{"id":5659183,"date":"2018-11-29T16:19:44","date_gmt":"2018-11-29T18:19:44","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659183"},"modified":"2018-11-29T16:19:44","modified_gmt":"2018-11-29T18:19:44","slug":"o-real-do-sexo-a-imagem-do-corpo-e-seu-consumo-na-adolescencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/29\/o-real-do-sexo-a-imagem-do-corpo-e-seu-consumo-na-adolescencia\/","title":{"rendered":"O real do sexo, a imagem do corpo e seu consumo na adolesc\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659183?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659183?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<figure id=\"attachment_5659184\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659184\" style=\"width: 249px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659184\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/tridente280-249x300.jpg\" alt=\"\" width=\"249\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/tridente280-249x300.jpg 249w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/tridente280-274x331.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/tridente280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 249px) 100vw, 249px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659184\" class=\"wp-caption-text\">Luiz Vargas (a.k.a. Tridente), Headzzzz, s\u00e9rie desc(arte)s, 2010<\/figcaption><\/figure>\n<h6><small>Laborat\u00f3rio: \u201cA crian\u00e7a entre a mulher e a m\u00e3e\u201d \u2022 Rio de Janeiro (RJ)<\/small><\/h6>\n<\/div>\n<h6>Ana Martha Maia (resp.), Amanda Nunes<a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-1\"><sup>1<\/sup><\/a><\/h6>\n<p>Uma adolescente posta no Facebook uma fotografia de sua pr\u00f3pria genit\u00e1lia, tirada de pernas abertas. Provoca\u00e7\u00e3o, transgress\u00e3o de leis morais, tentativa de ferir o pudor, viola\u00e7\u00e3o de tabus, indaga\u00e7\u00e3o dirigida ao Outro sobre o que \u00e9 uma mulher \u2013 s\u00e3o muitas as possibilidades. O que se sabe \u00e9 que, em grande rede social, com esta imagem, ela torna p\u00fablico, o \u00edntimo.<\/p>\n<p>O ato obsceno de expor a sexualidade fica fixado na imagem que toca, afeta, causa malestar na equipe pedag\u00f3gica do col\u00e9gio em que estuda. Ela se aproxima de jovens do mesmo sexo, fazendo supor uma escolha pela homossexualidade, causando assim um duplo malestar. Consideram uma \u201cescolha precoce\u201d, no sentido de que \u00e9 desejado que ela, mais tarde, dirija seu desejo para um homem.<br \/>\nA diretora solicita ao laborat\u00f3rio que realize um trabalho com a turma e ressalta \u201ca forma como lidam com a imagem do pr\u00f3prio corpo e seus cuidados\u201d. \u00c9 comum ao discurso pedag\u00f3gico identificar as turmas com um nome dado a um \u201csintoma coletivo\u201d. Somente casos isolados s\u00e3o apontados nesta experi\u00eancia. H\u00e1 um rapaz na turma que faz xixi e fezes na roupa, mas em nenhum momento isso aparece nas conversa\u00e7\u00f5es. Nem a foto postada.<\/p>\n<h5>Entre berros e agita\u00e7\u00e3o, falar de amor.<\/h5>\n<p>A turma responde agitada \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o das participantes do laborat\u00f3rio e da proposta das conversa\u00e7\u00f5es (de tr\u00eas a cinco encontros), na medida em que tamb\u00e9m \u00e9 dito o porqu\u00ea de estarem ali. \u201cO que pensam sobre disso?\u201d \u00e9 um convite a tomarem a palavra, na primeira conversa\u00e7\u00e3o. Mesmo aos berros, surge o tema do amor.<\/p>\n<p>Na passagem l\u00f3gica da adolesc\u00eancia, \u201ca queda dos ideias, o abandono das identifica\u00e7\u00f5es parentais e o gozo indiz\u00edvel se presentificam na estranheza com o pr\u00f3prio corpo\u201d<a id=\"_ftnref2\" title=\"\" href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>2<\/sup><\/a>. Comumente relatam que o encontro com o real do sexo angustia e traz o sentimento de solid\u00e3o. Estes adolescentes querem falar de amor e de quando o amor falta.