{"id":5659221,"date":"2018-11-29T16:41:22","date_gmt":"2018-11-29T18:41:22","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659221"},"modified":"2018-11-29T16:41:22","modified_gmt":"2018-11-29T18:41:22","slug":"editorial-abril-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/29\/editorial-abril-2015\/","title":{"rendered":"Editorial &#8211; Abril 2015"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659221?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659221?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<figure id=\"attachment_5659222\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659222\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659222\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/arsham280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/arsham280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/arsham280-274x206.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659222\" class=\"wp-caption-text\">Daniel Arsham, Sideways clock, 2012<br \/>Foto: Simone Catto<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Maria Rita Guimar\u00e3es<\/h6>\n<\/div>\n<p>Caro leitor e amigo do Cien Digital,<\/p>\n<p>Talvez a melhor maneira de lhe apresentar este n\u00famero do Cien Digital, fosse simplesmente sugerir que voc\u00ea o abrisse, como quem abre um\u00a0<em>&#8220;Kinder Surprise<\/em>&#8220;: uma surpresa, certamente aguardada, mas impens\u00e1vel! Tomemos outra perspectiva: se a evoca\u00e7\u00e3o do Kinder Ovo veio f\u00e1cil \u00e0 cabe\u00e7a por ser tempo de p\u00e1scoa e vemos ovos de chocolate por toda parte, apelativos, ati\u00e7ando os sentidos, sussurantes em nossos bolsos, \u00e9 que a\u00ed, justo na face que se oculta sob a sedu\u00e7\u00e3o do Kinder Ovo, reside nosso interesse de reflex\u00e3o no momento. Chocolate? N\u00e3o! Interessa-nos pensar a crian\u00e7a e adolescente como met\u00e1fora do Kinder Ovo, caso pensemos como Zizek que qualificou o famoso chocolate \u2013ali\u00e1s, de chocolate tem pouco- de met\u00e1fora da mercadoria. Assim, nosso assunto, porque \u00e9 nossa preocupa\u00e7\u00e3o, \u00e9 com a crian\u00e7a\/mercadoria. Se continuarmos na formula\u00e7\u00e3o de Zizek, que cita Lacan &#8220;Eu o amo, mas,\u00a0inexplicavelmente, amo alguma coisa em voc\u00ea mais do que voc\u00ea mesmo, e portanto, o destruo&#8221;, temos\u00a0a no\u00e7\u00e3o de objeto\u00a0<em>a<\/em>, o agalma representado\u00a0tanto pelo brinquedo que vem dentro do chocolate (no vazio material do ovo, como um \u201cmais\u201d)\u00a0quanto pela crian\u00e7a como\u00a0<em>plus<\/em>\u00a0que colma a falta materna, o nada do desejo. A mercadoria perfeita porque ela mesma j\u00e1\u00a0<em>\u00e9<\/em>\u00a0o suplemento capaz de satisfazer as expectativas idealizantes.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a no consumo, consumidora, consumida, saturada. Clic em Evento, leia e se inscreva na Jornada Internacional do\u00a0Cien, cujo t\u00edtulo \u00e9:\u00a0<em>Crian\u00e7as saturadas<\/em>.Voc\u00ea encontrar\u00e1, junto ao Argumento,\u00a0 todas as informa\u00e7\u00f5es de que precisar\u00e1 para estar conosco em 03 de setembro em S\u00e3o Paulo, por ocasi\u00e3o do Enapol. Se, rumo ao VII Enapol estamos \u00e0s voltas com a tem\u00e1tica\u00a0<em>O\u00a0Imp\u00e9rio das Imagens<\/em>, publicamos, na rubrica H\u00edfen,\u00a0a valiosa elabora\u00e7\u00e3o de Paula Sibilia:\u00a0<em>O passado edit\u00e1vel &#8211; crise da interioridade e espetaculariza\u00e7\u00e3o de si<\/em>\u00a0&#8211; que nos ajuda a entender, se posso dizer assim, a efemeridade da experi\u00eancia humana, constantemente delet\u00e1vel, nos tempos atuais.