{"id":5659361,"date":"2019-03-17T11:41:09","date_gmt":"2019-03-17T14:41:09","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659361"},"modified":"2019-03-17T12:02:30","modified_gmt":"2019-03-17T15:02:30","slug":"laboratorio-medida-e-liberdade-o-cien-e-a-posicao-analisante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2019\/03\/17\/laboratorio-medida-e-liberdade-o-cien-e-a-posicao-analisante\/","title":{"rendered":"Laborat\u00f3rio: Medida e Liberdade O CIEN e a posi\u00e7\u00e3o analisante"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659361?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659361?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h6>M\u00f4nica Campos Silva<\/h6>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o jur\u00eddica trabalha com a no\u00e7\u00e3o de \u201cmelhor interesse\u201d da crian\u00e7a e do adolescente. Para alcan\u00e7ar esse \u201cmelhor interesse\u201d, no tribunal de fam\u00edlia, uma equipe interdisciplinar assessora os ju\u00edzes em suas decis\u00f5es. Aliado ao discurso da ci\u00eancia, o discurso jur\u00eddico convoca certo saber sobre o que \u00e9 serem bons pais, cuidadores e guardi\u00e3es.<\/p>\n<p>A lei institucional, com seus protocolos e metodologias, busca os ideais para uma normatiza\u00e7\u00e3o, convidando os profissionais a um lugar de saber. Este convite foi de encontro com a forma\u00e7\u00e3o de compromisso do sujeito estabelecendo a\u00ed uma sustenta\u00e7\u00e3o, ou seja, a lei supereg\u00f3ica do analisante o deixava a merc\u00ea de uma exig\u00eancia, que se aplicava \u00e0 pr\u00e1tica institucional. Se em um primeiro momento houve um acoplamento do sujeito \u2013 em seu lugar de t\u00e9cnico \u2013 com a verdade institucional, utilizando-se do sintoma e da cren\u00e7a nos ideais, o encontro com o real de cada caso fez ver a inefic\u00e1cia dessa solu\u00e7\u00e3o. A an\u00e1lise permite vacilar, para al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o com a institui\u00e7\u00e3o, a verdade sobre o que \u00e9 o melhor interesse de\/para uma crian\u00e7a, modificando em sua pr\u00e1tica a escuta desta m\u00e1xima.<\/p>\n<p>O percurso anal\u00edtico viabiliza uma mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o objeto olhar, sendo poss\u00edvel deixar cair os ideais e permitir aparecer a condi\u00e7\u00e3o de sujeito, descolada do discurso institucional. O abrandamento do superego possibilita um novo posicionamento na institui\u00e7\u00e3o, permitindo que aqueles que a procuram, com suas singularidades, possam advir, sem o aniquilamento pelos discursos institu\u00eddos. Esse giro na posi\u00e7\u00e3o subjetiva, como consequ\u00eancia da an\u00e1lise, foi fundamental para que o sujeito pudesse se endere\u00e7ar ao CIEN, extraindo das conversa\u00e7\u00f5es interdisciplinares o lugar vazio, possibilitando que a coordenada principal na discuss\u00e3o dos saberes seja a singularidade de cada um.<\/p>\n<p>Fragmentos de uma vinheta pr\u00e1tica:<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659362\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659362\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5659362\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/magalhaes280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"278\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/magalhaes280.jpg 280w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/magalhaes280-150x150.jpg 150w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/magalhaes280-274x272.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/magalhaes280-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659362\" class=\"wp-caption-text\">F\u00e1bio Magalh\u00e3es<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ele seria um filho iluminado. Seus pais, frequentadores de uma seita, acreditavam ser o ve\u00edculo para lhe trazer ao mundo. No entanto, a partir de seu nascimento, o pai passa a manifestar crises de viol\u00eancia, emitindo urros \u2013 como um le\u00e3o. O relacionamento conjugal chega ao fim, com o afastamento da crian\u00e7a da companhia paterna, levando a m\u00e3e a pedir na Justi\u00e7a a proibi\u00e7\u00e3o de tais encontros.<\/p>\n<p>Como se orientar neste caso? O que seria o melhor interesse para esta crian\u00e7a? Esse pai n\u00e3o respondia a nenhum ideal ou \u201csaber\u201d sobre a paternidade, e embora reafirmasse seu prop\u00f3sito de participar da vida e da cria\u00e7\u00e3o de seu filho, nossa b\u00fassola para o caso e para uma poss\u00edvel resposta \u00e0 institui\u00e7\u00e3o era a crian\u00e7a e seu modo de estabelecer sua demanda, fazendo-nos visar seu \u201cmelhor interesse\u201d, ou seja, estar ou n\u00e3o com seu pai. Lan\u00e7ada a uma situa\u00e7\u00e3o que lhe amedrontava, esta crian\u00e7a indicava uma orienta\u00e7\u00e3o pelo pai. Em um atendimento, o filho, com tr\u00eas anos de idade, manifesta medo e horror ao pai, urrando como um le\u00e3o. Percebido a\u00ed um tra\u00e7o de identifica\u00e7\u00e3o e uma demanda ao pai, propomos ao juiz o reencontro paterno-filial de modo supervisionado.<\/p>\n<p>Nos encontros com o pai, certo tratamento do real em jogo se deu. Tratava-se, do lado do pai, de uma demanda \u00e0 institui\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, a de \u201cser pai\u201d, sendo acolhido com os limites que o pr\u00f3prio caso exigia. Para a crian\u00e7a, era um momento delicado, mas fundamental, permitindo dar certo tratamento \u00e0s suas constru\u00e7\u00f5es sobre o pai. Ap\u00f3s as visitas acompanhadas, em que a crian\u00e7a pode construir seu lugar na vida do pai, bem como um lugar para esse pai \u201cdiferente\u201d em sua vida, foi sugerido que tal conviv\u00eancia se iniciasse de modo gradativo fora do F\u00f3rum.<\/p>\n<p>Privilegiar a quest\u00e3o do sujeito sem o ideal institucional de certa normatiza\u00e7\u00e3o, retirando-se da posi\u00e7\u00e3o de saber o que \u00e9 bom para ele, foi fundamental para que algo da ordem do seu \u201cser pai\u201d fosse tratado e constru\u00eddo. O interesse maior da crian\u00e7a \u2013 demanda institucional \u2013 s\u00f3 foi acolhido porque houve tratamento da quest\u00e3o singular em jogo: um contorno do pai. Assim, para que o filho pudesse conviver com o pai e assim ser atendido em sua demanda subjetiva, foi necess\u00e1rio certo bordejamento da paternidade tamb\u00e9m com este pai. Onde havia um \u201cpai le\u00e3o\u201d, p\u00f4de surgir um pai presen\u00e7a, menos demandante. Ap\u00f3s a discuss\u00e3o interdisciplinar, o juiz autoriza as visitas. Atrav\u00e9s desse trabalho, p\u00f4de-se ai fazer um pai, e o filho, por sua vez, pode acolher, a seu modo, essa paternidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00f4nica Campos Silva A institui\u00e7\u00e3o jur\u00eddica trabalha com a no\u00e7\u00e3o de \u201cmelhor interesse\u201d da crian\u00e7a e do adolescente. Para alcan\u00e7ar esse \u201cmelhor interesse\u201d, no tribunal de fam\u00edlia, uma equipe interdisciplinar assessora os ju\u00edzes em suas decis\u00f5es. 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