{"id":5659189,"date":"2018-11-29T16:22:37","date_gmt":"2018-11-29T18:22:37","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659189"},"modified":"2018-11-29T16:22:37","modified_gmt":"2018-11-29T18:22:37","slug":"as-conversacoes-com-adolescentes-a-arte-em-contraponto-ao-imperio-das-imagens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/29\/as-conversacoes-com-adolescentes-a-arte-em-contraponto-ao-imperio-das-imagens\/","title":{"rendered":"As conversa\u00e7\u00f5es com adolescentes: A arte em contraponto ao imp\u00e9rio das imagens"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659189?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659189?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<figure id=\"attachment_5659191\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659191\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659191\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/danziger2280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/danziger2280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/danziger2280-274x194.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659191\" class=\"wp-caption-text\">Leila Danziger, \u00c9 noite, 2009<\/figcaption><\/figure>\n<h6><small>Laborat\u00f3rio: Trocando em Mi\u00fados \u2022 Belo Horizonte (MG)<\/small><\/h6>\n<\/div>\n<h6>Elizabeth Medeiros, Lisley Braun Toniolo, Margarete Miranda, Rachel Botrel<\/h6>\n<p>Em nosso texto, desejamos investigar se existe um contraponto da experi\u00eancia com a arte ao\u00a0<em>imp\u00e9rio das imagens,<\/em>que se desenha na contemporaneidade. Para tanto, lan\u00e7aremos m\u00e3o das Conversa\u00e7\u00f5es com adolescentes de 13 a 16 anos, de uma escola p\u00fablica municipal, situada nas imedia\u00e7\u00f5es da Comunidade da Ventosa, \u00e1rea de alta vulnerabilidade da cidade de Belo Horizonte<a id=\"_ftnref1\" title=\"\" href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>1<\/sup><\/a>. Buscaremos fazer uma leitura do que disseram os adolescentes sobre a visita \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o de Leila Danziger, por ocasi\u00e3o do\u00a0<em>XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano<\/em>, ocorrido em novembro de 2014, intitulada: \u201cO que desaparece, o que resiste\u201d.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento de nosso trabalho com aquela escola, realizamos uma Conversa\u00e7\u00e3o com os professores que transmitiriam a proposta aos alunos e os convidariam \u00e0 visita\u00e7\u00e3o. Em um segundo instante, ocorreu a ida ao local da exposi\u00e7\u00e3o. Por fim, a Conversa\u00e7\u00e3o com os meninos, para que pud\u00e9ssemos extrair os efeitos daquela experi\u00eancia sobre eles. O que\u00a0<em>desapareceria<\/em>, o que\u00a0<em>resistiria\u00a0<\/em>daquele encontro com a arte?<\/p>\n<p>A proposta da Conversa\u00e7\u00e3o, como dispositivo da psican\u00e1lise, visa recolher o que cada um diz do que foi vivido, que ressoa no outro, particularizando ou mesmo singularizando a experi\u00eancia coletiva. O relan\u00e7ar das puls\u00f5es, tomando a via das palavras, pode apontar novos caminhos e formula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h5>Estranhar e seguir adiante: seria poss\u00edvel copiar a obra de arte?