{"id":5659478,"date":"2019-11-17T09:19:10","date_gmt":"2019-11-17T11:19:10","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659478"},"modified":"2019-12-02T09:50:54","modified_gmt":"2019-12-02T12:50:54","slug":"quatro-perspectivas-sobre-a-diferenca-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2019\/11\/17\/quatro-perspectivas-sobre-a-diferenca-sexual\/","title":{"rendered":"Quatro perspectivas sobre a diferen\u00e7a sexual"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659478?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659478?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><figure id=\"attachment_5659480\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659480\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5659480 size-medium\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/002-001-300x214.png\" alt=\"Autor: Steve Johnson Imagem: crystal-glass-on-a-colorful-background https:\/\/www.pexels.com\/\" width=\"300\" height=\"214\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/002-001-300x214.png 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/002-001-274x196.png 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/002-001.png 483w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659480\" class=\"wp-caption-text\">Autor: Steve Johnson &#8211; Imagem: crystal-glass-on-a-colorful-background &#8211; https:\/\/www.pexels.com\/<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Interven\u00e7\u00e3o na 5\u00aaJournn\u00e9e d\u00b4\u00e9tude de l\u00b4Institute psychanalytique de l\u00b4Enfant<\/h6>\n<h6>Daniel Roy<\/h6>\n<p>A cada dois anos, o Comit\u00ea de iniciativa do Instituto da Crian\u00e7a submete a Jacques-Alain Miller propostas de tema para a pr\u00f3xima Jornada. Em 2021, apenas uma proposta \u2013 \u201cA diferen\u00e7a sexual\u201d \u2013 foi un\u00e2nime. J.-A. Miller aprovou e confiou a Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse e a mim, a apresenta\u00e7\u00e3o. Se o texto de orienta\u00e7\u00e3o que esper\u00e1vamos, como de costume, vai nos fazer falta, de minha parte vejo nisso um convite feito a cada um de n\u00f3s, bem como aos grupos e redes do Campo freudiano, para produzir um saber de peso frente \u00e0s desordens r\u00e1pidas da cl\u00ednica. Essas \u00faltimas, especialmente sens\u00edveis no campo da inf\u00e2ncia, testemunham a deriva ocorrida nos continentes de nossas convic\u00e7\u00f5es \u2013 os semblantes que nos mant\u00eam \u2013 e de nossos h\u00e1bitos \u2013 os gozos que nos conv\u00eam \u2013, deriva que produz linhas de falha e zonas de fratura. A diferen\u00e7a sexual \u00e9 o nome de uma dessas zonas privilegiadas.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>O psicanalista, nem guardi\u00e3o do templo nem libertador moral<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>Entrando no mundo que a precede, cada crian\u00e7a \u00e9 a primeira a ser confrontada com essa falha; ela vai carregar doravante a marca de origem, inscrita na l\u00edngua sob os nomes diferentes de \u201cmenino\u201d e de \u201cmenina\u201d, \u201chomem\u201d e \u201cmulher\u201d. Mas essa zona <em>sexo e g\u00eanero<\/em> tornou-se incerta e objeto de aposta entre correntes antin\u00f4micas. Esta aposta est\u00e1 especialmente representada hoje, na m\u00eddia e na cl\u00ednica, pela ang\u00fastia e pelo discurso das crian\u00e7as ditas \u201ctransg\u00eanero\u201d. Elas n\u00e3o se reconhecem no sexo que lhes \u00e9 atribu\u00eddo e afirmam muito cedo a convic\u00e7\u00e3o de terem nascido em um \u201ccorpo ruim\u201d ou em um \u201cfalso corpo\u201d. Teremos que aprender com o fato de que essas crian\u00e7as formulam como primeira demanda uma mudan\u00e7a do nome pr\u00f3prio para um outro, que elas mesmas escolheram. Nos interrogamos sobre essa solicita\u00e7\u00e3o endere\u00e7ada \u00e0 fam\u00edlia, ao corpo social, depois ao jur\u00eddico, de lhes fornecer uma identidade sexual que seja est\u00e1vel e nova, introduzindo assim um regime derrogat\u00f3rio \u00e0 lei comum, que refere a partilha do sexo, bem como o nome e a filia\u00e7\u00e3o, ao efeito de um dizer, de uma declara\u00e7\u00e3o, da parte de quem se assume respons\u00e1vel pela chegada de um novo ser falante ao mundo.