{"id":5659247,"date":"2018-11-30T10:35:46","date_gmt":"2018-11-30T12:35:46","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659247"},"modified":"2018-11-30T10:35:46","modified_gmt":"2018-11-30T12:35:46","slug":"a-crianca-na-hipermodernidade-vinhetas-de-um-laboratorio-em-formacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/30\/a-crianca-na-hipermodernidade-vinhetas-de-um-laboratorio-em-formacao\/","title":{"rendered":"A crian\u00e7a na hipermodernidade: vinhetas de um laborat\u00f3rio em forma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659247?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659247?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<h6><small>Laborat\u00f3rio: A crian\u00e7a na hipermodernidade \u2022 Salvador (BA)<\/small><\/h6>\n<\/div>\n<h6>M\u00f4nica Hage Pereira<\/h6>\n<div class=\"sidebox\">\n<blockquote><p>&#8220;As institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rias a partir do ideal do dever humanit\u00e1rio. Mas, h\u00e1 que precisar que este imperativo moral, esta chamada ao universal, se imp\u00f5e quando o discurso do mestre j\u00e1 n\u00e3o pode tratar uma contradi\u00e7\u00e3o.&#8221; (Laurent, 1998, p. 61.)<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<figure id=\"attachment_5659248\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659248\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5659248 size-full\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sigmarpolke280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"222\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sigmarpolke280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/sigmarpolke280-274x217.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659248\" class=\"wp-caption-text\">Sigmar Polke, Watchtower in the Eifel Region, 1987<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quando \u201cos restos imposs\u00edveis de tratar\u201d insistem em perturbar a rotina de trabalho dos profissionais, o que fazer? Quando estes n\u00e3o sucumbem \u00e0 impot\u00eancia e consentem em deixar a experi\u00eancia em aberto, ali, no espa\u00e7o vazio que se instala, uma experi\u00eancia do Cien poder\u00e1 acontecer.<\/p>\n<p>Foi assim que o laborat\u00f3rio\u00a0<em>A Crian\u00e7a na Hipermodernidade<\/em>\u00a0encontrou um lugar. Atuando no ambulat\u00f3rio infanto-juvenil do Hospital Psiqui\u00e1trico Juliano Moreira, em Salvador, como psic\u00f3logas da rede p\u00fablica de sa\u00fade, recebemos uma s\u00e9rie de demandas de \u201cnormatiza\u00e7\u00f5es\u201d de crian\u00e7as e adolescentes, principalmente quando eles n\u00e3o correspondem aos padr\u00f5es escolares esperados. No entanto, alguns desses \u201cpedidos\u201d nos chamam aten\u00e7\u00e3o de uma maneira particular. Foi o que aconteceu com Jo\u00e3o, hoje com 9 anos. Nesse caso, a escola da Rede Municipal de Ensino veio nos procurar, em busca de uma orienta\u00e7\u00e3o pois n\u00e3o sabiam \u201ccomo deveriam lidar\u201d com aquele aluno que \u201cj\u00e1 na primeira semana de aula, havia agido de uma maneira extremamente agressiva, dirigindo-se ao pesco\u00e7o de um colega.\u201d<\/p>\n<p>A partir desse impasse apresentado pela professora e do acesso que a escola nos deu, decidimos ir at\u00e9 l\u00e1 na condi\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rio do Cien, e propor a atividade das Conversa\u00e7\u00f5es com os diversos profissionais que atuavam com aquele aluno.<\/p>\n<p>Para a nossa surpresa, fomos convidadas a participar da reuni\u00e3o (regular) dos professores com a coordena\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica. No primeiro encontro, nos deparamos com profissionais bastante angustiados e com muitos impasses frente a sua pr\u00e1tica no ambiente escolar. Ap\u00f3s apresentarmos a proposta de trabalho do Cien &#8211; onde logo tivemos que esclarecer que n\u00e3o se tratava de uma confer\u00eancia, mas sim, de uma Conversa\u00e7\u00e3o -, passamos a escut\u00e1-los e perceber que est\u00e1vamos diante de profissionais que se deparavam com o imposs\u00edvel da sua profiss\u00e3o, como disse Freud ao colocar as tarefas de educar, governar e psicanalizar, como tarefas imposs\u00edveis.