{"id":5659474,"date":"2019-11-17T09:16:27","date_gmt":"2019-11-17T11:16:27","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659474"},"modified":"2019-11-17T09:27:30","modified_gmt":"2019-11-17T11:27:30","slug":"o-buraco-negro-da-diferenca-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2019\/11\/17\/o-buraco-negro-da-diferenca-sexual\/","title":{"rendered":"O buraco negro da diferen\u00e7a sexual"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659474?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659474?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><figure id=\"attachment_5659476\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659476\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659476\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/003-001-300x199.png\" alt=\"Autor: Brett Sayles Imagem: brown-and-red-lighted-carousel https:\/\/www.pexels.com\/ \" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/003-001-300x199.png 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/003-001-274x182.png 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/003-001.png 568w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659476\" class=\"wp-caption-text\">Autor: Brett Sayles<br \/>Imagem: brown-and-red-lighted-carousel<br \/>https:\/\/www.pexels.com\/<\/figcaption><\/figure>\n<h6><strong><em>Interven\u00e7\u00e3o na 5\u00aaJournn\u00e9e d\u00b4\u00e9tude de l\u00b4Institute psychanalytique de l\u00b4Enfant<\/em><\/strong><\/h6>\n<h6><strong><em>Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse<\/em><\/strong><\/h6>\n<p>Daniel Roy realizou com afinco o ordenamento dos avan\u00e7os sucessivos, desde Freud at\u00e9 Lacan, sobre este tema \u201cA diferen\u00e7a sexual\u201d. Construiu o quadro tal como ele se desdobra hoje na Orienta\u00e7\u00e3o lacaniana implementada por Jacques-Alain Miller com a ajuda de uma b\u00fassola, o gozo, conceito delicado. Ele o fez introduzindo em sua abordagem as mudan\u00e7as importantes que tiveram lugar no discurso do mestre e seu avesso, o discurso anal\u00edtico. Ele nos mostrou como Lacan, t\u00e3o sens\u00edvel \u00e0s mudan\u00e7as na modernidade, chega a antecipar movimentos no discurso do mestre antes mesmo deles aparecerem, demonstrando com isso a for\u00e7a preditiva da psican\u00e1lise quando a cl\u00ednica se alia \u00e0 l\u00f3gica e \u00e0 topologia. Diante disso, encontrei-me livre para introduzir algumas pistas de pesquisa suplementares para os pr\u00f3ximos dois anos.<\/p>\n<h3><strong><em><span style=\"color: #3366ff;\">A diferen\u00e7a: pot\u00eancia do bin\u00e1rio<\/span> <\/em><\/strong><\/h3>\n<p>Sexual ou n\u00e3o, pequena ou grande, a diferen\u00e7a \u00e9 um dos fundamentos da ordem lingu\u00edstica. Ela opera, pois antes de tudo \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o de separar e ligar, ao mesmo tempo. Constitui pares que permitem, seja de maneira meton\u00edmica, seja metaf\u00f3rica, um ordenamento dos significantes, das palavras, dos conceitos, das imagens, dos sons. Basta ler J.-A. Miller<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> e se dar conta da pot\u00eancia da diferen\u00e7a e, logo, dos bin\u00e1rios, para colocar ordem no simb\u00f3lico. \u00c9 assim que o la\u00e7o social opera e todos os neg\u00f3cios humanos podem se reduzir a ele.<\/p>\n<p>O discurso estende, de fato, a operacionalidade da diferen\u00e7a inicialmente \u00e0 ordem social, \u00e0 fam\u00edlia, mas de forma mais geral a todas as estruturas institucionais: os vivos\/os mortos, os ricos\/os pobres, os oprimidos\/os opressores, os bons\/os maus, e, <em>last but not least,<\/em> os homens\/as mulheres.<\/p>\n<p>Mas a diferen\u00e7a \u00e9 tamb\u00e9m um modo de satisfa\u00e7\u00e3o que produz gozo, tanto se afirmando \u2013 pois cada falasser goza de sua diferen\u00e7a \u2013, quanto se apagando. \u00c9 ent\u00e3o o gozo da <em>mesmice,<\/em> aquele do \u201cn\u00f3s\u201d contra os outros, fraternidade que Lacan mostrou estar no fundamento do racismo<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. A mesmice est\u00e1 tamb\u00e9m no fundamento do machismo. Da ordem diferencial, resvala-se para a ordem segregativa. N\u00e3o h\u00e1 segrega\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se prenda a uma diferen\u00e7a atribu\u00edda aos modos de gozo. A diferen\u00e7a, que funda a ordem simb\u00f3lica e alimenta as satisfa\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias, tem efeitos de real.