{"id":5659561,"date":"2022-01-23T07:15:51","date_gmt":"2022-01-23T10:15:51","guid":{"rendered":"http:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659561"},"modified":"2022-01-23T07:44:11","modified_gmt":"2022-01-23T10:44:11","slug":"mesa-de-encerramento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2022\/01\/23\/mesa-de-encerramento\/","title":{"rendered":"MESA DE ENCERRAMENTO"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659561?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659561?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h4><em>II Conversa\u00e7\u00e3o CIEN Am\u00e9rica &#8211; A crian\u00e7a violenta e a dignidade do sujeito <\/em><\/h4>\n<h3><em>S\u00e3o Paulo, 13 de setembro de 2019.<\/em><\/h3>\n<h3><span style=\"color: #0000ff;\"><strong><em>Um encerramento, uma abertura<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<h6><em>Paola Salinas (CIEN Brasil) e Beatriz Udenio (CIEN Argentina)<\/em><\/h6>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-5659562\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-014-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-014-300x225.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-014-274x205.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-014.jpg 471w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Paola Salinas:<\/strong> Um encerramento e uma abertura. Vamos tentar extrair algo do que se trabalhou hoje intensamente, e tentar abrir alguns pontos.<\/p>\n<p>Destaco, para iniciar, dois significantes que organizaram e orientaram nosso trabalho: a conversa\u00e7\u00e3o, e depois de tr\u00eas anos de trabalho no CIEN Brasil incluo esse outro significante \u2013 a transmiss\u00e3o. Tem sido uma quest\u00e3o importante no trabalho da comiss\u00e3o do CIEN Brasil, e no CIEN Argentina, pensar como transmitir aquilo que fazemos nos laborat\u00f3rios, essa possibilidade de afetar o outro, e transmitir a singularidade e especificidade do trabalho que o CIEN faz. Gostaria, ent\u00e3o, de come\u00e7ar por esse ponto.<\/p>\n<p>Para construir o encontro de hoje, utilizamos o dispositivo da conversa\u00e7\u00e3o como forma de trabalho dentro da pr\u00f3pria comiss\u00e3o de leitura e sele\u00e7\u00e3o dos textos. Lemos os textos previamente, discutimos o que cada um nos causou, o que cada um abriu como pergunta, e ainda, o que foi poss\u00edvel a cada um transmitir ou n\u00e3o. A partir da\u00ed, pudemos retomar a conversa com os laborat\u00f3rios autores dos textos. Assim, a comiss\u00e3o se ocupou de tentar ler aquilo que era transmiss\u00edvel em cada texto, e devolver uma pergunta que visava destacar a intensidade e a preciosidade de trabalho, que muitas vezes n\u00e3o aparece no papel. Hoje pude rever alguns dos textos e perceber giros nas constru\u00e7\u00f5es, especificamente no que diz respeito ao esclarecimento da fun\u00e7\u00e3o da conversa\u00e7\u00e3o, de onde aparecia um furo, onde havia um impasse e poder dizer em que, a abertura, o vazio aberto nos espa\u00e7os de conversa\u00e7\u00e3o, permitiu a cada laborat\u00f3rio avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Visamos para al\u00e9m de cada situa\u00e7\u00e3o descrita, zelar pela transmiss\u00e3o do funcionamento que sustentou uma posi\u00e7\u00e3o que possibilitasse a inven\u00e7\u00e3o em cada caso.<\/p>\n<p>Ainda, gostaria de enfatizar alguns pontos trazidos hoje. Primeiro, em algum momento, uma mesa colocou a cren\u00e7a no inconsciente como um exerc\u00edcio permanente no laborat\u00f3rio, j\u00e1 que crer no inconsciente n\u00e3o garante que a hi\u00e2ncia e o furo estejam abertos \u2013 \u00e9 algo que pode se dar a cada vez ao se sustentar esse lugar.