e a separa\u00e7\u00e3o para o jovem em rela\u00e7\u00e3o ao modo de v\u00ednculo com seus pais. De acordo com alguns autores do campo sociol\u00f3gico e psicol\u00f3gico \u00e9, em particular, a adolesc\u00eancia de nossa \u00e9poca a que torna problem\u00e1tica a no\u00e7\u00e3o de crise da adolesc\u00eancia. O modo de vida dos adolescentes colocaria em evid\u00eancia um \u201canalfabetismo introspectivo\u201d<a id=\"_ftnref1\" title=\"\" href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0\u201cun hedonismo moderado\u201d, um conformismo e um pacifismo que chocam com a imagem codificada do jovem rebelde, contestador da tradi\u00e7\u00e3o. Nessa perspectiva, a leitura psicanal\u00edtica da passagem pela adolesc\u00eancia tende a ser reconduzida numa variante contempor\u00e2nea da representa\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica do processo de forma\u00e7\u00e3o do jovem, reduzido a um mito: o adolescente como\u00a0<em>Sturm un Drang<\/em>,<a id=\"_ftnref2\" title=\"\" href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>tempestade e press\u00e3o<a id=\"_ftnref3\" title=\"\" href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0em que a leitura freudiana em termos de remodela\u00e7\u00e3o da economia pulsional n\u00e3o seria nada mais que uma sutil reformula\u00e7\u00e3o no campo da cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Mais al\u00e9m da aprecia\u00e7\u00e3o que possamos fazer desta leitura, o que importa \u00e9 a questao que pode resultar para os psicanalistas, relativa ao estatuto de adolesc\u00eancia e os efeitos da transforma\u00e7\u00e3o que as muta\u00e7\u00f5es hist\u00f3rico-sociais podem produzir nela.<\/p>\n<p>Que \u00e9, de fato, a adolesc\u00eancia na \u00e9poca em que o Outro n\u00e3o existe? Como os adolescentes de hoje governam o encontro com o real do sexo e da morte? \u00c9 quando a opera\u00e7\u00e3o de proibi\u00e7\u00e3o e de vigil\u00e2ncia sustentada pela fun\u00e7\u00e3o paterna mostra, neste momento de nossa civiliza\u00e7\u00e3o, os signos de um decl\u00ednio progressivo. Como os adolescentes tramitam este encontro com o real sem poder contar, em alguns casos, com o papel estruturante do Nome do Pai sobre a fun\u00e7\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o do Ideal do eu e sobre sua a\u00e7\u00e3o de regula\u00e7\u00e3o humanizante do gozo? Como podem colocar em marcha um movimento de separa\u00e7\u00e3o, quando \u00e9 o Outro social que lhes ordena gozar sem limite, quer dizer, n\u00e3o se separar? Essa \u00e9 verdadeiramente a quest\u00e3o, relevante no registro \u00e9tico e cl\u00ednico, que o n\u00f3 da adolesc\u00eancia contempor\u00e2nea comporta para n\u00f3s, hoje em dia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659084\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659084\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659084\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/larsen280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"177\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/larsen280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/larsen280-274x173.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659084\" class=\"wp-caption-text\">Mernet Larsen \u2022 Gunfighters, 2001<\/figcaption><\/figure>\n<h5>A sexualidade na adolesc\u00eancia: a passagem da puberdade \u00e0 inicia\u00e7\u00e3o sexual<\/h5>\n<p>O problema se situa com o papel do adolescente contempor\u00e2neo com a sexualidade como pedra angular de seu desenvolvimento. Com o real do sexo, na brilhante passagem da puberdade. Freud, de fato, coloca a quest\u00e3o essencial acerca da qual o sujeito adolescente busca sua resposta. Nesse sentido, o adolescente apresenta-se para a psican\u00e1lise, segundo a eficaz f\u00f3rmula de Alexandre Stevens, como \u201csintoma de puberdade\u201d<a id=\"_ftnref4\" title=\"\" href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Trata-se para o sujeito adolescente de se situar em uma posi\u00e7\u00e3o desejante que lhe seja pr\u00f3pria, sob o rel\u00f3gio pulsional que atravessa seu corpo durante a puberdade. A essa exig\u00eancia responde ativamente, depois da passagem da puberdade \u2013 o ciclo menstrual para a menina e a ejacula\u00e7\u00e3o para o menino \u2013 o tempo l\u00f3gico da inicia\u00e7\u00e3o sexual para o adolescente. Ele \u00e9, portanto, introduzido na uni\u00e3o com o gozo com o outro sexo, o que lhe abre \u00e0 experi\u00eancia e \u00e0 quest\u00e3o do papel sexual.