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a sexual, classicamente bin\u00e1ria, passa por uma desordem in\u00e9dita. Um certo n\u00famero de movimentos de opini\u00e3o tenta arranc\u00e1-la do bin\u00e1rio S<sub>1<\/sub> \u2013 S<sub>2<\/sub> para pluraliz\u00e1-la \u2013 LGBT \u2013 ou apag\u00e1-la: recusa do g\u00eanero ou exig\u00eancia do neutro. Uma das tend\u00eancias da \u00e9poca consiste em privilegiar o <em>ou<\/em> inclusivo \u2013 ou a, ou b, ou os dois \u2013 em detrimento do <em>ou <\/em>excludente \u2013 ou a, ou b, mas n\u00e3o os dois. Contudo, \u201cg\u00eanero obriga\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, correlativamente a esses movimentos emancipat\u00f3rios, se desdobra tamb\u00e9m, em rea\u00e7\u00e3o, um movimento conservador que se afirma contra na vida pol\u00edtica mundial: Bolsonaro, Trump, a ascens\u00e3o de religi\u00f5es e de seitas. Viu-se, na Fran\u00e7a, esse movimento se manifestar contra o chamado \u201cmatrim\u00f4nio para todos\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, retornando \u00e0s representa\u00e7\u00f5es da diferen\u00e7a sexual tradicionais do patriarcado.<\/p>\n<p>Todo o ensino de Lacan aborda a quest\u00e3o da diferen\u00e7a sexual nos seres falantes, n\u00e3o a partir da natureza, mas da linguagem e do sujeito. Essa mudan\u00e7a radical de ponto de vista diferencia o falo do p\u00eanis, logo, o significante do \u00f3rg\u00e3o, e culmina no Semin\u00e1rio 20, <em>mais, ainda<\/em>. Passagem do sujeito ao corpo falante, a diferen\u00e7a cessa de ser organizada pela ordem bin\u00e1ria e cede lugar a uma oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o bin\u00e1ria entre o Todo, incluindo todos os seres falantes de qualquer g\u00eanero que sejam, e o <em>n\u00e3o-todo<\/em>, que precisamente n\u00e3o permite mais \u00e0 diferen\u00e7a bin\u00e1ria consistir.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pido! Partamos da cl\u00ednica com crian\u00e7as, que ainda nasce com frequ\u00eancia na estrutura familiar tradicional. D. Roy termina seu texto com esta indica\u00e7\u00e3o dada por J.-A. Miller em sua interven\u00e7\u00e3o pronunciada por ocasi\u00e3o da primeira Jornada do Instituto da Crian\u00e7a: \u201cCabe ao Instituto da Crian\u00e7a restituir o lugar do saber da crian\u00e7a, disso que as crian\u00e7as sabem\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Oriento-me por essa recomenda\u00e7\u00e3o, que confere aqui ao genitivo seu sentido revolucion\u00e1rio, seu sentido pr\u00f3prio, e, por consequ\u00eancia, confere ao Instituto da Crian\u00e7a seu poder. N\u00e3o o que n\u00f3s \u2013 psicanalistas, adultos \u2013 sabemos das crian\u00e7as, mas o que aprendemos da boca das crian\u00e7as. Eis a revolu\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica operada por Freud com as hist\u00e9ricas. Lacan aplicou essa f\u00f3rmula da extra\u00e7\u00e3o do saber pela cl\u00ednica anal\u00edtica ao p\u00e9 da letra, ao longo de toda sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong><em>Muta\u00e7\u00e3o das estruturas de parentesco ou a segunda morte de Laio<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<p>Um analisante relata em sess\u00e3o o que acabara de lhe acontecer. Em uma manh\u00e3 de domingo, estando na cama com sua esposa, na intimidade de seu quarto, conversando de maneira descontra\u00edda, chega o filho ca\u00e7ula e, colocando-se ao p\u00e9 da cama, lhe lan\u00e7a: \u201cVoc\u00ea, voc\u00ea vai ter uma surpresa\u201d, e retorna para seu pr\u00f3prio quarto. Volta depois com sua espada de pl\u00e1stico e, sem dizer uma palavra, assenta o golpe mais forte que pode sobre o edredom perto dos genitais de seu pai. Vers\u00e3o moderna do \u00c9dipo, fundamento da estrutura ps\u00edquica freudiana e da psican\u00e1lise. Surpresa de Laio, todavia em an\u00e1lise!