<\/p>\n<p>Esse fato, clinicamente demonstrado, de que um sujeito possa n\u00e3o querer passar por essa via comum nos convida a reconsider\u00e1-la e a interrogar as identifica\u00e7\u00f5es sexuais. De um lado, elas parecem deduzir-se \u201cnaturalmente\u201d da diferen\u00e7a entre os sexos e, de outro, parecem vir em seu apoio, acomod\u00e1-la e inscrev\u00ea-la no m\u00e1rmore da ordem simb\u00f3lica. Os psicanalistas s\u00e3o frequentemente interpelados por esta quest\u00e3o, seja como guardi\u00f5es do templo ed\u00edpico, seja como propagadores do liberalismo moral mais desenfreado.<\/p>\n<p>Nossa via, no Instituto da Crian\u00e7a e no Campo Freudiano, consiste em confrontar nossa pr\u00e1tica, nossa cl\u00ednica, \u00e0s pistas abertas por Freud e por Lacan. Estas pistas ainda s\u00e3o atuais? Elas apresentam respostas ainda v\u00e1lidas diante dos impedimentos, dos embara\u00e7os e das inquieta\u00e7\u00f5es encontradas pelas crian\u00e7as, por seus pais e seus educadores? Propomos quatro perspectivas sobre a \u201cdiferen\u00e7a sexual\u201d, extra\u00eddas das obras de Freud e de Lacan, nos referindo \u00e0 leitura de Jacques-Alain Miller, particularmente ao seu texto \u201cOs seis paradigmas do gozo\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>Novo e singular: o sexual faz a diferen\u00e7a!<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>A primeira perspectiva \u00e9 aquela indicada por Freud no pref\u00e1cio aos seus <em>Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade<\/em> de 1910. Ele exprime ser \u201cseu firme desejo que este livro envelhe\u00e7a rapidamente, pela aceita\u00e7\u00e3o geral daquilo que trouxe de novo e pela substitui\u00e7\u00e3o de suas imperfei\u00e7\u00f5es por teses mais corretas\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Por\u00e9m, nos dois pref\u00e1cios seguintes, em 1914 e 1920, ele constata que esse desejo n\u00e3o foi atendido e que a recep\u00e7\u00e3o de sua teoria sexual estava distribu\u00edda entre acusa\u00e7\u00f5es de pansexualismo e resist\u00eancia assumida a essa parte de sua descoberta. O fator sexual, tal como ele o introduz no discurso universal, \u00e9 de fato uma novidade que n\u00e3o pode ser \u201cuniversalmente admitida\u201d. Novo e singular, tal \u00e9 o car\u00e1ter do sexual como ele se apresenta no tratamento anal\u00edtico. A posi\u00e7\u00e3o que o sujeito, desde a inf\u00e2ncia, assume em rela\u00e7\u00e3o a esse elemento de novidade e a esse elemento de singularidade, introduz para ele o germe de sua diferen\u00e7a absoluta. Isso \u00e9 fundamental no tratamento, mas igualmente no plano da civiliza\u00e7\u00e3o, pois significa que h\u00e1 uma diferen\u00e7a que n\u00e3o tem sua origem em uma segrega\u00e7\u00e3o, contrariamente a todas as outras diferen\u00e7as produzidas pelo social.<\/p>\n<p>Isto introduz uma dificuldade particular: nenhum c\u00f3digo permite ao sujeito decifrar o que lhe acontece e, portanto, ele n\u00e3o sabe por que aquilo lhe acontece, nem o que quer dizer. Contudo, est\u00e1 a seu cargo. E \u00e9 diante dessa falha que v\u00e3o se construir as teorias sexuais infantis e se edificar as diversas identifica\u00e7\u00f5es da inf\u00e2ncia. Assim, com Freud, o sexual <em>faz <\/em>a diferen\u00e7a e essa posi\u00e7\u00e3o radical confere estilo \u00e0 a\u00e7\u00e3o do psicanalista: preservar essa singularidade, bordejar essa novidade quando ela se torna violenta demais.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>O falo: um \u00f3rg\u00e3o bem particular<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>A segunda perspectiva abre-se em 1923, com o texto intitulado \u201cA organiza\u00e7\u00e3o genital infantil\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> e continua em 1925 com \u201cAlgumas consequ\u00eancias ps\u00edquicas da diferen\u00e7a anat\u00f4mica entre os sexos\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. O novo ator introduzido \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o muito particular, o falo, que nos termos de Freud exerce uma \u201cprimazia\u201d sobre a vida sexual infantil para os dois sexos. Ele \u00e9 particular porque sua efic\u00e1cia s\u00f3 se sustenta em ser possivelmente perdido. \u00c9 o que Freud chama de \u201ccastra\u00e7\u00e3o\u201d, e a fase f\u00e1lica \u00e9 o momento em que cada uma e cada um \u00e9 convocado a tomar posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao valor de uso desse \u00f3rg\u00e3o para eles. Um s\u00e9culo de psicologia enfraqueceu esse argumento decisivo. \u00c9 uma \u00e1rea de turbul\u00eancias na qual entram meninos e menina:<\/p>\n<p>\u2013 Os meninos entram com ang\u00fastia e sob a amea\u00e7a, por serem portadores do que deve ser perdido para fundar a diferen\u00e7a. Que valor atribuir, ent\u00e3o, ao que eles creem ter? As satisfa\u00e7\u00f5es pulsionais presentes n\u00e3o v\u00eam desmentir as promessas futuras?