<\/p>\n<p>Em seu \u201cPref\u00e1cio a\u00a0<em>O despertar da Primavera<\/em>&#8220;, de Wedekind, Lacan formula dois tempos essenciais neste processo, que subtraem a experi\u00eancia do adolescente de uma linearidade psicol\u00f3gica gradual, que far\u00e1 da inicia\u00e7\u00e3o sexual o tempo de realiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio na passagem da puberdade \u00e0 adolesc\u00eancia. Antes de tudo, introduz a emin\u00eancia do inconsciente do sujeito como dimens\u00e3o que, atrav\u00e9s do sonho, p\u00f5e em cena o papel sexual do adolescente com seu \u201cparceiro\u201d: \u201csem o despertar de seus sonhos\u201d<a id=\"_ftnref5\" title=\"\" href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>\u00a0os jovens n\u00e3o precisariam mais do que isso para fazer amor com as garotas, escreve Lacan. O enigma que constitui o inconsciente do sujeito entra assim em jogo, no cora\u00e7\u00e3o do processo de inicia\u00e7\u00e3o sexual do adolescente. No fundo, \u00e9 um\u00a0<em>primeiro tempo l\u00f3gico<\/em>\u00a0desse processo:\u00a0<em>a eleva\u00e7\u00e3o do papel sexual ao n\u00edvel do inconsciente,\u00a0<\/em>que o faz existir para o sujeito numa representa\u00e7\u00e3o singular, imagin\u00e1ria, como um enigma, num quadro fantasm\u00e1tico onde se presta ao fantasma. Por conseguinte, o primeiro tempo \u00e9 para o adolescente onde existe rela\u00e7\u00e3o sexual, que \u00e9 represent\u00e1vel em uma cena que o inclui. Em segundo lugar,Lacan ilustra em que consiste o n\u00f3 real que tal experi\u00eancia iniciante revela ao adolescente, definindo-o como verdadeiro princ\u00edpio de inicia\u00e7\u00e3o: \u201cque o v\u00e9u levantado ( sobre o mist\u00e9rio da sexualidade) n\u00e3o mostra nada\u201d<a id=\"_ftnref6\" href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Outro modo de dizer que a \u201csexualidade faz furo no real\u201d<a id=\"_ftnref7\" href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Podemos situar aqui o\u00a0<em>segundo tempo l\u00f3gico<\/em>\u00a0do processo de inicia\u00e7\u00e3o sexual na adolesc\u00eancia: aquele no qual o adolescente encontra, nas primeiras vicissitudes da vida sexual com seus parceiros, como experi\u00eancia que faz trauma para ele, a inexist\u00eancia estrutural do papel sexual.<\/p>\n<p>\u00c9 no curso desse segundo tempo que o adolescente experimenta que na rela\u00e7\u00e3o sexual o gozo \u00e9 irredut\u00edvel e n\u00e3o faz rela\u00e7\u00e3o. Esse tempo em que \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o estrutural com o primeiro tempo, no curso do qual, ao contr\u00e1rio, a rela\u00e7\u00e3o sexual existe, \u00e9 represent\u00e1vel para o sujeito e funciona como um v\u00e9u inconsciente do furo da n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual. \u00c9 exatamente nesta tens\u00e3o dial\u00e9tica entre o que pode fazer existir a rela\u00e7\u00e3o sexual (T1) e o encontro traum\u00e1tico com sua inexist\u00eancia (T2), entre\u00a0<em>o tempo do v\u00e9u e o tempo do trauma,<\/em>\u00a0que se estrutura a inicia\u00e7\u00e3o sexual do adolescente.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659085\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659085\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659085\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/villa280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/villa280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/villa280-150x150.jpg 150w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/villa280-274x274.