<\/p>\n<p>Para Jorge, \u00e9 cada um por si, nos momentos em que acontece alguma coisa. Desapontada, Sabrina diz que s\u00e3o colegas, e n\u00e3o amigos. Uma participante do laborat\u00f3rio aponta que, como ela, outros tamb\u00e9m n\u00e3o devem estar escutando o que \u00e9 dito. Marcelo responde, em tom agressivo: \u201cn\u00f3s n\u00e3o gostamos de escutar e nem de sermos escutados, queremos apenas falar.\u201d<\/p>\n<p>Sem for\u00e7ar um dizer, quando a oferta do dom da palavra \u00e9 aceita,\u00a0 n\u00e3o se pode perder de vista o cuidado que isto requer. Nas experi\u00eancias inter-disciplinares do CIEN, o limite para intervir considera os efeitos e o manejo da transfer\u00eancia nas conversa\u00e7\u00f5es. \u00c9 o momento de encerrar esta. Raquel e Marcelo dizem que n\u00e3o acreditam que o laborat\u00f3rio retornar\u00e1, \u201cningu\u00e9m aguenta esta turma, por isso, n\u00e3o volta\u201d. \u201cPor que voc\u00eas se fazem \u201cn\u00e3o-aguent\u00e1veis\u201d? \u2013 pergunta uma das participantes do CIEN, ao se despedir.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659185\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659185\" style=\"width: 263px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659185\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/baroli280-263x300.jpg\" alt=\"\" width=\"263\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/baroli280-263x300.jpg 263w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/baroli280-274x313.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/baroli280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 263px) 100vw, 263px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659185\" class=\"wp-caption-text\">Fabio Baroli, Sem t\u00edtulo, 2012, S\u00e9rie \u201cVendetta\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<h5>\u201cTurma unida\u201d,\u00a0 um v\u00e9u sobre o imposs\u00edvel<\/h5>\n<p>Mal inicia a segunda conversa\u00e7\u00e3o, um aluno diz: \u201cpensamos que voc\u00eas n\u00e3o voltariam\u201d.\u00a0 Est\u00e3o menos barulhentos. \u201cBuscam ser mais \u2018aguent\u00e1veis\u2019\u201d?, pensam as participantes do laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Com um tom de deboche, Jennifer conclui que formam uma \u201cturma unida\u201d, mas somente quando compartilham biscoitos. Todos concordam e Marcelo comenta que a comida \u00e9 como uma d\u00edvida para eles: se um alimento \u00e9 dado, depois ser\u00e1 cobrado. Biscoito, com biscoito se paga!<\/p>\n<p>Pedro e Roberto querem falar sobre os jogos da Copa do Mundo, mas a maioria da turma enfatiza o lado da corrup\u00e7\u00e3o e da mis\u00e9ria, s\u00e3o \u201ccontra a Copa do Mundo\u201d.\u00a0 Jennifer reclama da falta de hospitais e servi\u00e7os p\u00fablicos: \u201ce se um parente meu precisar?\u201d<\/p>\n<p>\u201cAs tormentas da puberdade\u201d \u00e9 o nome freudiano para um imposs\u00edvel, o encontro da ternura pr\u00e9-genital com a corrente sensual, sobre o mesmo objeto da puls\u00e3o, que Freud\u00a0<a id=\"_ftnref3\" title=\"\" href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>3<\/sup><\/a>\u00a0descreve, fazendo poesia: \u201c\u00e9 como a conclus\u00e3o de um t\u00fanel cavado atrav\u00e9s de ambos os lados\u201d. Para Lacan, h\u00e1 duas formas de dizer sobre o imposs\u00edvel: a rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o existe, A mulher n\u00e3o existe. A \u201cturma unida\u201d vem velar este imposs\u00edvel.<\/p>\n<h5>Dificuldade escolar e desresponsabiliza\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<p>A diretora do col\u00e9gio procura as participantes do laborat\u00f3rio. No Conselho de Classe, os professores estavam preocupados. Os alunos \u201cchutaram o balde\u201d,\u00a0 ningu\u00e9m \u201cquer nada\u201d.