<\/p>\n<p>\u2013 Para as meninas, como o valor que elas atribuem ao seu \u201cn\u00e3o ter\u201d vai determinar a posi\u00e7\u00e3o delas? Aceita\u00e7\u00e3o tingida de inferioridade e tendendo \u00e0 ren\u00fancia? Ou ent\u00e3o abrindo para um uso da falta que vai da espera at\u00e9 a prefer\u00eancia absoluta dada a esta falta? Ou ainda uma posi\u00e7\u00e3o de revolta que a conduz, como ao menino, a um mundo de amea\u00e7a?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que essa perspectiva culmina com os textos de Freud que tratam da feminilidade<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> e de numerosos textos de suas alunas mulheres<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, pois ela mostra um ponto de fuga: n\u00e3o ter o que \u00e9 preciso para aferir a diferen\u00e7a coloca a menina na posi\u00e7\u00e3o de estar sob o impacto da diferen\u00e7a, sem dispor dos meios para limit\u00e1-la em seu pr\u00f3prio corpo. Lacan designar\u00e1 esse momento \u201ca querela do falo\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. N\u00e3o \u00e9 de surpreender, um s\u00f3 falo para os dois sexos, \u00e9 guerra garantida! Ela estaria ainda tendo continuidade, de acordo com os jornais e os <em>gender studies\u2026, <\/em>mas n\u00f3s devemos acreditar neles?<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>Diante da prova do desejo do Outro<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>A terceira perspectiva foi elaborada por Lacan entre 1956 e 1959 nos seus Semin\u00e1rios <em>A rela\u00e7\u00e3o de objeto<\/em>, <em>As forma\u00e7\u00f5es do inconsciente <\/em>e <em>O desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o<\/em><a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><em><strong>[8]<\/strong><\/em><\/a>, e em seu texto de 1958 \u201cA significa\u00e7\u00e3o do falo\u201d, no qual prop\u00f5e uma solu\u00e7\u00e3o superior \u00e0 querela do falo. Ele faz deste \u00faltimo um terceiro termo, que vai ser o eixo em torno do qual pode se operar uma reparti\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre homem e mulher. Mas que falo \u00e9 esse do qual se pode dizer, respondendo a Freud, que os fatos cl\u00ednicos \u201cdemonstram uma rela\u00e7\u00e3o do sujeito ao falo que se estabelece sem considerar a diferen\u00e7a anat\u00f4mica entre os sexos\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>? Este terceiro termo \u00e9 o falo como significante, significante do desejo do Outro. Segundo Lacan, a posi\u00e7\u00e3o estrutural inicial da crian\u00e7a \u00e9 a de querer ser o falo para satisfazer o desejo da m\u00e3e, e n\u00e3o que ela queira t\u00ea-lo ou que consinta ou n\u00e3o em t\u00ea-lo ou n\u00e3o t\u00ea-lo. \u00c9 isso que ele chama de \u201ca prova do desejo do Outro\u201d, a respeito da qual dir\u00e1 que \u201ca cl\u00ednica nos mostra que ela \u00e9 decisiva, n\u00e3o porque o sujeito aprende se ele tem ou n\u00e3o o falo real, mas porque ele aprende que a m\u00e3e n\u00e3o o tem\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Essa \u201cprova\u201d se apresenta, portanto, como a via de constru\u00e7\u00e3o de um objeto inexistente, da presen\u00e7a de uma aus\u00eancia. O encontro com o \u201cfalo da m\u00e3e\u201d designa um momento essencial do tratamento da crian\u00e7a, em que se repete na transfer\u00eancia esse enigma do <em>O que ele quer de mim?<\/em> que ser\u00e1 o motor do tratamento. Ele tamb\u00e9m designa o momento em que \u201co sujeito descobre que o Outro n\u00e3o sabe\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p>Mas se esse falo assume possivelmente toda a responsabilidade do que h\u00e1 de sexual na diferen\u00e7a, e se, para responder \u201ca esse falo, o que a crian\u00e7a tem n\u00e3o vale mais do que o que ela n\u00e3o tem\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>, ent\u00e3o o que ela tem para oferecer? E como fica a puls\u00e3o sexual, seus objetos e os acontecimentos do corpo que deixam tra\u00e7os de seu impacto, todas essas coisas que escapam ao Outro e que est\u00e3o no fundamento da solid\u00e3o e da diferen\u00e7a?