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/villa280-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659085\" class=\"wp-caption-text\">Ricardo Villa, Dividir para governar, 2014<\/figcaption><\/figure>\n<h5>Existe inicia\u00e7\u00e3o sexual do adolescente contempor\u00e2neo?<\/h5>\n<p>A perda do v\u00e9u ao redor do enigma da sexualidade s\u00f3 pode se ressentir sobre a rela\u00e7\u00e3o do adolescente contempor\u00e2neo com o sexo. Lacan destaca isso, remarcando a dimens\u00e3o p\u00fablica do al\u00e7amento do v\u00e9u no mundo atual ao redor da quest\u00e3o da puberdade.<a id=\"_ftnref8\" href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>\u00a0O efeito de tal opera\u00e7\u00e3o, que \u00e9 solid\u00e1ria \u00e0 decad\u00eancia da fun\u00e7\u00e3o paterna, pode se representar, tal como o sublinha o sociol\u00f3go Gilles Lipovetsky<a id=\"_ftnref9\" href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>\u00a0__citado num artigo de Serge Cottet__<a id=\"_ftnref10\" href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>\u00a0no \u201cdesencantamento do sexo\u201d, pela \u201cbanaliza\u00e7\u00e3o da liberdade sexual\u201d<a id=\"_ftnref11\" href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>, na \u201cindiferen\u00e7a<a id=\"_ftnref12\" href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>\u00a0e na apatia<a id=\"_ftnref13\" href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>\u00a0amorosa da maior parte dos adolescentes contempor\u00e2neos. Essa dificuldade, segundo a qual o sexo fa\u00e7a enigma para o adolescente contempor\u00e2neo, d\u00e1 prova de um beco sem sa\u00edda no processo de sintomatiza\u00e7\u00e3o da puberdade mesma, colocada em jogo fundamental para a psican\u00e1lise na experi\u00eancia do adolescente.<\/p>\n<p>Podemos situar, principalmente, uma dificuldade do adolescente contempor\u00e2neo em se situar no T1 da inicia\u00e7\u00e3o sexual, isto \u00e9, no encontro do sujeito com o sexo como enigma inconsciente represent\u00e1vel na \u201cOutra cena\u201d. O primeiro n\u00edvel de dificuldade para o adolescente de hoje consiste em fazer existir a rela\u00e7\u00e3o sexual. Fazer existir um Outro do Outro, num mundo que se caracteriza por um fechamento _ para n\u00e3o dizer de uma recusa_ do inconsciente; condi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o permite ao sexo obter para o sujeito um valor enigm\u00e1tico. Em segundo lugar, essa aus\u00eancia de estrutura\u00e7\u00e3o do sexo como representa\u00e7\u00e3o inconsciente traz preju\u00edzo ao modo de encontro, para o adolescente, do tempo T2, esse da inicia\u00e7\u00e3o como trauma da inexist\u00eancia do Outro do Outro. De fato, como sublinha Jacques-Alain Miller,<a id=\"_ftnref14\" href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>\u00a0sem v\u00e9u, sem ideal, n\u00e3o h\u00e1 trauma subjetiv\u00e1vel.<\/p>\n<p>Como pode o adolescente levar a cabo sua vida com sua pr\u00f3pria inicia\u00e7\u00e3o subjetiva, nas condi\u00e7\u00f5es atuais em que a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, a aus\u00eancia de um Outro que funcione como garantia, apresentam-se como um dado que se difunde socialmente como uma verdade intr\u00edseca ao niilismo de hoje?<\/p>\n<p>Os chamados transtornos de conduta na adolesc\u00eancia, as pr\u00e1ticas compulsivas caracterizadas por suas frequentes passagens ao ato, t\u00edpicas da adolesc\u00eancia e mais ainda na adolesc\u00eancia contempor\u00e2nea, apresentam-se, como sugere Philippe Lacad\u00e9e, como fracassos e alternativas ao processo de estrutura\u00e7\u00e3o de um sintoma no sentido freudiano do termo,\u00a0<em>impasse\u00a0<\/em>no trabalho de nomea\u00e7\u00e3o do real que n\u00e3o se nomeia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659086\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659086\" style=\"width: 228px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659086\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/kaptein280-228x300.jpg\" alt=\"\" width=\"228\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/kaptein280-228x300.jpg 228w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/kaptein280-274x360.