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659249\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659249\" style=\"width: 203px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659249\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/jeremyprice280-203x300.jpg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/jeremyprice280-203x300.jpg 203w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/jeremyprice280-274x404.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/jeremyprice280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 203px) 100vw, 203px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659249\" class=\"wp-caption-text\">Jeremy Price, untitled<\/figcaption><\/figure>\n<p>Rapidamente, pudemos perceber que a quest\u00e3o inicial que nos tinha levado at\u00e9 l\u00e1 parecia ter se dissolvido em meio a tantas outras. Elas vinham em s\u00e9rie, como uma avalanche de ang\u00fastias, impasses, dificuldades: \u201cA grande dificuldade com a qual nos deparamos diz respeito\u00e0 dificuldade no processode aprendizagem dos alunos<em>\u201d,<\/em>\u00a0disse uma professora.\u00a0<em>\u201c<\/em>E porque?\u201dperguntamos. As respostas foram v\u00e1rias e as falas iam se modificando: \u201cos alunos que n\u00e3o querem estudar, perturbam toda a sala da aula&#8230;\u201d; \u201cmas esses representam apenas 20%\u201d; \u201cfalta de respeito ao pr\u00f3ximo\u201d. \u201cOs alunos s\u00e3o violentos, mas isso ocorre porque reproduzem o que vivenciam em casa, na fam\u00edlia&#8230;\u201d. \u201cOs meninos ficam na rua, por falta de assist\u00eancia da fam\u00edlia&#8230;mas, de quem \u00e9 a culpa? Da fam\u00edlia?\u201d\u201cN\u00e3o. As fam\u00edlias tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas&#8230;a quest\u00e3o est\u00e1 no sistema&#8230;na pobreza, na falta de condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas, etc&#8230;o problema est\u00e1 no social\u201d. \u201cMuitas vezes, um menino n\u00e3o se alfabetiza e \u00e9 cobrado em casa, pois tem que alfabetizar os pais&#8230;\u201d \u201cEles dizem que virou ot\u00e1rio quem gosta de estudar\u201d. \u201cO que importa \u00e9 o ter, cada vez mais&#8230; ter celulares, tablets, etc\u201d. E concluem que a escola precisa abrir um di\u00e1logo mais pr\u00f3ximo com a fam\u00edlia. Entre \u201ca fam\u00edlia\u201d e \u201co sistema\u201d pareciam, nesse primeiro momento, que buscavam um grande respons\u00e1vel por tudo aquilo que tanto os angustiava.<\/p>\n<p>A palavra tinha sido franqueada, eles falavam, mas era preciso, como nos indica Laurent, estar advertido de que \u201capesar da conversa\u00e7\u00e3o ser instalada pelo dom da palavra&#8230;o corte ter\u00e1 lugar e o gozo do bl\u00e1-bl\u00e1-bl\u00e1 ficar\u00e1 suspenso.\u201d Era preciso intervir ali, para que cada um pudesse se escutar. Interferir para que cada um pudesse se escutar, mas \u201crespeitando o imposs\u00edvel de dizer de alguns\u201d foi um desafio para n\u00f3s nesse primeiro encontro. O encontro foi finalizado com a frase de uma professora:\u00a0<em>\u201ctem dias que tenho vontade de pegar a minha bolsa e ir embora!\u201d\u00a0<\/em>Ao que pontuamos:\u00a0<em>\u201cmas voc\u00ea ainda est\u00e1 aqui!\u201d\u00a0<\/em>E completamos:\u00a0<em>\u201c\u00c9 curioso que em meio a tantos impasses voc\u00eas n\u00e3o desistiram! Est\u00e3o todos aqui!\u201d<\/em>\u00a0E com isso aproveitamos para marcar o pr\u00f3ximo encontro e combinarmos que far\u00edamos uma m\u00e9dia de 5 conversa\u00e7\u00f5es. A fim de delimitar um pouco o universo dos participantes, a coordenadora resolveu deixar que os professores pudessem decidir quem iria participar do trabalho. Para a nossa surpresa, aquela que nos disse da sua vontade de \u201cir embora\u201d, quis retornar!<\/p>\n<p>No segundo encontro, agora j\u00e1 com o grupo definido, \u00e9ramos duas psic\u00f3logas do laborat\u00f3rio, cinco professores (dentre elas, a professora de Jo\u00e3o) e a coordenadora pedag\u00f3gica. Iniciamos com o tema da agressividade e logo a professora de Jo\u00e3o colocou que o curioso \u00e9 que ela vem observando que ele n\u00e3o \u00e9 um garoto agressivo. E diz:<\/p>\n<p class=\"sidebox\">&#8220;N\u00f3s sabemos o que \u00e9 um menino agressivo: ele n\u00e3o \u00e9; parece que a rea\u00e7\u00e3o de agarrar o pesco\u00e7o do colega foi uma forma que ele encontrou para reagir a alguma brincadeira que fizeram com ele; os colegas fazem goza\u00e7\u00e3o da maneira como ele fala, parecendo um boneco.