{"id":5659177,"date":"2018-11-29T16:16:52","date_gmt":"2018-11-29T18:16:52","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659177"},"modified":"2018-11-29T16:16:52","modified_gmt":"2018-11-29T18:16:52","slug":"desembolando-o-impossivel-conversacao-sobre-o-impasse-da-sexualidade-realizado-em-um-centro-de-internacao-socioeducativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/29\/desembolando-o-impossivel-conversacao-sobre-o-impasse-da-sexualidade-realizado-em-um-centro-de-internacao-socioeducativo\/","title":{"rendered":"Desembolando o imposs\u00edvel: conversa\u00e7\u00e3o sobre o impasse da sexualidade realizado em um centro de interna\u00e7\u00e3o socioeducativo"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659177?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659177?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<figure id=\"attachment_5659178\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659178\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659178\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/alhauser280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/alhauser280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/alhauser280-274x206.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659178\" class=\"wp-caption-text\">Sonja Alh\u00e4user, Bloody Mary, 2005-2015<\/figcaption><\/figure>\n<h6><small>Laborat\u00f3rio: Trocando uma Id\u00e9ia! \u2022 Belo Horizonte (MG)<\/small><\/h6>\n<\/div>\n<h6>Tatiana Goulart, Mariana Aranha, Andr\u00e9a Guerra<\/h6>\n<h5>O contexto<\/h5>\n<p>Trazemos aqui a an\u00e1lise da experi\u00eancia de realiza\u00e7\u00e3o de conversa\u00e7\u00f5es psicanal\u00edticas em torno de impasses institucionais experimentados na lida di\u00e1ria de centros de interna\u00e7\u00e3o, no qual jovens em conflito com a lei cumprem medida socioeducativa privativa de liberdade.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 trouxe avan\u00e7os nas discuss\u00f5es sobre os adolescentes infratores. Se antes, o direito era usado para vigiar, repreender e punir os adolescentes que infringiam a lei, hoje, com o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (BRASIL, 1990), a aposta est\u00e1 em uma tentativa de ressocializa\u00e7\u00e3o do adolescente em conflito com a lei, a partir dos eixos educa\u00e7\u00e3o, fam\u00edlia e trabalho. No SINASE (BRASIL, 2006), em seu artigo primeiro, par\u00e1grafo segundo, s\u00e3o expostos os objetivos das medidas socioeducativas: \u201cI &#8211; a responsabiliza\u00e7\u00e3o do adolescente quanto \u00e0s consequ\u00eancias lesivas do ato infracional, sempre que poss\u00edvel incentivando a sua repara\u00e7\u00e3o;\u00a0II &#8211; a integra\u00e7\u00e3o social do adolescente e a garantia de seus direitos individuais e sociais, por meio do cumprimento de seu plano individual de atendimento; e\u00a0III &#8211; a desaprova\u00e7\u00e3o da conduta infracional,\u00a0efetivando as disposi\u00e7\u00f5es da senten\u00e7a como par\u00e2metro m\u00e1ximo de priva\u00e7\u00e3o de liberdade ou restri\u00e7\u00e3o de direitos, observados os limites previstos em lei\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e3o seis as medidas socioeducativas, indo do meio aberto ao meio fechado, conforme a reincid\u00eancia e a gravidade do fato. O ECA abre a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o da medida socioeducativa, visando sempre a responsabiliza\u00e7\u00e3o do adolescente pelo seu ato infracional. No caso de aplica\u00e7\u00e3o de medida privativa de liberdade, a mais grave, o adolescente \u00e9 acautelado e permanece interno em um centro de interna\u00e7\u00e3o. Nele equipe de seguran\u00e7a, composta de agentes socioeducativos, equipe t\u00e9cnica, composta, em geral, por psic\u00f3logos, assistentes sociais, enfermeiros e terapeutas ocupacionais, e equipe administrativa garantem os direitos constitucionais da prote\u00e7\u00e3o integral do adolescente, visando seu retorno ao conv\u00edvio s\u00f3cio familiar.