<\/p>\n<p>Um outro ponto importante \u00e9 o que fazemos em uma conversa\u00e7\u00e3o. Hoje ficou claro que esse fazer acontece a partir de uma pergunta. H\u00e1 um estatuto da pergunta no dispositivo da conversa\u00e7\u00e3o do CIEN, como foi dito na mesa anterior.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, vimos que em uma conversa\u00e7\u00e3o surgem significantes. O que se faz com esses significantes? Constatamos que n\u00e3o \u00e9 exatamente a mesma coisa que se faz na experi\u00eancia anal\u00edtica. Vimos situa\u00e7\u00f5es que trouxeram um fazer com esses significantes no ponto em que surgem para tamponar a dignidade ou a palavra, vimos o trabalho com esses significantes a partir dessa perspectiva da inter-disciplinaridade dos discursos e da conversa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para finalizar, gostaria de retomar a frase dita por Mat\u00edas, adolescente que foi atendido no dispositivo, e \u00e9 importante ressaltar que n\u00e3o priorizamos o caso cl\u00ednico, mas como o dispositivo da conversa\u00e7\u00e3o no laborat\u00f3rio redimensiona a pr\u00e1tica dos profissionais e permite, dentro de um protocolo, uma outra forma de intervir. H\u00e1 a dimens\u00e3o do caso que pode aparecer ou n\u00e3o: em uma institui\u00e7\u00e3o de sa\u00fade \u00e9 mais prop\u00edcio que apare\u00e7am os casos como \u201ccasos cl\u00ednicos\u201d, j\u00e1 nas escolas aparecem como outros tipos de casos \u2013 \u00e9 o que esse dispositivo permite para que estejamos \u00e0 altura de receber as crian\u00e7as e adolescentes em cada lugar. Ent\u00e3o, retomando a fala de Matias a respeito de uma interna\u00e7\u00e3o para restri\u00e7\u00e3o de uso de drogas, ele dizia que n\u00e3o queria ficar internado, pois l\u00e1 \u201censinam s\u00f3 a ficar dentro e n\u00e3o a ficar fora\u201d. Isso me fez pensar, \u201cbom, e o que o CIEN faz com rela\u00e7\u00e3o a essa borda do dentro ou fora\u201d?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659563 alignleft\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-015-300x189.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"189\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-015-300x189.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-015-274x173.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-015.jpg 371w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Podemos pensar o CIEN como a possibilidade de abertura de um espa\u00e7o, de um lugar, de uma pergunta. \u00c9 uma abertura que permite uma inven\u00e7\u00e3o e, com ela, a possibilidade da dignidade. O CIEN como possibilidade de abertura para que cada sujeito possa, nela, surgir: o professor, a crian\u00e7a, o orientador, o adolescente, a professora, o m\u00e9dico, a assistente social&#8230; e a partir da\u00ed um novo la\u00e7o pode se fazer, ou seja, entrar. \u00c9 uma entrada diferente daquela a que o Mat\u00edas se recusa, \u00e9 poder entrar de outra maneira no la\u00e7o social.<\/p>\n<p><strong>Beatriz Udenio:<\/strong> Chegamos ao final desta Conversa\u00e7\u00e3o. De todos os pontos destacados, tomarei somente alguns deles. Como em toda Conversa\u00e7\u00e3o, algo seguir\u00e1 nos empurrando a prosseguir.<\/p>\n<p>O CIEN tem uma hist\u00f3ria que est\u00e1 presente em cada Conversa\u00e7\u00e3o. Porque em cada Conversa\u00e7\u00e3o se destaca algo do que, em seu momento, seguido de uma elabora\u00e7\u00e3o coletiva, seus assessores nos transmitiram &#8211; Alexandre Stevens e Eric Laurent &#8211; que nos acompanharam em muitas de nossas Jornadas e Conversa\u00e7\u00f5es. Como Judith Miller, presente tamb\u00e9m em cada movimento do CIEN. Essas pontua\u00e7\u00f5es seguem vigentes, fazendo parte dos princ\u00edpios nos quais nos apoiamos.