{"id":5659235,"date":"2018-11-30T10:27:32","date_gmt":"2018-11-30T12:27:32","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659235"},"modified":"2018-11-30T10:27:32","modified_gmt":"2018-11-30T12:27:32","slug":"da-violencia-docentes-doentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/30\/da-violencia-docentes-doentes\/","title":{"rendered":"Da viol\u00eancia: docentes doentes"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659235?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659235?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<figure id=\"attachment_5659236\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659236\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659236\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/soniagomes280-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/soniagomes280-300x200.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/soniagomes280-274x182.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/soniagomes280.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659236\" class=\"wp-caption-text\">Sonia Gomes, Tor\u00e7\u00e3o, 2012<\/figcaption><\/figure>\n<h6><small>Laborat\u00f3rio\u00a0<em>Docentes doentes: deixem-os falar!<\/em>\u00a0\u2022 Belo Horizonte (MG)<\/small><\/h6>\n<\/div>\n<h6>Virg\u00ednia Carvalho<\/h6>\n<p>O tema da viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 novo, mas tem se destacado no mundo contempor\u00e2neo, cada vez mais, como \u201cpauta do dia\u201d. Na c\u00e9lebre resposta a Einstein, sobre o porqu\u00ea da guerra, Freud (FREUD,1933\/1996, p.198) indica que se trata de um princ\u00edpio geral que os conflitos de interesses entre os homens sejam resolvidos pelo uso da viol\u00eancia, assim como ocorre no reino animal. Atualmente, percebe-se um fasc\u00ednio em torno desse assunto, como se pode observar no enfoque midi\u00e1tico. \u00c9 o que destaca Miquel Bassols ao se referir \u00e0 presen\u00e7a massiva do tema na contemporaneidade. Segundo o psicanalista, n\u00e3o se trata de uma \u201cbanaliza\u00e7\u00e3o do mal\u201d, como na express\u00e3o de Hannah Arendt. Para ele, \u00e9 poss\u00edvel verificar uma fascina\u00e7\u00e3o em torno da viol\u00eancia, como se ela fosse um \u201cnovo objeto que brilha com sua obscura presen\u00e7a no z\u00eanite social\u201d (BASSOLS, 2014, p.1). E, nesse sentido, muitas vezes n\u00e3o se consegue distinguir mais de que viol\u00eancia se trata.<\/p>\n<p>\u201c<em>A<\/em>\u00a0viol\u00eancia\u201d, com o artigo definido, como uma personifica\u00e7\u00e3o desse objeto, est\u00e1 nos notici\u00e1rios, nas conversas cotidianas, nos consult\u00f3rios e, \u00e9 claro, nas escolas. Viol\u00eancia nas escolas \u00e9 um tema em que essa fascina\u00e7\u00e3o e obscuridade se apresentam com toda intensidade, o que leva os educadores a buscarem ajuda. E, na interface com a psican\u00e1lise, procuram aux\u00edlio para lhe dar o devido tratamento. Foi o que ocorreu em uma institui\u00e7\u00e3o escolar que nos procurou, solicitando capacita\u00e7\u00e3o sobre\u00a0<em>A<\/em>\u00a0viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Nossa primeira interven\u00e7\u00e3o come\u00e7ou por deslocar o fasc\u00ednio em torno do universal \u00a0do tema, tentando localizar o que se passava no \u00e2mbito particular dessa escola. \u201cViol\u00eancia: de que se trata?\u201d. Essa quest\u00e3o foi o t\u00edtulo dado ao trabalho, realizado a partir da metodologia da conversa\u00e7\u00e3o. De que viol\u00eancia sofrem os educadores dessa institui\u00e7\u00e3o, e que os dificulta em sua tarefa de educar? \u2013 esse foi o ponto de partida para os cinco encontros que se deram com essa equipe.