{"id":5659122,"date":"2018-11-29T15:41:46","date_gmt":"2018-11-29T17:41:46","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659122"},"modified":"2018-11-29T15:41:46","modified_gmt":"2018-11-29T17:41:46","slug":"criancas-amos-resenha-e-consideracoes-a-partir-do-texto-de-adela-fryd","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/29\/criancas-amos-resenha-e-consideracoes-a-partir-do-texto-de-adela-fryd\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as Amos:\u00a0Resenha e considera\u00e7\u00f5es a partir do texto de Adela Fryd"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659122?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659122?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<figure id=\"attachment_5659123\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659123\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659123\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/balthus280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/balthus280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/balthus280-274x262.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659123\" class=\"wp-caption-text\">Balthus, Les enfants blanchard, 1937<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Margarete Parreira Miranda<\/h6>\n<\/div>\n<p>\u201cCrian\u00e7as Saturadas\u201d \u00e9 o tema inquietante estabelecido como eixo da VII jornada internacional do Cien, que acontecer\u00e1 em setembro na cidade de S\u00e3o Paulo. Momentos importantes antecipam o evento e nos convocam a problematizar o &#8220;adensamento&#8221; das crian\u00e7as de nossos tempos, que pelo excesso de subst\u00e2ncia gozosa insistem em deixar o Outro de fora. Testemunhamos adultos queixosos que se dizem perturbados com a &#8220;falta de limites das crian\u00e7as, sua agita\u00e7\u00e3o e desrespeito&#8221;.\u00a0 Pais, professores e educadores fazem parceria com esse sintoma contempor\u00e2neo sem se implicarem, muitas vezes, na constru\u00e7\u00e3o desses atos.<\/p>\n<p>Nessas circunst\u00e2ncias, tivemos acesso ao texto de Adela Fryd, \u201cCrian\u00e7as amos\u201d. Pela precis\u00e3o e clareza te\u00f3ricas, associadas \u00e0 pertin\u00eancia junto ao tema que ora privilegiamos, compete-nos dele extrair e destacar algumas incurs\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 transmiss\u00e3o aos participantes do CIEN. Propomos nos servir dos princ\u00edpios psicanal\u00edticos e relatos cl\u00ednicos que Adela distingue em seu artigo, buscando lig\u00e1-los \u00e0 extens\u00e3o da psican\u00e1lise, orientados pelos ensinamentos de Miller. Este defende que embora a psican\u00e1lise aplicada n\u00e3o seja\u00a0<em>a<\/em>\u00a0psican\u00e1lise, ela\u00a0<em>\u00e9<\/em>\u00a0psican\u00e1lise. Adela Fryd oferta elementos para uma leitura que alcan\u00e7a outros espa\u00e7os por onde crian\u00e7as circulam sob o olhar e a voz dos adultos \u2013 escolas, abrigos, institui\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas e\/ou outros. A presen\u00e7a do psicanalista em uma rela\u00e7\u00e3o interdisciplinar pode, muitas vezes, via uma palavra esclarecedora, um gesto ou um ato, promover deslocamentos produtores do novo, no enfrentamento das gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Adela chama aten\u00e7\u00e3o, inicialmente, para as \u201ccrian\u00e7as que s\u00e3o mais amos que seus pais\u201d, ou seja, que com eles fazem paridade: Seguem aut\u00f4nomas e s\u00f3s, fazem o que querem sem que nada as possa deter. Interroga como chegar\u00e3o essas crian\u00e7as \u00e0 adolesc\u00eancia. Seu modo de n\u00e3o resposta tem especificidades, pois demandam ser reconhecidas pelo Outro, mas a ningu\u00e9m escutam de modo particular. Crian\u00e7as com um querer caprichoso, em que se imp\u00f5e, segundo a