<\/p>\n<p>As notas ruins s\u00e3o o tema da terceira conversa\u00e7\u00e3o. Marcelo, Gustavo e Rodolfo contam que est\u00e3o \u201cperigando\u201d, acham muito dif\u00edcil que algu\u00e9m passe de ano sem ficar em recupera\u00e7\u00e3o. Ang\u00e9lica justifica que n\u00e3o entendem as mat\u00e9rias porque houve a mudan\u00e7a dos professores e n\u00e3o adianta reclamar com a diretora porque \u201cningu\u00e9m escuta\u201d. Uma participante do laborat\u00f3rio pergunta: \u201cmas nenhum professor escuta voc\u00eas? O que fazem durante as aulas?\u201d M\u00f4nica e Paula dizem que n\u00e3o se dedicam aos estudos, conversam em sala, n\u00e3o fazem dever de casa e n\u00e3o tiram d\u00favidas com os\u00a0 professores nas aulas. Ningu\u00e9m comenta ou refuta. Alguns descrevem seus medos: repetir de ano, ficar de castigo, apanhar da m\u00e3e,\u00a0 n\u00e3o ter um bom futuro. Rodolfo e Marcelo acham que \u00e9 melhor ser gari. \u201cMas at\u00e9 para ser gari \u00e9 preciso estudar\u201d, diz uma participante do laborat\u00f3rio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659186\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659186\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659186\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/maciborka280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/maciborka280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/maciborka280-150x150.jpg 150w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/maciborka280-274x274.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/maciborka280-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659186\" class=\"wp-caption-text\">April Maciborka, serie \u201cIcons\u201d, Photography, 2013<\/figcaption><\/figure>\n<h5>O col\u00e9gio ideal.<\/h5>\n<p>Logo no in\u00edcio da quarta conversa\u00e7\u00e3o, Rayana pergunta: \u201cvoc\u00eas v\u00eam at\u00e9 quando? Podem ficar at\u00e9 o final do ano?\u201d<\/p>\n<p>Hoje n\u00e3o querem falar sobre estudos, as notas est\u00e3o muito ruins e h\u00e1 a possibilidade de repet\u00eancias. Retornam as queixas sobre professores. Alguns alunos querem sair da escola, por motivos diversos: Marcelo pela comida sem variedade que \u201cn\u00e3o \u00e9 t\u00e3o boa\u201d;\u00a0 Ang\u00e9lica porque a escola mudou e perderam com isso a oportunidade de estudar na universidade de gra\u00e7a (havia um acordo de bolsas com uma institui\u00e7\u00e3o privada); e Jennifer n\u00e3o gosta do uniforme, quer usar jeans. O col\u00e9gio p\u00fablico aparece idealizado &#8211; gratuito, oferece alimenta\u00e7\u00e3o, os professores ensinam e n\u00e3o h\u00e1 avalia\u00e7\u00e3o rigorosa. \u201cSer\u00e1?\u201d \u00e9 uma pergunta lan\u00e7ada para furar esta etiqueta.<\/p>\n<p>Com a mudan\u00e7a do apoio financeiro do col\u00e9gio, houve a demiss\u00e3o dos antigos e a contrata\u00e7\u00e3o de novos professores, a mudan\u00e7a do projeto pedag\u00f3gico e uma reestrutura\u00e7\u00e3o que inclui perdas. Todavia, as conversa\u00e7\u00f5es contribuem para esclarecer que isso permitiu \u00e0 institui\u00e7\u00e3o prosseguir e que n\u00e3o h\u00e1 \u201ctudo\u201d em um col\u00e9gio s\u00f3, n\u00e3o existe O col\u00e9gio. E cada um precisa dar de si para apreender o que \u00e9 transmitido nas aulas.<\/p>\n<h5>A\u00a0<em>friendzone<\/em><\/h5>\n<p>O tema do namoro toma toda a quinta conversa\u00e7\u00e3o.\u00a0 Jos\u00e9 \u2013 de todos, o que namora h\u00e1 mais tempo &#8211; pergunta: \u201ca\u00a0<em>friendzone<\/em>\u00a0conta?\u201d. Indagado sobre o que \u00e9 isso, explica: \u201cexistem dois amigos e um deles come\u00e7a a gostar do outro para namorar e faz o pedido, mas se o outro n\u00e3o aceita e diz que \u00e9 s\u00f3 amizade entre eles, pronto! Ele fica na\u00a0<em>friendzone<\/em>, na zona da amizade\u201d. Inventam diversas formas para lidarem com os encontros e desencontros.