<\/p>\n<p>Os adolescentes do Centro de Interna\u00e7\u00e3o que participaram das conversa\u00e7\u00f5es aqui relatadas est\u00e3o cumprindo medida com priva\u00e7\u00e3o de liberdade por um per\u00edodo que varia de 06 (seis) meses a 03 (tr\u00eas) anos, e possuem, em geral, entre 12 e 18 anos. Eles foram convidados e aceitaram participar de \u201cconversa sobre sexualidade\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, a metodologia da conversa\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica possui caracter\u00edsticas espec\u00edficas. Ela parte da orienta\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica lacaniana, tendo sido inicialmente instaurada na Fran\u00e7a no CIEN (Centro interdisciplinar de Estudos sobre a Inf\u00e2ncia), \u201ccriado com a finalidade de abrir o campo da investiga\u00e7\u00e3o ao di\u00e1logo da psican\u00e1lise com outros discursos que t\u00eam incid\u00eancia sobre a crian\u00e7a\u201d . Psicanalistas iam \u00e0s escolas ofertar a palavra \u00e0s crian\u00e7as que, concebidas como sujeitos desejantes, poderiam produzir novo saber sobre o discurso de sua \u00e9poca, no ponto em que este a afeta.<\/p>\n<p>Em nosso caso, funcionamos a partir do Laborat\u00f3rio Trocando uma Ideia do CIENem parceria com o Projeto de Extens\u00e3o J\u00e1 \u00c9 do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalhamos com cinco encontros quinzenais, sendo o primeiro com a institui\u00e7\u00e3o que formula seu impasse na rela\u00e7\u00e3o com os jovens. Essa conversa\u00e7\u00e3o tem um valor diagn\u00f3stico de cernir o nome do mal-estar vivido no cotidiano de trabalho com os adolescentes. Nomeado o impasse institucional, realizamos tr\u00eas encontros com os jovens, seguido de um \u00faltimo encontro com equipe para encerramento do processo e recolhimento de seus efeitos.<\/p>\n<p>Cabe destacar nesse processo ao menos tr\u00eas dimens\u00f5es da metodologia que o orienta: (1) a rela\u00e7\u00e3o com o saber, (2) a presen\u00e7a do psicanalista e (3) a diferen\u00e7a entre fala\u00e7\u00e3o e conversa\u00e7\u00e3o. Quanto \u00e0 primeira dimens\u00e3o, \u00e9 importante localizar que operamos a partir da ideia de uma interdisciplinaridade em ato , entendida enquanto a\u00e7\u00e3o de diferentes saberes sobre um impasse, que n\u00e3o pretende constituir um saber totalizante ou verdadeiro sobre o embara\u00e7o vivido. Lembrando que consideramos o saber do jovem como mais um saber ali disposto. E, ao contr\u00e1rio da cren\u00e7a cient\u00edfica em um saber \u00faltimo sobre a verdade emp\u00edrica de uma realidade, partimos do ponto em que o limite de um saber esbarra no limite do outro, mantendo-se tensionado o campo que resiste \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o de uma significa\u00e7\u00e3o \u00faltima. Dessa maneira, abre-se o campo para produ\u00e7\u00e3o de saberes distintos, constru\u00eddos pelos participantes da conversa\u00e7\u00e3o, a partir de suas experi\u00eancias singulares e do encontro na conversa\u00e7\u00e3o, que acaba por desmontar verdades preconcebidas em rela\u00e7\u00e3o ao impasse ali verificado.<\/p>\n<p>Essa opera\u00e7\u00e3o s\u00f3 se verifica dada a presen\u00e7a de ao menos um psicanalista na conversa\u00e7\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o do psicanalista presentifica-se a partir do ato de fala recolhido de cada participante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 causalidade de sua a\u00e7\u00e3o. Essa causalidade \u00e9 tomada como ponto exterior e anterior a qualquer inclus\u00e3o ou interioriza\u00e7\u00e3o (LACAN, 1962-63\/2005, p. 116) que se possa obter como resultado de um processo de constitui\u00e7\u00e3o do sujeito, no caso individual, ou das for\u00e7as em jogo, no caso dos processos institucionais ou civilizat\u00f3rios. Ela