{"id":5659319,"date":"2018-11-30T11:29:13","date_gmt":"2018-11-30T13:29:13","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659319"},"modified":"2018-11-30T11:29:13","modified_gmt":"2018-11-30T13:29:13","slug":"criancas-falam-e-tem-o-que-dizer-experiencias-do-cien-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2018\/11\/30\/criancas-falam-e-tem-o-que-dizer-experiencias-do-cien-no-brasil\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer &#8211; Experi\u00eancias do CIEN no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659319?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659319?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><div class=\"alert-danger\">\n<figure id=\"attachment_5659320\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659320\" style=\"width: 198px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659320\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/criancasfalam280-198x300.jpg\" alt=\"\" width=\"198\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/criancasfalam280-198x300.jpg 198w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/criancasfalam280-274x415.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/criancasfalam280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 198px) 100vw, 198px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659320\" class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer.<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Apresenta\u00e7\u00e3o do livro<\/h6>\n<\/div>\n<h6>Fernanda Otoni Brisset<a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-1\"><sup>1<\/sup><\/a><\/h6>\n<p>Durante um jantar, alegria e entusiasmo temperavam nossa conversa em torno da inventividade das respostas das crian\u00e7as poss\u00edveis de serem lidas na experi\u00eancia inter-disciplinar de laborat\u00f3rios do CIEN no Brasil. Foi quando sonhamos em recolher, numa colet\u00e2nia, a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana que anima esta experi\u00eancia, a partir de vinhetas e conversa\u00e7\u00f5es entre laborat\u00f3rios. Judith Miller, naquela ocasi\u00e3o, disse-me: \u201cAs crian\u00e7as falam!&#8221; Os laborat\u00f3rios do Brasil, de forma clara, trazem o saber vivo das crian\u00e7as, sua pontualidade real e aut\u00eantica. &#8220;Isso \u00e9 o CIEN!\u201d Decidimos public\u00e1-la!<\/p>\n<p>Reunimos uma comiss\u00e3o editorial respons\u00e1vel por recolher vinhetas e conversa\u00e7\u00f5es. Desta comiss\u00e3o, Ana Lydia Santiago, Judith Miller e eu, tornamo-nos respons\u00e1veis por cuidar da edi\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da obra. O projeto foi-se desenhando, aos poucos, a partir da leitura das vinhetas que iam chegando, impasses in\u00e9ditos brotavam das experi\u00eancias dos laborat\u00f3rios, de norte a sul do pa\u00eds. Estabelecemos conversa\u00e7\u00e3o viva com os autores, via email, telefone, skype, what\u2019s up e surpreendentemente, vimos acontecer, no decorrer dessas conversas e em seus intervalos, as enuncia\u00e7\u00f5es singulares que deram forma a esse livro.<\/p>\n<p>Animadas pelo entusiasmo desse acontecimento, seguimos suas pistas, extra\u00edmos o ouro dessa experi\u00eancia. Decidimos apostar na forma clara, simples e viva de contar a experi\u00eancia e oferec\u00ea-la ao alcance de todos aqueles que se ocupam da crian\u00e7a e do adolescente, hoje. Procuramos publicar nesse livro uma formaliza\u00e7\u00e3o do que no Brasil se realiza de forma \u00fanica, como experi\u00eancia inter-disciplinar do CIEN. Uma formaliza\u00e7\u00e3o que prescinde das elocubra\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, na condi\u00e7\u00e3o de se servir do saber aut\u00eantico que brota da experi\u00eancia. \u00c9 um livro de experi\u00eancias, como ensina a pr\u00e1tica dos laborat\u00f3rios do CIEN.<\/p>\n<p>Afinal, o momento atual n\u00e3o est\u00e1 para brincadeiras e toda crian\u00e7a sabe disso. A psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana n\u00e3o recua face aos impasses de seu tempo. Fizemos desse livro um testemunho vivo de que \u00e9 poss\u00edvel ler o que a crian\u00e7a sabe e tem a dizer sobre a inf\u00e2ncia hoje.<\/p>\n<p>No embalo desse entusiasmo, com muito prazer apresento ao leitor pedacinhos dessa obra recheada com o desejo de CIEN.<\/p>\n<p>Boa Leitura!