<\/p>\n<h5>Um encontro, a mais.<\/h5>\n<p>Finalizadas as conversa\u00e7\u00f5es, os alunos convidam as participantes do laborat\u00f3rio para um encontro \u201cde despedida\u201d. Um resto a dizer?\u00a0 Preparam tudo e se organizam em fun\u00e7\u00f5es, desde quem serve o lanche at\u00e9 a limpeza da sala. Cada um fica encarregado de levar alguma coisa. Tranquilos, recebem \u201cas convidadas\u201d com alegria e pedem para as conversa\u00e7\u00f5es n\u00e3o terminarem.<\/p>\n<p>A demanda de mais uma conversa\u00e7\u00e3o foi respondida levando em conta o trabalho que se faz \u00fanico, a cada vez, na pr\u00e1tica do CIEN. Para estes adolescentes, e tendo em vista a quest\u00e3o que formulam ao longo das conversa\u00e7\u00f5es, era importante um sexto encontro com a palavra. Chegar ao momento de concluir n\u00e3o \u00e9 garantido por um c\u00e1lculo pr\u00e9vio de quantas conversa\u00e7\u00f5es oferecer.<\/p>\n<p>O desinteresse pelas aulas e a culpabiliza\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio \u00e9 uma recusa \u00e0s perdas que se fizeram necess\u00e1rias na nova organiza\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o. E a parte de cada um? Durante o lanche, o momento de concluir: \u201cse queremos passar de ano, temos que estudar\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659187\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659187\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659187\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/toz280-250x300.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/toz280-250x300.jpg 250w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/toz280-274x329.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/toz280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659187\" class=\"wp-caption-text\">Toz (Tomaz Viana), insonia tropical, 2013<\/figcaption><\/figure>\n<h5>Ainda sobre a imagem no Facebook, para concluir<\/h5>\n<p>Por motivos outros, a \u00faltima conversa\u00e7\u00e3o com a diretoria e coordena\u00e7\u00e3o aconteceu um tempo depois. Puderam considerar, para al\u00e9m de particularidades, como est\u00e1 sendo dif\u00edcil para estes alunos perder \u201cO col\u00e9gio\u201d em que estudaram desde a creche. De fato, este em que est\u00e3o cursando o \u00faltimo ano do Ensino Fundamental, \u00e9 outro.<\/p>\n<p>Realizando conversa\u00e7\u00f5es desde 2009, o laborat\u00f3rio \u201cA crian\u00e7a entre a mulher e a m\u00e3e\u201d observa nesta pr\u00e1tica que cada experi\u00eancia traz um impasse e um imprevisto. Desta vez, foi o sil\u00eancio sobre a fotografia postada no Facebook. Que rela\u00e7\u00e3o tem esta mostra\u00e7\u00e3o da adolescente com a cultura contempor\u00e2nea?<\/p>\n<p>Miller<a id=\"_ftnref4\" title=\"\" href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>4<\/sup><\/a>\u00a0situa a \u00e9poca freudiana da moral civilizada como o reino do Nome do Pai e ressalta que a \u00e9poca lacaniana dos Nomes do Pai, no plural, \u00e9 o tempo em que o Outro n\u00e3o existe, \u00e9poca dos desenganados e dos errantes. E quando evoca a \u201ccl\u00ednica da pornografia\u201d<a id=\"_ftnref5\" title=\"\" href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>5<\/sup><\/a>\u00a0do s\u00e9culo XXI, para falar sobre o inconsciente e o corpo falante, descreve a pornografia como um sintoma do imp\u00e9rio da t\u00e9cnica que n\u00e3o soluciona os impasses da sexualidade.\u00a0 A ordem simb\u00f3lica j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais um saber que regula o real, mas um sistema de semblantes que se subordina a este, sistema que responde ao real da rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>No mundo virtual, o objeto est\u00e1 \u00e0 m\u00e3o. Neste sentido, estimula que todos sejam adictos, onde quer que o ser falante tenha acesso \u00e0 internet. No campo da visibilidade, ver e ser visto s\u00e3o as duas faces do prazer esc\u00f3pico. No caso desta adolescente, em sua mostra\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma imagem a ser consumida, inclusive por ela mesma, no retorno do circuito pulsional.