<\/p>\n<p>Acrescentemos um outro elemento: no in\u00edcio dos anos 1980, trabalhando com aquelas que ainda n\u00e3o eram chamadas de professoras de escolas, que haviam trazido desenhos de seus alunos da escola materna como documentos de trabalho, elas se questionam observando que \u201chomem\u201d e \u201cmulher\u201d n\u00e3o eram palavras utilizadas pelas crian\u00e7as da escola materna para designar a diferen\u00e7a dos sexos \u2013 hoje dir\u00edamos de g\u00eaneros \u2013, porque a l\u00edngua, se prestarmos a devida aten\u00e7\u00e3o que ela requer na pr\u00e1tica da psican\u00e1lise, \u00e9 o saber n\u00e3o sabido. A diferen\u00e7a que aparecia era entre \u201cpai\u201d e \u201cm\u00e3e\u201d: havia os papais e as mam\u00e3es e n\u00e3o os homens e as mulheres.<\/p>\n<p>Estas duas vinhetas cl\u00ednicas me levam a considerar que o discurso do mestre mudou. Por um lado, o g\u00eanero suplantou o sexo, por outro, como Lacan destaca em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, o pai e o patriarcado sofreram decl\u00ednio evidente nas sociedades uniforme e globalmente organizadas no presente pela economia capitalista, avassalando o nome ao objeto. No n\u00edvel jur\u00eddico, por exemplo, o direito substituiu \u201cpai\u201d e \u201cm\u00e3e\u201d por \u201cpais\u201d e a no\u00e7\u00e3o de \u201cparentalidade\u201d modificou a reparti\u00e7\u00e3o da autoridade na fam\u00edlia. Sem esquecer os \u201cdireitos da crian\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>A \u201cparentalidade\u201d assim como o matrim\u00f4nio dito \u201cpara todos\u201d, manifesta uma muta\u00e7\u00e3o das estruturas de parentesco e, por conseguinte, dos la\u00e7os familiares. Passamos a um universal que pode se enunciar pela f\u00f3rmula \u201cpara todo pai\u201d, qualquer que seja seu sexo e seu g\u00eanero. Que saber novo surge na crian\u00e7a que est\u00e1 confrontada com essas muta\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659475\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659475\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659475\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/003-002-300x199.png\" alt=\"Autor: Matthew Henry Imagem: single-window-in-large-brick-wall https:\/\/burst.shopify.com\/ \" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/003-002-300x199.png 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/003-002-274x182.png 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/003-002.png 568w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659475\" class=\"wp-caption-text\">Autor: Matthew Henry<br \/>Imagem: single-window-in-large-brick-wall<br \/>https:\/\/burst.shopify.com\/<\/figcaption><\/figure>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong><em>No tempo da ordem de ferro do social, onde se aninha a diferen\u00e7a sexual?<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<p>Em 1973, em <em>Televis\u00e3o<\/em>, Lacan afirmava que \u201ca ordem familiar s\u00f3 faz traduzir que o Pai n\u00e3o \u00e9 o genitor e que a M\u00e3e permanece contaminando a mulher para o filhote do homem\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. Ainda \u00e9 o caso? As crian\u00e7as de 2021 recobrir\u00e3o ainda o homem com o Pai e a mulher com a M\u00e3e? Como Lacan antecipa no Semin\u00e1rio 21, \u201cLes non dupes errent\u201d, usando \u201co n\u00f3 borromeano como um algoritmo\u201d, \u201ca ordem de ferro no social\u201d substituiu a ordem patriarcal familiar<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>. Adeus pai e m\u00e3e, sauda\u00e7\u00f5es parentalidade: a castra\u00e7\u00e3o foi deslocada. A fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica est\u00e1 paradoxalmente submetida, do lado das identifica\u00e7\u00f5es, seja ao \u00f3rg\u00e3o \u2013 identifica\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria \u2013, seja ao g\u00eanero \u2013 novas vers\u00f5es da nomea\u00e7\u00e3o, que se tornaram autonomea\u00e7\u00e3o. A \u00fanica coisa que permanece est\u00e1vel \u00e9 a pr\u00f3pria diferen\u00e7a como fun\u00e7\u00e3o engendrada pela linguagem e, portanto, o real da escolha que \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o m\u00ednima da castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Resta \u00e0 crian\u00e7a, que se tornar o fundamento e n\u00e3o mais o efeito da fam\u00edlia, escolher seu lugar em uma diferen\u00e7a que se pluralizou. Qual escolher? Como a crian\u00e7a faz essa escolha? Sou um homem? Uma mulher? Um ou uma bi? Um ou uma trans ou um cis? Uma ou um h\u00e9tero, homo? etc.