<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>Como se inscrever no discurso sexual?<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>A quarta perspectiva toma forma no ensino de Lacan dos anos 1970-1972 \u2013 Semin\u00e1rios 18 e 19 <a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>\u2013 no curso dos quais ele reformula as coordenadas da inscri\u00e7\u00e3o de cada ser falante no que ele chama nesta oportunidade de \u201co discurso sexual\u201d. Todas as perspectivas precedentes est\u00e3o presentes e, no entanto, nada \u00e9 igual. O que mudou?<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659479\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659479\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659479\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/002-002-300x169.png\" alt=\"Autor: Brien Scott Imagem: abstract-wave-of-colors https:\/\/burst.shopify.com\/\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/002-002-300x169.png 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/002-002-274x155.png 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/002-002.png 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659479\" class=\"wp-caption-text\">Autor: Brien Scott<br \/>Imagem: abstract-wave-of-colors<br \/>https:\/\/burst.shopify.com\/<\/figcaption><\/figure>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>Distribui\u00e7\u00e3o e distin\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/h3>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Lacan parte de uma constata\u00e7\u00e3o: \u201cde modo algum precisamos esperar pela fase f\u00e1lica para distinguir uma menina de um menino; j\u00e1 muito antes eles n\u00e3o s\u00e3o iguais, em absoluto. E a\u00ed nos deslumbramos\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. H\u00e1 certamente uma diferen\u00e7a, mas esta n\u00e3o \u00e9 \u201csexual\u201d, pois se houvesse diferen\u00e7a sexual, ela estabeleceria com efeito uma rela\u00e7\u00e3o entre os dois sexos, uma rela\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7a. Essa dita \u201cdiferen\u00e7a\u201d responde ao fato real de que \u201cna idade adulta \u00e9 pr\u00f3prio do destino de seres falantes distribu\u00edrem-se entre homens e mulheres\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. \u00c9 uma distribui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o anat\u00f4mica, mas de puro semblante: \u201co que define o homem \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher, e vice-versa\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>. Enquanto nomeados \u201chomem\u201d ou \u201cmulher\u201d, eles n\u00e3o t\u00eam outra exist\u00eancia, que significante. Estes s\u00e3o os semblantes por excel\u00eancia. E \u00e9 assim que eles se abordam, como os sites de encontro exploram t\u00e3o bem.<\/p>\n<p>Fundando-se sobre essa \u201cdistribui\u00e7\u00e3o\u201d entre homem e mulher, \u00e9 que meninos e meninas se distinguem e, mais precisamente, que \u201cs\u00e3o distinguidos\u201d no discurso, desde que chegam ao mundo. \u00c9 isso que faz com que \u201cessa diferen\u00e7a que se imp\u00f5e como inata \u00e9, com efeito, muito natural\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>, dir\u00e1 Lacan. O que \u00e9 gravado como diferen\u00e7a \u00e9, em sua ess\u00eancia, uma distin\u00e7\u00e3o, como um t\u00edtulo de nobreza ou uma cita\u00e7\u00e3o insuport\u00e1vel: existem as &#8220;eminentes mulheres&#8221; e os \u201ceminentes homens\u201d. De onde vem, ent\u00e3o, que essa distin\u00e7\u00e3o de puro semblante adquira para o sujeito valor real de gozo sexual?<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>Solidariedade dos semblantes<\/strong><\/span><\/h3>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>J.-A. Miller destacou em seu texto \u201cEm dire\u00e7\u00e3o \u00e0 adolesc\u00eancia\u201d a express\u00e3o de Lacan \u201ca imiscui\u00e7\u00e3o do adulto na crian\u00e7a\u201d para destacar \u201cH\u00e1 uma esp\u00e9cie de antecipa\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o adulta na crian\u00e7a\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. N\u00f3s a aplicamos aqui a esta distin\u00e7\u00e3o menino\/menina, que se opera a partir da reparti\u00e7\u00e3o no andar superior homem\/mulher.