autora, um gozo narcisista livre, a despeito das disposi\u00e7\u00f5es do Outro. Mostram-se blindadas ao Outro do ensino, esquivando-se dos significantes que por ele lhes s\u00e3o ofertados. Afirma, tamb\u00e9m, que h\u00e1 uma dificuldade de aliena\u00e7\u00e3o significante, o que termina por fazer operar uma \u201cfalsa separa\u00e7\u00e3o\u201d para o sujeito. Se h\u00e1 um embuste, a precariedade simb\u00f3lica n\u00e3o transforma os destinos da puls\u00e3o, e o sujeito responde \u00e0 pergunta pelo desejo do Outro se fazendo objeto. Presas ao falo imagin\u00e1rio e identificadas \u00e0 fantasm\u00e1tica do Outro materno objetam com o corpo, j\u00e1 que a aus\u00eancia da falta n\u00e3o lhes deu margem a constru\u00e7\u00e3o de outros recursos. A autora observa que na forma\u00e7\u00e3o do par parental, a m\u00e3e toma o filho como objeto precioso e o pai opera somente como parceiro da crian\u00e7a.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659124\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659124\" style=\"width: 233px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659124\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cole280-233x300.jpg\" alt=\"\" width=\"233\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cole280-233x300.jpg 233w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cole280-274x352.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cole280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 233px) 100vw, 233px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659124\" class=\"wp-caption-text\">Dan Cole, Untitled, 2008, a &#8216;painting&#8217; made with chewing gum<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os sintomas cl\u00ednicos contempor\u00e2neos ganham, ent\u00e3o, nomes como abulia, hiperatividade, inapet\u00eancia e suas variantes, se instalando em v\u00e1rios ambientes. A freq\u00fc\u00eancia desses casos os inscreve como fen\u00f4menos subjetivos de uma \u00e9poca. Nesse ponto de seu artigo a autora interroga: \u201c<em>Ent\u00e3o, como se produz a constitui\u00e7\u00e3o subjetiva nessas crian\u00e7as?<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Abalizada em Freud e Lacan, Adela trabalha a aliena\u00e7\u00e3o\/separa\u00e7\u00e3o do sujeito, cuja teoriza\u00e7\u00e3o permitir\u00e1 maior entendimento e manejo anal\u00edtico. No narcisimo freudiano, ela diz que se pode pensar na precariedade das marcas do Ideal do Eu, de onde viriam as identifica\u00e7\u00f5es com o Outro. Liga o narcisismo freudiano ao estudo do imagin\u00e1rio em Lacan. Na montagem da puls\u00e3o freudiana e a organiza\u00e7\u00e3o do objeto pulsional haveria um ponto de entrecruzamento entre ambas as s\u00e9ries: narcisismo-autoerotismo-rela\u00e7\u00e3o de objeto e a s\u00e9rie da puls\u00e3o oral-anal-f\u00e1lica. Para Lacan, dois objetos se agregam na organiza\u00e7\u00e3o da demanda e desejo, o olhar e a voz.<\/p>\n<p>Nos argumentos de Fryd, as fantasias imagin\u00e1rias das \u201ccrian\u00e7as amo\u201d persistiriam em uma especulariza\u00e7\u00e3o decidida, fazendo prevalecer a agressividade e o entrave ao trabalho entre o objeto e o ideal. O excesso de gozo pulsional, desse modo, sobressairia pela aus\u00eancia do v\u00e9u articulado a partir do Outro. Para a autora, Lacan trabalha duas importantes opera\u00e7\u00f5es constitutivas da subjetividade: a aliena\u00e7\u00e3o e a separa\u00e7\u00e3o. Se na aliena\u00e7\u00e3o h\u00e1 a funda\u00e7\u00e3o do Sujeito, na separa\u00e7\u00e3o se organizaria o desejo. O recorte da puls\u00e3o somente se d\u00e1 na medida em que passa pelas baterias significantes do Outro.