{"id":5659258,"date":"2018-11-30T10:41:48","date_gmt":"2018-11-30T12:41:48","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659258"},"modified":"2018-11-30T10:41:48","modified_gmt":"2018-11-30T12:41:48","slug":"permutacao-da-coordenacao-falando-com-seus-participantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/30\/permutacao-da-coordenacao-falando-com-seus-participantes\/","title":{"rendered":"Permuta\u00e7\u00e3o da Coordena\u00e7\u00e3o: Falando com seus participantes!"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659258?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659258?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<h6>Fernanda Otoni Brisset, Nohemi Brown, Siglia Le\u00e3o, Luc\u00edola Macedo, Rodrigo Lyra,<br \/>\nMiguel Antunes, Ana Martha Maia e nota da Comiss\u00e3o de Coordena\u00e7\u00e3o e Orienta\u00e7\u00e3o do CIEN Brasil (2014-2016)<\/h6>\n<\/div>\n<p class=\"text-success\"><strong>CIEN Digital:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea acaba de permutar o trabalho de Coordena\u00e7\u00e3o do Cien no Brasil. Este intenso per\u00edodo de dedica\u00e7\u00e3o ao CIEN resultou em avan\u00e7os de trabalhos dos Laborat\u00f3rios, testemunhado em realiza\u00e7\u00f5es de eventos e publica\u00e7\u00f5es. No que lhe inspirou a seguinte afirma\u00e7\u00e3o de Judith Miller:<\/p>\n<div class=\"sidebox\">\n<blockquote><p>&#8220;A publica\u00e7\u00e3o escrita das transforma\u00e7\u00f5es produzidas pela pr\u00e1tica da Conversa\u00e7\u00e3o, pr\u00f3pria ao CIEN, garante um meio de prote\u00e7\u00e3o do dizer em rela\u00e7\u00e3o ao\u00a0<em>Charybde<\/em>\u00a0em\u00a0<em>Scylla<\/em>\u00a0contempor\u00e2neo que leva do amorda\u00e7amento \u00e0 passagem ao ato.&#8221;<\/p>\n<h6>Judith Miller<\/h6>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<figure id=\"attachment_5659259\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659259\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659259\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/jasperjohns280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"160\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/jasperjohns280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/jasperjohns280-274x157.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659259\" class=\"wp-caption-text\">Jasper Johns, The Critic Sees, 1962<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Fernanda Otoni Brisset:<\/strong>\u00a0Essa feliz express\u00e3o\u00a0<em>Charybde<\/em>\u00a0em\u00a0<em>Scylla<\/em>, utilizada ai por Judith Miller, remonta \u00e0 antiguidade e, geograficamente, refere-se ao estreito de Messina que passa entre a ilha da Sic\u00edlia e o sul da It\u00e1lia. Esse estreito trazia muitos perigos aos marinheiros que ao tentar sair dos turbilh\u00f5es de \u00e1gua formados pelas correntes de uma ponta do estreito, encontravam com o perigo dos recifes, na outra extremidade. Conta Odisseia que Ulisses para escapar do canto das sereias, jogou-se nesse estreito, caminho ainda mais perigoso, tendo que enfrentar dois monstros terr\u00edveis, descritos na mitologia grega como\u00a0<em>Charybde<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Scylla<\/em>.\u00a0<em>Charybde<\/em>, tr\u00eas vezes ao dia, engolia e regurgitava quantidades enormes de agua, tragando para a guela adentro navios e peixes.\u00a0<em>Scylla<\/em>\u00a0que, aparentemente, era uma ninfa bel\u00edssima, escondia, da cintura para baixo, tent\u00e1culos enormes em cuja ponta guardava a cabe\u00e7a de c\u00e3es raivosos \u00e1vidos para devorar navegantes. Da\u00ed a express\u00e3o &#8220;cair de\u00a0<em>Charybde<\/em>\u00a0em\u00a0<em>Scylla<\/em>&#8221; para indicar situa\u00e7\u00f5es cuja presun\u00e7\u00e3o de escolher um caminho sem perigos pode levar do mal ao pior. O que seria ent\u00e3o esse\u00a0<em>Charybde<\/em>\u00a0em\u00a0<em>Scylla<\/em>\u00a0<em>contempor\u00e2neo<\/em>\u00a0ao qual Judite Miller se refere?<\/p>\n<p>Hoje em dia, o Outro n\u00e3o funciona mais como b\u00fassola. O simb\u00f3lico n\u00e3o \u00e9 mais o que era, inaugurando a gera\u00e7\u00e3o dos desbussolados, sem um Outro a qual se crer, cujo vazio de saber abriu nosso mundo \u00e0 solu\u00e7\u00f5es al\u00e9m \u00c9dipo, orientadas pelo real. Contudo, a ironia do contempor\u00e2neo da\u00ed se deduz!