<\/p>\n<p>Um primeiro aspecto dessa imiscui\u00e7\u00e3o \u00e9 que as identifica\u00e7\u00f5es sexuais s\u00e3o sempre dependentes de semblantes: tudo o que vai tentar dar consist\u00eancia a uma identidade sexual, viril ou feminina, se ver\u00e1 inevitavelmente desdobrada na dimens\u00e3o da mostra\u00e7\u00e3o ou da mascarada. Eis a dimens\u00e3o chamada, hoje em dia, de \u201cg\u00eanero\u201d.<\/p>\n<p>A outra dimens\u00e3o, mais fundamental, repousa sobre o fato de que, do lado do adulto, o gozo dito sexual se encontra \u201csolid\u00e1rio de um semblante\u201d. Assim, numa \u201csitua\u00e7\u00e3o real\u201d, isto \u00e9, cada vez que o sujeito \u00e9 convocado como homem ou mulher, esses semblantes t\u00eam uma efic\u00e1cia real, que se produz como obst\u00e1culo entre os dois.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma forte tese de Lacan: no encontro dos corpos sexuados, \u201co real do gozo sexual enquanto destacado como tal, \u00e9 o falo\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. O falo \u00e9 aqui o \u201cobst\u00e1culo\u201d feito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre os sexos e, portanto, \u201c\u00e0 bipolaridade sexual\u201d<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. Ele n\u00e3o \u00e9 o nome do gozo sexual na rela\u00e7\u00e3o de um sexo a outro \u2013 essa \u00e9 a promessa da pornografia, que substituiu a fantasia \u2013, mas de prefer\u00eancia o index do gozo sexual enquanto ele se interp\u00f5e entre um sexo e o outro. O falo aqui perde seu estatuto de significante da presen\u00e7a do sexual, mas ganha sua fun\u00e7\u00e3o de significado do gozo: \u00e9 o efeito surpresa do tratamento anal\u00edtico, segundo Lacan.<\/p>\n<p>A imiscui\u00e7\u00e3o do adulto na crian\u00e7a \u00e9 o fato de a crian\u00e7a ser conduzida para receber uma distin\u00e7\u00e3o e a se distinguir menina ou menino em fun\u00e7\u00e3o deste semblante constitu\u00eddo na idade adulta segundo uma outra l\u00f3gica e outra economia de gozo, distinta daquela que prevalece na inf\u00e2ncia. Como ela vai levar isso em considera\u00e7\u00e3o, se ainda n\u00e3o lhe \u00e9 pedido para acertar o \u201cpre\u00e7o que ter\u00e1 adquirido, na continua\u00e7\u00e3o, a pequena diferen\u00e7a\u201d?<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> Fica estabelecida aqui uma solidariedade de semblante entre as gera\u00e7\u00f5es, solidariedade que indica e encobre ao mesmo tempo o real do gozo em jogo e que confere consist\u00eancia \u00e0 estrutura familiar, sob suas modalidades t\u00e3o diversas. A fam\u00edlia aparece, assim, tanto como o lugar onde se transmite a falha do sexual, como o lugar em que ela se mascara, sem a media\u00e7\u00e3o do \u00c9dipo, mas n\u00e3o sem a castra\u00e7\u00e3o, aqui castra\u00e7\u00e3o do gozo.<\/p>\n<p>Nosso acolhimento e nosso trabalho junto \u00e0s fam\u00edlias atuais poder\u00e3o esclarecer sobre o que se elabora neste lugar. Indica-se a const\u00e2ncia da dimens\u00e3o de \u201creligi\u00e3o privada\u201d, que pode fornecer uma consist\u00eancia a cada uma: ao mesmo tempo, mostra\u00e7\u00e3o do gozo e ritos que o sacrificam com o prop\u00f3sito de lhe perpetuar a exist\u00eancia. Mas \u00e9 tamb\u00e9m a possibilidade ofertada aos homens e \u00e0s mulheres do s\u00e9culo para n\u00e3o se apagar ou se esconder atr\u00e1s das figuras da paternidade, da maternidade ou da parentalidade. Unicamente isso pode abrir caminho \u00e0 novas maneiras de ser pai e de ser m\u00e3e, standard pr\u00e9vio, o que n\u00e3o acontece sem angustiar aqueles e aquelas que a\u00ed se engajam.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>A crise do falo<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>Meninos e meninas s\u00e3o distinguidos a partir de uma escolha de gozo, que determina as posi\u00e7\u00f5es homem e mulher, e que faz passar por uma reparti\u00e7\u00e3o significante: \u00e9 o que Lacan chama de \u201co erro comum\u201d<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>. Este erro introduz a todo momento na subjetividade uma situa\u00e7\u00e3o de \u201ccrise\u201d, isto \u00e9, de escolha. Lacan, nesse ponto, retoma as coordenadas freudianas de fase f\u00e1lica para extrair a l\u00f3gica. \u201cA verdade com a qual n\u00e3o h\u00e1 um desses jovens seres falantes que n\u00e3o