<\/h5>\n<p>O que convocaria os adolescentes de 13 a 16 anos a seguir em frente, levando a decis\u00e3o de percorrer a exposi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u201cUns ficaram l\u00e1 fora, outros entraram, deram uma voltinha e sa\u00edram, e outros permaneceram para ver a exposi\u00e7\u00e3o\u201d. Os que seguiram, justificaram seu ato como orientado pela \u201ccuriosidade\u201d, como o adolescente W:<\/p>\n<p>Vi aquele tanto de jornal, n\u00f3, sa\u00ed da escola pra ver esse tanto de jornal? Eu posso passar numa banca e ver aqueles jornais! Mas eu queria saber o que era o jornal no ch\u00e3o, uma obra assim com um tanto de jornal, coisa que a gente ia jogar fora, ela usa pra fazer poemas, artes&#8230; (Fala de W)<\/p>\n<p>Esse adolescente estranha e se deixa impactar pelo que aquela obra de arte relan\u00e7a: o que seria descartado faculta a transforma\u00e7\u00e3o em arte. A arte invalidada poderia, inicialmente, ser comprada, consumida aos montes numa banca de jornal. Resistiu, por\u00e9m, a um primeiro estranhamento. Ap\u00f3s refletir, sentiu-se desafiado e decidiu: \u201cFiquei l\u00e1 pra saber por que tinha esse tanto de jornal l\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Na adolesc\u00eancia, o sujeito, \u00e0s voltas com o estranhamento do real do corpo que muda, lida com certo embara\u00e7o e mal-estar.\u00a0 Construir um\u00a0<em>perfil<\/em>, inscrever sua diferen\u00e7a, haver-se com o inassimil\u00e1vel do corpo que se transforma, nem sempre ser\u00e1 tarefa confort\u00e1vel. Na contemporaneidade, sob o imp\u00e9rio das imagens, veicula-se o chamamento a um sujeito universal, com as diferen\u00e7as tamponadas pela ci\u00eancia, pelo gozo. Diversas respostas sintom\u00e1ticas podem ent\u00e3o advir, como a recusa, a indiferen\u00e7a ou a ades\u00e3o massiva aos objetos. H\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que apostam na constru\u00e7\u00e3o do novo e se enla\u00e7am ao saber, como o caso do adolescente citado, que questiona e segue adiante.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659190\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659190\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659190\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/danziger1280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/danziger1280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/danziger1280-274x206.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659190\" class=\"wp-caption-text\">Leila Danziger, da s\u00e9rie \u201cPallaksck. Pallaksch.\u201d, 2007-2010<\/figcaption><\/figure>\n<p>Cabe-nos, como psicanalistas, interrogar: do universal ao singular, que possibilidades as Conversa\u00e7\u00f5es ofertam aos sujeitos de nossa \u00e9poca?<\/p>\n<p>Miller (2008) nos ensina a distinguir o\u00a0<em>universal\u00a0<\/em>como \u201caquilo que vale para todos\u201d, que ora entendemos como o generaliz\u00e1vel das ofertas das redes sociais e das tecnologias. Do universal para o\u00a0<em>particular<\/em>, ele esclarece: \u201cAquilo que nos \u00e9 particular \u00e9 o que temos em comum com alguns. O particular \u00e9 o que permite formar classes cl\u00ednicas. \u00c9 o que se assemelha de um sujeito a outro\u201d (p. 59-60). E o singular? Segundo os argumentos de Miller (2008), seria o peculiar da subst\u00e2ncia gozosa, que culmina no conceito de\u00a0<em>sinthoma<\/em>, como resto absoluto de cada um, \u201cali onde o comum apaga\u201d (p. 60).<\/p>\n<p>Alguns daqueles jovens que se dispuseram a percorrer as obras de Leila Danziger d\u00e3o mostras de uma busca de particulariza\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia, e, n\u00e3o resistindo \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o, procuram replicar a t\u00e9cnica da artista: \u201ctentei fazer em casa tamb\u00e9m\u201d. Mas, algo se esvazia na busca de similaridade especular, e se deparam com a frustra\u00e7\u00e3o: \u201ca gente fica triste, ela faz t\u00e3o facinho&#8230;\u201d, diz a adolescente S. Ao que seu colega interv\u00e9m: \u201cmas deve ter sido dif\u00edcil pra ela fazer tamb\u00e9m&#8230;\u201d Continuam: \u201cquando ela tirava o durex, sa\u00eda tudo, eu s\u00f3 queria saber como que ela fez. Eu tirava e n\u00e3o sa\u00eda nada; foi tentar copiar e deu merda\u201d, declara J.