<\/p>\n<p>Duas observa\u00e7\u00f5es. A primeira sobre esse ponto de linguagem, pois, finalmente, apenas esta n\u00e3o est\u00e1 submetida \u00e0 escolha: hoje, a formula\u00e7\u00e3o aceita n\u00e3o \u00e9 mais transexual, mas transg\u00eanero. Isso marca que \u201ctrans\u201d toca o ser de discurso e n\u00e3o a falta-a-ser, que \u00e9 a consequ\u00eancia da domina\u00e7\u00e3o da linguagem sobre o corpo na medida em que ele fala. Segunda observa\u00e7\u00e3o: \u00e9 v\u00e1lida a tese de Lacan segundo a qual as minorias t\u00eam a seu cargo as muta\u00e7\u00f5es dos modos de gozar dos seres falantes. O termo heterossexualidade surge na l\u00edngua depois de homossexualidade e o cisg\u00eanero depois do transg\u00eanero. A crian\u00e7a como um \u201cperverso polimorfo\u201d \u00e9, portanto, totalmente designada como inventora.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong><em>Os engodos do falo e as satisfa\u00e7\u00f5es singulares<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<p>A partir de ent\u00e3o, n\u00e3o cabe utilizar o termo \u201cfun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica\u201d. A diferen\u00e7a sexual, desde Freud, de maneira mais ou menos feliz, foi abordada a partir do termo falo, quando n\u00e3o era simplesmente reduzida \u00e0 anatomia do macho, isto \u00e9, ao p\u00eanis. Neste caso, ela repousa sobre uma foraclus\u00e3o da anatomia da f\u00eamea. Ernest Jones e outros se debateram a partir dessas premissas<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>. Pierre Naveau dedicou um estudo consider\u00e1vel a esse per\u00edodo da teoria anal\u00edtica<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Em seu curso de 2008-2009, intitulado \u201cCoisas de fineza em psican\u00e1lise\u201d, J.-A. Miller afina os pontos com rigor<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>. Ele concretiza a express\u00e3o de Lacan nos <em>Escritos<\/em><a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>: \u201co heter\u00f3clito do complexo de castra\u00e7\u00e3o\u201d, termo que prefere, neste per\u00edodo de seu ensino, ao cl\u00e1ssico termo de complexo de \u00c9dipo. O falo \u00e9 um \u201cmetassignificante\u201d que reenvia desordenadamente ao \u201cfluido vital\u201d, a um \u201csignificante imagin\u00e1rio\u201d, a um \u201csignificante simb\u00f3lico\u201d, um significado, uma significa\u00e7\u00e3o, um sacrif\u00edcio, um s\u00edmbolo, um signo, um \u00f3rg\u00e3o, e outras coisas mais. Como assinala J.-A. Miller, \u201co mundo libidinal que Lacan criou, ele o fez girar em torno de um significante: o falo. Isso foi expressivo para todo mundo. E como! T\u00e3o expressivo que esse significante \u00e9 imagin\u00e1rio\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>. O falo diz muito para todo mundo e agita os psicanalistas. Do ponto de vista do trabalho cl\u00ednico, \u00e9 no melhor dos casos a explora\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio do mal-entendido, fundador da palavra, e no pior dos casos um v\u00e9u de ignor\u00e2ncia. \u00c9 por isso que J.-A. Miller reduz o heter\u00f3clito deste metassignificante a um valor: o valor \u201cmenos\u201d que faz limite ao gozo e, portanto, torna poss\u00edvel o desejo. Depreende-se claramente a raz\u00e3o pela qual Lacan optou por \u201ccomplexo de castra\u00e7\u00e3o\u201d de prefer\u00eancia a \u201ccomplexo de \u00c9dipo\u201d.