{"id":5659173,"date":"2018-11-29T16:14:12","date_gmt":"2018-11-29T18:14:12","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659173"},"modified":"2018-11-29T16:14:12","modified_gmt":"2018-11-29T18:14:12","slug":"conversacao-enlacando-a-arte-do-cinema-e-da-argila","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/29\/conversacao-enlacando-a-arte-do-cinema-e-da-argila\/","title":{"rendered":"Conversa\u00e7\u00e3o enla\u00e7ando a arte do cinema e da argila"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659173?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659173?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<figure id=\"attachment_5659174\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659174\" style=\"width: 194px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659174\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sherman280-194x300.jpg\" alt=\"\" width=\"194\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sherman280-194x300.jpg 194w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sherman280-274x423.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sherman280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 194px) 100vw, 194px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659174\" class=\"wp-caption-text\">Cindy Sherman, Untitled, # 316, 1995, Edition 3\/6<\/figcaption><\/figure>\n<h6><small>Laborat\u00f3rio Guarnic\u00ea \u2022 S\u00e3o Luis (MA)<\/small><\/h6>\n<\/div>\n<h6>Tha\u00efs Moraes Correia (coord.), May Guimar\u00e3es, Carmem Damous,<br \/>\nMaria de Lourdes Maia, D\u00e9bora Lima Baese, Cl\u00e1udia, Kassiane, M\u00e1rcia Assun\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<hr \/>\n<p>O laborat\u00f3rio Guarnic\u00ea (ef.)- mar\u00e7o de 2010 a junho de 2013 &#8211; teve in\u00edcio com a leitura dos textos gentilmente cedidos por Ros\u00e1rio do Rego Barros e os que fomos ao longo desse tempo recolhendo dos boletins da EBP, das revistas \u201cArteira\u201d bem como alguns textos iniciais sobre a Hist\u00f3ria do CIEN, que aconteceu pela primeira vez na Delega\u00e7\u00e3o Geral MA de 1998 a 1999.<\/p>\n<p>Nesse momento, em mar\u00e7o de 2015, em que somos novamente chamados a voltar para esse lugar, nos perguntamos: O que de fato aconteceu ali, onde a presen\u00e7a do CIEN volta a ser demandada?<\/p>\n<p>\u00c9 comum aqui ouvirmos: afinal, o que \u00e9 o CIEN? N\u00e3o se trata de um \u2018espa\u00e7o terap\u00eautico\u2019, nos diz Judith Miller, por ocasi\u00e3o da V Jornada Internacional do CIEN, em 2011. As conversa\u00e7\u00f5es que o CIEN provoca t\u00eam o objetivo de fazer emergir um saber n\u00e3o sabido, a partir do qual se produz um deslocamento das perguntas\/certezas trazidas pelos profissionais, que insistem muitas vezes em reclamar de sua impot\u00eancia. O laborat\u00f3rio provoca um descolamento dessa impot\u00eancia.<\/p>\n<p>No primeiro semestre de 2010, pens\u00e1vamos em desenvolver uma atividade nas escolas da comunidade, mas a experi\u00eancia acabou sendo outra \u2013 dirigida ao ICE onde chegamos a convite de Deborah Baese, que fazia parte do encontro de estudo de textos sobre o CIEN, que realiz\u00e1vamos na sala da DG-MA. Ela foi uma das fundadoras do ICE e tamb\u00e9m participou da forma\u00e7\u00e3o deste laborat\u00f3rio do CIEN. Foi nos ofertado, a partir de agosto de 2011 at\u00e9 junho de 2013, o espa\u00e7o de um enorme galp\u00e3o, onde funciona o \u201cCentro Comunit\u00e1rio Elita Pinheiro\u201d (atualmente F\u00f3rum do desenvolvimento sustent\u00e1vel do Jaracati). L\u00e1 s\u00e3o desenvolvidas diversas atividades dirigidas \u00e0 comunidade do Jaracati, que \u00e9 carente em v\u00e1rios aspectos. Nesse bairro, havia um lix\u00e3o que fornecia, para fam\u00edlias daquele local e redondezas, uma fonte de renda. Por\u00e9m, por ser um bairro bem localizado, que abriga v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, atraiu para l\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o do Shopping S\u00e3o Lu\u00eds, de modo que muitas pessoas que habitavam a \u00e1rea se deslocaram para outras regi\u00f5es e, das que ficaram, v\u00e1rias tiveram que buscar outras fontes de renda, como por exemplo, o tr\u00e1fico acirrado de drogas. O bairro possui o estere\u00f3tipo de ser violento, mas alguns membros pertencentes a essa comunidade, atrav\u00e9s dos diversos trabalhos sociais desenvolvidos ali, visam transformar essa imagem. Uma das pessoas envolvidas e empenhadas nesse objetivo \u00e9 a moradora da comunidade e diretora do C.C.E.P., M\u00e1rcia Assun\u00e7\u00e3o, que participou das oficinas durante esse per\u00edodo. Nesse espa\u00e7o, tamb\u00e9m funcionava o telecentro\/inform\u00e1tica; brinquedoteca\/espa\u00e7o l\u00fadico, oficinas de jud\u00f4 e o projeto leitura encena\/teatro e leitura.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s algumas conversa\u00e7\u00f5es em torno dos impasses que ali se colocavam, surgiu a ideia de iniciarmos um trabalho envolvendo cinema e cer\u00e2mica. Essa proposta foi aceita por todos e, no ano seguinte, em 2012, foram montadas as oficinas de cinema, seguidas pelas de cer\u00e2mica, onde as crian\u00e7as, ap\u00f3s assistirem filmes e comentarem o que lhes chamou a aten\u00e7\u00e3o em cada pel\u00edcula, faziam a cer\u00e2mica baseada no filme assistido. Essas oficinas foram sugeridas e coordenadas por Tha\u00efs Moraes Correia e por May Ferreira, contando com a participa\u00e7\u00e3o dos oficineiros, alternadamente.