tenha de se confrontar \u00e9 que existe quem n\u00e3o tenha falo. \u00c9 uma dupla intrus\u00e3o na falta, porque existe quem o tenha, e ainda por cima, essa verdade faltava at\u00e9 ent\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. O que h\u00e1 de novo deve ser situado na dimens\u00e3o de acontecimento no campo da verdade: \u201c\u00c9 que a uma nova verdade n\u00e3o podemos contentar-nos em dar lugar, porque \u00e9 de assumir nosso lugar nela que se trata. Ela exige que nos mexamos\u201d<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>. Nessa perspectiva, a dita crise n\u00e3o \u00e9 cronol\u00f3gica, mas l\u00f3gica, no sentido de que \u00e9 sempre atual. N\u00e3o nos habituamos, n\u00e3o h\u00e1 idade para ela. Esta dupla intrus\u00e3o da falta \u00e9 ativada a cada vez que o sujeito tem que tomar lugar em uma \u201csitua\u00e7\u00e3o real\u201d em que seu desejo e seu gozo est\u00e3o implicados, em que ele \u00e9 confrontado com o enigma do desejo do Outro ou com a insist\u00eancia de sua demanda, com o seu amor ou seu \u00f3dio, ou com a presen\u00e7a de seu gozo, que esta situa\u00e7\u00e3o real o concerne, direta ou indiretamente, por identifica\u00e7\u00e3o a um terceiro.<\/p>\n<p>A crise da fase f\u00e1lica pode ent\u00e3o ser considerada como uma crise do pr\u00f3prio falo, que no momento em que ele passa a semblante, torna-se instrumento da fun\u00e7\u00e3o castra\u00e7\u00e3o para o ser falante cada vez que sobressai o ganho de sua identifica\u00e7\u00e3o sexual, adulto ou crian\u00e7a.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>Identifica\u00e7\u00f5es e sintomas<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>Uma identifica\u00e7\u00e3o sexual, quer seja a de \u201cmenina\u201d ou a de \u201cmenino\u201d, \u201chomem\u201d ou \u201cmulher\u201d, n\u00e3o \u00e9 sempre uma identifica\u00e7\u00e3o de crise? Tr\u00eas raz\u00f5es para isso:<\/p>\n<p>\u2013 ela \u00e9 inst\u00e1vel, pois projeta o corpo falante no universo dos semblantes, o que n\u00e3o se opera sem perda, uma perda sem garantia, que se nomeia \u201ccastra\u00e7\u00e3o\u201d;<\/p>\n<p>\u2013 ela \u00e9 sempre atual, no sentido de se operar a partir de uma escolha <em>hic et nunc;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013<\/em> ela \u00e9 sempre sintom\u00e1tica, na medida em que os semblantes convocados fracassam em inscrever o gozo em jogo, gozo sexual sempre em excesso na economia de gozo do corpo pr\u00f3prio; ela destaca a discord\u00e2ncia entre os semblantes e o gozo.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria nesse momento de crise que a psican\u00e1lise ou o praticante s\u00e3o solicitados por um desses dist\u00farbios da crian\u00e7a que proliferam hoje sob denomina\u00e7\u00f5es que s\u00e3o a roupagem dos experts? N\u00f3s n\u00e3o ter\u00edamos que fazer ressoar o valor da inibi\u00e7\u00e3o, do sintoma ou da ang\u00fastia para a crian\u00e7a? Estes diversos dist\u00farbios n\u00e3o seriam com efeito respostas e defesas face a este momento de crise, em que se v\u00ea abalada a identifica\u00e7\u00e3o f\u00e1lica que sustentava at\u00e9 ent\u00e3o esta crian\u00e7a? Devemos considerar que esta identifica\u00e7\u00e3o f\u00e1lica \u2013 sempre dispon\u00edvel no tempo da inf\u00e2ncia e atualmente privilegiada no seio da fam\u00edlia e no discurso corrente \u2013 permite realmente a uma crian\u00e7a se manter \u00e0 dist\u00e2ncia das quest\u00f5es da identifica\u00e7\u00e3o sexual? N\u00e3o dever\u00edamos considerar de prefer\u00eancia a crise do falo como o momento fundamental em que se sintomatiza a vida da crian\u00e7a, em que ela come\u00e7a a aprender o regime <em>sinthom\u00e1tico <\/em>de sua inscri\u00e7\u00e3o no discurso sexual? \u201cA identifica\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o consiste em algu\u00e9m se acreditar homem ou mulher, mas em levar em conta que existem mulheres, para o menino, e que existem homens, para a menina\u201d<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a>. Manifestamente h\u00e1 muitas maneiras de levar isso em conta e o fato de que n\u00e3o s\u00e3o de nenhuma forma normatizados.