<\/p>\n<p>Os chamados complexos e o falo em sua defini\u00e7\u00e3o heter\u00f3clita foram e s\u00e3o raz\u00e3o de deslizes e prejulgamentos que interv\u00eam em certas posi\u00e7\u00f5es antiquadas e mesmo reacion\u00e1rias da psican\u00e1lise freudiana, depois p\u00f3s-freudiana e at\u00e9 lacaniana. Lacan sempre se absteve de tais deslizes no discurso do mestre, ao contr\u00e1rio de alguns de seus alunos, como Fran\u00e7oise Dolto. Deste modo, ele sempre diferenciou o sujeito do indiv\u00edduo e do eu. Ele desumanizou o pai reduzindo-o ao nome \u2013 o Nome do Pai \u2013 e assimilando-o \u00e0 fun\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica, e a m\u00e3e, reduzindo-a ao desejo. Nunca deixou de lembrar que essa opera\u00e7\u00e3o, que tocava as bases do simb\u00f3lico em psican\u00e1lise, era uma das raz\u00f5es de sua excomunh\u00e3o do mundo anal\u00edtico da \u00e9poca, e a raz\u00e3o pela qual ele nunca retomou o Semin\u00e1rio intitulado \u201cOs Nomes do Pai\u201d, que foi interrompido pela SAMCDA e seu \u201car patrimonialista\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Se, como faz J.-A. Miller, reduzimos o falo ao signo menos, a esse valor comum que permite aos corpos falantes entrar no com\u00e9rcio e no interc\u00e2mbio, como abordar a diferen\u00e7a sexual, a n\u00e3o ser pela singularidade dos modos de gozar? Em uma \u00e9poca em que o estatuto da crian\u00e7a na fam\u00edlia mudou, em que, de produto, ela se tornou fundamento, como a crian\u00e7a aborda a falta, esse \u201cmenos\u201d, inevit\u00e1vel, consequ\u00eancia da linguagem sobre o corpo e o la\u00e7o de discurso? A escolha de seu modo de gozo singular, como a crian\u00e7a fala disso?<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong><em>Mutante ou h\u00edbrido? As teorias sexuais infantis<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<p>Duas outras vinhetas cl\u00ednicas mostram a pot\u00eancia do saber que as crian\u00e7as inventam.<\/p>\n<p>Uma menina que, desde seus dois anos de idade, havia impressionado seus familiares pr\u00f3ximos pelo fato de que, para afirmar sua feminilidade, exigia vestir v\u00e1rios vestidos uns sobre os outros, na l\u00f3gica de fazer de si mesma o fetiche, e que ganhara de presente de seis anos um pequeno caderno com um cadeado \u2013 <em>Di\u00e1rio de uma Princesa <\/em>\u2013, rentabilidade capitalista do conto de fadas. Um ano ou dois mais tarde, o objeto, abandonado, cai nas m\u00e3os de um adulto curioso. Alguns desenhos, mas, escrita em p\u00e1ginas e p\u00e1ginas, a seguinte frase: \u201cO pr\u00edncipe encantado \u00e9 um idiota\u201d. <em>Droga! <\/em><em>Eu n\u00e3o sabia, mas deveria.<\/em> \u00c9 \u00f3bvio. Ele serve apenas para acordar a Bela Adormecida. Isso lembra o filme <em>Kill Bill <\/em>de Tarantino, no qual o nome da hero\u00edna \u00e9 enredado na trilha sonora: estando adormecida em um coma profundo, devido a uma bala alojada na cabe\u00e7a por um tiro dado pelo homem que ela ama, seus \u201cfavores\u201d s\u00e3o negociados pelos cuidadores. Um dia, a bela adormecida acorda subitamente e est\u00e1 na pele dessa vers\u00e3o capitalista do Pr\u00edncipe encantado, um idiota como apreendi tardiamente. Esses contos, mitos portanto, a quais estruturas reenviam?<\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio 18, Lacan come\u00e7a seu desenvolvimento das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, e, no cap\u00edtulo VII, que J.-A. Miller intitulou \u201cA parceira desvanecida\u201d, afirma, ao falar de suas trocas, ou melhor, da sua recusa em intercambiar com Simone de Beauvoir o t\u00edtulo que ela escolhera \u2013 <em>O Segundo sexo <\/em>\u2013, dizendo que \u201cn\u00e3o h\u00e1 segundo sexo\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>. Ele define a sexualidade como uma fun\u00e7\u00e3o: \u201cA fun\u00e7\u00e3o que \u00e9 chamada de sexualidade se define, at\u00e9 onde sabemos alguma coisa sobre ela \u2013 e realmente sabemos um pouco, nem que seja por experi\u00eancia \u2013, pelo fato de os sexos serem dois [\u2026]. N\u00e3o existe segundo sexo, a partir do momento em que entra em funcionamento a linguagem. Ou, para dizer as coisas de outra maneira, no que concerne ao que \u00e9 chamado de heterossexualidade, o <em>heteros<\/em>, palavra que serve para dizer \u201coutro\u201d em grego, est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o de esvaziar-se como ser para a rela\u00e7\u00e3o sexual. \u00c9 precisamente esse vazio que ele oferece \u00e0 fala que eu chamo de lugar do Outro, ou seja, aquele em que se inscrevem os efeitos da referida fala\u201d.