{"id":5659231,"date":"2018-11-30T10:23:57","date_gmt":"2018-11-30T12:23:57","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659231"},"modified":"2018-11-30T10:23:57","modified_gmt":"2018-11-30T12:23:57","slug":"morte-e-vida-na-escola-ou-a-crisalida-vira-borboleta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/30\/morte-e-vida-na-escola-ou-a-crisalida-vira-borboleta\/","title":{"rendered":"Morte e vida na escola ou a cris\u00e1lida vira borboleta"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659231?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659231?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<figure id=\"attachment_5659232\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659232\" style=\"width: 212px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659232\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/lazhar-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/lazhar-212x300.jpg 212w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/lazhar-768x1086.jpg 768w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/lazhar-724x1024.jpg 724w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/lazhar-274x387.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/lazhar.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659232\" class=\"wp-caption-text\">Philippe Falardeau, Monsieur Lazhar, 2013<\/figcaption><\/figure>\n<h6>O filme Monsieur Lazhar traz boas novas ao Cien Minas<\/h6>\n<\/div>\n<h6>Margarete Parreira Miranda<\/h6>\n<p>O filme canadense de Philippe Falardeau (2012) trata do suic\u00eddio de uma professora na escola em que dava aulas e de suas conseq\u00fc\u00eancias. Impacta-nos com a morte, de in\u00edcio. Ao se despencar para fora da cena, se enforcando em seu cachecol azul, o ato da professora Martine deixa resto nefasto.\u00a0 \u201cMartine decerto estava desanimada com a vida. A \u00faltima coisa que ela fez foi empurrar a cadeira para que ela ca\u00edsse\u201d, diz Alice, sua aluna de 12 anos, expressando tristeza e incertezas. Assim Lacan (2005) nos esclarece sobre o sujeito que se apaga, ao se precipitar da cena: \u201cEle vira fuma\u00e7a\u201d. O suic\u00eddio da professora forma um rastro e impregna os espa\u00e7os daquela escola.<\/p>\n<p>No momento de\u00a0<em>passagem ao ato<\/em>, nos ensina Lacan ( LACAN,2005, p.129), o sujeito \u00e9 tomado por\u00a0<em>embara\u00e7o maior<\/em>\u00a0e age, impelido ao\u00a0<em>largar de m\u00e3o<\/em>\u201ccom o acr\u00e9scimo comportamental da emo\u00e7\u00e3o como dist\u00farbio de comportamento\u201d. Surpreendentemente, o desenrolar da hist\u00f3ria que o filme apresenta caminha da morte para a vida, fazendo percurso inverso ao que naturalmente se espera do enredo humano, com o inevit\u00e1vel traum\u00e1tico da morte ao final.<\/p>\n<p>Para Eric Laurent (2014) o trauma n\u00e3o pode ser tomado sem se considerar a estrutura do sujeito. \u201cEsse ponto pode ser especialmente verificado nos traumatismos de massa. Com efeito, mesmo as conting\u00eancias sofridas por um grande n\u00famero de pessoas ressoam de modo \u00fanico para cada um\u201d, defende. Diversas situa\u00e7\u00f5es do filme v\u00e3o trazendo arranjos peculiares, como diferentes respostas ao trauma. Frente ao real, aquilo que a insufici\u00eancia simb\u00f3lica emudece, as palavras escasseiam produzindo uma\u00a0<em>ang\u00fastia que n\u00e3o se engana<\/em>. Cada um se apresenta com o seu sintoma revelando as singularidades.\u00a0 Pais, professores, diretora e alunos lidam com o que resta como mort\u00edfero na escola, tomado inicialmente em sua radicalidade: a professora Martine n\u00e3o mais se encontra ali para historicizar seu ato. Outros buscam, ent\u00e3o, tratar o imposs\u00edvel, o inomin\u00e1vel, aquilo que ang\u00fastia causa. \u201cMartine n\u00e3o estava bem h\u00e1 muito tempo. Ela tinha crises de ang\u00fastia\u201d, relata a professora Claire, sua amiga. Resposta imediata da diretora foi buscar desaparecer o acontecimento, no branco das paredes da sala de aula que ela manda repintar: \u201cN\u00e3o quero insubordina\u00e7\u00e3o a respeito\u201d, declara. Pelos corredores e ambientes da escola, o adolescente Simon \u00e9 tomado por sucessivos atos de agressividade, sem deixar de usar sua m\u00e1quina fotogr\u00e1fica, presente da professora Martine. No importante momento em que \u00e9 confrontado, traduz em palavras sua ang\u00fastia: \u201cA culpa \u00e9 minha?