n\u00e3o deve ser situada como an\u00e1loga \u00e0 intencionalidade de uma\u00a0<em>noese<\/em>, racional, cognitiva, mas como o ponto perdido no elo civilizat\u00f3rio entre natureza e cultura e que, por isso mesmo, anima os corpos e coloca em jogo for\u00e7as simb\u00f3licas para resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos da\u00ed decorrentes. O giro l\u00f3gico, permitido pela presen\u00e7a de um psicanalista, \u00e9 o de tomar a causa, n\u00e3o como\u00a0<em>finalidade<\/em>\u00a0a ser alcan\u00e7ada (<em>t\u00e9los<\/em>), mas como ponto de perda (<em>Merhlust<\/em>) a ser tratado. E que, por ser irrecuper\u00e1vel, motiva as a\u00e7\u00f5es desde sua exterioridade.<\/p>\n<p>Finalmente, sob um fundo transferencial , ainda que deslocado do contexto cl\u00ednico estrito senso, destacamos a diferen\u00e7a entre uma fala\u00e7\u00e3o vazia &#8211; na qual proliferam os arranjos imagin\u00e1rios, recobertos por assertivas gen\u00e9ricas &#8211; e uma conversa\u00e7\u00e3o. Nesta, a responsabilidade pelo ato de fala \u00e9 recolhida pelo psicanalista, a partir do ponto em que cada sujeito \u00e9 tocado pelas palavras que ali circulam, visando a quebra da identifica\u00e7\u00e3o dos elementos mestres que organizam o discurso em torno dos impasses evidenciados. Dessa forma, abalados ou desconstru\u00eddos, podem ceder lugar ao sem sentido e, assim, abrirem-se \u00e0 surpresa de uma produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e singular de cada um dos participantes ali presentes. Assim, o efeito se conta um a um, n\u00e3o para todos.<\/p>\n<p>Dessa maneira, a conversa\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica difere radicalmente de uma conversa, j\u00e1 que orientada pela rela\u00e7\u00e3o estrutural que a linguagem estabelece com o corpo diante dos impasses da civiliza\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, o ato de fala concerne natureza e cultura ao mesmo tempo, ao dotar o aparelho da linguagem de um ordenamento do gozo , que condiciona os corpos a um aprendizado de conviv\u00eancia no la\u00e7o social.<\/p>\n<p>Esclarecidos nossos pressupostos na interven\u00e7\u00e3o, conhe\u00e7amos sua experi\u00eancia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659179\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659179\" style=\"width: 249px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659179\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/fragoso280-249x300.jpg\" alt=\"\" width=\"249\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/fragoso280-249x300.jpg 249w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/fragoso280-274x330.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/fragoso280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 249px) 100vw, 249px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659179\" class=\"wp-caption-text\">Alzira Fragoso, 2014<\/figcaption><\/figure>\n<h5>O convite<\/h5>\n<p>Essas conversa\u00e7\u00f5es foram realizadas entre Outubro e Novembro de 2013. Fomos chamados pela equipe de centro de interna\u00e7\u00e3o para trabalhar com os adolescentes sobre um impasse: a sexualidade. Segundo a diretoria, havia uma oficina sobre isso, os adolescentes estavam agitados nesse trabalho e fazendo perguntas \u201cembara\u00e7osas\u201d para a equipe de enfermagem.<\/p>\n<p>Decidimos, ent\u00e3o, em um primeiro momento, fazer uma reuni\u00e3o, sob a forma de conversa\u00e7\u00e3o, com a equipe do centro para escutar mais sobre esse mal estar e convid\u00e1-los a participar das conversa\u00e7\u00f5es. Nesse encontro, estavam presentes a diretoria, os t\u00e9cnicos, o advogado e a equipe de enfermagem.<\/p>\n<p>As enfermeiras come\u00e7am a nos relatar o quanto estava dif\u00edcil para elas lidarem com esses adolescentes curiosos. \u201c<em>Eles querem saber tudo. Me perguntam no meio da oficina: voc\u00ea gosta disso. Eu, sinceramente, n\u00e3o sei o que dizer.