<\/p>\n<h5 class=\"text-success\"><strong>O que pode a psican\u00e1lise na era das crian\u00e7as sob controle!<\/strong><\/h5>\n<p><small>Hoje, as crian\u00e7as solit\u00e1rias passam muito tempo na Internet, discutindo ou jogando em rede, ou diante da televis\u00e3o. Todas essas telas olham essa inf\u00e2ncia negligenciada, ocupam-se dela e instalam uma depend\u00eancia que a crian\u00e7a vai encontrar, novamente, quando estiver maior, nas ofertas dos mercados de drogas adaptados \u00e0 adolesc\u00eancia<\/small><a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-2\"><sup>2<\/sup><\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659321\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659321\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659321\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/benglis280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"278\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/benglis280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/benglis280-150x150.jpg 150w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/benglis280-274x272.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/benglis280-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659321\" class=\"wp-caption-text\">Lynda Benglis, Scorpius, 1982<\/figcaption><\/figure>\n<p>Vive-se, hoje, em torno de um mercado diversificado, em que\u00a0<em>\u201ccada um goza sozinho com sua droga\u201d<\/em><a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-3\"><sup>3<\/sup><\/a>\u00a0\u2013 Internet, Facebook, trabalho, esporte, sexo, alimenta\u00e7\u00e3o, objetos de consumo da mais nova gera\u00e7\u00e3o e outras. A pr\u00f3pria crian\u00e7a, exposta como objeto de gozo desta \u00e9poca, encontra lugar em tal lista, como algo a ser protegido, cuidado, vigiado e controlado \u2013 um objeto precioso. Assiste-se \u00e0 compuls\u00e3o generalizada para assegurar os direitos e o interesse maior das crian\u00e7as. Esse \u201cesp\u00edrito zeloso\u201d para com\u00a0<em>\u201cSuas Majestades, os beb\u00eas\u201d<\/em>\u00a0serve-se de protocolos de conduta a fim de garantir a qualidade da gest\u00e3o desses corpos e de uma s\u00e9rie de regulamenta\u00e7\u00f5es, cuja visada final \u00e9 controlar a produ\u00e7\u00e3o e desenvolvimento das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O mundo em que o gozo est\u00e1 em primeiro plano \u00e9 um mundo com dificuldade de encontrar seus limites. Haja vista os sintomas atuais, cuja for\u00e7a pulsional perturba o la\u00e7o social. Diante dessas respostas, o discurso das burocracias sanit\u00e1rias e os programas educacionais do Governo \u201capressam-se a responder a essa urg\u00eancia, propondo a aprendizagem comportamental para todos como \u00fanico rem\u00e9dio\u201d<a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-4\"><sup>4<\/sup><\/a>. Entretanto essa urg\u00eancia que passa a reger a l\u00f3gica pol\u00edtica de uma sociedade de vigil\u00e2ncia e controle, fazendo suas injun\u00e7\u00f5es precisamente no campo das puls\u00f5es, \u201ctem consequ\u00eancias irrespir\u00e1veis para o que chamamos de humanidade\u201d<a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-5\"><sup>5<\/sup><\/a>\u00a0e imp\u00f5e \u00e0 psican\u00e1lise apresentar sua responsabilidade pol\u00edtica no s\u00e9culo XXI. Que podem os analistas?<\/p>\n<p>Desde os prim\u00f3rdios, a psican\u00e1lise recolhe seus efeitos exatamente por destituir a cren\u00e7a na solu\u00e7\u00e3o universal, nos imperativos da tradi\u00e7\u00e3o, no pensamento \u00fanico, diluindo as identifica\u00e7\u00f5es em massa e sustentando a vitalidade de um furo operante. \u00c9 tarefa dos analistas fazerem falar os impasses da civiliza\u00e7\u00e3o e, no ponto em que vigora a f\u00f3rmula \u201cpara todos\u201d, realizar a subvers\u00e3o necess\u00e1ria, para dar lugar \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de cada um.<\/p>\n<p>Operar como \u201cpulm\u00e3o artificial\u201d, nas palavras de Lacan, implica abrir lacunas para passagem no falar de um gozo singular, assegurar o direito dos sujeitos se manterem vivos, ao diluir o poder asfixiante e normatizador que rege os dias atuais. Trata-se de convidar a falar, a praticar a associa\u00e7\u00e3o livre inaugurada por Freud, visando liberar respiradouros ante as &#8220;avalanches das exig\u00eancias do mestre contempor\u00e2neo&#8221;<a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-6\"><sup>6<\/sup><\/a>. A aposta \u00e9 a de que, por essas aberturas, possa emergir a pot\u00eancia inventiva e subversiva que adv\u00e9m do mais singular de cada um. Por essas veredas, o Cien apresenta-se como um dispositivo da a\u00e7\u00e3o lacaniana!