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> Pois ent\u00e3o, dois ou n\u00e3o dois? A lei da diferen\u00e7a, que \u00e9 a lei da articula\u00e7\u00e3o S<sub>1<\/sub>-S<sub>2<\/sub>, ainda \u00e9 v\u00e1lida?<\/p>\n<p>Esta mesma menina, conversando com seu irm\u00e3o um dia, lhe atira um saber: \u201cVoc\u00ea sabe, n\u00e3o h\u00e1 apenas meninas e meninos.\u201d O irm\u00e3o fica surpreso. \u201cH\u00e1 tamb\u00e9m as \u2018meninasmeninos\u2019 e os \u2018meninosmeninas\u2019. Eu sou uma \u2018meninamenino.\u201d O irm\u00e3o responde secamente que para ele estava fora de quest\u00e3o situar-se na classe dos \u2018meninosmeninas\u2019. O di\u00e1logo se det\u00e9m a\u00ed. N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o entre os sexos, mesmo multiplicando as classes e tentando ampliar as categorias. Por qu\u00ea? Tenho uma ideia. N\u00e3o \u00e9, me parece, em uma reitera\u00e7\u00e3o da f\u00f3rmula <em>A mulher n\u00e3o existe<\/em> que se deve pesquisar, porque \u00e9 claro que <em>O homem n\u00e3o existe<\/em>. Ningu\u00e9m escapa do fato de que, desde que se come\u00e7a a falar de diferen\u00e7a sexual, somos conduzidos pelo discurso a falar em termos de universal: \u201cos\u201d homens, \u201cas\u201d mulheres e \u201cos\u201d outros. Em suma, n\u00e3o sa\u00edmos do universal, que se caracteriza pela verdade mentirosa e pelo sentido, infelizmente o mais comum poss\u00edvel, isto \u00e9, dominante. Na e pela linguagem, a sexualidade passa pelos desfiladeiros da palavra e todo locutor se encontra no quadro da sexua\u00e7\u00e3o que figura no Semin\u00e1rio <em>mais, ainda<\/em> do lado das duas f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, lado homem:<em> existe um x tal que n\u00e3o phi de x <\/em>e<em> para todo x, phi de x<\/em><a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Para caracterizar os efeitos da diferen\u00e7a sexual sobre o discurso e a fala, pode-se utilizar o modelo do buraco negro tal como os astrof\u00edsicos o definem no quadro da teoria da relatividade. Tudo o que entra no interior do buraco negro \u2013 toda a informa\u00e7\u00e3o, toda a mat\u00e9ria \u2013, \u00e9 assimilada ao buraco negro, o qual \u00e9 caracterizado apenas por tr\u00eas elementos: sua massa, sua quantidade de rota\u00e7\u00e3o e sua carga el\u00e9trica. Todos os objetos que caem nele se tornam inacess\u00edveis. Desde o momento em que se entra no campo da diferen\u00e7a sexual, tudo o que define a singularidade dos modos de gozar e das posi\u00e7\u00f5es subjetivas torna-se inacess\u00edvel. O bin\u00e1rio homem\/mulher neutraliza todas as outras diferen\u00e7as e torna inacess\u00edveis os corpos falantes na conting\u00eancia e na n\u00e3o universalidade de sua organiza\u00e7\u00e3o. O lado dito feminino, destacado por Lacan, \u00e9 uma tentativa de tornar acess\u00edvel o que n\u00e3o \u00e9 lado homem, regido pelo regime de uma exce\u00e7\u00e3o e de maneira alguma universal. Lado feminino, a diferen\u00e7a sexual torna-se totalmente \u201cassim\u00e9trica\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>. O feminino s\u00f3 \u00e9 pens\u00e1vel se se exclui toda ideia de complementariedade, de inclus\u00e3o ou mesmo de contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que a diferen\u00e7a sexual s\u00f3 pode se formular no campo da identifica\u00e7\u00e3o e da fantasia. Ser classificado por g\u00eanero s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel do lado da l\u00f3gica do todo e da exce\u00e7\u00e3o f\u00e1lica. \u201cO homem, o macho, o viril [\u2026] \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o de discurso.