<\/p>\n<p>Paula diz em seu trabalho: \u201cSempre h\u00e1 um espectador, um leitor, uma c\u00e2mara, um olhar sobre o personagem que tira dele seu car\u00e1ter meramente humano. E, para poder existir, ele precisa fervorosamente desse olhar alheio\u201d.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a\/adolescente foram descobertos pela publicidade como novo\u00a0<em>target<\/em>, termo que designa o p\u00fablico de refer\u00eancia a que se destina a mensagem. Um estimulante e rigoroso \u00a0estudo desse assunto voc\u00ea vai ler, com o entusiamo que o texto suscita, tamb\u00e9m em\u00a0H\u00edfen:\u00a0<em>Publicidade infantil: o est\u00edmulo \u00e0 cultura do consumo e outras quest\u00f5es<\/em>.<\/p>\n<p>E o avesso dessa perspectiva, onde\u00a0 est\u00e1? Leia a ENTREvista com\u00a0<em>Nina Krivochein<\/em>, de onze anos, que nos ensina muito sobre como se pode ser uma crian\u00e7a que escapa \u00e0s malhas da engrenagem contempor\u00e2nea. Se a palavra contempor\u00e2nea convoca a uma sociedade que vive baixo o imp\u00e9rio das imagens, a linda surpresa \u00e9 conhecer como jovens de 13 a 16 anos, estudantes de uma escola municipal situada em\u00a0uma regi\u00e3o de \u201calta vulnerabilidade\u00a0 de Belo Horizonte\u201d, reagiram ao encontro com a arte de Leila Danziger, na \u00a0cole\u00e7\u00e3o: \u201c<em>O que desaparece, o que resiste<\/em>\u201d. Essa experi\u00eancia est\u00e1 relatada em Labor(a)t\u00f3rios, mas, l\u00e1, voc\u00ea encontra mais!<\/p>\n<p>Por quais paradigmas se orientam e\/ou se desorientam\u00a0 os jovens sob o imp\u00e9rio das imagens? A\u00a0<em>obs-cenidade<\/em>\u00a0j\u00e1 n\u00e3o conta mais com a barreira do prefixo\u00a0<em>obs<\/em>, obst\u00e1culo que permitiria a delimita\u00e7\u00e3o m\u00ednima do privado? Postar foto nua no Facebook, em posi\u00e7\u00e3o \u201cginecol\u00f3gica\u201d \u00e9 \u201cnatural\u201d mas, o\u00a0<em>obs<\/em>\u00a0passa \u00e0 fala. Falar disso \u00e9\u00a0interditado? O texto\u00a0<em>O real do sexo, a imagem do corpo e seu consumo na adolesc\u00eancia<\/em>\u00a0nos deixa a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Os integrantes do Laborat\u00f3rio\u00a0<em>Trocando uma Ideia<\/em>\u00a0nos relatam o que vivenciaram\u00a0junto a \u201cadolescentes do Centro de Interna\u00e7\u00e3o que est\u00e3o cumprindo medida com priva\u00e7\u00e3o de liberdade por um per\u00edodo que varia de 06 (seis) meses a 03 (tr\u00eas) anos, e possuem, em geral, entre 12 e 18 anos. Eles foram convidados e aceitaram participar de \u201cconversa sobre sexualidade\u201d. Cada encontro, uma surpresa, no sentido da conting\u00eancia.<\/p>\n<p>Os escritos da experi\u00eancia de Conversa\u00e7\u00e3o dos Laborat\u00f3rios do CIEN a cada vez nos reavivam o valor das palavras de Judith Miller:<\/p>\n<div class=\"sidebox\">\n<p>A publica\u00e7\u00e3o escrita das transforma\u00e7\u00f5es produzidas pela pr\u00e1tica da Conversa\u00e7\u00e3o, pr\u00f3pria ao CIEN, garante um meio de prote\u00e7\u00e3o do dizer em rela\u00e7\u00e3o ao\u00a0<em>Charybde<\/em>em\u00a0<em>Scylla\u00a0<\/em>contempor\u00e2neo que leva do amorda\u00e7amento \u00e0 passagem ao ato.