\u00a0 Afinal, o corpo \u201c\u00e9 um mist\u00e9rio\u201d, diz Lacan<a id=\"_ftnref6\" title=\"\" href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>6<\/sup><\/a>\u00a0e \u201c tudo \u00e9 exibi\u00e7\u00e3o de corpo evocando o gozo\u201d<a id=\"_ftnref7\" title=\"\" href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>7<\/sup><\/a>\u00a0(p.121).<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/h6>\n<div>\n<p><a id=\"_ftn1\" title=\"\" href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">1<\/a>\u00a0\u00a0Atualmente, participam deste Laborat\u00f3rio Amanda Nunes, Ana Claudia Junqueira, Ana Martha Maia (respons\u00e1vel), Karina Guimar\u00e3es, Luiza Sarrat Rangel, Marina Valle, Natalia Gomes, Simone Monnerat e Vanessa Carrilho dos Anjos.<br \/>\nCampo de investiga\u00e7\u00e3o: a sexualidade feminina, a maternidade, a crian\u00e7a e o adolescente, a fam\u00edlia hipermoderna.<\/p>\n<p><a id=\"_ftn2\" title=\"\" href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">2<\/a>\u00a0\u00a0MAIA, AMW. Entre fugas e err\u00e2ncia, um lugar para si. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana on line. N\u00ba 8. 2012. P.2.<\/p>\n<p><a id=\"_ftn3\" title=\"\" href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">3<\/a>\u00a0\u00a0FREUD, S. (1976[1905]). \u201cTr\u00eas ensaios sobre a sexualidade\u201d. Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das Obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud, vol. VII. Rio de Janeiro: Imago Editora, p.213.<\/p>\n<p><a id=\"_ftn4\" title=\"\" href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">4<\/a>\u00a0\u00a0MILLER, J.-A. e LAURENT, E. (2005[1996-1997]). El Outro que no existe e sus comit\u00e9s de \u00e9tica. Buenos Aires: Paid\u00f3s.<\/p>\n<p><a id=\"_ftn5\" title=\"\" href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">5<\/a>\u00a0\u00a0MILLER, J-A. O inconsciente e o corpo falante. Confer\u00eancia apresentada no IX Congresso Mundial da AMP. Paris. 2014.<\/p>\n<p><a id=\"_ftn6\" title=\"\" href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">6<\/a>\u00a0\u00a0LACAN, J. \u00a0(1985[1972-1973]). O Semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p.140.<\/p>\n<div id=\"ftn7\">\n<h6><a id=\"_ftn7\" title=\"\" href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">7<\/a>\u00a0\u00a0LACAN, J. Op. cit., p. 121.<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Laborat\u00f3rio: \u201cA crian\u00e7a entre a mulher e a m\u00e3e\u201d \u2022 Rio de Janeiro (RJ) Ana Martha Maia (resp.), Amanda Nunes1 Uma adolescente posta no Facebook uma fotografia de sua pr\u00f3pria genit\u00e1lia, tirada de pernas abertas. Provoca\u00e7\u00e3o, transgress\u00e3o de leis morais, tentativa de ferir o pudor, viola\u00e7\u00e3o de tabus, indaga\u00e7\u00e3o dirigida ao Outro sobre o que&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5659184,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[135,22],"tags":[122],"post_series":[],"class_list":["post-5659183","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cien-digital-17","category-laboratorios","tag-cien_digital_17","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5659183"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659183\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5659184"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5659183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5659183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5659183"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5659183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}