{"id":5659105,"date":"2018-11-29T15:34:15","date_gmt":"2018-11-29T17:34:15","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659105"},"modified":"2018-11-29T15:34:15","modified_gmt":"2018-11-29T17:34:15","slug":"bling-ring","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/29\/bling-ring\/","title":{"rendered":"Bling Ring"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659105?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659105?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<h6>Sobre o filme de Sophia Coppola e Maria Rita Guimar\u00e3es<\/h6>\n<\/div>\n<p>Da narrativa de Sofia Coppola (2013), retirada de fatos reais relatados pela jornalista\u00a0<em>Nancy Jo Sales<\/em>\u00a0que, anteriormente \u00e0 escrita do livro, publicou uma mat\u00e9ria sobre o tema na revista Vanity Fair, em 2010, com o nome \u00a0\u00ab\u00a0<em>Os suspeitos usavam\u00a0<\/em><em>\u00a0Louboutin\u00a0<\/em>\u201d\u00a0&#8211; destacam-se alguns aspectos que nos interessaram para o debate na roda de Conversa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>O fasc\u00ednio pela imagem, quando ela pode ser multiplicada, (quase) sem limite, pelas redes sociais.<\/li>\n<li>O gozo, presente em cada a\u00e7\u00e3o do roubo, demanda mais um, na sucess\u00e3o vazia dos atos transgressivos. Roubo &#8220;para nada\u201d j\u00e1 que os desejados objetos de consumo, passado o ef\u00eamero\u00a0momento de ver,momento do click da foto, j\u00e1\u00a0podem ser perdidos, consumidos, vendidos.<\/li>\n<li><em>Paris Hilton<\/em>\u00a0\u00e9 uma grife fascinante, um objeto? Parece pouco importar como pessoa, n\u00e3o parece ocorrer uma identifica\u00e7\u00e3o com ela: o que importa \u00a0para os jovens \u00e9 o que ela porta, seus objetos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A lista seria longa. Coloquemos, no entanto, duas quest\u00f5es como convite ao pensar:<\/p>\n<ul>\n<li>S\u00e3o os objetos o sintoma dos adolescentes, no filme? S\u00e3o os objetos que gozam deles?<\/li>\n<li>Em que momento- depois da pris\u00e3o &#8211; \u00e9 identific\u00e1vel &#8211; encontrar\u00edamos marcas da experi\u00eancia &#8211; experi\u00eancia traum\u00e1tica &#8211; vividas pelos adolescentes que Sofia Coppola nos apresentou?<\/li>\n<\/ul>\n<figure id=\"attachment_5659106\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659106\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659106\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/lolitas280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/lolitas280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/lolitas280-274x252.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659106\" class=\"wp-caption-text\">Lolitas G\u00eameas<\/figcaption><\/figure>\n<p>O fato apresenta-nos quatro jovens e um rapaz que se lan\u00e7am, aparentemente para romperem o t\u00e9dio de suas exist\u00eancias, a roubar os objetos de grifes reconhecidas em casas de pessoas chamadas &#8220;celebridades de Hollywood\u201d. Por\u00e9m, h\u00e1 algo mais que o t\u00e9dio: o sonho de gl\u00f3ria, de \u201cter a pr\u00f3pria marca\u201d, a aspira\u00e7\u00e3o \u201cfutura&#8221; de fama \u00a0que n\u00e3o vai al\u00e9m da imagem clicada, fulgurante instante de ver e postar no Facebook, existe. Constatamos essa exist\u00eancia no final do filme, atrav\u00e9s da rapidez com que se apropriaram do &#8220;acontecimento pris\u00e3o\u201d- porque chegaram at\u00e9 l\u00e1!- para se mostrarem \u00e0 m\u00eddia. Tal qual camale\u00f5es, defenderam-se metamorfoseados no discurso da curiosa e bizarra filosofia filantr\u00f3pica cultivada pela m\u00e3e de uma delas.Assim, Emma Watson pode discursar para os jornalistas:<\/p>\n<div class=\"sidebox\">\n<p>&#8220;Eu acredito no karma e acredito que esta situa\u00e7\u00e3o aconteceu na minha vida para me dar uma grande li\u00e7\u00e3o, para eu crescer e amadurecer como ser humano espiritual. Eu quero gerenciar uma grande organiza\u00e7\u00e3o beneficente. Eu quero liderar o pa\u00eds um dia.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<figure id=\"attachment_5659107\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659107\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659107\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/miku280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/miku280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/miku280-274x271.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/miku280-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659107\" class=\"wp-caption-text\">Cosplay &#8211; Miku Hatsune<\/figcaption><\/figure>\n<p>O significante \u201cmarca&#8221; foi discutido pelos presentes na Conversa\u00e7\u00e3o. Os Louboutins s\u00e3o os nomes dos adolescentes, s\u00e3o suas representa\u00e7\u00f5es sociais, por\u00e9m\u00a0 vol\u00e1teis como a droga consumida.Da\u00ed a pouco a identidade de cada um poder\u00e1 ser \u201caspirada&#8221; pelos cal\u00e7ados de Paris Hilton e de outro\u2026outro nome consagrado como \u201cmarca\u201d. Parece ser menos o objeto em sua materialidade &#8211; ou mesmo a materialidade dos d\u00f3lares roubados &#8211; que lhes importa, j\u00e1 que r\u00e1pido o jogo entre consumidor\/consumido rebaixa o objeto a nada.