\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>. Acrescentemos, <em>A mulher<\/em> tamb\u00e9m \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o de discurso, em fun\u00e7\u00e3o de Phi, entendido como medida do valor. A prop\u00f3sito, pode-se generalizar a f\u00f3rmula A mulher n\u00e3o existe ao Homem. O sexo \u00e9 o efeito de um dizer. Quais palavras, hoje, as crian\u00e7as escolhem para dizer de seu pertencimento? Elas t\u00eam teorias sexuais novas?<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong><em>A diferen\u00e7a \u00e9 (a)sexuada: as diferen\u00e7as ligadas \u00e0 conting\u00eancia<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<p>A diferen\u00e7a sexual do lado do gozo est\u00e1 ligada aos objetos mais-de-gozar ou objeto <em>a<\/em>. O que a diversifica em fun\u00e7\u00e3o da domin\u00e2ncia de tal ou qual objeto; domin\u00e2ncia cuja origem est\u00e1 ligada \u00e0s marcas contingentes na hist\u00f3ria do sujeito, mas que, justamente por ser domin\u00e2ncia e fixa\u00e7\u00e3o, gera uma repeti\u00e7\u00e3o e, portanto, uma necessidade.<\/p>\n<p>Esses objetos t\u00eam um elemento em comum que, desde Freud, a psican\u00e1lise cerniu. Eles est\u00e3o ligados aos orif\u00edcios do corpo, \u00e0 passagem apreendida inicialmente como passagem do interior ao exterior do corpo. Os objetos permitem ao imagin\u00e1rio tornar-se uma superf\u00edcie com borda.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia disso \u00e9 que, ligada aos orif\u00edcios do corpo pr\u00f3prio, a sexualidade \u00e9 essencialmente autoer\u00f3tica, mesmo se esses objetos s\u00e3o colocados no Outro. Pode-se ler a ascens\u00e3o atual no la\u00e7o social do discurso que submete a condi\u00e7\u00f5es cada vez mais estritas o gozo de um corpo por outro corpo, quando, ao mesmo tempo, a interdi\u00e7\u00e3o ancestral sobre a masturba\u00e7\u00e3o desapareceu. A fantasia, motor do autoerotismo, sim, o ato, n\u00e3o. A difus\u00e3o da pornografia, o imp\u00e9rio da imagem nas redes sociais, modificam \u2013 e se sim, como \u2013, a abordagem feita pelas crian\u00e7as da sexualidade? Um puritanismo cada vez maior, aliado a uma crueza de imagens cada vez maior e a uma libera\u00e7\u00e3o de palavras, levaria a uma modifica\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do sujeito com sua (a)-sexualidade? As crian\u00e7as s\u00e3o, hoje, perversas polimorfas ou antes puritanas?<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong><em>E o amor?<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<p>No Semin\u00e1rio XXVI, \u201cA topologia e o tempo\u201d<sup>18<\/sup>, Lacan, em 1978, fala da possibilidade de um terceiro sexo, a partir de sua escolha pelo \u201cborromeano generalizado\u201d: \u201cN\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, \u00e9 isso que eu enunciei porque h\u00e1 um Imagin\u00e1rio, um Simb\u00f3lico e um Real, \u00e9 isso que eu n\u00e3o ousei dizer. [\u2026] O que faz supl\u00eancia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual? Que as pessoas fazem amor, h\u00e1 para isso uma explica\u00e7\u00e3o: a possibilidade de um terceiro sexo.\u201d Enigm\u00e1tico, Lacan criando dificuldade para si mesmo, retorna a esse tema para afirmar que \u201cesse terceiro sexo n\u00e3o subsiste na presen\u00e7a dos outros dois\u201d, que estes sobressaem do for\u00e7amento, da domina\u00e7\u00e3o. Ele s\u00f3 depende, portanto, do amor.<\/p>\n<p>O amor zomba da diferen\u00e7a sexual? Ele \u00e9, como para o \u00f3dio, o lugar do poss\u00edvel onde a diferen\u00e7a sexual cessa de se escrever, onde ela se anula em diferen\u00e7a absoluta? Cessaria ela, no campo do amor, de ser dual, classificat\u00f3ria e, portanto, segregativa? Que podem nos ensinar as crian\u00e7as sobre o amor como acesso ao terceiro sexo?<\/p>\n<h6><strong>Texto estabelecido<em> por Herv\u00e9 Damase e Fr\u00e9d\u00e9rique Bouvet, relido pela autora.<\/em><\/strong><\/h6>\n<h6><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<em> Nohem\u00ed Brown.<\/em><\/strong><\/h6>\n<h6><strong>Revis\u00e3o:<em> Ana Lydia Santiago e Ana Helena Souza.<\/em><\/strong><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> <em>Cf. <\/em>Miller J.