<\/em>\u201d\u00a0 Uma colega concorda e diz que as perguntas s\u00e3o muito embara\u00e7osas e diretas. Elas nos contam ainda sobre um movimento deles, proibido, com a pris\u00e3o ao lado. \u201c<em>Aqui do lado tem um pres\u00eddio feminino. Eles ficam trocando cartas com as meninas. Escrevem cada indec\u00eancia!<\/em>\u201d Questionamos sobre essas indec\u00eancias e elas nos dizem: \u201c<em>Ah, falam essas coisas&#8230;coisas que gostariam de fazer com elas.<\/em>\u201d Insistimos na pergunta sobre o que seriam essas coisas e a resposta vem imediatamente: \u201c<em>Ah, n\u00e3o tenho nem coragem de dizer<\/em>\u201d. Os t\u00e9cnicos compartilham desse inc\u00f4modo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cartas. \u201c<em>Por que a gente explica pra eles que n\u00e3o pode escrever essas coisas. \u00c9 cada coisa! De horrorizar! Tamb\u00e9m n\u00e3o tenho coragem nem de falar\u201d.<\/em><\/p>\n<p>A partir dessa escuta, fazemos o convite para a equipe, tamb\u00e9m, participar das conversa\u00e7\u00f5es. No entanto, os profissionais n\u00e3o aceitam. Justificam que os meninos ficariam inibidos com a presen\u00e7a deles e que poderiam atrapalhar na conversa. De toda forma, algo estava claro para a equipe da conversa\u00e7\u00e3o: l\u00e1 n\u00e3o seria um lugar de informa\u00e7\u00e3o sobre a sexualidade, mas um lugar para tentar inventar algo novo a partir desse trauma que atravessa a todos.<\/p>\n<h5>As Conversa\u00e7\u00f5es<\/h5>\n<p>Foram realizados tr\u00eas encontros conduzidos com a presen\u00e7a de tr\u00eas psicanalistas, dois agentes de seguran\u00e7a e cerca de 11 adolescentes. No primeiro momento, nos questionaram se poderiam perguntar sobre qualquer coisa. Respondemos que sim e eles disseram que isso era muito bom, j\u00e1 que as enfermeiras n\u00e3o respondiam ao que eles queriam saber.<\/p>\n<p>Lan\u00e7am a primeira pergunta: \u201c<em>\u00e9 verdade que mulher gosta de p\u00eanis grande?<\/em>\u201d Relan\u00e7amos a pergunta ao grupo: \u201c<em>ent\u00e3o \u00e9 o tamanho do p\u00eanis que interessa \u00e0s mulheres? O que acham?<\/em>\u201d. \u201c<em>Uai, depende, tem mulher que gosta \u00e9 de mulher. Hoje em dia \u00e9 cada coisa que a gente v\u00ea, dif\u00edcil de entender. Mulher gatinha com umas mulher feia, tipo caminhoneiro, z\u00e9<\/em>\u201d. Aqui um ponto vazio que permite reordenamento dos significantes mestres da civiliza\u00e7\u00e3o, que se abre \u00e0 inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro diz:<em>\u00a0\u201cMulher gosta \u00e9 de uma boa conversa, de um desembolo. Tem que saber chegar e p\u00e1\u201d<\/em>. Um terceiro interv\u00e9m:\u00a0<em>\u201cMulher gosta \u00e9 de grana, carro, \u00e9 isso que elas querem<\/em>\u201d, sendo logo retucado: \u201c<em>Nem toda mulher \u00e9 assim, Z\u00e9, s\u00f3 se for as que voc\u00ea t\u00e1 arrumando\u201d. \u201cAs piriguetes s\u00e3o assim!\u201d.\u00a0<\/em>Nossa interven\u00e7\u00e3o aponta para a diferen\u00e7a das mulheres:<em>\u00a0\u201cAh, ent\u00e3o quer dizer que as mulheres n\u00e3o s\u00e3o iguais?\u201d<\/em>.Novamente se acena a impossibilidade de uma reg\u00eancia \u00fanica acerca do feminino, assim como acerca da tentativa desses jovens, cada um com suas cren\u00e7as (tamanho do p\u00eanis, dinheiro, conversa&#8230;), de tamponar o imposs\u00edvel de saber, com o qual preferiam lidar alocando \u00e0 mulher uma \u00fanica demanda a qual deveriam atender, aplacando, assim, a ang\u00fastia do encontro de cada um deles com o que encarnava para si o Outro sexo.