<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659322\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659322\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659322\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/pons280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"222\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/pons280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/pons280-274x217.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659322\" class=\"wp-caption-text\">Mar\u00eda Magdalena Campos-Pons, &#8220;Not just Another Day&#8221;, 19997<\/figcaption><\/figure>\n<h5 class=\"text-success\"><strong>O Cien: um pulm\u00e3o artificial<\/strong><\/h5>\n<p>Como ensina Judith Miller<a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-8\"><sup>8<\/sup><\/a>, \u201co Cien \u00e9 uma dessas inst\u00e2ncias que resultam da concep\u00e7\u00e3o que Lacan tem das diferentes tarefas que ele espera dos psicanalistas de suas Escolas, para estarem, como esclarece, \u00e0 altura de seus deveres nesse mundo\u201d. Por interm\u00e9dio dos Laborat\u00f3rios de que participam, em institui\u00e7\u00f5es por onde passam, instalam a aposta nas Conversa\u00e7\u00f5es \u2013 um dispositivo em condi\u00e7\u00f5es de abrir intervalos para conversar juntamente com outras disciplinas e campos de saber, e fazer falar as desordens, dificuldades e urg\u00eancias trazidas por crian\u00e7as e jovens, mediante atos e sintomas. Por essa via, o Cien dialoga com outros discursos e disciplinas, sem se deixar engolir por eles, criando brechas para solu\u00e7\u00f5es singulares das crian\u00e7as exatamente onde governam os significantes universais e transmitindo a opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica como um ato pol\u00edtico onde quer que esta se apresente, como esclarece o testemunho de Ana Lydia Santiago:<\/p>\n<blockquote><p><small>Se a inven\u00e7\u00e3o do passe pode ser concebida como um ato pol\u00edtico de Lacan, em rela\u00e7\u00e3o ao futuro da psican\u00e1lise, a pol\u00edtica do Cien, na mesma dire\u00e7\u00e3o, visa a tocar algo novo que concerne ao real inerente \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de um res\u00edduo, um desejo in\u00e9dito, uma marca singular, que faz com que um n\u00e3o seja compar\u00e1vel a qualquer outro.<\/small><\/p><\/blockquote>\n<p>Por sua a\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia do Cien no Brasil tem podido colocar em evid\u00eancia o que sabem as crian\u00e7as e adolescentes. Esses pedacinhos de saber, quando recolhidos, permitem indicar uma orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, inter-disciplinar, para dirigir as crian\u00e7as at\u00e9 onde seu desejo as conduz. A inspira\u00e7\u00e3o desta colet\u00e2ncia nasceu da determina\u00e7\u00e3o de reunir esses res\u00edduos de saber depositados nas Conversa\u00e7\u00f5es dos Laborat\u00f3rios numa obra e, assim, poder transmiti-los, apostando na sua pot\u00eancia de arejar a vida para que a hist\u00f3ria continue, segundo o desejo de Lacan e o nosso.<\/p>\n<p>Os trabalhos apresentados neste livro exp\u00f5em, de forma simples e exemplar, como crian\u00e7as e jovens, por meio de suas respostas, inven\u00e7\u00f5es e\u00a0<em>\u201ctraquinagens\u201d<\/em><a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-10\"><sup>10<\/sup><\/a>, resistem, de diversos modos, a ser sufocados pelas f\u00f3rmulas r\u00edgidas que o Senhor lhes reserva. E mostram, tamb\u00e9m, como s\u00e3o vivazes, quando se trata de escapar das garras do controle e fazem tumulto nas escolas, comportando-se como dem\u00f4nios, sempre que os mestres os tratam como\u00a0<em>\u201cot\u00e1rios\u201d<\/em><a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-11\"><sup>11<\/sup><\/a>. Seus sintomas interrogam os planos de governan\u00e7a e, em certa medida, fazem obje\u00e7\u00e3o \u00e0s injun\u00e7\u00f5es dos amos modernos, demonstrando que n\u00e3o existe norma universal nem exame cient\u00edfico, que possa dar a resposta final sobre a causa do desejo.