<\/p>\n<p><strong>\u201cN\u00e3o vou fazer nada porque n\u00e3o d\u00e1 nada pra mim\u201d; \u201cn\u00e3o sei o que estou fazendo nessa desgra\u00e7a de escola\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Ao permitir a circula\u00e7\u00e3o da palavra entre o grupo de professores, o que surgiu de violento n\u00e3o coincidiu com as manchas de sangue que extra\u00edmos cotidianamente nos notici\u00e1rios. Falaram sobre mortes de alunos, professores sendo atingidos por livros, mas o que mais se destacou como sofrimento fora nomeado por eles de \u201cviol\u00eancia verbal\u201d: entre alunos; entre alunos e professores; entre pais e alunos e\/ou professores; entre professores; entre professores e dire\u00e7\u00e3o; entre a dire\u00e7\u00e3o. Essa viol\u00eancia se apresentava na escola atrav\u00e9s das palavras \u201cmal ditas\u201d entre as pessoas. Para Lacan a viol\u00eancia \u00e9 o que se pode produzir em uma rela\u00e7\u00e3o inter-humana, quando n\u00e3o prevalece a fala.<\/p>\n<p>A nomeada \u201cviol\u00eancia verbal\u201d trazia consequ\u00eancias importantes para aqueles professores, com sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia e questionamento de seu papel no processo educativo: \u201cAqui, s\u00f3 tomo conta de menino. N\u00e3o consigo ensinar matem\u00e1tica\u201d. \u201cO que eu fa\u00e7o qualquer um pode fazer\u201d. \u201cA escola \u00e9 uma mentira?\u201d.<\/p>\n<p>Os professores se queixam de que os alunos n\u00e3o os respeitam porque nunca \u201cd\u00e1 nada pra eles\u201d, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma consequ\u00eancia. Acham que os alunos est\u00e3o na escola por obriga\u00e7\u00e3o, por causa dos programas sociais da prefeitura que obrigam a presen\u00e7a. Mas, ao serem questionados sobre o motivo pelo qual eles pr\u00f3prios est\u00e3o ali naquela escola, a resposta \u00e9 a mesma: \u201cestamos aqui obrigados\u201d; \u201ca gente falta muito \u2013 o n\u00famero de faltas injustificadas que n\u00e3o d\u00ea nada pra n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>Os professores concluem que est\u00e3o doentes: \u201cdocente pode ser substitu\u00eddo por doente\u201d. Dizem que \u201cningu\u00e9m quer estar na escola\u201d e se questionam: \u201conde est\u00e1 o desejo? N\u00e3o me formei porque era a melhor profiss\u00e3o do mundo, mas admirava essa profiss\u00e3o. Tinha professores que eu queria ser como eles\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659237\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659237\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659237\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/gerhardrichter280-300x236.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/gerhardrichter280-300x236.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/gerhardrichter280-274x216.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/gerhardrichter280.jpg 609w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659237\" class=\"wp-caption-text\">Gerhard Richter, untitled<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma outra perspectiva come\u00e7a a se abrir, o que lhes permite vislumbrar a possibilidade de se querer estar na escola: \u201cVi, numa entrevista, um traficante dizendo que o p\u00f3 \u00e9 para o filho dos outros. O filho deles est\u00e1 na escola porque o traficante n\u00e3o quer que o filho siga o mesmo caminho dele. Tr\u00eas C: cadeia, cadeira de rodas e caix\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A pergunta sobre o desejo abre tamb\u00e9m para uma constata\u00e7\u00e3o: \u201cse n\u00e3o nos deixam falar, n\u00e3o deixamos os alunos falarem e acabamos sendo todos violentos uns com os outros\u201d. \u201cA gente n\u00e3o sabe conversar. Pensa que isso \u00e9 f\u00e1cil, mas a gente mesmo n\u00e3o consegue\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cAprender a falar com fino trato\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Os docentes, que se nomeavam doentes nessa escola, quiseram \u201caprender a conversar\u201d. E o fizeram nas Conversa\u00e7\u00f5es. Conclu\u00edram que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel aprender a conversar conversando e isso n\u00e3o significa que todos tenham que concordar com tudo. Pediram ideias uns aos outros sobre como utilizar o \u201cfino trato\u201d com as palavras, pois somente assim conseguiriam deixar de ser t\u00e3o violentos. Ouvimos, ap\u00f3s uma das conversa\u00e7\u00f5es, uma professora pedindo desculpas \u00e0 colega por ter interrompido sua aula de modo grosseiro.