<\/p>\n<p>Neste encontro, fica claro o n\u00e3o saber sobre as mulheres e a ang\u00fastia do que fazer com isso. Os adolescentes procuravam uma resposta \u00fanica para todas que apaziguasse a ang\u00fastia do n\u00e3o saber-fazer com o Outro sexo . Por\u00e9m, o que foi respondido a isso \u00e9 justamente que n\u00e3o h\u00e1 nem uma resposta universal, nem um manual ou brevi\u00e1rio contendo todas as conjuga\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para esse encontro. Ao contr\u00e1rio, a cada encontro, corresponde uma constru\u00e7\u00e3o, uma resposta contingente e singular. No final do encontro, um adolescente, noivo, encerra dizendo: \u201c<em>Cada uma \u00e9 de um jeito. Eu vou l\u00e1 e pergunto do que ela gosta, assim vejo o que vou fazer<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>O segundo encontro foi muito agitado e com v\u00e1rias conversas paralelas. Da aus\u00eancia de um manual sobre como lidar com esse ponto traum\u00e1tico da incid\u00eancia do sexual, proliferou o imposs\u00edvel de dizer, o traum\u00e1tico, na agita\u00e7\u00e3o dos corpos jovens. Muitos adolescentes voltaram a falar da vida no crime e de como cada um se vira com o corpo ali. Inicia-se, ent\u00e3o, uma conversa sobre a escola. Um adolescente come\u00e7a a dizer de sua volta \u00e0 escola. \u201c<em>At\u00e9 parece que eu preciso t\u00e1 aqui pra conseguir estudar. L\u00e1 fora, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil conseguir estudar. Agora eu j\u00e1 t\u00f4 estudando. \u00c9 muito doido. L\u00e1 fora \u00e9 tudo mais dif\u00edcil<\/em>.\u00a0<em>At\u00e9 parece que a gente tem que cometer um crime pra eles olharem pra gente\u201d.\u00a0<\/em>Os colegas concordam.Outro retruca: \u201c<em>Eu sempre fui rebelde, mas agora n\u00e3o sou mais. Mas eles continuam me tratando como se eu ainda fosse. A\u00ed eu vou volt\u00e1 a apront\u00e1 pra eles verem<\/em>\u201d. Eum deles, ent\u00e3o, revela: \u201c<em>Por que voc\u00ea acha que quando eu sa\u00ed daqui eu vou sair do crime? N\u00e3o! O crime \u00e9 muito mais que isso. O crime \u00e9 voc\u00ea ter malandragem pra saber aonde pode ir, como entrar e sair dos lugares, e isso eu n\u00e3o vou perder\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>A conversa\u00e7\u00e3o acontece de maneira tensa, agressiva, com cada jovem tentando impor seu modo de operar no mundo como modelo para o outro e destituindo os demais. O agente de seguran\u00e7a tem uma entrada reguladora importante ao apontar que \u201c<em>cada um decide como vai viver ou como vai morrer. N\u00e3o se pode impor sobre o outro o jeito de ser. E voc\u00eas t\u00eam op\u00e7\u00e3o de serem diferentes do que v\u00eam sendo<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>De certa forma, testemunhamos nesse dia um saber-fazer com o corpo jovem e sexuado, a partir de um saber predeterminado pela l\u00f3gica do crime. \u00c9 quando um deles questiona porque estavam falando do crime, \u201c<em>se l\u00e1 era lugar de falar de sexo<\/em>\u201d. Ao que um colega o responde: \u201c<em>aqui a gente fala do que quiser<\/em>\u201d.\u00a0 Abre-se, ent\u00e3o, de maneira insistente, a fala de um jovem que, muito assertivo, deseja respostas bem objetivas sobre suas inquieta\u00e7\u00f5es e d\u00favidas sexuais, como, por exemplo, se homem deve bater em mulher, se homem tem que transar muitas vezes. Os jovens recusam essa retomada insistente de temas expl\u00edcitos sobre a excita\u00e7\u00e3o sexual e o corpo sexuado, retomando a discuss\u00e3o sobre o crime.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659180\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659180\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659180\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/mauricio280-1.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"244\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/mauricio280-1.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/mauricio280-1-274x239.