{"id":5659441,"date":"2019-11-17T08:49:01","date_gmt":"2019-11-17T10:49:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659441"},"modified":"2019-11-17T09:29:03","modified_gmt":"2019-11-17T11:29:03","slug":"a-aposta-na-conversacao-no-cien-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2019\/11\/17\/a-aposta-na-conversacao-no-cien-minas\/","title":{"rendered":"A aposta na conversa\u00e7\u00e3o no CIEN Minas"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659441?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659441?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><figure id=\"attachment_5659443\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659443\" style=\"width: 199px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659443\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/011-001-199x300.png\" alt=\"Autor: Markus Spiske Imagem: https:\/\/burst.shopify.com\/\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/011-001-199x300.png 199w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/011-001-274x412.png 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/011-001.png 372w\" sizes=\"auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659443\" class=\"wp-caption-text\">Autor: Markus Spiske<br \/>Imagem: https:\/\/burst.shopify.com\/<\/figcaption><\/figure>\n<h6><strong><em>Aline Aguiar Mendes<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/em><\/strong><\/h6>\n<p><em>O que falar quer dizer<\/em><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> nas conversa\u00e7\u00f5es realizadas no CIEN Minas? Se a oferta da palavra \u00e9 tomada nos dias de hoje como um instrumento em prol de uma efic\u00e1cia e de uma previsibilidade do sujeito<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, o CIEN, ao promover as conversa\u00e7\u00f5es <em>inter-disciplinares<\/em>, rompe com a resposta padr\u00e3o ou da normatiza\u00e7\u00e3o, fazendo surgir a diferen\u00e7a e a singularidade<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Essa aposta decidida nas conversa\u00e7\u00f5es e em seus efeitos, em nosso momento atual, ser\u00e1 abordada em tr\u00eas conversa\u00e7\u00f5es realizadas pelo CIEN Minas. Apresentaremos o CIEN <em>in loco<\/em>, que tem o objetivo de levar a conversa\u00e7\u00e3o ao encontro com a cidade e, tamb\u00e9m, duas outras conversa\u00e7\u00f5es que ocorreram na sede do Instituto de Sa\u00fade Mental e Psican\u00e1lise e sobre a medicaliza\u00e7\u00e3o nas escolas, em que contamos com professores, coordenadores e familiares e, outra, sobre o insuport\u00e1vel no adolescente, em que tivemos a presen\u00e7a de v\u00e1rios profissionais do campo da sa\u00fade e do direito &#8211; trabalhadores ligados ao CREAS e a institui\u00e7\u00f5es voltadas ao cumprimento de medidas socioeducativas e de prote\u00e7\u00e3o ao adolescente, um juiz da vara de inf\u00e2ncia e juventude e estudantes.<\/p>\n<p>No CIEN <em>in loco, <\/em>realizado em um hospital da cidade, o Laborat\u00f3rio \u201cM\u00e3es em crise\u201d apresentou um caso paradigm\u00e1tico de uma quest\u00e3o acerca do que fazer com as m\u00e3es que est\u00e3o em crise num hospital. No decorrer da conversa\u00e7\u00e3o, o impasse para a equipe pode ser localizado a partir de uma cena que se repetia na fala dos profissionais presentes. O encontro de uma m\u00e3e com uma crian\u00e7a de tr\u00eas anos trouxe um insuport\u00e1vel para a equipe de profissionais. Duas quest\u00f5es s\u00e3o colocadas para a equipe: o que voc\u00eas acham de uma crian\u00e7a visitar uma m\u00e3e em crise? Uma crian\u00e7a deve testemunhar a crise psic\u00f3tica da m\u00e3e? A partir desse momento, os diferentes profissionais apontam situa\u00e7\u00f5es diversas em que o encontro da m\u00e3e com a crian\u00e7a ora foi importante, ora foi devastador, como aponta uma psiquiatra. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, portanto, tecer um protocolo universal a ser seguido diante de uma situa\u00e7\u00e3o que envolve uma m\u00e3e em crise em um hospital. Ao introduzir o lugar da crian\u00e7a no discurso, abriu-se a chance para uma proposi\u00e7\u00e3o que implicasse outros profissionais de v\u00e1rios servi\u00e7os da sa\u00fade e sa\u00fade mental numa constru\u00e7\u00e3o para os impasses que viviam e n\u00e3o a promo\u00e7\u00e3o de uma resposta salvadora.<\/p>\n<p>Em uma outra atividade do CIEN Minas, \u201cO insuport\u00e1vel na crian\u00e7a e a educa\u00e7\u00e3o: mal-estar na escola, qual rem\u00e9dio?\u201d, o Laborat\u00f3rio \u201cDocentes doentes: deixe-os falar\u201d junto com o Observat\u00f3rio Inf\u00e2ncias da FAPOL fizeram uma aposta na palavra a partir do v\u00eddeo com a entrevista de Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse sobre medicaliza\u00e7\u00e3o. Em um momento da conversa\u00e7\u00e3o, uma professora diz: \u201co menino ficou dopado, mas depois ele conseguiu ler\u201d. A respons\u00e1vel por animar a conversa\u00e7\u00e3o pergunta: \u201cesse rem\u00e9dio \u00e9 para o menino ou para a escola?\u201d. Um coordenador pedag\u00f3gico afirma: \u201cn\u00e3o \u00e9 s\u00f3 os educadores, mas a fam\u00edlia tamb\u00e9m n\u00e3o quer se a ver com o sintoma dela, que \u00e9 a crian\u00e7a\u201d. Depois de alguns instantes, uma m\u00e3e presente diz: \u201cqual a responsabilidade social dos apoiadores de m\u00e3es, de fam\u00edlias, quando vejo que as fam\u00edlias est\u00e3o solit\u00e1rias?