{"id":5659343,"date":"2019-03-17T11:29:19","date_gmt":"2019-03-17T14:29:19","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659343"},"modified":"2019-03-17T12:00:27","modified_gmt":"2019-03-17T15:00:27","slug":"saber-politicamente-definivel-em-estrutura-e-kynodontas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2019\/03\/17\/saber-politicamente-definivel-em-estrutura-e-kynodontas\/","title":{"rendered":"Saber politicamente defin\u00edvel em estrutura e Kynodontas"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659343?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659343?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><p>No semin\u00e1rio Avesso da psican\u00e1lise (1969-1970), a partir do estabelecimento de uma \u201ctopologia\u201d dos discursos e a articula\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia do discurso anal\u00edtico aos demais -principalmente ao discurso do mestre-, Lacan funda o campo lacaniano e o aproxima ao estatuto de campo de gozo. Dois registros habitam essa concep\u00e7\u00e3o de campo: o registro da linguagem, a no\u00e7\u00e3o de estrutura que lhe concerne e o registro da experi\u00eancia do inconsciente, inconsciente tratado por Lacan como campo freudiano. Linguagem e inconsciente desenham o campo do Outro.<\/p>\n<p>Em nome da pol\u00edtica da psican\u00e1lise, Lacan formaliza o discurso anal\u00edtico como refrat\u00e1rio \u00e0 Weltanschauung, \u201cvis\u00e3o pol\u00edtica do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Delimito meu interesse: explorar as possibilidades da afirma\u00e7\u00e3o que segue, na qual Lacan se expressa em termos de algo \u201cpoliticamente defin\u00edvel\u201d:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text-success\">\u201c\u00c9 desta maneira que poder\u00edamos ilustrar esse saber que Freud definiu colocando-o no par\u00eantese enigm\u00e1tico do Urverdr\u00e4ngt \u2013 o que quer dizer justamente aquilo que n\u00e3o teve que ser recalcado porque j\u00e1 o est\u00e1 desde a origem. Esse saber sem cabe\u00e7a se posso dizer assim, \u00e9 um fato\u00a0<strong>politicamente defin\u00edvel<\/strong>, em estrutura\u201d.<\/p>\n<p><small><cite title=\"Fonte\">LACAN, 1969-1970, p. 84<\/cite><\/small><\/p><\/blockquote>\n<p>Um saber decapitado, eis o fato pol\u00edtico, correlativo ao nome designado por Freud como recalque origin\u00e1rio. Estaria a\u00ed a origem da pol\u00edtica do inconsciente, sua genealogia? A cabe\u00e7a subtra\u00edda do corpo escravo, desde a origem, indica que o sujeito, \u2013 devido ao fato de que \u00e9 apenas representado \u2013, falta ao simb\u00f3lico, ac\u00e9falo como ser de gozo, cortado em seu ser de gozo. Eis que \u201co significante-mestre, ao ser emitido na dire\u00e7\u00e3o dos meios de gozo que s\u00e3o aquilo que se chama saber, n\u00e3o s\u00f3 induz, mas determina a castra\u00e7\u00e3o\u201d (LACAN, 1969-1970, p. 83).<\/p>\n<p>Um saber de estrutura n\u00e3o \u00e9 mesmo um saber sobre as rela\u00e7\u00f5es entre os elementos constitutivos de um conjunto? Na teoria dos discursos sabemos que s\u00e3o quatro elementos que entram em jogo nas rela\u00e7\u00f5es que um sujeito estabelece, levando em considera\u00e7\u00e3o que dois lhe s\u00e3o pr\u00e9vios, resultantes do Outro e diferentes entre si. Tal fato implica uma consequ\u00eancia que chamamos fenda, abertura, subtra\u00e7\u00e3o, falha, que produzir\u00e1 um objeto como resto. Um elemento mant\u00e9m-se irredut\u00edvel a cada um dos demais e nessa ordem estrutural reconhecemos o que Lacan definiu como a constitui\u00e7\u00e3o subjetiva.<\/p>\n<p>O significante n\u00e3o se refere a nada, a n\u00e3o ser que se refira a um discurso, isto \u00e9, \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da linguagem como la\u00e7o, e, assim, dir\u00edamos que a pol\u00edtica situa-se sobretudo como aquilo que estabelece um la\u00e7o entre um significante S1 e um outro S2.