<\/p>\n<\/div>\n<figure id=\"attachment_5659223\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659223\" style=\"width: 191px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659223\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/bechara280-191x300.jpg\" alt=\"\" width=\"191\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/bechara280-191x300.jpg 191w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/bechara280-274x430.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/bechara280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 191px) 100vw, 191px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659223\" class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 Bechara, \u00c1gua Viva, 2015<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como finaliza a pr\u00e1tica de um Laborat\u00f3rio? \u00c9 Tha\u00eds Morais, do Maranh\u00e3o, quem nos conta sobre a trajet\u00f3ria do Laborat\u00f3rio Guarnic\u00e9.<\/p>\n<p><em>Vidademerda.com<\/em>\u00a0Uma localiza\u00e7\u00e3o que define, atrav\u00e9s da fala de uma adolescente do filme\u00a0<em>17 filles,<\/em>\u00a0a vida que levam, mas sobretudo a vida de suas fam\u00edlias. Querem, naturalmente, se libertar do asfixiante t\u00e9dio que lhes acena no horizonte. Como respondem? Numa esp\u00e9cie de epidemia hist\u00e9rica, engravidam-se ao mesmo tempo, gesta\u00e7\u00e3o de um poder t\u00e3o espetacular que seus ventres adolescentes, carregados de\u00a0<em>objetos a\u00a0<\/em>como os brinquedos que recheiam os\u00a0<em>Kinder Surprise,\u00a0<\/em>parecem n\u00e3o ter que responder \u00e0 lei da gravidade, tal como os vemos\u00a0nas magn\u00edficas imagens dentro das claras \u00e1guas em que se exercitam em grupo. Cristina Drummond, nossa colega da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise , respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o da pr\u00f3xima Jornada\u00a0 da Se\u00e7\u00e3o MG, com o t\u00edtulo:\u00a0<em>O que quer uma m\u00e3e, hoje? Maternidades<\/em>\u00a0no\u00a0<em>s\u00e9culo XXI &#8211;<\/em>\u00a0faz uma an\u00e1lise do filme, conduzindo-nos, atrav\u00e9s de suas palavras, a uma an\u00e1lise do fato real ocorrido em 2008, nos EUA, na interpreta\u00e7\u00e3o atual das irm\u00e3s cineastas francesas.\u00a0Teresa Mendon\u00e7a e Simone Pinheiro tamb\u00e9m nos apresenta sua contribui\u00e7\u00e3o ao debate, em indaga\u00e7\u00f5es pelo sentido do ato adolescente via a maternidade. No Cine Cien!<\/p>\n<p>Por fim, voc\u00ea\u00a0 notar\u00e1 que a equipe editorial do Cien Digital tem nova composi\u00e7\u00e3o. Nossa querida colaboradora Fernanda Otoni de Barros-Brisset se despediu: nossos agradecimentos v\u00e3o para al\u00e9m do tempo e trabalho conosco, para chegar \u00e0s suas palavras \u201destarei por perto.\u201d\u00a0E damos as boas vindas aos colegas que, a partir do n\u00famero 17, integraram-se \u00a0\u00e0 equipe , com muito entusiasmo! Ana Martha Maia (RJ), D\u00e1rio de Moura (MG), Margarete Miranda (MG), Nohem\u00ed Brow (PA) e Siglia Le\u00e3o (SP).<\/p>\n<p>Desejamos-lhe boa leitura !<\/p>\n<p><small>Nota: o texto de Zizek , numa vers\u00e3o bastante reduzida, pode ser acessado em http:\/\/www.angelfire.com\/sk\/holgonsi\/identidade.html<\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Rita Guimar\u00e3es Caro leitor e amigo do Cien Digital, Talvez a melhor maneira de lhe apresentar este n\u00famero do Cien Digital, fosse simplesmente sugerir que voc\u00ea o abrisse, como quem abre um\u00a0&#8220;Kinder Surprise&#8220;: uma surpresa, certamente aguardada, mas impens\u00e1vel! 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