-A., \u00abL\u2019orientation lacanienne\u00bb, ensino pronunciado no \u00e2mbito do Departamento de psican\u00e1lise da Universidade Paris VIII, in\u00e9dito.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> <em>Cf. O Semin\u00e1rio, livro<\/em> <em>19:\u2026ou pior<\/em>, Rio de Janeiro, Jorge Zahar ed., 2012, p. 227.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> N.T: A express\u00e3o faz refer\u00eancia ao proverbio franc\u00eas \u201cnobreza obriga\u201d <em>[noblesse oblige]<\/em>, que teve origem na 51\u00aa das <em>M\u00e1ximas e Preceitos <\/em>do Duc de L\u00e9vis (1808), significando que, depois do nobre, por extens\u00e3o, todo personagem deve se conduzir conforme a sua categoria.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Ver: <em>Du mariage et des psychanalystes<\/em>, Paris, Navarin\/ Le Champ freudien\/La r\u00e8gle du jeu, 2011.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Miller J.-A., A crian\u00e7a e o saber, <em>Cien Digital 11<\/em>, janeiro de 2012, p. 8.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Lacan J., Televis\u00e3o, <em>Outros escritos<\/em>, Rio de Janeiro, Jorge Zahar ed., 2003, p. 531.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> Lacan J., <em>Le S\u00e9minaire<\/em>,<em> livre XXI: \u00abLes non dupes errent\u00bb,<\/em> le\u00e7on du 19 mars 1974, in\u00e9dito.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Jones E., La phase pr\u00e9coce du d\u00e9veloppement de la sexualit\u00e9 f\u00e9minine, La phase phallique, <em>Psychanalyse<\/em>, n 7, 1964.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Naveau P., La querelle du phallus: 1920-1935, tese realizada sob a dire\u00e7\u00e3o de Jacques-Alain Miller em 1988 no Departamento de psican\u00e1lise da Universidade Paris VIII, in\u00e9dito.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Miller J.-A., Perspectivas dos Escritos e Outros escritos. Entre desejo e gozo. Decima Terceira Li\u00e7\u00e3o, 1 de abril de 2009. Jorge Zahar Editores, Rio de Janeiro, 2011.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Lacan J., Subvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo no inconsciente freudiano, <em>Escritos<\/em>, Rio de Janeiro, Jorge Zahar ed., 1998, p. 835-6.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> Miller J.-A., Perspectivas dos Escritos e Outros escritos. Entre desejo e gozo, <em>op. cit<\/em>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> SAMCDA: sociedade de assist\u00eancia m\u00fatua contra o discurso anal\u00edtico, <em>cf<\/em>. Lacan J. \u201cTelevis\u00e3o\u201d, <em>op. cit.<\/em>, p. 518.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> Lacan J., <em>O Semin\u00e1rio, livro<\/em> <em>19: \u2026ou pior<\/em>, Rio de Janeiro, Jorge Zahar ed., 2012, p. 93.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> <em>Ibid<\/em>., p. 93.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> Lacan J. <em>O Semin\u00e1rio<\/em>, <em>livro 20: mais, ainda<\/em>, Rio de Janeiro, Jorge Zahar ed., 1985, p. 70 e seguintes. O universo f\u00e1lico \u00e9 sustentado em um elemento que est\u00e1 condenado a n\u00e3o ser submetido \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de castra\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a> Lacan J., <em>Le S\u00e9minaire<\/em>, <em>livre XII: \u00abProbl\u00e8mes cruciaux pour la psychanalyse\u00bb<\/em>, li\u00e7\u00e3o de 16 junho de 1965, in\u00e9dito.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> Lacan J., <em>O Semin\u00e1rio, livro 17:<\/em> <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>, Rio de Janeiro, Jorge Zahar ed., 1992, p. 57.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interven\u00e7\u00e3o na 5\u00aaJournn\u00e9e d\u00b4\u00e9tude de l\u00b4Institute psychanalytique de l\u00b4Enfant Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse Daniel Roy realizou com afinco o ordenamento dos avan\u00e7os sucessivos, desde Freud at\u00e9 Lacan, sobre este tema \u201cA diferen\u00e7a sexual\u201d. 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