<\/p>\n<p>Das conversa\u00e7\u00f5es surgiram solicita\u00e7\u00f5es de encaminhamento para tratamento de quest\u00f5es subjetivas. Tamb\u00e9m um pedido de uma conversa\u00e7\u00e3o com a presen\u00e7a da dire\u00e7\u00e3o para exercitarem o \u201cfino trato\u201d e, ao mesmo tempo, levarem a pr\u00e1tica da fala para a institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com Lacan, sabemos que a palavra faz marca, traumatiza. Afinal, \u201ctrauma, n\u00e3o h\u00e1 outro: o homem nasce mal-entendido\u201d (LACAN, 1979-80, p.12, ) dois seres falantes n\u00e3o se entendem. Estar inscrito em um mundo de linguagem, servindo-nos dos significantes para nos representar por eles, n\u00e3o \u00e9 suficiente para recobrir o imposs\u00edvel de ser dito \u2013 o real. Este escapa ao sentido, s\u00f3 restando ao sujeito elucubr\u00e1-lo, o que faz o inconsciente e, at\u00e9 mesmo, a linguagem (LACAN, 1972-73\/1895, p.188). Pois, diante do trauma, \u00e9 preciso inventar alguns \u201ctruques\u201d, estrat\u00e9gias, para lidar com esse buraco (trou), como se v\u00ea no neologismo \u201ctroumatisme\u201d, criado por Lacan (LACAN,1973-74, p.40) para designar o fato de que cada um inventa um truque para preencher esse buraco vazio e traum\u00e1tico que \u00e9 o real, nome da falta de propor\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>Um tempo ap\u00f3s o trabalho com os professores ter-se conclu\u00eddo, soubemos pela dire\u00e7\u00e3o que eles se nomeiam como \u201cuma escola que sabe conversar para resolver suas dificuldades\u201d. Nessa escola, o recurso \u00e0 conversa foi uma estrat\u00e9gia importante. Henri Kaufmanner (2014) lembra que \u201ca psican\u00e1lise \u00e9 uma aposta de que mais al\u00e9m da irrup\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, por detr\u00e1s do sil\u00eancio, \u00e9 poss\u00edvel encontrar os elementos para um novo la\u00e7o\u201d. Essa tamb\u00e9m foi nossa aposta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<footer>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>BASSOLS, M. (2014). Trauma nos corpos, viol\u00eancia nas cidades<em>.<\/em>\u00a0In:\u00a0<em>Textos de orienta\u00e7\u00e3o para o XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano.<\/em>\u00a0Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.encontrocampofreudiano.org.br\/p\/m3.html<\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1996\/1933).\u00a0<em>Por que a guerra?<\/em>\u00a0In J. Strachey (Ed.&amp; Trans.), Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<em>(<\/em>Vol. 22). Rio de Janeiro: Imago.<\/h6>\n<h6>KAUFMANNER, H. (2014).\u00a0<em>Por que a viol\u00eancia?<\/em>\u00a0In<strong>:\u00a0<\/strong>Textos de orienta\u00e7\u00e3o para o XX<strong>\u00a0<\/strong>Encontro Brasileiro do Campo Freudiano<strong>.<\/strong>\u00a0Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.encontrocampofreudiano.org.br\/p\/m3.html<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1957-58\/1999). O Semin\u00e1rio, livro 5:<em>as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente<\/em><strong>.<\/strong>\u00a0Rio de Janeiro: Jorge Zahar.<\/h6>\n<h6>_______. (1972-73\/1985). O seminario, livro 20:\u00a0<em>mais, ainda<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.<\/h6>\n<h6>_______. (1973-74\/no prelo). O Semin\u00e1rio, livro 21:\u00a0<em>Les non-dupes errent<\/em>. Li\u00e7\u00e3o de 19 de fevereiro de 1974.<\/h6>\n<h6>_______. (1979-80\/no prelo).<strong>\u00a0<\/strong>O Semin\u00e1rio, livro 27<strong>:\u00a0<\/strong><em>Dissolution<\/em>. Li\u00e7\u00e3o de 10 de junho de 1980.<\/h6>\n<\/footer>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Laborat\u00f3rio\u00a0Docentes doentes: deixem-os falar!\u00a0\u2022 Belo Horizonte (MG) Virg\u00ednia Carvalho O tema da viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 novo, mas tem se destacado no mundo contempor\u00e2neo, cada vez mais, como \u201cpauta do dia\u201d. 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