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/kaptein280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 228px) 100vw, 228px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659086\" class=\"wp-caption-text\">Paul Kaptein, Two forms of stillness, 2014<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para o adolescente, contudo, os sintomas podem, em muitos casos, assumir um valor paradoxal, uma tentativa desesperada para fazer existir a rela\u00e7\u00e3o sexual, para construir o Outro do Outro e encontrar uma via de acesso \u00e0 sexualidade. Resta ao analista lhes permitir posicionarem com palavras esta fun\u00e7\u00e3o inclu\u00edda no corac\u00e3o de seus atos desordenados, condi\u00e7\u00e3o preliminar de uma subjetiva\u00e7\u00e3o. E lev\u00e1-los a transformar seu sintoma em elemento n\u00e3o generaliz\u00e1vel, mas, ao contr\u00e1rio, em algo que se possa fantasiar.<\/p>\n<p>O problema dos adolescentes de hoje em dia a respeito do sexo se apresenta, portanto, inverso ao olhar das \u00e9pocas precedentes. De fato, n\u00e3o se trata para eles de conseguir em primeiro lugar levantar o v\u00e9u que reveste o mist\u00e9rio do sexo depois de hav\u00ea-lo constru\u00eddo inconscientemente. Por\u00e9m, do que se trata, principalmente, \u00e9 de introduzir um v\u00e9u, permitir o surgimento da fantasia que limita e faz sustent\u00e1vel o desvio do jovem adolescente exposto sem media\u00e7\u00e3o alguma ao objeto que n\u00e3o se nomeia, em jogo na rela\u00e7\u00e3o entre os sexos.<\/p>\n<p>\u00c9 unicamente assim que se tornar\u00e1 poss\u00edvel, por meio do trabalho de nomea\u00e7\u00e3o, confinar a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual como trauma subjetiv\u00e1vel, preservando-se assim, de recair sobre as derivas do sem limite pr\u00f3prio da adolesc\u00eancia contempor\u00e2nea.<\/p>\n<div class=\"sidebox\">\n<p>Cien Digital agradece a am\u00e1vel autoriza\u00e7\u00e3o do autor para esta publica\u00e7\u00e3o de seu artigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<h6>Tradu\u00e7\u00e3o:\u00a0<em>Maria Rita Guimar\u00e3es<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<h6>Notas:<\/h6>\n<p><a id=\"_ftn1\" title=\"\" href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">1<\/a>\u00a0Francesconi, M., \u201dNo pi\u00f9 non ancora. Una riflessione psicoanalitica sul perturbante del crescere in adolescenza\u201d, en Barone, L. ( comp.),\u00a0<em>Emozioni e disagio in adolescenza<\/em>, Unicopli, Mil\u00e1n, 2004, p.168.<\/p>\n<p><a id=\"_ftn2\" title=\"\" href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">2<\/a>\u00a0Offer, D., Shoner-Reichl, K.A. (1992) \u201cDebunking the Myths of Adolescence: Findings from Recent Research\u201d,\u00a0<em>Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, 31, p.1.003-1.013<\/em>.<\/p>\n<p><a id=\"_ftn3\" title=\"\" href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">3<\/a>\u00a0NT: o termo\u00a0<em>Drang\u00a0<\/em>geralmente foi traduzido para o portugu\u00eas por \u201cpress\u00e3o\u201d; entretanto, em alem\u00e3o, o termo tamb\u00e9m tem a acep\u00e7\u00e3o de \u201c\u00e2nsia\u201d, \u201caf\u00e3\u201d, \u201curg\u00eancia\u201d, \u201canseio\u201d, \u201c\u00edmpeto\u201d e \u201cdesejo intenso\u201d, e evoca sentidos que v\u00e3o al\u00e9m de \u201cpress\u00e3o\u201d. Ao se perderem esses nexos geralmente agregados ao termo\u00a0<em>Drang<\/em>, que tal como \u201c\u00e2nsia\u201d em portugu\u00eas unifica em uma mesma palavra a polaridade entre a \u201cnecessidade\u201d e a \u201cpress\u00e3o\u201d de um lado e a \u201cvontade\u201d e o \u201canseio\u201d de outro \u2014 portanto, que interligam a