<\/p>\n<p>O desmantelamento das pedagogias tradicionais e outras ordens, efeito desse novo tempo, gerou uma nova desordem. Esta foi tomada como um perigo a ser evitado pelos gestores das popula\u00e7\u00f5es que aliaram-se ao cientificismo e burocracias administrativas para perseguir um caminho estreito, guiado por ordens de ferro, a fim de suturar o vazio real do corpo do Outro que n\u00e3o existe mais. F\u00e1bricas de falsas verdades e procedimentos seguem, a todo vapor e sem cessar, visando tal intento. Avaliam comportamentos, ditam protocolos, prescrevem manuais de condutas perseguindo a pretens\u00e3o de garantir um contempor\u00e2neo sem risco. A crian\u00e7a foi tomada como objeto precioso de interven\u00e7\u00e3o e cuidado e protocolos de controle de qualidade exigiu amorda\u00e7ar o seu dizer em prol do saber maestral que a antecede. N\u00e3o tarde, vimos como tal dire\u00e7\u00e3o vai cair no estreito do imposs\u00edvel, que leva do mal ao pior: a morda\u00e7a do dizer faz ratear o enodamento do corpo vivo \u00e0 l\u00edngua que o habita.<\/p>\n<p>Dos numerosos laborat\u00f3rios do CIEN-Brasil podemos extrair a forma singular com que esse contempor\u00e2neo recai sobre a crian\u00e7a e jovens modificando sensivelmente a forma como eles falam e vivem o que se agita em seus corpos, o que tamb\u00e9m afeta a pr\u00e1tica e discursos dos que cuidam deles. \u00c9 justo a\u00ed, que o CIEN encontra o seu lugar e instala as conversa\u00e7\u00f5es para que cada um possa encontrar palavras para transmitir os impasses que a crian\u00e7a n\u00e3o pode sair sem falar, a n\u00e3o ser atrav\u00e9s de posi\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas, acontecimentos de corpo e passagens ao ato que recobrem o seu dizer. As conversa\u00e7\u00f5es estabelecidas pelo CIEN com as crian\u00e7as e jovens, bem como com aqueles que cuidam deles, resgatam o valor do dizer da crian\u00e7a como um saber aut\u00eantico que lhe \u00e9 pr\u00f3prio e porta a verdade da qual sofre o infantil. Hoje, esse dizer est\u00e1 em perigo, est\u00e1 cada vez mais desacreditado, em prol das falsas verdades que amorda\u00e7am sua l\u00edngua.<\/p>\n<p>O CIEN \u00e9 uma resposta da psican\u00e1lise respons\u00e1vel por lan\u00e7ar o discurso anal\u00edtico l\u00e1 onde navegam outros discursos, a fim de abrir porosidades, arranjar espa\u00e7os para que a l\u00edngua se livre das morda\u00e7as tecnocient\u00edficas e fale livremente, abertos \u00e0 audi\u00e7\u00e3o do inconsciente, para que este possa ter um destinat\u00e1rio, conforme comentou Jacques-Alain Miller. Por essas vias, os laborat\u00f3rios do CIEN testemunham as transforma\u00e7\u00f5es quando as conversa\u00e7\u00f5es abrem os tamp\u00f5es dos ditos dist\u00farbios de conduta para dar vaz\u00e3o ao dizer da crian\u00e7a que ali foi recoberto e que demanda ser escutado. Navegar por esses mares da linguagem \u00e9 preciso, n\u00e3o h\u00e1 o Outro da garantia, e por essas veredas aguardamos, por esse furo vivo, a enuncia\u00e7\u00e3o de um saber singular, aut\u00eantico, que sabe bem dizer a palavra que n\u00e3o pode ser dita toda, mas cujo trauma a crian\u00e7a carrega em sua l\u00edngua e busca um destinat\u00e1rio que suporte o imposs\u00edvel de sua transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2018As publica\u00e7\u00f5es s\u00e3o formas de prote\u00e7\u00e3o desse dizer\u2019, como ressalta Judith Miller, pela for\u00e7a com que guardam e transmitem o saber recolhido no dizer da crian\u00e7a sobre seus impasses, as solu\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas que o transformam e subvertem, ao tomar por guia a l\u00edngua viva que pulsa nos corpos das crian\u00e7as e jovens falantes. As publica\u00e7\u00f5es transmitem o que esse dizer ensina aos laborat\u00f3rios do CIEN sobre as variadas e singulares formas de habitar um mundo falante, dando seu testemunho de que \u00e9 poss\u00edvel dispensar o asilo num certo tipo de contempor\u00e2neo que procura os estreitos sem riscos e encontra, desde que o mundo \u00e9 mundo, o caminho que vai de\u00a0<em>Charybde<\/em>\u00a0em\u00a0<em>Scylla<\/em>, a mil por hora, leva do mal ao pior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernanda Otoni Brisset, Nohemi Brown, Siglia Le\u00e3o, Luc\u00edola Macedo, Rodrigo Lyra, Miguel Antunes, Ana Martha Maia e nota da Comiss\u00e3o de Coordena\u00e7\u00e3o e Orienta\u00e7\u00e3o do CIEN Brasil (2014-2016) CIEN Digital:\u00a0Voc\u00ea acaba de permutar o trabalho de Coordena\u00e7\u00e3o do Cien no Brasil. 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