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659180\" class=\"wp-caption-text\">Mariana Mauricio, You II, 2012<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nossas interven\u00e7\u00f5es aconteceram muito no particular, em rela\u00e7\u00e3o a conversas de p\u00e9 de ouvido, enquanto, no coletivo, incidiram sobretudo em rela\u00e7\u00e3o a respeitarmos as opini\u00f5es diferentes de cada um. Para um jovem, tratou-se de legitimar sua solu\u00e7\u00e3o de adiar o encontro com as mulheres nesse momento para estudar e retomar a vida fora do centro. Com outro, aconteceu no sentido de criar uma escans\u00e3o entre \u201c<em>ser malandro e ser do crime<\/em>\u201d, apontando que \u00e9 poss\u00edvel saber-fazer com a malandragem sem ser bandido, o que assinalava para constru\u00e7\u00e3o de uma resposta singular sobre o masculino. Com o terceiro, n\u00e3o havia escans\u00e3o ou interroga\u00e7\u00e3o que suspendesse suas certezas. Um outro jovem, o noivo, n\u00e3o retornou mais&#8230;<\/p>\n<p>Assim, podemos pensar que as interven\u00e7\u00f5es aconteceram no sentido de reconhecer as assinalar que os adolescentes t\u00eam produzido saberes e respostas diferentes para os diversos impasses que os atravessam, bem como a de assinalar que o saber do crime, al\u00e9m de n\u00e3o ser o \u00fanico, pode n\u00e3o ser o mais efetivo para orientar suas decis\u00f5es.\u00a0 Nesse segundo encontro, face ao imposs\u00edvel da puberdade, que atualiza o encontro traum\u00e1tico entre gozo e linguagem, presentificado no encontro com o Outro sexo, restaram as solu\u00e7\u00f5es singulares &#8211; inicialmente revestidas pelo semblante oferecido pelo saber do crime. Num primeiro tempo do encontro, parece que as falas em torno do crime velaram um real impronunci\u00e1vel atrav\u00e9s de frases prontas oriundas do seu discurso de ferro. Seu deslocamento, com a interven\u00e7\u00e3o do agente e as coloca\u00e7\u00f5es um a um das psicanalistas, parece ter dado lugar \u00e0 emers\u00e3o de algumas constru\u00e7\u00f5es, solu\u00e7\u00f5es singularmente singelas, ainda que n\u00e3o definitivas.<\/p>\n<p>No terceiro encontro e tamb\u00e9m \u00faltimo, apareceu a quest\u00e3o sobre o que \u00e9 ser homem. Os adolescentes diziam do embara\u00e7o na rela\u00e7\u00e3o com as meninas, onde a sua virilidade era colocada \u00e0 prova: \u201c<em>A gente tem que satisfazer a mulher, tem que ir l\u00e1 e transar v\u00e1rias vezes, sen\u00e3o elas contam para as outras, sen\u00e3o a gente fica falado<\/em>\u201d. Dizem que as meninas n\u00e3o s\u00e3o confi\u00e1veis, que armam \u201c<em>croca<\/em>\u201d para eles, emboscadas para serem pegos pelos rivais. \u201c<em>V\u00e9io, eu posso estar com uma gata linda, se ela me chama pra ir na casa dela, eu n\u00e3o vou. Ela \u00e9 que venha na minha<\/em>\u201d. \u201c<em>Por isso que eu n\u00e3o namoro, n\u00e3o amo ningu\u00e9m<\/em>\u201d. Perguntamos sobre este estatuto da mulher, que hist\u00f3ria \u00e9 essa de n\u00e3o poderem confiar.<\/p>\n<p>Os adolescentes respondem veementemente que algumas mulheres \u201c<em>s\u00e3o traidoras<\/em>\u201d, e que estas merecem ter \u201c<em>cabelo cortado, ser apedrejada, queimada<\/em>\u201d. Outras n\u00e3o s\u00e3o assim. Pois existem as \u201c<em>mulheres trepadeiras e as meninas para namorar<\/em>\u201d. Explicam que, com a mulher trepadeira, podem fazer o que quiserem, mas n\u00e3o teriam coragem de fazer com as namoradas, pois seria falta de respeito. Das namoradas, esperam fidelidade. \u201c<em>Tem coisas que a gente s\u00f3 faz com a mulher pra trepar. Mas ela n\u00e3o, n\u00e9 Z\u00e9?! Se ela tiver outro, ela morre<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Diante dessa diferen\u00e7a irreconcili\u00e1vel entre os sexos, para a qual a radicalidade de outro imposs\u00edvel \u2013 a morte \u2013 \u00e9 a resposta, uma interven\u00e7\u00e3o imediata \u00e9 feita:\u00a0<em>\u201cAh, ent\u00e3o \u00e9 um contrato entre homem e mulher?