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 tamb\u00e9m a atualidade do CIEN, uma atualidade que conta com isso, mas tamb\u00e9m introduz e captura novidades.<\/p>\n<p>Algumas dizem respeito aos la\u00e7os que foram se estreitando entre o CIEN argentino e o CIEN brasileiro. Tamb\u00e9m, a presen\u00e7a de \u00c8ve Miller-Rose, Secret\u00e1ria do Instituto do Campo Freudiano, marcando um novo tempo, do CIEN e das Redes do Campo Freudiano. \u00c9 o movimento que tamb\u00e9m assistimos nos laborat\u00f3rios do CIEN, onde deixamos algumas coisas, pegamos outras, recuperamos algo de outro momento e depois esse impulso novo, essa novidade, essa surpresa, essa conting\u00eancia que nos marca.<\/p>\n<p>Quero dizer algo sobre o t\u00edtulo que demos para a mesa de encerramento de v\u00e1rias de nossas Jornadas e Conversa\u00e7\u00f5es: \u201cPontua\u00e7\u00f5es e perspectivas\u201d. Juan Carlos Indart, assessor do CIEN, que nos acompanhou nas \u00faltimas Conversa\u00e7\u00f5es americanas, dizia que ficava um pouco incomodado com esse lugar de ter que fazer pontua\u00e7\u00f5es e abrir perspectivas. Ele n\u00e3o p\u00f4de viajar desta vez, mas seu inc\u00f4modo nos colocou a trabalho de tal modo que, quando pens\u00e1vamos os t\u00edtulos para cada espa\u00e7o desta Conversa\u00e7\u00e3o, surgiu este: \u201cUm fechamento, uma abertura\u201d.<\/p>\n<p>Cada Conversa\u00e7\u00e3o chega a um fim. Marcado pelo tempo e pelo que at\u00e9 ali foi poss\u00edvel dizer. Jacques-Alain Miller sublinhou isto em m\u00faltiplas ocasi\u00f5es. Capturam-se alguns pequenos saberes e se perfilam movimentos por vir. Precipitamos algumas solu\u00e7\u00f5es, novidades, circunscrevemos impasses, perguntas abertas, e seguimos. Portanto, o t\u00edtulo dado a esta mesa implica esse movimento: trata-se de um fechamento, mas d\u00e1 lugar a uma abertura. Como frequentemente constatamos no trabalho dos Laborat\u00f3rios.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo do IX Enapol, que ocorrer\u00e1 estes dias \u2013 \u201c\u00d3dio, c\u00f3lera e indigna\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 me convidam a situar dois afetos que vejo muito presentes nos trabalhos do CIEN.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-5659564\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-016-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-016-300x225.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-016-274x206.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-016.jpg 424w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Um, a alegria. Poder\u00edamos escrever sobre a alegria do CIEN. A alegria que se notou em cada uma das mesas, por exemplo ao terminar a leitura dos trabalhos e come\u00e7ar a Conversa\u00e7\u00e3o, quando aparecia o chiste, a piada e certo gozo da vida, que era o que se tratava de transmitir, pelo obtido ou, inclusive, dando conta daquilo que n\u00e3o se encontrava ainda em tal ou qual trabalho. Se ressalto isto, \u00e9 porque com frequ\u00eancia nos deparamos com o efeito devastador dos discursos atuais, onde a burocracia produz o contr\u00e1rio \u00e0 alegria. Lembro aquilo que Lacan mencionou em seus Escritos: \u201cTodos sabem que sou alegre (&#8230;) N\u00e3o sou triste. Ou, mais exatamente, s\u00f3 tenho uma tristeza (&#8230;) \u00e9 haver cada vez menos pessoas a quem eu possa dizer as raz\u00f5es de minha alegria, quando as tenho\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. N\u00e3o temos alegrias o tempo todo. Mas creio que poder\u00edamos dizer que o trabalho no CIEN e estas Conversa\u00e7\u00f5es s\u00e3o uns desses momentos em que encontramos alguns outros com quem compartilhar a alegria.