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-5659250\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/paulobruscky280-214x300.jpg\" alt=\"\" width=\"214\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/paulobruscky280-214x300.jpg 214w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/paulobruscky280-274x385.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/paulobruscky280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/>A partir da\u00ed foram surgindo diferentes sugest\u00f5es sobre a condu\u00e7\u00e3o do caso de Jo\u00e3o, quer fosse quanto a sua pseudo agressividade, quer fosse quanto ao seu complicado processo de aprendizagem. Iam e vinham nas considera\u00e7\u00f5es, at\u00e9 que conclu\u00edram que \u201cn\u00e3o \u00e9 que ele n\u00e3o soubesse ler\u201d, o problema \u00e9 que ele \u201cn\u00e3o estava querendo ler\u201d, devido \u00e0s risadas dos colegas. Talvez as mesmas risadas que o tenham levado a agir de forma violenta ou agressiva, em algumas situa\u00e7\u00f5es. Sendo assim, deixaram em suspenso a ideia inicial de coloc\u00e1-lo em um refor\u00e7o escolar, questionando seus benef\u00edcios e malef\u00edcios.<\/p>\n<p>Sa\u00edmos desse encontro nos perguntando sobre o nosso trabalho e querendo muito levar todo aquele material escutado na escola para a nossa reuni\u00e3o com todos os participantes do laborat\u00f3rio. E nos pergunt\u00e1vamos: ser\u00e1 que estamos mesmo atuando de acordo com os princ\u00edpios do Cien? No in\u00edcio, parecia que seria dif\u00edcil sustentar esse lugar vazio, o do n\u00e3o saber; o do saber-n\u00e3o-saber. Mas come\u00e7\u00e1vamos a achar que t\u00ednhamos conseguido, e est\u00e1vamos convencidas de que isso se dava devido \u00e0 nossa posi\u00e7\u00e3o analisante. O motivo principal que nos fez pensar assim foi quando pudemos perceber que, ainda que imagin\u00e1ssemos que ser\u00edamos convocadas a responder do lugar de mestre, isso n\u00e3o aconteceu&#8230;ou se aconteceu, conduzimos com tal fluidez que fizemos a palavra circular. O lugar que ocup\u00e1vamos era, ao mesmo tempo, \u00eaxtimo e de fundamental presen\u00e7a, pois ele sustentava o vazio de saber. Os efeitos foram recolhidos no terceiro encontro.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos nesse terceiro dia com a professora de Jo\u00e3o nos contando sobre a\u00a0<em>melhora dele<\/em>: \u201cdescobrimos que ele sabe interpretar textos!\u201d \u201cNa verdade, ele sabe muito mais do queeu imaginava&#8230;\u201d E completou:\u00a0<em>\u201cquando ele quer.\u201d<\/em>Miller (MILLER, 2012, p. 8) coloca que as crian\u00e7as \u201csabem sempre mais do que imaginam os adultos, estes j\u00e1 cretinizados por sua educa\u00e7\u00e3o consumada\u201d. A professora relata ainda que Jo\u00e3o tinha o costume de dizer sempre que \u201codiava\u201d alguma coisa. \u201cEle sempre fica repetindo<em>:\u00a0<\/em>\u201ceu odeio&#8230;eu odeio&#8230;\u201d \u201cSer\u00e1 que dever\u00edamos perguntar a ele: \u201cO que voc\u00ea n\u00e3o odeia?\u201d, disse a professora. Digo a ela: \u201cParece que Jo\u00e3o vem lhe surpreendendo, n\u00e3o \u00e9 mesmo\u201d?<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659251\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659251\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659251\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/walterciocaldas280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"152\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/walterciocaldas280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/walterciocaldas280-246x135.jpg 246w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/walterciocaldas280-274x149.