<\/p>\n<p>Nadando contra a corrente, as\u00a0<em>Conversa\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0operadas pelos Laborat\u00f3rios do Cien em espa\u00e7os inter-disciplinares das cidades prop\u00f5em investigar, no mundo contempor\u00e2neo, o que nele atua como elemento perturbador e n\u00e3o cede aos poderes do formalismo, atualizando a fun\u00e7\u00e3o vigorosa do mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o, incrustrada no interior do discurso das boas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os leitores ver\u00e3o, nos textos que comp\u00f5em esse livro, a subvers\u00e3o provocada por um adolescente que \u201cpassa a conversa&#8221; na\u00a0<em>\u201cpol\u00edcia que queria pilantrar\u201d<\/em>\u00a0e consegue reconduzir o sistema aos trilhos legais<a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-12\"><sup>12<\/sup><\/a>. Ao dar lugar a esse elemento fora da ordem, o impasse revela-se, localizando o que de perturbador escapa da montagem discursiva das institui\u00e7\u00f5es, trazendo \u00e0 cena o que foi \u201cjogado para debaixo do tapete\u201d. A\u00a0<em>Conversa\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0reintegra esse resto \u00e0 ordem do mundo, acolhe o imposs\u00edvel de controlar e o mal-entendido da disc\u00f3rdia da linguagem no cerne do la\u00e7o social.<\/p>\n<p>A palavra, quando enunciada, gera consequ\u00eancias. Se o discurso do mestre tem a fun\u00e7\u00e3o de fazer calar, pois empresta um sentido a mais, a\u00a0<em>Conversa\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0orienta quanto ao fato de que a palavra serve para revelar um sentido a menos, conectado ao desejo em causa nos seres falantes. \u00c9 o que ocorre no caso de um menino que, ao falar aos professores que insistiam em ver numa suposta homossexualidade a raz\u00e3o para proteg\u00ea-lo das viol\u00eancias verbais de seus colegas, faz saber que, para ele, o que n\u00e3o cessa \u00e9 o real da viol\u00eancia familiar alojado no sintagma \u201c<em>fazer xixi assentado<\/em>\u201d, que o remetera a um traumatismo fora do sentido e imposs\u00edvel de ser dito mais al\u00e9m do instante de ver a orienta\u00e7\u00e3o sexual do jovem<a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-13\"><sup>13<\/sup><\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659323\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659323\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659323\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/kubat280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"239\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/kubat280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/kubat280-274x234.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659323\" class=\"wp-caption-text\">Brittany Kubat<\/figcaption><\/figure>\n<p>Etiquetas embebidas de sentidos morais v\u00e3o perdendo sua consist\u00eancia imagin\u00e1ria e dando lugar ao surgimento do detalhe singular em jogo, sufocado por categorias universais. Crian\u00e7as com diagn\u00f3stico de autismo, c\u00e2ncer, hiperatividade, obesidade e outros interrogam Servi\u00e7os ao se recusarem a vestir a camisola\u00a0<em>pr\u00eat-\u00e0-porter<\/em><a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-14\"><sup>14<\/sup><\/a>. Quando se disp\u00f5em a escut\u00e1-las, os profissionais podem inventar formas de acolh\u00ea-las, mais al\u00e9m da receita dos manuais que padronizam as condutas.<\/p>\n<p>As\u00a0<em>Conversa\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0dissolvem as etiquetas e, consequentemente, as respostas da patologia deixam de ser suficientes<a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-15\"><sup>15<\/sup><\/a>. Esses efeitos saltam aos olhos, nos espa\u00e7os das\u00a0<em>Conversa\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0do Cien. Ao falar do mal-estar que perturba, acontece de &#8220;tomar gosto&#8221; pela palavra<a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-16\"><sup>16<\/sup><\/a>, na trilha do bem dizer. Mesmo que o discurso anal\u00edtico n\u00e3o esteja presente como tal, sua transmiss\u00e3o est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o dessa experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Atuando em diferentes campos, mas de \u201cantenas bem ligadas\u201d \u00e0 variedade das pr\u00e1ticas contempor\u00e2neas, os Laborat\u00f3rios recolhem as dificuldades atuais que envolvem a crian\u00e7a, cujo corpo, tantas vezes etiquetado por diversos discursos que dela se ocupam, se agita, cala, perturba, desobedece. A pol\u00edtica do Cien faz surgir, na rotina do trabalho\u00a0<em>inter-disciplinar<\/em>, um intervalo para se conversar e, pelas gretas, torna poss\u00edvel ler o momento atual, escutando o saber da crian\u00e7a e suas respostas frente a impasses da presente civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h5 class=\"text-success\"><strong>O que a crian\u00e7a ensina?