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659175\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659175\" style=\"width: 237px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659175\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/yamada280-237x300.jpg\" alt=\"\" width=\"237\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/yamada280-237x300.jpg 237w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/yamada280-274x346.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/yamada280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 237px) 100vw, 237px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659175\" class=\"wp-caption-text\">Keisuke Yamada, \u201cDarth Vader\u201d, Banana Sculpture, 2011<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os oficineiros e educadores trabalhavam diariamente com as crian\u00e7as e, em v\u00e1rios momentos, fomos convocadas para intervir em impasses, discutindo acerca dos problemas mais marcantes do grupo, onde a viol\u00eancia (dentro e fora de casa) sempre esteve muito presente. Frequentaram esses encontros em m\u00e9dia 15 crian\u00e7as e jovens na faixa et\u00e1ria de 8 a 14 anos, moradores do Jaracati.<\/p>\n<p>Observamos um grande entusiasmo das crian\u00e7as com o fato de poderem ser escutadas e tamb\u00e9m de terem direito a opinar &#8211; o que significava ter, enfim, voz ativa. Ao falar do que viam nos filmes, podiam articular algumas passagens com suas vidas, identificando-se com este ou aquele personagem. Algumas crian\u00e7as tinham imensa dificuldade em falar e aquele foi um momento mais de ouvi-las do que falar. As brigas e roubos eram constantes entre as crian\u00e7as e muitas eram as demandas, at\u00e9 de papel higi\u00eanico, por exemplo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fizemos atividades com as m\u00e3es das crian\u00e7as. A primeira delas foi um caf\u00e9 da manh\u00e3 com o tema: \u201cViol\u00eancia dentro e fora de casa\u201d. A presen\u00e7a das m\u00e3es e av\u00f3s foi grande. Al\u00e9m da viol\u00eancia f\u00edsica, havia uma indiferen\u00e7a generalizada e desinteresse para com as crian\u00e7as, que eram vistas como um estorvo. As m\u00e3es se apresentaram uma a uma, falando de seus filhos e fazendo algumas perguntas acerca de \u201ccomo educar\u201d e como dar \u201climites a seus filhos\u201d. Como fazer, afinal, para envolver essas m\u00e3es que deixam seus filhos com as av\u00f3s, na escola ou na institui\u00e7\u00e3o, para fazerem uso de drogas?<\/p>\n<p>Agora, no \u201cs\u00f3 &#8211; depois\u201d, revendo o que realizamos neste laborat\u00f3rio, percebemos que n\u00e3o poder\u00edamos ter-nos deixado levar pelas demandas &#8211; tanto da coordenadora do Centro como dos pais\/m\u00e3es\/av\u00f3s das crian\u00e7as &#8211; realizando um trabalho no corpo a corpo com as crian\u00e7as e jovens como fizemos; e sim ter insistido em apenas escutar e\/ou intervir junto aos profissionais que \u201ccuidam\u201d das crian\u00e7as e jovens. As dificuldades e impasses giraram em torno de como controlar a inquieta\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia presentes nesse universo. Percebemos que a fixidez dos significantes \u2013 viol\u00eancia \u2013 roubo \u2013 estupro \u2013 crimes e drogas \u2013 acabavam por nomear essas crian\u00e7as, que respondiam com ang\u00fastia \u00e0quilo que seus corpos denunciavam. Sabemos que a palavra tem efeitos no corpo e que \u00e9 poss\u00edvel uma mudan\u00e7a nesses corpos quando se deixa penetrar por um discurso que n\u00e3o \u00e9 anal\u00edtico, mas que busca orientar para um desejo que n\u00e3o seja an\u00f4nimo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Laborat\u00f3rio Guarnic\u00ea \u2022 S\u00e3o Luis (MA) Tha\u00efs Moraes Correia (coord.), May Guimar\u00e3es, Carmem Damous, Maria de Lourdes Maia, D\u00e9bora Lima Baese, Cl\u00e1udia, Kassiane, M\u00e1rcia Assun\u00e7\u00e3o O laborat\u00f3rio Guarnic\u00ea (ef.)- mar\u00e7o de 2010 a junho de 2013 &#8211; teve in\u00edcio com a leitura dos textos gentilmente cedidos por Ros\u00e1rio do Rego Barros e os que fomos&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5659174,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[135,130],"tags":[122],"post_series":[],"class_list":["post-5659173","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cien-digital-17","category-cine-cien","tag-cien_digital_17","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659173","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5659173"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659173\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5659174"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5659173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5659173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5659173"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5659173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}