\u00a0Se h\u00e1 um intervalo em que o Outro n\u00e3o diz, \u00e9 nessa fenda que poder\u00e1 emergir algo do desejo do Sujeito, que interroga o desejo do Outro. E \u00e9 nessa intermit\u00eancia que se produz a extra\u00e7\u00e3o do objeto\u00a0<em>a<\/em>, que como resto da opera\u00e7\u00e3o subjetiva arma a fun\u00e7\u00e3o desejante. A busca desse objeto impulsiona o deslocamento da libido, fazendo notar que a separa\u00e7\u00e3o procedeu. A \u201cfalsa separa\u00e7\u00e3o\u201d a que se refere Adela, no entanto, em alus\u00e3o \u00e0s \u201ccrian\u00e7as amos\u201d, faz verificar uma intelig\u00eancia dessas crian\u00e7as em manejar os significantes do Outro, mas uma estagna\u00e7\u00e3o no campo do desejo, estando mais ligadas \u00e0 puls\u00e3o que \u00e0 fantasia.<\/p>\n<p>Adela demarca importantes considera\u00e7\u00f5es concernentes \u00e0 presen\u00e7a do analista, no ponto onde a separa\u00e7\u00e3o \u00e9 o problema. Sustenta que esta presen\u00e7a se abre para a conting\u00eancia de um encontro com o Outro, onde a crian\u00e7a poder\u00e1 localizar algo do seu estilo e de sua maneira de aloj\u00e1-lo, que permitir\u00e1 relan\u00e7ar a puls\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao novo.\u00a0 O desejo do analista confiado \u00e0 transfer\u00eancia atualiza o objeto olhar e o objeto voz, com efeitos de separa\u00e7\u00e3o sobre o excesso de gozo, que implica satura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659125\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659125\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659125\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/moraes280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"246\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/moraes280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/moraes280-274x241.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659125\" class=\"wp-caption-text\">Marcia Moraes, O Subsolo, 2012<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nesse momento do texto, a autora relata fragmentos cl\u00ednicos do tratamento de duas crian\u00e7as, colocando em evid\u00eancia sua interven\u00e7\u00e3o. Destaca, em ambos relatos, a import\u00e2ncia do jogo do fort-da freudiano, como matriz da fantasia, com o qual a crian\u00e7a se relaciona na aus\u00eancia da m\u00e3e. Toma esse jogo como orientador nos referidos casos, a partir da delimita\u00e7\u00e3o do real para cada sujeito. Fazer instalar a falta, a separa\u00e7\u00e3o e aguardar que algo de cada um emirja, \u00e9 ponto decisivo para Adela. Distingue ainda, que por se tratar de crian\u00e7as que monologam, deve-se considerar o seu saber para que elas escutem o Outro.<\/p>\n<p>A leitura do texto de Adele Fryd nos aviva reflex\u00f5es.\u00a0 Se considerarmos os diversos espa\u00e7os institucionais por onde transitam as \u201ccrian\u00e7as amos\u201d, assim, \u201csaturadas de gozo\u201d, podemos pensar tamb\u00e9m o conceito de transfer\u00eancia que se aplica aos encontros contingentes com esses Outros. N\u00e3o poderia o olhar, a voz do Outro fazer presen\u00e7a de maneira menos ruidosa, em que se oferta o consentimento ao estilo de cada um sem, contudo, abrir m\u00e3o de um dizer consequente \u00e0s crian\u00e7as? Estarmos atentos ao que venha despert\u00e1-las da fixidez dos sintomas, na aposta em uma posi\u00e7\u00e3o que proteja as diferen\u00e7as, poder\u00e1 desembara\u00e7\u00e1-las de seus excessos e fazer fluir a libido no campo do desejo. Essa talvez seja a ess\u00eancia da transmiss\u00e3o\u00a0aos participantes do CIEN, concernidos em uma pr\u00e1tica interdisciplinar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Margarete Parreira Miranda \u201cCrian\u00e7as Saturadas\u201d \u00e9 o tema inquietante estabelecido como eixo da VII jornada internacional do Cien, que acontecer\u00e1 em setembro na cidade de S\u00e3o Paulo. 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