<\/strong><\/h5>\n<p>Crian\u00e7as e jovens, por onde passam, revelam sua leitura sobre o mestre de seu tempo, bem como as sa\u00eddas que encontram para n\u00e3o se deixarem sufocar pelos significantes dominantes. \u00c0s avessas, as respostas das crian\u00e7as \u201cfuram\u201d o cerco que lhes \u00e9 destinado e inventam sa\u00eddas para evitar esse enquadramento geral. \u00c9 o que revela uma adolescente que, respondendo \u00e0 T\u00e9cnica do abrigo que queria lhe aplicar uma ortopedia de comportamento, afirma:\u00a0<em>\u201cN\u00f3s n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Se n\u00f3s fosse f\u00e1cil, n\u00f3s \u2018tava em casa\u201d<\/em><a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-17\"><sup>17<\/sup><\/a>. Dessa forma, ensina a ela que, para trabalhar em institui\u00e7\u00f5es como aquela em que se encontravam, \u00e9 preciso saber abrigar o singular de cada um. O que n\u00e3o cessa no mundo dessas crian\u00e7as e adolescentes \u00e9 o espa\u00e7o de um lapso e, pelas brechas, todos sabem que\u00a0<em>\u201cvida de distra\u00eddo \u00e9 sempre cheia de surpresas\u201d<\/em>, como diz Guimar\u00e3es Rosa.<\/p>\n<p>Se, por um lado, a f\u00e1brica de etiquetas e regulamenta\u00e7\u00f5es trabalha sem parar, por outro, surpreendentemente, observa-se que isso n\u00e3o \u201ccola\u201d mais como antes. A inf\u00e2ncia pulsante n\u00e3o se deixa controlar e segue seu curso decididamente, perturbando a ordem geral, de forma criativa ou mort\u00edfera. Parece que, quanto mais o amo insiste em enquadrar o fazer de crian\u00e7as e jovens de forma protocolar, de acordo com as etiquetas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, mais a resposta deles pode ser excepcional. Um soci\u00f3logo, esfor\u00e7ando-se em avaliar a arte de um jovem por meio de r\u00f3tulos espec\u00edficos, pergunta-lhe:<em>\u201cO que voc\u00ea faz \u00e9 pixa\u00e7\u00e3o ou grafitagem?<\/em>\u00a0E o adolescente responde:\u00a0<em>\u201cSim, eu grapixo!\u201d<\/em><\/p>\n<p><small>A perspectiva \u00e9 de se construir, a partir da fala desses jovens, uma autoridade que lhes permita sair de seus bandos e da segrega\u00e7\u00e3o aos quais foram lan\u00e7ados, conferindo a eles, a partir da\u00ed, um lugar de responsabiliza\u00e7\u00e3o pelos seus atos. Eis como entendemos, a partir das Conversa\u00e7\u00f5es, o que \u00e9 uma autoridade aut\u00eantica: uma autoridade que n\u00e3o se pode apoiar sobre um poder exterior e impessoal, pois \u00e9 quest\u00e3o de presen\u00e7a e de saber fazer.<\/small><a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-18\"><sup>18<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Quando a\u00a0<em>&#8220;solid\u00e3o da massa&#8221;<\/em><a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-19\"><sup>19<\/sup><\/a>\u00a0desenha seus contornos, resta a cada sujeito responder por sua arte e seu artif\u00edcio \u2013 desde sempre inclassific\u00e1veis \u2013, saber fazer e responder por seu sintoma, uma vez que\u00a0<em>\u201cn\u00e3o existe o Outro do Outro para operar o julgamento \u00faltimo\u201d<\/em>, como ensina Lacan<a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-20\"><sup>20<\/sup><\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659324\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659324\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659324\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/pastor280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/pastor280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/pastor280-150x150.jpg 150w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/pastor280-274x274.