conota\u00e7\u00e3o de \u201curg\u00eancia\u201d e \u201cdesconforto\u201d com as conota\u00e7\u00f5es de \u201cbusca de al\u00edvio\u201d e \u201cdesaguadouro\u201d \u2014, perdem-se aspectos te\u00f3ricos fundamentais deste termo enquanto conceito te\u00f3rico. Freud afirma ser\u00a0<em>Drang\u00a0<\/em>a ess\u00eancia da puls\u00e3o, e de fato \u00e9 o\u00a0<em>Drang\u00a0<\/em>que promove a liga\u00e7\u00e3o entre o som\u00e1tico e o ps\u00edquico no percurso da puls\u00e3o. Acess\u00edvel em http:\/\/www.imagoeditora.com.br\/hotsite_freud\/imagens\/criterios.pdf<\/p>\n<p><a id=\"_ftn4\" title=\"\" href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">4<\/a>\u00a0Stevens, A., \u201cAdolesc\u00eancia, sintoma da puberdade.\u00a0<em>Curinga,<\/em>\u00a0Belo Horizonte, EBP-MG, 2004, n. 20, p.27-39.<\/p>\n<p><a id=\"_ftn5\" title=\"\" href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">5<\/a>\u00a0LACAN, J.,\u00a0<em>Pref\u00e1cio a<\/em>\u00a0O despertar da Primavera<em>, Outros Escritos,<\/em>J. Zahar Editor, R.J., 2003, p.557.<\/p>\n<p><a id=\"_ftn6\" title=\"\" href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">6<\/a>\u00a0Ibdem, p.558.<\/p>\n<p><a id=\"_ftn7\" title=\"\" href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">7<\/a>\u00a0Idem<\/p>\n<p><a id=\"_ftn8\" title=\"\" href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">8<\/a>\u00a0Idem<\/p>\n<p><a id=\"_ftn9\" title=\"\" href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">9<\/a>\u00a0LIPOVETSKY, G.,\u00a0<em>Le Bonheur paradoxal. Essai sur la societ\u00e9 d\u2019hyperconsommation<\/em>, Gallimard\/Folio, Paris, 2006.<\/p>\n<p><a id=\"_ftn10\" title=\"\" href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">10<\/a>\u00a0COTTET, S., \u201cLe sexe faible des ados: sexe-machine et mythologie du coeur\u201d.\u00a0<em>La Cause freudienne,\u00a0<\/em>n.64, Navarin\/Seuil, Paris, octubre de 2006, p. 67-75.<\/p>\n<p><a id=\"_ftn11\" title=\"\" href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">11<\/a>\u00a0Ibdem, p.71.<\/p>\n<p><a id=\"_ftn12\" title=\"\" href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">12<\/a>\u00a0LIPOVETSKY, G.,\u00a0<em>L\u2019\u00e8re du vide.<\/em>\u00a0<em>Essais sur l\u2019individualisme contemporain<\/em>, Gallimard\/Folio, Paris, 1989, p.52.<\/p>\n<p><a id=\"_ftn13\" title=\"\" href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">13<\/a>\u00a0Idem<\/p>\n<div id=\"ftn14\">\n<h6><a id=\"_ftn14\" title=\"\" href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">14<\/a>\u00a0<em>Effets th\u00e9rapeutiques rapides en psychanalyse. La conversation de Barcelone<\/em>. sob a dire\u00e7\u00e3o de J.-A. Miller, Navarin, Paris, 2005, p.40.<\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Domenico Cosenza Em nossos dias, a ideia da adolesc\u00eancia como momento de crise estruturante na experi\u00eancia do sujeito foi colocada em quest\u00e3o. O debate coloca em d\u00favida o tamanho do corte, da discontinuidade no tempo da experi\u00eancia infantil, como o alcance liberador e a separa\u00e7\u00e3o para o jovem em rela\u00e7\u00e3o ao modo de v\u00ednculo com&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5659083,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[132,21],"tags":[120],"post_series":[],"class_list":["post-5659082","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cien-digital-19","category-hifen","tag-cien_digital_19","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659082","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5659082"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659082\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5659083"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5659082"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5659082"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5659082"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5659082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}