<\/em>\u201d. Um deles diz: \u201c<em>\u00c9 sim. Eu t\u00f4 aqui. A minha namorada pode ir no funk, mas se ela me tra\u00ed, morre ela e o cara. Eu deixo ela ir, mas tem que me respeitar<\/em>\u201d. O outro j\u00e1 fala:\u00a0<em>\u201cah, n\u00e3o, Z\u00e9! Eu to aqui e a minha mulh\u00e9 tem que fica em casa. Num tem essa de sair n\u00e3o. Tem que me esperar. S\u00f3 pode ir comigo. Se eu fic\u00e1 sabendo que ela saiu, d\u00e1 briga\u201d.<\/em><\/p>\n<p>\u201c<em>Isso \u00e9 ser homem?<\/em>\u201d, a pergunta \u00e9 feita por uma das psicanalistas. \u201c<em>\u00c9, u\u00e9?!! Vou ficar de man\u00e9? Ser homem \u00e9 voc\u00ea ser respeitado<\/em>\u201d. \u201c<em>Mas pelo medo?\u201d<\/em>\u00a0Questionamos novamente, e o jovem esclarece: \u201c<em>Porque se voc\u00ea n\u00e3o faz nada v\u00e3o ficar rindo da sua cara. E isso n\u00e3o pode. Homem \u00e9 respeitado\u201d.<\/em>\u00a0\u201c<em>Tem mulher que \u00e9 tra\u00edra. Tipo assim: vc num se d\u00e1 com um cara. A\u00ed ela marca com vc num lugar. E combina com ele tamb\u00e9m. No mesmo lugar. A\u00ed n\u00e3o tem jeito, vc tem que mostrar que \u00e9 homem. Tem que brigar. Tem que ser respeitado. Se n\u00e3o, ningu\u00e9m te respeita\u201d.<\/em><\/p>\n<p>\u201c<em>Mas, ent\u00e3o, voc\u00eas v\u00e3o na onda das mulheres?<\/em>\u201d Foi a nossa interven\u00e7\u00e3o. \u201c<em>Uai?! A gente n\u00e3o pode ficar de ot\u00e1rio, sen\u00e3o todo mundo monta em cima<\/em>\u201d. O outro relembra:\u00a0<em>\u201cMas tem mulher assim. E tem mulher s\u00e9ria tamb\u00e9m, mulher pra casar. Que a gente confia\u201d.\u00a0<\/em>Um completa:\u00a0<em>\u201cL\u00e1 mesmo na UFMG, tem um monte de mulher pra casar. Acho que eu vou estudar l\u00e1\u201d.<\/em>\u00a0Nossa resposta: \u201c<em>h\u00e1 mulheres de diferentes tipos em todos os lugares. A quest\u00e3o \u00e9 o que e como fazer com elas, n\u00e3o \u00e9?\u201d.<\/em><\/p>\n<p>O \u201c<em>respeito<\/em>\u201d parece emergir aqui como um novo \u00edndice do masculino, antes ausente, novo termo que comporta varia\u00e7\u00f5es diferentes para cada um dos jovens acerca do que \u00e9 ser homem. Entretanto, ele se revela imposs\u00edvel de unificar ou de apreender em um \u00fanico sentido. Do embara\u00e7o face ao enigm\u00e1tico desejo das mulheres parece ter havido um deslocamento da pergunta, contida no excesso da experi\u00eancia sexual que produzia o impasse institucional. Cada jovem toma para si a constru\u00e7\u00e3o de uma orienta\u00e7\u00e3o sobre o masculino entre o \u201c<em>man\u00e9<\/em>\u201d e o \u201c<em>respeitado<\/em>\u201d, da\u00ed surgem, a cada fala-efeito das interven\u00e7\u00f5es alguns nomes singulares para o masculino. Afinal, como lembra a cantora \u201c<em>todo corpo que tem um deserto, tem um olho de \u00e1gua por perto<\/em>\u201d (Marisa Monte, A primeira pedra).<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659181\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659181\" style=\"width: 268px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659181\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/ohtake280-268x300.jpg\" alt=\"\" width=\"268\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/ohtake280-268x300.jpg 268w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/ohtake280-274x307.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/ohtake280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 268px) 100vw, 268px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659181\" class=\"wp-caption-text\">Tomie Ohtake, Sem t\u00cctulo, 1962, \u00dbleo sobre tela, 85 x 75 cm, Cole\u00c1\u201eo da artista.jpg ARQUIVO 08-04-2011 CADERNO2 Pinturas Cegas &#8211; Instituto Tomie Ohtake FOTO DIVULGACAO<\/figcaption><\/figure>\n<h5><em>A tor\u00e7\u00e3o<\/em><\/h5>\n<p>Nesse momento, percebemos um giro na quest\u00e3o dos meninos. Se, no primeiro encontro, eles se angustiavam com a demanda de cada mulher que eles teriam que satisfazer (o que quer uma mulher), neste eles nos apontam que a angustia passa por n\u00e3o saber o que \u00e9 ser homem e o que fazer com isso. Conclu\u00edmos esse encontro dizendo que existem v\u00e1rias formas de ser homem. N\u00e3o seria preciso matar para n\u00e3o ser \u201c<em>man\u00e9<\/em>\u201d, mas cada um poderia construir sua maneira de se fazer \u201c<em>respeitado<\/em>\u201d, restando para cada jovem o campo singular de ocupa\u00e7\u00e3o desse significante.