<\/p>\n<p>O segundo ponto ao qual queria me referir \u00e9 o desejo. O desejo na dimens\u00e3o de pot\u00eancia fecunda que lhe outorgamos na psican\u00e1lise, mas tamb\u00e9m em sentido mais amplo. Lembro que uma das professoras que interveio, fez refer\u00eancia \u00e0quilo que coloca em jogo em seu ato de ensinar. O desejo daquele que ensina nos ocupou em muitas ocasi\u00f5es. No campo pedag\u00f3gico se fala disso, nomeando-o como arte ou como voca\u00e7\u00e3o. Creio que no enquadre do CIEN, o desejo \u00e9 crucial. Lembro com isso de uma refer\u00eancia do Semin\u00e1rio 10, A ang\u00fastia, de Lacan, onde se refere ao desejo do analista e prop\u00f5e a f\u00f3rmula \u201cte desejo, ainda que n\u00e3o o saiba\u201d Te desejo, ainda que n\u00e3o saiba o que desejo, qual objeto estou acolhendo, que voc\u00ea desconhece e eu tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>A\u00ed o desejo anda de m\u00e3os dadas com um n\u00e3o-saber. N\u00e3o estamos distantes de situar esse n\u00e3o-saber como suporte dos trabalhos dos laborat\u00f3rios, sustentado em um desejo, como vazio fecundo, justo ali onde o mercado oferece os saberes como mercadoria para preencher. Nos laborat\u00f3rios, foi assinalado sob a forma de normas homogeneizadoras, protocolos, programas; novos objetos que o mercado lan\u00e7a para manter tudo quieto sob seu controle. O desejo como vazio fecundo, assim como na pureza da psican\u00e1lise se oferece a quem vem tratar seu sofrimento, nos laborat\u00f3rios se constata em cada um daqueles sobre os quais interv\u00e9m, de tal modo que cada um dos jovens ou crian\u00e7as em quest\u00e3o possam encontrar um modo de transformar seu sofrimento em algum tipo de solu\u00e7\u00e3o que lhe permita se fazer um lugar no mundo. Ent\u00e3o, em seguida da alegria e do desejo, \u00e9 preciso colocar o corpo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659565 alignleft\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-017-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-017-300x225.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-017-274x206.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-017.jpg 404w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Em todas as experi\u00eancias que voc\u00eas narraram aqui e que n\u00f3s compartilhamos, em certo momento chave da experi\u00eancia, o ensinante ou o operador ou o psic\u00f3logo que a transmitia, fazia refer\u00eancia a um \u201ccolocar o corpo\u201d. Do lado do operador, um modo diferente de se envolver, que lhe permitia, al\u00e9m disso, dar conta de certo j\u00fabilo constatado em tal ou qual sujeito, nesse novo modo de sustentar o corpo. Juan Carlos Indart sinalizou isso em Conversa\u00e7\u00f5es anteriores: trata-se de algo que n\u00e3o se consegue sempre, mas em algumas ocasi\u00f5es se constata. Um momento novo, no qual algum rapaz ou alguma crian\u00e7a, de repente, p\u00f4de se erguer e nomear-se de outra maneira; um instante de dignidade singular<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m, no modo de trabalho do CIEN e sua ferramenta fundamental, a Conversa\u00e7\u00e3o, estilos de conversa\u00e7\u00f5es, a variedade, n\u00e3o h\u00e1 uma norma para isso \u2013 como se escutou nos interc\u00e2mbios desta jornada. Se n\u00f3s quis\u00e9ssemos localizar crit\u00e9rios ou normas de como deve ser uma Conversa\u00e7\u00e3o no CIEN, se \u201cdesnaturaliza\u201d, n\u00e3o poderia continuar sendo o que \u00e9. Ent\u00e3o tamb\u00e9m h\u00e1 essa variedade, que voc\u00eas poder\u00e3o constatar ao retornar \u00e0 publica\u00e7\u00e3o que se far\u00e1 desta Conversa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro ponto para destacar, que surgiu de v\u00e1rios, \u00e9 o que acontece quando se abre a dimens\u00e3o da palavra. Lembro aqui a refer\u00eancia de uma interven\u00e7\u00e3o de \u00c9ric Laurent, onde lia os efeitos do trabalho de v\u00e1rios Laborat\u00f3rios e dizia: que quando se abrem as comportas da palavra, \u00e9 preciso saber muito bem quando e onde se deter \u2013 porque efetivamente h\u00e1 um limite com rela\u00e7\u00e3o ao que se trata na singularidade de um caso em uma situa\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia de an\u00e1lise e at\u00e9 onde chegamos com as experi\u00eancias do CIEN. Isto \u00e9 algo que esta Conversa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m cuidou: at\u00e9 onde se provoca essa abertura \u00e0 palavra, prudentes em seu alcance, respeitando os limites dessa interven\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Poder\u00edamos dizer que esta Conversa\u00e7\u00e3o de hoje nos ensinou sobre o que fazemos: facilitar, acompanhar, atuar como bons anfitri\u00f5es, para que cada um tome a palavra e fa\u00e7a com sua palavra, com outros, alguma inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Destacamos, ent\u00e3o, a inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na mesma interven\u00e7\u00e3o que mencionei anteriormente, Juan Carlos Indart nos dizia que com legitimidade poder\u00edamos dizer que o CIEN se orienta pela no\u00e7\u00e3o do sintoma, tal como aparece descrito no \u00faltimo ensino de Lacan. Concordamos que \u00e9 preciso trabalhar, investigar, para precisar essa perspectiva. Em sua aplica\u00e7\u00e3o ao trabalho dos laborat\u00f3rios, trata-se de como resgatamos o constat\u00e1vel nas experi\u00eancias do CIEN. Remeto-me a alguns momentos da Conversa\u00e7\u00e3o onde se verificou como alguns dos jovens ou crian\u00e7as de que falamos, fazem uma virada e saem do lugar de violentos, submetidos, deprimidos, fora de lugar, objetos dos protocolos, l\u00e1 onde uma interven\u00e7\u00e3o provoca o encontro com um desejo, com um interesse particularizado, com algo que sempre costuma ocorrer nas margens \u2013 tal como a psican\u00e1lise tamb\u00e9m nasceu. Um discurso nas margens, lugar a partir de onde sustenta sua capacidade de esburacar ou atravessar algo. Ent\u00e3o, de repente, vemos emergir a imagem de um rapaz que pode se colocar de outra maneira frente a seu pr\u00f3prio sofrimento, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es que lhe couberam na vida.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-5659566\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-018-191x300.jpg\" alt=\"\" width=\"191\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-018-191x300.jpg 191w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-018.jpg 253w\" sizes=\"auto, (max-width: 191px) 100vw, 191px\" \/>Paola Salinas:<\/strong> (&#8230;) isso toca a dimens\u00e3o da transmiss\u00e3o, ou seja, para que consigamos que um \u201cpibe\u201d possa tomar a palavra dessa forma \u00e9 necess\u00e1rio transmitir algo a ele, assim como \u00e9 necess\u00e1rio que possamos transmitir uma l\u00f3gica a quem nos escuta, para que n\u00e3o fiquemos em clich\u00eas. S\u00f3 se transmite a partir de uma posi\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 o que voc\u00ea diz \u2013 que leva o corpo. \u00c9 extremamente dif\u00edcil a cada vez fazer um espa\u00e7o para uma inven\u00e7\u00e3o, \u00e9 a