<\/p>\n<p>Cabe uma nuance. A pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 um saber, qualquer coisa que fa\u00e7a liga\u00e7\u00e3o numa rela\u00e7\u00e3o de raz\u00e3o, um S1 a outro S2, mas se constituindo em discurso \u00e9 um la\u00e7o que assegura a coexist\u00eancia sincr\u00f4nica dos corpos dos falantes. Estamos no terreno do gozo. Lacan afirma que n\u00e3o h\u00e1 discurso, e n\u00e3o apenas o anal\u00edtico, que n\u00e3o seja do gozo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659344\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659344\" style=\"width: 206px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659344\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/flavin280-206x300.jpg\" alt=\"\" width=\"206\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/flavin280-206x300.jpg 206w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/flavin280-274x399.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/flavin280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 206px) 100vw, 206px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659344\" class=\"wp-caption-text\">Dan Flavin<\/figcaption><\/figure>\n<p>Vemos a\u00ed o significante em vista de seus efeitos de la\u00e7o. Contudo, h\u00e1 efeitos que n\u00e3o se conjugam com aqueles professados pela pol\u00edtica da psican\u00e1lise, pois atuam numa esp\u00e9cie de perspectiva que conduz a atividade humana pelos atalhos do asujeitamento dos la\u00e7os sociais a uma obedi\u00eancia cega, brutal, em nome do amor, obedi\u00eancia, identifica\u00e7\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p>Antes de seguir nessa vertente, trago resumidamente, outro \u00e2ngulo que a rela\u00e7\u00e3o dos termos \u2013 pol\u00edtica e psican\u00e1lise \u2013 evoca. Trata-se de uma formula\u00e7\u00e3o de Miller \u00e0 pr\u00f3pria pergunta sobre a incid\u00eancia pol\u00edtica na qual o psicanalista teria que encontrar seu lugar. De certo modo, diz ele, pode-se defini-la como subversiva aos ideais sociais. Ela n\u00e3o \u00e9 progressista. Sempre existe uma parte perdida. \u00c9 uma subvers\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 positiva. Levada a um ponto mais al\u00e9m, a pol\u00edtica deve promover efeitos de despertar e, esse despertar, em rela\u00e7\u00e3o aos ideais, deve incidir no gozo e na reparti\u00e7\u00e3o do mais de gozar. O psicanalista encontraria seu lugar, portanto, na \u201cdesmistifica\u00e7\u00e3o dos ideais\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text-success\">\u201c\u00c9 uma esp\u00e9cie de sabedoria pol\u00edtica, nada mais. Existe uma tese, pol\u00edtica, que a sociedade tem por seus semblantes. O que quer dizer que n\u00e3o h\u00e1 sociedade sem recalque, sem identifica\u00e7\u00f5es e, sobretudo, sem rotina. A rotina \u00e9 essencial. A tese fundamental que funda a pol\u00edtica de Lacan \u00e9 a disjun\u00e7\u00e3o do significante e do significado. N\u00e3o se saberia o que quer que fosse se n\u00e3o tivesse uma comunidade tendo suas rotinas, para mais ou menos nos mostrar a via.\u201d<\/p>\n<p><small><cite title=\"Fonte\">MILLER, 1998, p. 19<\/cite><\/small><\/p><\/blockquote>\n<p>A l\u00edngua corrente proporciona uma homon\u00edmia fecunda da palavra \u201cmestre\u201d, na dupla possibilidade: figura da educa\u00e7\u00e3o e da domina\u00e7\u00e3o: o que fica como n\u00f3, no mesmo significante, s\u00e3o os infinitivos verbais, saber e poder. N\u00e3o \u00e9 sem import\u00e2ncia pensarmos que, no avesso da pol\u00edtica da psican\u00e1lise, a ideia do saber totalizante \u00e9 imanente \u00e0 pol\u00edtica. \u00c9 da nossa atualidade a paix\u00e3o do saber total.<\/p>\n<h5 class=\"text-success\"><strong>Kynodontas ou Canino<\/strong><\/h5>\n<p>Um belo e inquietante filme, Kynodontas 2009, \u2013 (Canino em portugu\u00eas) \u2013, vindo da terra de S\u00f3crates, (a imprensa o associou \u00e0 atual crise pol\u00edtico\/econ\u00f4mica da Gr\u00e9cia) oferece-nos a ocasi\u00e3o de pensar a inumanidade quando o Mestre se proclama Senhor como educador e dominador. Canino \u00e9 uma alegoria que nos conduz, pelo absurdo, ao encontro de uma fam\u00edlia que vive num mundo intramuros, descontaminado do la\u00e7o social, consequentemente, dos efeitos de subjetiva\u00e7\u00e3o. \u00c0 maneira do \u00c9den, antes da intromiss\u00e3o da serpente, ali vivem aqueles que jamais conheceram outra vida sen\u00e3o essa que lhes organiza a lei familiar: apenas com a queda do dente canino-\u201ddireito ou esquerdo, n\u00e3o importa\u201d, se