<\/p>\n<p>O que haveria de peculiar na arte que resistia \u00e0 c\u00f3pia? Miquel \u00a0Bassols (2015) nos lembra da opera\u00e7\u00e3o de reversibilidade da arte, desde o s\u00e9culo passado, que vagueia de sua experi\u00eancia de sacraliza\u00e7\u00e3o do gozo com a imagem, para o seu avesso, que provoca o despeda\u00e7amento da imagem do corpo. Para ele, a arte contempor\u00e2nea pode, ent\u00e3o, revelar o mais \u00edntimo de quem a v\u00ea, no mais exterior do imp\u00e9rio das imagens: \u201cmostrar o que n\u00e3o se v\u00ea, mostrar o pr\u00f3prio olhar como o objeto que s\u00f3 aparece como ponto cego de representa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Os adolescentes distinguiram as especificidades subjetivas da artista, mobilizados pela incerteza que a impossibilidade da reprodu\u00e7\u00e3o incitava. Outra vez, a arte produzia neles furos pelo deslocamento especular, apresentando um virtual n\u00e3o mais unificado. Refletiram: \u201cela deve ser muito paciente, ela \u00e9 cuidadosa e paciente\u201d. Outro jovem interv\u00e9m: \u201cela estava desocupada\u201d. Ao que a adolescente K retruca: \u201ceu acho totalmente o contr\u00e1rio, eu j\u00e1 acho totalmente ao contr\u00e1rio, ela foi cuidadosa, ela se entregou pra arte dela, ela viu na folha de jornal o que ningu\u00e9m viu\u201d. A jovem busca o esbo\u00e7o de uma conclus\u00e3o, presumindo os efeitos singulares na rela\u00e7\u00e3o da artista com sua obra.<\/p>\n<p>No transcorrer das Conversa\u00e7\u00f5es, os adolescentes debatem e levantam o contraponto das consequ\u00eancias das imagens consumidas nas redes sociais e a arte.<\/p>\n<h5>As redes sociais: \u201cquem tem muita curtida vira<em>\u00a0pop star<\/em>!\u201d E repete&#8230;<\/h5>\n<p>Eu tenho que existir na rede social. Quando eu n\u00e3o existo na rede social, eu passo a n\u00e3o existir na sociedade. Eu tenho que estar na rede social pra todo mundo me ver. Eventos, festas, competi\u00e7\u00e3o de quem tem mais amigos. Quando ganhamos poucas curtidas nos sentimos exclu\u00eddos. A curtida te d\u00e1 um lugar de popularidade. A imagem do perfil est\u00e1 mais pr\u00f3xima da m\u00eddia, se voc\u00ea n\u00e3o tem curtida, est\u00e1 exclu\u00edda (Fala de S).<\/p>\n<p>Por que a compuls\u00e3o da busca do olhar do Outro social? A viv\u00eancia imagin\u00e1ria em massa seria uma tentativa de substituir a car\u00eancia do olhar particularizado, que estearia um lugar do sujeito no mundo, \u201cimplicando a rela\u00e7\u00e3o com um desejo que n\u00e3o seja an\u00f4nimo\u201d? (LACAN, 2003, p. 373).<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659192\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659192\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5659192 size-full\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/danziger3280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/danziger3280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/danziger3280-274x206.