cada novo laborat\u00f3rio e a cada conversa\u00e7\u00e3o. Portanto, nenhum saber pr\u00e9-estabelecido, nem o saber a respeito do CIEN. Isto \u00e9 fundamental, um saber a respeito do CIEN n\u00e3o garante que consigamos produzir esses espa\u00e7os colocados por Beatriz. Da\u00ed a import\u00e2ncia da nossa discuss\u00e3o constante. O CIEN Argentina, a comiss\u00e3o de leitura, ou, por exemplo, quando a V\u00e2nia retoma a pergunta para a equipe que se ocupa do \u201cJanela da escuta\u201d sobre como a conversa\u00e7\u00e3o retornou para equipe, \u00e9 pra saber o que se transmitiu. Foi, voltou e causou o qu\u00ea? Ou seja, para que a gente se implique \u2013 para usar o significante da implic\u00e2ncia da professora \u2013 nessa proposta de trabalho.<\/p>\n<p><strong>Beatriz Udenio: <\/strong>Voc\u00ea mencionou a ang\u00fastia em sua interven\u00e7\u00e3o. A ang\u00fastia est\u00e1 muito pr\u00f3xima do desejo. Aprendemos isso com Lacan: a ang\u00fastia como antessala do desejo, a ang\u00fastia dos operadores, a ang\u00fastia do analista inclusive. E justamente, se conseguimos deslocar dali algo que est\u00e1 mal situado, como tamp\u00e3o, o objeto a, ent\u00e3o esse vazio \u2013 que sustentamos com o uso do h\u00edfen (na inter-disciplinaridade) &#8211; torna-se um vazio fecundo.<\/p>\n<p>Voc\u00ea evoca tamb\u00e9m a frase de Mat\u00edas, que \u00e9 genial: \u201cn\u00e3o te ensinam a estar fora, te ensinam a estar dentro\u201d. Nos remete a algo que fez uma marca no CIEN. Contamos, no CIEN, com uma express\u00e3o que um rapaz de um laborat\u00f3rio de Minas nos brindou, que Fernanda Otoni destacou e que tomamos como t\u00edtulo de nossas Jornadas do CIEN do ano de 2013<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Quando o rapaz foi convidado a participar de uma conversa\u00e7\u00e3o de um laborat\u00f3rio, respondeu: \u201cme inclui, fora dessa\u201d. Trata-se de uma inclus\u00e3o topol\u00f3gica, ou seja, no CIEN tamb\u00e9m levamos em conta a no\u00e7\u00e3o de extimidade. N\u00e3o devemos retroceder diante da coloca\u00e7\u00e3o de algumas das no\u00e7\u00f5es da psican\u00e1lise, se podemos sustent\u00e1-las na pr\u00e1tica que o CIEN nos ensina. Nos ensina sobre o trabalho com outros, nas margens, no h\u00edfen, nem dentro, nem fora. Freud dizia que o inconsciente tem estrutura de borda. Lacan retomou a Freud e dizia \u201ca puls\u00e3o tamb\u00e9m tem estrutura de borda e \u00e9 topol\u00f3gica\u201d. Mas n\u00e3o seguirei por a\u00ed hoje. Me desloco e volto&#8230;<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659567 alignleft\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-019-219x300.jpg\" alt=\"\" width=\"219\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-019-219x300.jpg 219w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-019-274x375.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/003-019.jpg 309w\" sizes=\"auto, (max-width: 219px) 100vw, 219px\" \/>Plateia:<\/strong> (Risos)<\/p>\n<p><strong>Beatriz Udenio:<\/strong> \u2026 e tamb\u00e9m me incluo desde fora.<\/p>\n<p>Para concluir, podemos dizer que \u00e9 muito importante para o trabalho dos que integram os Laborat\u00f3rios do CIEN poder sustentar esse trabalho que permite deslocar os protocolos e se mover um pouco dos lugares assegurados. \u00c9 o que estas experi\u00eancias nos ensinaram. N\u00e3o somente perfurar, mas bordear, mover um pouco de lugar, abrir um espa\u00e7o novo. Encontrar, a cada vez, a boa maneira de faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p><strong>Paola Salinas: <\/strong>Agrade\u00e7o a Beatriz e a todo o interc\u00e2mbio que tem se realizado