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659251\" class=\"wp-caption-text\">Waltercio Caldas, &#8216;Frases S\u00f3lidas&#8217;, 2006<\/figcaption><\/figure>\n<p>O interessante nesse terceiro encontro foi que as professoras come\u00e7aram a apostar na ideia de que manejos singulares, um por um, por mais que possam parecer dif\u00edceis de serem feitos, j\u00e1 que est\u00e3o em uma sala com muitos, poder\u00e3o produzir efeitos surpreendentes. Percebemos isso claramente na fala de outra professora que tinha um aluno com diagn\u00f3stico de TDAH, dado por psiquiatra. Ela diz: \u201cn\u00e3o, ele n\u00e3o \u00e9 hiperativo. O que observo \u00e9 que ele tem dificuldades para lidar com as emo\u00e7\u00f5es, dificuldades nos la\u00e7os afetivos e sociais&#8230;ele n\u00e3o sabe lidar com frustra\u00e7\u00f5es&#8230;mas ele n\u00e3o precisa de limites<em>,\u00a0<\/em>como fazemos com os meninos hiperativos. Ele precisa \u00e9 de mais afeto. \u00c9 preciso perceber a diferen\u00e7a&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o conclu\u00edmos o trabalho naquela escola. As f\u00e9rias chegaram, mas sa\u00edmos de l\u00e1 com o retorno j\u00e1 agendado! Do instante de ver, passamos ao tempo de compreender. Algumas reflex\u00f5es podemos fazer. Como nos aponta Judith Miller (MILLER, J. 2007, p. 5) por mais formados que estejam os analistas&#8230;\u00e9 pr\u00f3prio ao psicanalista saber que ele n\u00e3o sabe.\u201d E o que percebemos no desenrolar das Conversa\u00e7\u00f5es \u00e9 que o fundamental para fazer acontecer essa experi\u00eancia diz respeito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do analista, principalmente no que se refere ao seu percurso de an\u00e1lise. Saber-n\u00e3o-saber s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com um certo percurso anal\u00edtico. Assim, como est\u00e1 no argumento da IV Tarde de Trabalhos do Cien, que acontecer\u00e1 em novembro de 2014, em Belo Horizonte:<\/p>\n<p class=\"sidebox\">A forma\u00e7\u00e3o do analista faz-se necess\u00e1ria para que o dispositivo da conversa\u00e7\u00e3o interdisciplinar se constitua em espa\u00e7o de express\u00e3o do desejo e da singularidade, capaz de fazer vacilar saberes e significados impostos pelo discurso do mestre contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Para concluir, quer seja uma inven\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, ou dos profissionais que com elas lidam, o Cien aposta nas inven\u00e7\u00f5es singulares de cada um para responder ao real do gozo. A aposta nesse dispositivo \u2013 das Conversa\u00e7\u00f5es dos Laborat\u00f3rios, \u00e9 uma aposta de que na conting\u00eancia de um encontro, possa surgir a conting\u00eancia de uma inven\u00e7\u00e3o, possibilitando assim, no um a um, um la\u00e7o poss\u00edvel com o mundo que o cerca.<\/p>\n<p class=\"sidebox\">Participam deste laborat\u00f3rio Amanda Nunes, Ana Claudia Junqueira, Ana Martha Maia (respons\u00e1vel), Claudia Amoedo, Karina Guimar\u00e3es, Marina Valle, Natalia Gomes, Paola Vargas, Rafaella Tavares Tinoco, Simone Monnerat e Vanessa Carrilho dos Anjos.<br \/>\nCampo de investiga\u00e7\u00e3o: a sexualidade feminina, a maternidade, a crian\u00e7a e o adolescente, a fam\u00edlia hipermoderna.<\/p>\n<footer>______________________________<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>FREUD. (1925).\u00a0<em>Pref\u00e1cio \u00e0 Juventude Desorientada de Aichorn<\/em>. In: Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, Vol. XIX.<\/p>\n<p>LAURENT. E.\u00a0<em>Segregaci\u00f3n y diferenciaci\u00f3n<\/em>. Dossier \u2013 El Nino n\u00ba 6.<\/p>\n<p>MILLER, J. A. A Crian\u00e7a e o Saber \u2013\u00a0<em>CIEN Digital n. 11<\/em>, 2012 (dispon\u00edvel em\u00a0<em>http:\/\/cien-brasil.blogspot.com.br<\/em>).<\/p>\n<p>MILLER, J. Apresenta\u00e7\u00e3o do CIEN Digital n. 2, 2007. (dispon\u00edvel em http:\/\/cien-brasil.blogspot.com.br).<\/p>\n<p>Argumento para a IV Tarde de Trabalhos do CIEN Brasil \u2013\u00a0<em>Trauma e real: o que as crian\u00e7as inventam?<\/em>\u00a0(dispon\u00edvel em http:\/\/cien-brasil.blogspot.com.br).<\/p>\n<\/footer>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Laborat\u00f3rio: A crian\u00e7a na hipermodernidade \u2022 Salvador (BA) M\u00f4nica Hage Pereira &#8220;As institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rias a partir do ideal do dever humanit\u00e1rio. Mas, h\u00e1 que precisar que este imperativo moral, esta chamada ao universal, se imp\u00f5e quando o discurso do mestre j\u00e1 n\u00e3o pode tratar uma contradi\u00e7\u00e3o.&#8221; (Laurent, 1998, p. 61.) 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