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659192\" class=\"wp-caption-text\">Leila Danziger, Para ningu\u00e9m e nada estar, s\u00e9rie Di\u00e1rios P\u00fablicos, 2006-2010<\/figcaption><\/figure>\n<p>Debora Nitzcaner (2014), diz: \u201cDo s\u00e9culo XXI, podemos apreender o que significam as variedades de oferta de gozo; por\u00e9m, h\u00e1 uma dificuldade, n\u00e3o \u00e9 pratic\u00e1vel o sem igual. N\u00e3o estamos mais na \u00e9poca do imagin\u00e1rio depreciado em rela\u00e7\u00e3o ao simb\u00f3lico; \u00e9 o imagin\u00e1rio uma vez que ele nos d\u00e1 as coordenadas fundamentais para viver nesse mundo\u201d (p. 198).<\/p>\n<p>Esses adolescentes caminham dizendo dos seus modos de funcionamento contempor\u00e2neo, que chegam a ganhar vers\u00e3o particularizada ou sintom\u00e1tica, at\u00e9, nas Conversa\u00e7\u00f5es: \u201c\u00c0s vezes acordo sobressaltado e olho depressa no celular \u2013 que est\u00e1 comigo na cama \u2013 pra ver se \u00e9 algu\u00e9m postando ou confiro quantas curtidas tive\u201d, diz J.\u00a0 Momento em que K interv\u00e9m, tamb\u00e9m revelando algo seu: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o fica chateadinha quando tem somente duas curtidas?\u201d E esclarecem: \u201cA imagem do\u00a0<em>facebook\u00a0<\/em>\u00e9 para os outros, \u00e9 pra preencher um vazio, o vazio da aceita\u00e7\u00e3o. Mais do que amizade, uma inseguran\u00e7a. A\u00ed, se voc\u00ea tiver tantos amigos&#8230; Pela foto eu finjo uma coisa que n\u00e3o sou. Quem tem muita curtida vira\u00a0<em>pop star<\/em>\u201d. Outro diz: \u201cSe postar de tal jeito e ganhar muitas curtidas, voc\u00ea faz outra vez. A gente d\u00e1 uma maquiada na foto, pode ser feia, voc\u00ea vai no aplicativo, coloca um s\u00edmbolo e fica esperando: j\u00e1 curtiram? Torna-se repetitivo. Um v\u00edcio\u201d<\/p>\n<p>Sim, \u201cfingir\u201d, colocar um v\u00e9u imagin\u00e1rio que transfigure o real e possibilite certo tipo de la\u00e7o com o Outro, ainda que virtual? A jovem K pondera: \u201cF\u00fatil, n\u00e9? Se voc\u00ea parar pra pensar&#8230;\u201d. Demarcamos, naquele momento da Conversa\u00e7\u00e3o, o descompasso entre o sonho de ser\u00a0<em>pop star<\/em>\u00a0e o v\u00edcio que repete, insiste na mesma imagem. Provocados, os adolescentes se reportaram \u00e0 experi\u00eancia da exposi\u00e7\u00e3o e enunciaram: \u201cNa arte voc\u00ea pode ser voc\u00ea mesmo. Voc\u00ea expressa voc\u00ea mesmo. Ela (a artista) colocou pra quem quiser ver, tem gente que vai olhar e pensar \u2013 &#8220;at\u00e9 eu fa\u00e7o isso&#8221;, mas do jeito que ela fez \u00e9 diferente\u201d, conlui S.<\/p>\n<h5>Tatuar a palavra no corpo: uma solu\u00e7\u00e3o que busca significa\u00e7\u00e3o?<\/h5>\n<p>Outro ponto \u00e9 destacado pelos jovens da experi\u00eancia com a obra de arte de Leila Danziger. Refere-se a uma instala\u00e7\u00e3o em que um v\u00eddeo apresenta imagens acompanhadas da palavra<em>\u00a0pallaksch\u00a0<\/em><a id=\"_ftnref2\" title=\"\" href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>2<\/sup><\/a>. A adolescente K disse ter ficado t\u00e3o impressionada que tatuaria\u00a0<em>pallaksch\u00a0<\/em>em seu corpo. O que n\u00e3o poderia \u201cdesaparecer\u201d na rela\u00e7\u00e3o com a imagem despeda\u00e7ada do corpo adolescente, que buscava uma inscri\u00e7\u00e3o unificadora nas min\u00facias do real do corpo, vivificado\/mortificado pela\u00a0<em>tatoo<\/em>? Aquela palavra emprestaria uma fic\u00e7\u00e3o de verdade \u00e0 adolescente em uma tentativa de significar a rela\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>falasser\u00a0<\/em>com o mundo? Segundo eles, a palavra\u00a0<em>pallaksch\u00a0<\/em>queria dizer \u201csim\u201d e \u201cn\u00e3o\u201d. Disseram tamb\u00e9m que poderia significar \u201cn\u00e3o ter uma voz e s\u00f3 aceitar sim e n\u00e3o\u201d. O jovem T introduz: \u201cTalvez algo relacionado ao nazismo. Era sim e n\u00e3o. Voc\u00ea n\u00e3o podia falar nada, voc\u00ea s\u00f3 recebia ordem e acabou\u201d.