<\/p>\n<p>Eis o novo <em>deal, <\/em>no qual est\u00e3o engajados meninos e meninas, doravante mais diretamente confrontados com os embara\u00e7os da castra\u00e7\u00e3o, tais que encarnam para os homens e para as mulheres que vivem no entorno e os acolhem. Esta falha adquire nome na l\u00edngua que \u00e9 falada \u00e0 crian\u00e7a e na qual ela \u00e9 falada \u2013 o nome de \u201cdiferen\u00e7a sexual\u201d \u2013, correndo o risco de todos os mal-entendidos e erros. N\u00f3s n\u00e3o os denunciamos como sendo fic\u00e7\u00f5es, bem ao contr\u00e1rio, e acolhemos como tal as fic\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a que nos fala, fic\u00e7\u00f5es que carregam a marca da diferen\u00e7a absoluta que elas cont\u00eam, sempre sexual.<\/p>\n<p>No texto \u201cA crian\u00e7a e o saber\u201d, J.-A. Miller nos apresenta o vetor que guia nossa a\u00e7\u00e3o: \u201cPertence ao Instituto da Crian\u00e7a restituir o lugar do saber da crian\u00e7a, disso que as crian\u00e7as sabem\u201d<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a>. Para os dois pr\u00f3ximos anos iremos, portanto, nos informar sobre o que as crian\u00e7as, meninas ou meninos, sabem da diferen\u00e7a sexual, do que querem ou n\u00e3o saber a respeito, e do que podem ou n\u00e3o podem saber.<\/p>\n<h6><strong>\u00a0<\/strong><strong>Texto estabelecido<\/strong> por Herv\u00e9 Damase e Fr\u00e9d\u00e9rique Bouvet, relido pelo autor.<br \/>\n<strong>Tradu\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o:<\/strong> Cristina Vidigal, Ana Lydia Santiago e Ana Helena Souza.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Miller, J. A. (2000). Os seis paradigmas do gozo. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, 26\/27<\/em>, 87-105. S\u00e3o Paulo: Eolia.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Freud, S.(2016 [1901-1905]). Obras completas, volume 6: Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade, An\u00e1lise fragment\u00e1ria de uma histeria (\u201cO caso Dora\u201d) e outros textos. Trad. Paulo Cezar Souza. S\u00e3o Paulo: Cia das Letras, p. 14.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Freud, S.(2011 [1923-1925]). A organiza\u00e7\u00e3o genital infantil. In: Obras completas, volume 16: O eu o id, \u201cAutobiografia\u201d e outros textos. Trad. Paulo Cezar Souza. S\u00e3o Paulo: Cia das Letras, p. 168.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Freud, S.(2011 [1923-1925]). Algumas consequ\u00eancias ps\u00edquicas\u00a0 da diferen\u00e7a anat\u00f4mica entre os sexos. In: Obras completas, volume 16: O eu o id, \u201cAutobiografia\u201d e outros textos. Trad. Paulo Cezar Souza. S\u00e3o Paulo: Cia das Letras, p. 283.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Freud, S. (2010 [1930-1936]). \u00a0A feminilidade &amp; Sobre a sexualidade feminina. In: Obras completas, volume 18: O mal estar na civiliza\u00e7\u00e3o, Novas confer\u00eancias introdut\u00f3rias \u00e0 psican\u00e1lise e outros textos. Trad. Paulo Cezar Souza. S\u00e3o Paulo: Cia das Letras, p. 283 e p. 371.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Cf. Hamon M.-C. (1992). Pourquoi les femmes aiment-elles les hommes?, Paris: Seuil &amp; Feminit\u00e9 Mascarade, \u00e9tudes psychanalytiques reunies par M.-C. Hamon, Paris, Seuil, 1994. Tradu\u00e7\u00e3o Livre.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Lacan, J.(1998). A significa\u00e7\u00e3o do falo. In: Escritos, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 693. <em>(Sobre isso, ler os dois artigos de refer\u00eancia de Pierre Naveau: \u201cLa querelle du phallus\u201d, La cause freudienne n<sup>o <\/sup>24, janvier 1993, p. 12-16, e \u201cLa com\u00e9die du phallus\u201d, La cause du d\u00e9sir\u00a0 n<sup>o<\/sup> 95, avril 2017, p. 25-32)<\/em><em>.<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Lacan, J. (1995[1956-57]) <em>O Semin\u00e1rio<\/em>, livro 4: <em>a rela\u00e7\u00e3o de objeto. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor; Lacan, J. (1999[1957-58]) <em>O Semin\u00e1rio<\/em>, livro 5:<em> As forma\u00e7\u00f5es do inconsciente<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor e Lacan, J. (2013[1958-1959]) <em>O Semin\u00e1rio<\/em>, livro 6: O desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Lacan, J.(1998). A significa\u00e7\u00e3o do falo, <em>op. cit<\/em>., p. 693.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Lacan, J.(1998). A significa\u00e7\u00e3o do falo, <em>op. cit<\/em>., p. 701.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Miller, J.A. (2016). \u201cInterpretar a crian\u00e7a\u201d. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana \u2013 Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise <\/em>(72). S\u00e3o Paulo: Eolia, p.18.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Lacan, J.(1998). A significa\u00e7\u00e3o do falo, <em>op. cit<\/em>., p. 701.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Lacan, J. (2009[1971]) <em>O Semin\u00e1rio,<\/em> livro 18: <em>de um discurso que n\u00e3o fosse semblante<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor &amp; Lacan, J. (2012[1971-72]) <em>O Semin\u00e1rio<\/em><em>, <\/em>livro 19:<em>&#8230;ou pior<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Lacan, J. (2009[1971]) <em>O Semin\u00e1rio,<\/em> livro 18: <em>de um discurso que n\u00e3o fosse semblante<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 30.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> <em>Ibid<\/em>., p. 30.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> <em>Ibid<\/em>., p.30.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Lacan, J. (2012[1971-72]) <em>O Semin\u00e1rio,<\/em> livro 19: <em>&#8230;ou pior<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 15.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Miller, J.A. (2016). \u201cEm dire\u00e7\u00e3o a adolesc\u00eancia\u201d. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana \u2013 Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise <\/em>(72), mar\u00e7o de 2006. S\u00e3o Paulo: Eolia, p.23.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Lacan, J. (2009[1971]) <em>O Semin\u00e1rio,<\/em> livro 18: <em>de um discurso que n\u00e3o fosse semblante<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor , p. 33.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Ibid., p. 62.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Lacan, J. (2012[1971-72]) <em>O Semin\u00e1rio,<\/em> livro 19: <em>&#8230;ou pior<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 16.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Lacan, J. (2012[1971-72]) <em>O Semin\u00e1rio,<\/em> livro 19: <em>&#8230;ou pior<\/em>. \u00a0Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 17.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Lacan, J. (2009[1971]) <em>O Semin\u00e1rio,<\/em> livro 18: <em>de um discurso que n\u00e3o fosse semblante<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 33.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Lacan, J.(1998). A inst\u00e2ncia da letra no inconsciente ou a raz\u00e3o desde Freud. <em>Escritos<\/em>, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 525.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Lacan, J. (2009[1971]) <em>O Semin\u00e1rio,<\/em> livro 18: <em>de um discurso que n\u00e3o fosse semblante<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 33.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Miller, J.A (2011). \u201cA crian\u00e7a e o saber\u201d. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/CIEN-Digital11.pdf\">http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/CIEN-Digital11.pdf<\/a> p. 8<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interven\u00e7\u00e3o na 5\u00aaJournn\u00e9e d\u00b4\u00e9tude de l\u00b4Institute psychanalytique de l\u00b4Enfant Daniel Roy A cada dois anos, o Comit\u00ea de iniciativa do Instituto da Crian\u00e7a submete a Jacques-Alain Miller propostas de tema para a pr\u00f3xima Jornada. Em 2021, apenas uma proposta \u2013 \u201cA diferen\u00e7a sexual\u201d \u2013 foi un\u00e2nime. J.-A. Miller aprovou e confiou a Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5659480,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[140,21],"tags":[141],"post_series":[],"class_list":["post-5659478","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cien-digital-23","category-hifen","tag-cien-digital-23","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659478","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5659478"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659478\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5659480"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5659478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5659478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5659478"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5659478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}