<\/p>\n<p>Encontrar\u00edamos marcas nos corpos? Mesmo ap\u00f3s o s\u00e9rio acidente de carro, os corpos das jovens seguem delgados, ang\u00e9licos, assexuados, quase! Curiosamente, mesmo se mencionada uma ou duas\u00a0 vezes, a fala depreciativa a respeito do parceiro, ocasional, an\u00f4nimo, mostra a rela\u00e7\u00e3o sexual como caricatural, \u201ccoisificada\u201d. S\u00e3o corpos habitados pelos objetos de marcas e pela anfetamina (Aderal) administrada pela m\u00e3e, em todas as manh\u00e3s. S\u00e3o corpos para o olhar e para a imagem &#8211; dois objetos onipresentes na narrativa f\u00edlmica. S\u00e3o objetos \/ vestimenta para o vazio de suas vidas.<\/p>\n<p>E a marca do trauma?<\/p>\n<p>No debate, era a pergunta que retornava e, em seus giros, possibilitava a muitos presentes na Conversa\u00e7\u00e3o a contribu\u00edrem com elementos de respostas, por\u00e9m \u00a0deixando-a aberta. As interven\u00e7\u00f5es destacavam que, ao menos para Mark, o garoto, podia-se ler algo de uma subjetiva\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia. Experi\u00eancia dos roubos, da amizade rompida, de constatar que sua Am\u00e9rica ainda \u00e9 fascinada por seus Bonny and Clyde.<\/p>\n<p>Se falamos em subjetiva\u00e7\u00e3o \u00e9 porque estamos admitindo ao ser falante o esfor\u00e7o para subjetivar o choque que lhe adveio do encontro com a linguagem. Este traumatismo n\u00e3o pode ser tomado no sentido negativo: na verdade, ele empurra \u00e0 entrada na humaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 mais bela e mais forte e n\u00e3o poderia ser reduzida a corpos \u201ccoisificados\u201d, mesmo em sua est\u00e9tica angelical, a servi\u00e7o do capitalismo.<\/p>\n<p>Cien Digital 16 publicou o texto\u00a0<em>A b\u00fassola do sim e do n\u00e3o<\/em>, de Philippe Lacad\u00e9e, do qual extraio dois par\u00e1grafos que nos ajudam a pensar a quest\u00e3o do trauma em Bling Ring:<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 saber como essa crian\u00e7a moderna \u2013 que n\u00e3o se sustenta mais de seu desejo, mas da solit\u00e1ria rela\u00e7\u00e3o ao objeto \u2013, toma conta do excesso de consumo que lhe barra o acesso ao saber e ao inconsciente. Os desejos t\u00e3o solicitados s\u00e3o transformados em necessidades, em imperativos de gozo que respondem \u00e0 gulodice de seu supereu sem que a crian\u00e7a saiba demandar ao Outro. Ela quer\u00a0<em>tudo e tudo j\u00e1<\/em>. Ela se encontra, ent\u00e3o, v\u00edtima de um supereu feroz que a empurra para querer gozar de tudo e para o qual bem e mal se equivalem.<\/p>\n<p>Controle remoto na m\u00e3o, a crian\u00e7a conecta diretamente seu corpo com o objeto gadget que j\u00e1 era interrogado por Lacan em 1974: \u201cchegaremos a nos tornar animados verdadeiramente pelos gadgets?\u201d. Lacan n\u00e3o acreditava, mesmo afirmando, n\u00e3o obstante, que \u201cverdadeiramente n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer quando o gadget n\u00e3o \u00e9 um sintoma\u201d. Lacan evidenciava deste modo, a solu\u00e7\u00e3o do gadget como podendo ser para o sujeito um novo sintoma; parece abrir uma via mais digna para o objeto gadget. N\u00e3o se trata de rejeit\u00e1-lo com a nostalgia dos tempos antigos, mas compreender o uso que o sujeito faz disso. Se ele pode ter valor de sintoma, \u00e9 porque o sujeito pode se servir dele como um ponto de apoio localizado, ou mesmo como supl\u00eancia.<\/p>\n<p>Um a um, com sua palavra, na presen\u00e7a de um analista, saber\u00edamos o valor dado ao objeto como um novo sintoma &#8211; ou n\u00e3o. Para a gangue do filme, deixemos sem resposta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre o filme de Sophia Coppola e Maria Rita Guimar\u00e3es Da narrativa de Sofia Coppola (2013), retirada de fatos reais relatados pela jornalista\u00a0Nancy Jo Sales\u00a0que, anteriormente \u00e0 escrita do livro, publicou uma mat\u00e9ria sobre o tema na revista Vanity Fair, em 2010, com o nome \u00a0\u00ab\u00a0Os suspeitos usavam\u00a0\u00a0Louboutin\u00a0\u201d\u00a0&#8211; destacam-se alguns aspectos que nos interessaram para&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5659106,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133,130],"tags":[121],"post_series":[],"class_list":["post-5659105","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cien-digital-18","category-cine-cien","tag-cien_digital_18","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5659105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659105\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5659106"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5659105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5659105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5659105"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5659105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}