\u201d.\u00a0 Os alunos conversam entre eles: \u201cPor que ela fez aquilo?\u201d<\/p>\n<p>O professor Lazhar veio substituir a professora Martine. Seu nome significa em \u00e1rabe \u201caquele que traz boas novas\u201d, e seu personagem define outro jeito de transitar pela institui\u00e7\u00e3o, pelas circunst\u00e2ncias de ensino e pela rela\u00e7\u00e3o professor aluno. Outra novidade, entretanto: Alice, em sua travessia adolescente, como uma\u00a0<em>cris\u00e1lida que sobrevive aos inc\u00eandios e vendavais<\/em>, visita diversos espa\u00e7os tamb\u00e9m anunciando \u201cboas novas\u201d. Se deixa surpreender e interroga: \u201cBachir Lazhar? Qual \u00e9 a origem?\u201d Ela insere o professor na cena da sala de aula. Expressa-se com sua verdade e percorre os pr\u00f3prios vazios se permitindo formular enigmas. \u00c0s vezes silencia, mas o olhar expressa. Ao enfrentar a ang\u00fastia buscando palavras para emprestar nomes ao real, Alice diz: \u201cEu fiquei triste de verdade [&#8230;] \u00c0s vezes me pergunto se ela n\u00e3o quis passar uma mensagem de viol\u00eancia. N\u00f3s quando somos violentos somos presos, mas n\u00e3o podemos prender Martine Lachance porque ela est\u00e1 morta\u201d. Assim segue Alice apostando no dizer e se opondo \u00e0 crueldade, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 injusti\u00e7a.<\/p>\n<p>Alice reconhece em Bachir o mestre, a quem se liga pela firmeza e pelo consentimento ao seu desejo de saber. Mais que isso, Mr Lazhar distingue cada aluno com seus sintomas e se posiciona como mestre cuidadoso. Estrangeiro, fugitivo ou exilado ele nunca havia sido professor at\u00e9 ent\u00e3o, e esse era seu segredo. Por isso, talvez, estranhe as condi\u00e7\u00f5es petrificadas e faz da posi\u00e7\u00e3o de mestre um lugar vivificado. Entende o desejo daqueles adolescentes \u201cde falar da morte juntos\u201d. E aposta: \u201cSe algu\u00e9m quiser falar fique \u00e0 vontade\u201d. Mas est\u00e1 tamb\u00e9m atento a regular o\u00a0<em>gozo<\/em>do\u00a0<em>a mais<\/em>\u00a0<em>da palavra<\/em>: \u201cQuero que seja feito com respeito\u201d, ele diz, no tenso momento em que Simon \u00e9 interpelado por Alice, sobre sua dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o com a professora Martine.\u00a0 S\u00e3o ainda do professor as palavras esclarecedoras endere\u00e7adas aos seus alunos:<\/p>\n<p>N\u00e3o se deve buscar um sentido na morte de Martine Lachance. Porque n\u00e3o tem. A sala de aula \u00e9 um lugar&#8230; um lugar de amizade, de&#8230; trabalho, de comportamento. Sim, de comportamento. Um lugar onde tem vida. Onde a gente consagra a vida. Onde a gente d\u00e1 a nossa vida. Um lugar onde se deixa de lado nosso desespero.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659233\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659233\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659233\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/5lazhar280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/5lazhar280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/5lazhar280-274x195.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659233\" class=\"wp-caption-text\">\u00c9milien N\u00e9ron como Simon, Monsieur Lazhar, 2013<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como n\u00e3o lembrar Freud, ao tratar o tema do suic\u00eddio nas escolas secund\u00e1rias em 1910? Para ele a escola \u201ctoma o lugar dos traumas com que outros adolescentes se defrontam em outras condi\u00e7\u00f5es de vida\u201d (FREUD, 1910, p. 217). E deixa claro em suas argumenta\u00e7\u00f5es, os elementos que devem sustentar o seu movimento:<\/p>\n<p>A escola nunca deve se esquecer que ela tem que lidar com indiv\u00edduos imaturos a quem n\u00e3o pode ser negado o direito de se demorarem em certos est\u00e1gios do desenvolvimento e mesmo em alguns um pouco desagrad\u00e1veis. A escola n\u00e3o pode adjudicar-se o car\u00e1ter de vida: ela n\u00e3o deve pretender ser mais do que uma\u00a0<em>maneira de vida\u00a0<\/em>(Freud, 1910, p.218)<\/p>\n<p>Entendemos que essa\u00a0<em>maneira de vida<\/em>\u00a0ganha curso na escola do Monsieur.