<\/p>\n<p>Houve uma redu\u00e7\u00e3o das perguntas expl\u00edcitas sobre o sexo anat\u00f4mico para uma interroga\u00e7\u00e3o acerca da posi\u00e7\u00e3o masculina no amor \u2013 que surge sob transfer\u00eancia \u2013 face \u00e0 diferen\u00e7a sexual. E a\u00ed, cada um construir\u00e1 sua resposta, despidos do excesso que o n\u00e3o saber-fazer com isso, antes, produzia. O que, nos pareceu, permitiu uma tor\u00e7\u00e3o do gozo da fala\u00e7\u00e3o com o objeto sexualmente expl\u00edcito (que impedia a formula\u00e7\u00e3o de interroga\u00e7\u00f5es sobre o encontro sexual traum\u00e1tico) para uma quest\u00e3o acerca da causa que movimenta e inquieta os corpos de cada um desses meninos.<\/p>\n<h5><em>Do retorno institucional<\/em><\/h5>\n<p>Finalizadas as conversa\u00e7\u00f5es com os jovens, retornamos \u00e0 Institui\u00e7\u00e3o para dar um retorno do trabalho e recolher seus efeitos. A Institui\u00e7\u00e3o traz alguns pontos que consideramos relevantes.<\/p>\n<p>As oficinas da enfermagem sobre sexualidade permaneciam, mas com uma diferen\u00e7a: antes da conversa\u00e7\u00e3o, havia uma \u201ccola\u201d do grupo na resposta de uma lideran\u00e7a. Todos articulavam um discurso \u00fanico sobre a sexualidade e as meninas. Puderam observar, numa oficina de sexualidade ministrada pela equipe de sa\u00fade, que foi poss\u00edvel interferir e fazer vacilar essa cren\u00e7a numa receita universal para lidar com o sexo.<\/p>\n<p>A enfermeira observou que, nas oficinas de grafite, a \u00fanica coisa que os adolescentes queriam desenhar era o corpo da figura feminina, de uma \u201c<em>mulher bem gostosa<\/em>\u201d. Acredita que, ap\u00f3s as conversa\u00e7\u00f5es, foi poss\u00edvel trabalhar outros temas, justamente porque os adolescentes puderam \u201c<em>esvaziar<\/em>\u201d e falar do que queriam neste espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Outro ponto observado era de que a abordagem sexualizada \u00e0s t\u00e9cnicas diminuiu. O olhar dos meninos sob as mulheres permanecia, enfatizam, mas as falas n\u00e3o eram grosseiras, sendo ent\u00e3o poss\u00edvel transitar com mais tranq\u00fcilidade pelos alojamentos.<\/p>\n<p>Por fim, a equipe nos relata que a nossa presen\u00e7a n\u00e3o foi sem conseq\u00fc\u00eancias para os adolescentes e tampouco para a Institui\u00e7\u00e3o, na medida em que, atrav\u00e9s das nossas interven\u00e7\u00f5es, puderam ouvir a provoca\u00e7\u00e3o dos meninos de um outro lugar. Sentiam-se constrangidas com as perguntas pessoais que os adolescentes lhes dirigiam. E tamb\u00e9m eram provocadas com as falas de alguns que demandavam uma profissional do sexo para a oficina, pois elas, enfermeiras, n\u00e3o sabiam de nada e n\u00e3o respondiam a nada. Entendem que falar de sexo n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para ningu\u00e9m, e que talvez essa abordagem direta dos adolescentes seria uma tentativa de provocar, justamente para n\u00e3o se haverem com as quest\u00f5es dif\u00edceis da sexualidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Laborat\u00f3rio: Trocando uma Id\u00e9ia! \u2022 Belo Horizonte (MG) Tatiana Goulart, Mariana Aranha, Andr\u00e9a Guerra O contexto Trazemos aqui a an\u00e1lise da experi\u00eancia de realiza\u00e7\u00e3o de conversa\u00e7\u00f5es psicanal\u00edticas em torno de impasses institucionais experimentados na lida di\u00e1ria de centros de interna\u00e7\u00e3o, no qual jovens em conflito com a lei cumprem medida socioeducativa privativa de liberdade. 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