<\/p>\n<p>Deslocam da hist\u00f3ria da guerra para suas experi\u00eancias atuais: \u201cHoje existe a liberdade de express\u00e3o, mas, se voc\u00ea atinge alguma coisa superior, com certeza v\u00e3o te calar\u201d. Inscrever a palavra no corpo seria, portanto, uma resposta poss\u00edvel diante do fazer parte de uma cultura que amorda\u00e7a o sujeito? N\u00e3o pudemos explorar com eles, entretanto, naquele momento, quem seria essa \u201ccoisa superior\u201d, esse Outro que faz calar.<\/p>\n<h5>O\u00a0<em>rap,\u00a0<\/em>a escrita: resposta poss\u00edvel<\/h5>\n<p>Na sequ\u00eancia da Conversa\u00e7\u00e3o, o jovem W, expressa sua constru\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cPeguei a fita branca, queria escrever uma letra de m\u00fasica que eu compus. Eu li o jornal todo primeiro, tentei tirar os escritos, n\u00e3o deu. A\u00ed eu escrevi uma letra \u00e0 m\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o lembro de cor \u2013 falava sobre a guerra, sobre a cultura de hoje em dia, que t\u00e1 muito fraca\u201d. Contesta:<\/p>\n<p>L\u00e1 fora a cultura deles \u00e9 vista como diferente, melhor. Dos povos que n\u00e3o s\u00e3o brasileiros. N\u00f3s aprendemos ingl\u00eas, eles aprendem uma l\u00edngua avan\u00e7ada al\u00e9m do portugu\u00eas. Eles n\u00e3o t\u00eam a preocupa\u00e7\u00e3o de aprender o portugu\u00eas, porque n\u00e3o \u00e9 valorizado, n\u00e3o \u00e9 reconhecido. (Fala de W)<\/p>\n<p>E interroga: \u201cPor que o ingl\u00eas \u00e9 conhecido no mundo todo, e n\u00e3o o portugu\u00eas? \u00c9 como se o Brasil fosse desvalorizado\u201d.<\/p>\n<p>Quis inscrever algo seu, de valor, e escreveu um\u00a0<em>rap<\/em>\u00a0que colou, ent\u00e3o, na porta do seu guarda-roupa. Pedimos que nos enviasse. Ele escreve a partir do que a obra de arte lhe causou, singularizando a experi\u00eancia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659193\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659193\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659193\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/danziger4280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"205\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/danziger4280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/danziger4280-274x201.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659193\" class=\"wp-caption-text\">Leila Danziger, da s\u00e9rie \u201cPallaksck. Pallaksch.\u201d, 2007-2010<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Museu do jornal<\/p>\n<p>Ano passado<br \/>\nFui ao museu<br \/>\nFoi a\u00ed<br \/>\nque tudo aconteceu.<br \/>\nChegando l\u00e1<br \/>\nVi uma papelada,<br \/>\nEntrei e pensei:<br \/>\nOlha que palha\u00e7ada!<br \/>\nDepois de uns minutos<br \/>\nVi em uma tela<br \/>\nUma mo\u00e7a artista<br \/>\nMais que a cinderela.<br \/>\nTirar palavras do jornal<br \/>\nPra mim, aquilo era sensacional!<br \/>\nAchei que era m\u00e1gica<br \/>\nPorque a letra sumiu<br \/>\nN\u00e3o acreditei<br \/>\nQuando vi aquilo no Brasil.<\/p>\n<p>Os adolescentes, ao dizerem de sua experi\u00eancia com a obra de arte, nas Conversa\u00e7\u00f5es, deram mostras de sua import\u00e2ncia como maneira de resistir \u00e0s circunst\u00e2ncias universalistas do imp\u00e9rio das imagens que os poderiam calar. Tal demonstra\u00e7\u00e3o firma a posi\u00e7\u00e3o dos participantes do CIEN de seguir em frente.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/h6>\n<h6>BASSOLS, M. (2015).\u00a0<em>O imp\u00e9rio das imagens e o gozo do corpo falante.