estaria autorizado a sair pra al\u00e9m dos muros. O universo desses tr\u00eas filhos que n\u00e3o disp\u00f5em de nomes pr\u00f3prios \u2013 s\u00e3o infans em corpos de jovens \u2013 reduz-se ao espa\u00e7o id\u00edlico em que passam os dias a se anestesiar e a inventar jogos de resist\u00eancia. Sequer as palavras identificat\u00f3rias da proced\u00eancia dos produtos (tipo \u00e1gua engarrafada), adquiridos pelo pai, \u2013 esse sim, vai ao \u201cmundo\u201d sendo dono de uma usina \u2013, atravessam os muros. Os avi\u00f5es que cortam o espa\u00e7o a\u00e9reo da ass\u00e9ptica bolha s\u00e3o elementos para uma farsa pois substitu\u00eddos por pequenos avi\u00f5es de brinquedo, jogados desde o alto, no jardim, pela m\u00e3e, d\u00e3o ocasi\u00e3o a momento \u201ceducativo\u201d, nos moldes comportamentais da recompensa e castigo. \u00c9 not\u00e1vel o deslizamento das cenas do adestramento dos c\u00e3es e dos filhos \u201caprendendo\u201d a latir para se defenderem de um gato. A cria\u00e7\u00e3o de um c\u00f3digo lingu\u00edstico que os filhos aprendem atrav\u00e9s da voz da m\u00e3e gravada em fita cassete, sustenta essa \u201crealidade\u201d na qual se evita o choque traum\u00e1tico promovido pela l\u00edngua no corpo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659345\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659345\" style=\"width: 230px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659345\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/flanagan280-230x300.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/flanagan280-230x300.jpg 230w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/flanagan280-274x357.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/flanagan280.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659345\" class=\"wp-caption-text\">Barry Flanagan<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nesse sistema linguageiro, a palavra estrada, por exemplo, \u00e9 definida como \u201cvento muito violento\u201d, assim como uma carabina \u00e9 um \u201cbelo p\u00e1ssaro branco\u201d. Gato? \u201cuma criatura feroz, capaz de despeda\u00e7ar um humano\u201d. Zumbi? \u201cuma pequena flor amarela\u201d. Palavra\/coisa, impossibilidade de meton\u00edmia e met\u00e1fora, suprema ignor\u00e2ncia do sexual. No entanto, h\u00e1 o ato sexual no \u00c9den. Supervisionado e organizado pelo pai que traz, de olhos vendados, uma jovem empregada de sua empresa, a quem paga pelo trabalho sexual com o filho. Aqui, sexo equivale \u00e0 necessidade e, de fato, n\u00e3o produz nenhum efeito de experi\u00eancia para o jovem, no sentido de instaurar a experi\u00eancia traum\u00e1tica de onde se poderia advir um ponto de apoio necess\u00e1rio a um \u201cdespertar\u201d pulsional. Sequer quando o pai designa a irm\u00e3 como parceira sexual para o filho.<\/p>\n<p>De toda maneira, o tr\u00e1gico surge ap\u00f3s a entrada da jovem \u201c\u00eaxtima\u201d na casa: tal como a serpente do poema de Paul Val\u00e9ry, ela introduz o veneno\/elemento heterog\u00eaneo na pureza do programa educativo familiar. Algo \u00e9 arrebentado, justamente no real da boca da \u201cmais velha\u201d. Por n\u00e3o cair o dente canino, ela quebra violentamente seus dentes numa ferida inaugural, em busca da subtra\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria a que aceda \u00e0 subjetividade, ao sintoma, \u00e0 conting\u00eancia, \u00e0 morte.<\/p>\n<footer>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/h6>\n<h6>LACAN, J. O Semin\u00e1rio, Livro 17, Avesso da Psican\u00e1lise (1969-1970). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.A. La Psychanalyse, La Cit\u00e9, Les Communaut\u00e9s. In: T\u0102B\u016cLA. Bulletin de l\u2019acf voie domitienne, abr. 1998.<\/h6>\n<\/footer>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No semin\u00e1rio Avesso da psican\u00e1lise (1969-1970), a partir do estabelecimento de uma \u201ctopologia\u201d dos discursos e a articula\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia do discurso anal\u00edtico aos demais -principalmente ao discurso do mestre-, Lacan funda o campo lacaniano e o aproxima ao estatuto de campo de gozo. 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