\u201d. A respons\u00e1vel por animar a conversa\u00e7\u00e3o cita uma situa\u00e7\u00e3o em que os professores se demitem de responder por algo e terceirizam sua fun\u00e7\u00e3o chamando, muitas vezes, os psic\u00f3logos. Alguns professores interv\u00eam, citando exemplos de situa\u00e7\u00f5es vividas sobre as quais n\u00e3o sabiam o que responder. Uma outra interven\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, \u00e9 feita: \u201cTodos est\u00e3o procurando apoio e acabamos fazendo uma terceiriza\u00e7\u00e3o. A ilus\u00e3o que se vende \u00e9 que da\u00ed n\u00e3o precisamos mais conversar. E h\u00e1 uma demiss\u00e3o dos pais e professores e a\u00ed, o rem\u00e9dio toma corpo, vai dando apoio\u201d. Um impasse foi localizado: o rem\u00e9dio \u00e9 para o menino, para fam\u00edlia ou para a escola? A palavra circula, muitos querem falar e n\u00e3o se demitem mais de colocarem sua implica\u00e7\u00e3o naquilo que fazem.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659442\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659442\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659442\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/011-002-300x227.png\" alt=\"Autor: iLuca Ornagh - Imagem: open-timepiece-exposing-cogs-and-gear-wheels https:\/\/burst.shopify.com\/ \" width=\"300\" height=\"227\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/011-002-300x227.png 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/011-002-274x207.png 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/011-002.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659442\" class=\"wp-caption-text\">Autor: iLuca Ornagh &#8211; Imagem: open-timepiece-exposing-cogs-and-gear-wheels https:\/\/burst.shopify.com\/<\/figcaption><\/figure>\n<p>Por fim, em outra conversa\u00e7\u00e3o, o Laborat\u00f3rio \u201cJuntos e n\u00e3o misturados\u201d e o Laborat\u00f3rio \u201cJanela da Escuta\u201d trouxeram a experi\u00eancia, respectivamente, com adolescentes abrigadas e adolescentes que cumprem medida socioeducativa. A quest\u00e3o, \u201co que \u00e9 o insuport\u00e1vel no adolescente?\u201d, animou a conversa\u00e7\u00e3o. Uma das participantes diz: \u201c\u00e9 n\u00e3o saber o que vai acontecer com ele\u201d. Uma t\u00e9cnica das medidas socioeducativas replica: \u201cmas esse insuport\u00e1vel transborda pra gente que trabalha nos servi\u00e7os\u201d. O caso, primeiramente apresentado pelo Laborat\u00f3rio \u201cJanela da Escuta\u201d, entra na conversa. Para o adolescente em quest\u00e3o, \u201cser adolescente era atuar, se envolver\u201d, o que se evidenciava quando ficava em liberdade, fora da medida s\u00f3cio-educativa. Diz: \u201cquando estou na medida eu penso, quando tenho liberdade, n\u00e3o sei o que fazer\u201d. A coordenadora do Laborat\u00f3rio \u201cJuntos e n\u00e3o misturados\u201d diz que h\u00e1 no abrigo uma superprote\u00e7\u00e3o por parte dos profissionais que mant\u00eam as adolescentes no abrigo com receio de que o excedente sexual possa aparecer, se estiverem fora. Ganha espa\u00e7o na conversa\u00e7\u00e3o o mal estar dos profissionais, diante desse impasse: \u201co que fazer diante dessa liberdade perturbadora?\u201d. O juiz interv\u00e9m e diz: \u201cmas de qualquer modo, a pris\u00e3o \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o de qualquer espa\u00e7o\u201d. Uma outra participante indaga: \u201cmas a dimens\u00e3o do tempo n\u00e3o seria mais importante que o espa\u00e7o?\u201d. A conversa\u00e7\u00e3o avan\u00e7a, trazendo para o centro a quest\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o adolescente e caminha para o final quando a coordenadora do Laborat\u00f3rio \u201cJanela da escuta\u201d afirma a import\u00e2ncia dos Laborat\u00f3rios do CIEN como um espa\u00e7o-tempo que possibilita o tempo da adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Como pudemos notar, o encontro com o impasse, com o que n\u00e3o se sabe, propicia a presen\u00e7a de um sopro de vida na inven\u00e7\u00e3o testemunhada em nossas conversa\u00e7\u00f5es no CIEN Minas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Coordenadora do CIEN Minas.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Essa pergunta foi o tema da VI Manh\u00e3 de Trabalhos do CIEN Brasil em 2018.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Pitella, C.; Telles, H.; Rego Barros, M.R.C; Pavone, T. (Comiss\u00e3o de Coordena\u00e7\u00e3o e do CIEN-Brasil 2007\/2011). Apresenta\u00e7\u00e3o da Manh\u00e3 de trabalhos do CIEN-Brasil Cien Digital, n 5. Novembro de 2008, pg. 4.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Lacad\u00e9e P. \u201cA vinheta pr\u00e1tica tal como ela se elabora no Laborat\u00f3rio CIEN\u201d. In Brown, N. Mac\u00eado, L. Lyra, R. (orgs). Trauma, solid\u00e3o e la\u00e7o na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia: experi\u00eancias do CIEN no Brasil. S\u00e3o Paulo. EBP editora. 2017.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aline Aguiar Mendes[1] O que falar quer dizer[2] nas conversa\u00e7\u00f5es realizadas no CIEN Minas? 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