<\/p>\n<p>A professora Martine deixa tamb\u00e9m na escola o Livro de F\u00e1bulas, ponto de vida que Monsieur Lazhar n\u00e3o deixa escapar. A f\u00e1bula oferece recursos pela narrativa, para que os adolescentes inventem sa\u00eddas, dando outros destinos para o mal-estar que aquela perda provocou.\u00a0 Da f\u00e1bula se apropriam como solu\u00e7\u00e3o, ao trazerem o tema da injusti\u00e7a emerso em sala de aula. Desse recurso tamb\u00e9m se serve o professor Bachir, para se despedir de seus alunos, j\u00e1 que seu segredo revelado o impelira para fora dali. Ele sabe da import\u00e2ncia das hist\u00f3rias no que toca as subjetividades. E assim fala da luta morte\/vida e suas contradi\u00e7\u00f5es, em seu conto lido para os disc\u00edpulos e que registramos a seguir.<\/p>\n<p><em>A \u00e1rvore a cris\u00e1lida<\/em><\/p>\n<p>Bachir Lazhar<\/p>\n<p>Nada h\u00e1 a dizer sobre uma morte injusta. Nada mesmo. N\u00f3s vamos mostrar daqui a pouco.<\/p>\n<p>Sobre um galho de uma oliveira estava suspensa uma pequena cris\u00e1lida de cor esmeralda. Amanh\u00e3 ela se tornaria uma bela borboleta, liberada de seu casulo. A \u00e1rvore exultava em liberar sua cris\u00e1lida. Mas em segredo ela adoraria guard\u00e1-la ainda uns anos. \u201cPara que ela se lembrasse de mim\u201d. Ela a tinha protegido do vento. Ela a tinha salvo das formigas. E amanh\u00e3 ela a deixaria enfrentar sozinha&#8230; Os predadores e os intemp\u00e9ries. Naquela noite&#8230; Um grande inc\u00eandio devastou a floresta, e a cris\u00e1lida nunca se tornou borboleta. De manh\u00e3, o fogo apagado, a \u00e1rvore ainda estava de p\u00e9, mas seu cora\u00e7\u00e3o estava em cinzas, ro\u00eddo pelo fogo, ro\u00eddo pelo luto. Depois disso, quando um p\u00e1ssaro pousava na oliveira, a \u00e1rvore contava sobre a cris\u00e1lida que nunca acordou. Ela a imaginava com as asas abertas, ondulando no azul de um azul do c\u00e9u azul, b\u00eabada de n\u00e9ctar e liberdade. Testemunha privilegiada de nossas hist\u00f3rias de amor.<\/p>\n<p>O filme termina com um gesto transl\u00facido de nossa pequena Alice, em seu despertar: abra\u00e7a silenciosamente seu professor, demonstrando a proeza da vida em um ato de amor. Aquele aceno \u00e9 acolhido por Monsieur Lazhar, testemunho de um bom encontro na escola: a cris\u00e1lida vira borboleta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<footer>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/h6>\n<h6>FALARDEAU, P.\u00a0<strong>Monsieur Lazhar: o que traz boas novas<\/strong>. Canad\u00e1:Telefilm Canad\u00e1, 2012.<\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1910). Breves Escritos. Contribui\u00e7\u00f5es para uma Discuss\u00e3o acerca do Suic\u00eddio. In:\u00a0<strong>ESBOPC<\/strong>. Rio de Janeiro: Imago, 1970. .<\/h6>\n<h6>LACAN, J.\u00a0<strong>O semin\u00e1rio, livro 10:\u00a0<\/strong>a ang\u00fastia (1962-1963). Rio de Janeiro:<\/h6>\n<h6>Jorge Zahar, 2005.<\/h6>\n<h6>LAURENT, E. Trauma generalizado e singular. In:\u00a0<strong>Boletim do XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano: Trauma nos corpos e viol\u00eancia nas cidades<\/strong>. Belo Horizonte, 14\/02\/2014. Acesso:\u00a0<u>www.encontrocampofreudiano.org.br\/2014\/02o trauma-generalizado-e-singular_9241.html<\/u>. Acessado em: 11\/07\/2014.<\/h6>\n<\/footer>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O filme Monsieur Lazhar traz boas novas ao Cien Minas Margarete Parreira Miranda O filme canadense de Philippe Falardeau (2012) trata do suic\u00eddio de uma professora na escola em que dava aulas e de suas conseq\u00fc\u00eancias. Impacta-nos com a morte, de in\u00edcio. 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