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/pastor280-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659324\" class=\"wp-caption-text\">Philippe Pastor, The hearts21<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Cien-Brasil testemunha e transmite, nas\u00a0<em>Conversa\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0que realiza, uma abertura no \u201calongamento do instante de ver\u201d<a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-22\"><sup>22<\/sup><\/a>. \u201cUma Conversa\u00e7\u00e3o pode fazer vacilar os significantes mestres que regem um fazer protocolar com base em um suposto poder \u2013 pot\u00eancia surda e mort\u00edfera\u201d. Por essa via, ao se interessar pela palavra de cada um, abre-se a um\u00a0<em>\u201csaber fazer\u201d<\/em>\u00a0com tais dejetos, \u201ca partir da pot\u00eancia viva que decanta do saber dos jovens\u201d<a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-23\"><sup>23<\/sup><\/a>. Afinal, as crian\u00e7as inventam e surpreendem o mundo com seu modo singular de traduzir o seu mais \u00edntimo inclassific\u00e1vel.<\/p>\n<h5 class=\"text-success\"><strong>\u201cO que ser\u00e1 o amanh\u00e3?\u201d [&#8230;] Eu fico com as respostas das crian\u00e7as&#8230;\u201d<\/strong><\/h5>\n<p>O que se tem hoje foi, outrora, a avant-garde. A crian\u00e7a e os jovens s\u00e3o sempre a vanguarda. \u201cEles falam, pensam e inventam moda por toda parte, na escola, na rua, nos hospitais, nos tribunais , desde que haja pelo menos um disposto a escut\u00e1-los sobre o real de sua \u00e9poca e os impasses que lhes concernem\u201d<a title=\"Leia nota\" href=\"#footnote-24\"><sup>24<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>As resson\u00e2ncias dos impasses da civiliza\u00e7\u00e3o atual v\u00e3o-se desvelar aos leitores, ao lerem esse livro. Nele, deposita-se a aposta nas inven\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as e adolescentes de hoje, no seu saber fazer, na sua decis\u00e3o apaixonada pelo futuro, tra\u00e7o fundante da juventude de cada \u00e9poca. As crian\u00e7as e jovens s\u00e3o o futuro. Cabe-lhes, pois, inventar suas sa\u00eddas para os impasses que vivenciam no presente, visando ao futuro que os aguarda. Essa nova gera\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 falando por meio de seus corpos, de seus sintomas, porta um saber em condi\u00e7\u00f5es de inventar a b\u00fassola que nos levar\u00e1 ao amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Este livro \u00e9 um convite para abrir os pulm\u00f5es e escut\u00e1-la!<\/p>\n<h5 class=\"text-success\"><strong>Agradecimentos<\/strong><\/h5>\n<p>Agrade\u00e7o a todos os autores que com sua palavra deram vida e consequ\u00eancia a esse livro do CIEN Brasil; agrade\u00e7o a Comiss\u00e3o de Orienta\u00e7\u00e3o do CIEN Brasil, bem como, o trabalho rigoroso da Editora Scriptum cujo efeito se mostra no primor d&#8217;arte. Agrade\u00e7o, tamb\u00e9m, a aposta decidida da Diretoria do CIEN Francophono e da Diretoria do Instituto de Psican\u00e1lise e Saude Mental de Minas Gerais, a generosidade e gentileza da equipe editorial do Cien Digital, permitindo-nos gentilmente a publica\u00e7\u00e3o de algumas vinhetas recolhidas no decorrer do tempo de percurso do CIEN no Brasil. Agrade\u00e7o, mais uma vez, a consultoria vibrante e pontual de Eric Laurent e, por fim, o que posso dizer para agradecer a parceria alegre, amiga e arrebatadora de Judith Miller e Ana Lydia Santiago? Sem o esfor\u00e7o e a poesia de cada um de voc\u00eas, esse livro n\u00e3o veria o dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"pull-right\">\n<footer>\n<hr \/>\n<h6 id=\"footnote-1\"><sup>1<\/sup>\u00a0Coordenadora Geral do Cien-Brasil (2011-2013)<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-2\"><sup>2<\/sup>\u00a0LAURENT, E. A crise do controle da inf\u00e2ncia. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.38<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-3\"><sup>3<\/sup>\u00a0MILLER, J.-A. As profecias de Lacan. Le point, 18 ago. 2011.<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-4\"><sup>4<\/sup>\u00a0LAURENT, E. A crise do controle da inf\u00e2ncia. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.47<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-5\"><sup>5<\/sup>\u00a0LACAN, J. Declaration \u00e0 France Culture. Le Coq-H\u00e9ron, Paris, v. 46-47, p. 7, 1973-1974.<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-6\"><sup>6<\/sup>\u00a0SANTIAGO, A. L. O Cien na minha forma\u00e7\u00e3o anal\u00edtica. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.30<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-7\"><sup>7<\/sup>\u00a0Version #2, silent video projection.<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-8\"><sup>8<\/sup>\u00a0MILLER, J. O que \u00e9 o CIEN?. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.24<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-9\"><sup>9<\/sup>\u00a0SANTIAGO, A. L. O Cien na minha forma\u00e7\u00e3o anal\u00edtica. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.30<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-10\"><sup>10<\/sup>\u00a0Termo empregado por Marina Sodr\u00e9 (RJ), para demonstrar a subvers\u00e3o da maldade em traquinagem, durante a vinheta que apresentou ao participar da\u00a0<em>Conversa\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0do Cien-Brasil \u201cFurando Etiquetas &#8211; o tra\u00e7o da pol\u00edtica do Cien. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.179<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-11\"><sup>11<\/sup>\u00a0SANTIAGO, A. L.; BAPTISTA, G. C.; MARIAS, K.; VASCONCELOS, R. N. Abismos entre gera\u00e7\u00f5es: hostilidade e recusa entre jovens e professores. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.99<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-12\"><sup>12<\/sup>\u00a0MATOSO, D.; MOURA, D. Armados&#8230; para conversar: a experi\u00eancia do Selex. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.74<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-13\"><sup>13<\/sup>\u00a0GUIMAR\u00c3ES, M.R. O que significa fazer xixi assentado? In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.121<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-14\"><sup>14<\/sup>\u00a0SATO, S.; REIS, C. Impasses na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o inclusiva. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.135<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-15\"><sup>15<\/sup>\u00a0VASCONCELOS, A. Quando as conversa\u00e7\u00f5es desfaz as etiquetas. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.113<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-16\"><sup>16<\/sup>\u00a0CUNHA, C. A janela da escuta. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.127<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-17\"><sup>17<\/sup>\u00a0LADEIRA, J. A. N\u00f3s n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil &#8230; Se n\u00f3s fosse f\u00e1cil, n\u00f3s tava em casa. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.87<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-18\"><sup>18<\/sup>\u00a0FARIA, L .F.; NEVES, L. As crian\u00e7as impelidas a serem juridicamente respons\u00e1veis: quem as autoriza? In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.105<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-19\"><sup>19<\/sup>\u00a0LAURENT, E. A crise de controle da inf\u00e2ncia. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.47<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-20\"><sup>20<\/sup>\u00a0LACAN, J. Le sinthome. Le S\u00e9minaire, Livre XXIII. Paris: \u00c9ditions du Seuil , 2005. p. 61.<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-21\"><sup>21<\/sup>\u00a0http:\/\/www.philippe-pastor.com\/recent-works\/the-hearts\/<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-22\"><sup>22<\/sup>\u00a0CARVALHO, V. Psican\u00e1lise\/Educa\u00e7\u00e3o: rumo a um saber novo. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.109<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-23\"><sup>23<\/sup>\u00a0BARROS-BRISSET, F. O.; BOTELHO, A.; MARINHO, R. Prote\u00e7\u00e3o \u2013 substantivo vari\u00e1vel. In: BRISSET, F.O; SANTIAGO, A.L.; MILLER, J. \u201cCrian\u00e7as falam! e t\u00eam o que dizer. Belo Horizonte, Ed. Scriptum, p.59<\/h6>\n<h6 id=\"footnote-24\"><sup>24<\/sup>\u00a0BRISSET, F.O. \u201cPrega\u201d leve no mundo do furor dominandis. In: CIEN Digital n.14, p.7<\/h6>\n<\/footer>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o do livro Fernanda Otoni Brisset1 Durante um jantar, alegria e entusiasmo temperavam nossa conversa em torno da inventividade das respostas das crian\u00e7as poss\u00edveis de serem lidas na experi\u00eancia inter-disciplinar de laborat\u00f3rios do CIEN no Brasil. 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