\u00a0<\/em>Documento on-line na Se\u00e7\u00e3o Textos do site do VII ENAPOL<em>.<\/em>\u00a0Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com.br\/pt\/faq-items\/o-imperio-das-imagens-e-o-gozo-do-corpo-falante-miquel-bassols\/\">http:\/\/oimperiodasimagens.com.br\/pt\/faq-items\/o-imperio-das-imagens-e-o-gozo-do-corpo-falante-miquel-bassols\/<\/a><\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1969\/2003). Nota Sobre a Crian\u00e7a, In: _____.<em>Outros Escritos<\/em><strong>.\u00a0<\/strong>Rio de Janeiro: Jorge Zahar.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A. (2008).\u00a0<em>Coisas de Fineza em Psican\u00e1lise.<\/em>\u00a0Documento on-line na Se\u00e7\u00e3o de Textos do site do IPSM-MG. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/horizontes\/textos\/licoes.pdf\">http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/horizontes\/textos\/licoes.pdf<\/a><\/h6>\n<h6>NITZCANER, D. (2014). Imagin\u00e1rio. In: MACHADO, O. ; RIBEIRO, V. L. (org.)\u00a0<em>Um real para o s\u00e9culo XXI<\/em>. Belo Horizonte: Scriptum.<\/h6>\n<hr \/>\n<div>\n<p><a id=\"_ftn1\" title=\"\" href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">1<\/a>\u00a0Os professores da Escola Municipal Salgado Filho d\u00e3o valor especial ao trabalho envolvendo as artes, por apostarem em seus efeitos \u201crestauradores\u201d na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e adolescentes. Alguns projetos s\u00e3o ali desenvolvidos utilizando-se dos recursos da literatura, artes pl\u00e1sticas e a\u00e7\u00f5es no dia-a-dia, como a \u201cCampanha do lixo\u201d. Adotam o vi\u00e9s reflexivo, sempre com uma chamada ao olhar e ao dizer. Em 2011, um trabalho liter\u00e1rio dos alunos intitulado \u201cA \u00c1frica que existe em mim\u201d ficou entre os dez melhores da Rede Municipal de Educa\u00e7\u00e3o. \u201cDesafios? Muitos.\u201d, ressalta a professora de L\u00edngua Portuguesa, Fernanda Flores, coordenadora do trabalho, na abertura do pref\u00e1cio do livro, que traz em seu interior artigos e ilustra\u00e7\u00f5es dos meninos. \u00c0 escola, nossos agradecimentos pela parceria com o CIEN.<\/p>\n<div id=\"ftn2\">\n<h6><a id=\"_ftn1\" title=\"\" href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">2<\/a>\u00a0Express\u00e3o retirada pela artista da poesia \u201cT\u00fcbingen, Janeiro\u201d, de Paul Celan (1961)<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Laborat\u00f3rio: Trocando em Mi\u00fados \u2022 Belo Horizonte (MG) Elizabeth Medeiros, Lisley Braun Toniolo, Margarete Miranda, Rachel Botrel Em nosso texto, desejamos investigar se existe um contraponto da experi\u00eancia com a arte ao\u00a0imp\u00e9rio das imagens,que se desenha na contemporaneidade. Para tanto, lan\u00e7aremos m\u00e3o das Conversa\u00e7\u00f5es com adolescentes de 13 a 16 anos, de uma escola p\u00fablica&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5659191,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[135,22],"tags":[122],"post_series":[],"class_list":["post-5659189","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cien-digital-17","category-laboratorios","tag-cien_digital_17","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5659189"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659189\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5659191"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5659189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5659189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5659189"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5659189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}