entre os colegas do CIEN. Para encerrar, levanto dois pontos: Primeiro, nunca \u00e9 demais ressaltar que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que seja o analista aquele que produz efeitos numa conversa\u00e7\u00e3o do CIEN. Basta ser um participante atravessado pelo inconsciente, estar articulado ao inconsciente, o que, definitivamente, n\u00e3o \u00e9 algo restrito aos analistas. A psican\u00e1lise tem o lugar de anfitri\u00e3 \u2013 hoje n\u00f3s ouvimos professoras, diretoras, sustentando esse vazio fecundo. Evidente que se trata de um dispositivo que n\u00e3o vai sem a psican\u00e1lise, sem d\u00favida nenhuma, mas ele coloca inclusive o psicanalista para aprender.<\/p>\n<p>E, para concluir, gostaria de dizer da minha alegria com o trabalho na comiss\u00e3o, agradecer a comiss\u00e3o do CIEN Brasil. Estamos encerrando um momento, vamos fazer uma permuta\u00e7\u00e3o no CIEN Brasil, e agrade\u00e7o publicamente minhas colegas de comiss\u00e3o com as quais produzimos uma conversa\u00e7\u00e3o constante nesses \u00faltimos tr\u00eas anos e principalmente no \u00faltimo um ano e meio em conversa\u00e7\u00f5es diretas com os coordenadores dos Estados, e eles, por sua vez, conversa\u00e7\u00f5es diretas com os laborat\u00f3rios. Em algumas ocasi\u00f5es a comiss\u00e3o nacional esteve presente nessas conversa\u00e7\u00f5es. Colocamos o corpo nisso e a palavra sem d\u00favida, o que nos permitiu uma experi\u00eancia e um aprendizado, a meu ver, surpreendente sobre o que n\u00e3o se sabe, e como se faz com isso. Agrade\u00e7o a V\u00e2nia Gomes, do CIEN Rio, M\u00f4nica Hage do CIEN Bahia e M\u00f4nica Campos do CIEN Minas, que estiveram neste trabalho.<\/p>\n<p>A partir de janeiro, Fl\u00e1via C\u00eara passar\u00e1 a coordenar a pr\u00f3xima comiss\u00e3o CIEN Brasil. Agrade\u00e7o ainda a presen\u00e7a da interlocu\u00e7\u00e3o com a Funda\u00e7\u00e3o do Campo Freudiano, presen\u00e7a de pessoas importantes nesse lugar de \u00eaxtimo. E aqui, agrade\u00e7o a Eve Miller-Rose, que para nosso trabalho no Brasil foi fundamental. Este trabalho seguir\u00e1 porque ampliamos uma rede, uma rede de trabalho que j\u00e1 existia, e na qual cada um, a seu tempo, encontra um lugar. Essa comiss\u00e3o p\u00f4de encontrar um lugar e a seguinte assim o far\u00e1, no que concerne ao CIEN Am\u00e9rica, mas tamb\u00e9m \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com a Funda\u00e7\u00e3o do Campo Freudiano que nos orienta e de alguma maneira nos permite ir de um campo a outro, com todo o estrangeiro e o que n\u00e3o se sabe acerca de lugares diferentes que temos que ocupar. <em>Entonces, fue un gusto, \u00a1hasta la pr\u00f3xima conversaci\u00f3n!<\/em><\/p>\n<p><strong>Beatriz Udenio: <\/strong>At\u00e9 a pr\u00f3xima Conversa\u00e7\u00e3o Brasil!! Onde for o pr\u00f3ximo ENAPOL ser\u00e1 a pr\u00f3xima conversa\u00e7\u00e3o do CIEN Am\u00e9rica!<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u2003 Lacan, \u201cAlocu\u00e7\u00e3o sobre as psicoses da crian\u00e7a\u201d, em <em>Outros Escritos<\/em>, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2003.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u2003 Indart, J.C., Os la\u00e7os sociais e suas transforma\u00e7\u00f5es. Conversa\u00e7\u00e3o Internacional do CIEN 2017 Mesa de Encerramento: Pontua\u00e7\u00f5es e Perspectivas. Buenos Aires, 12 de setembro de 2017. In: Cien digital n 22. Revisa do Cien Brasil. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Cien-Digital-22.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u2003 Laurent, Eric. \u201cEl don de lapalabra y sus consecuencias\u201d, em <em>Cuaderno 4<\/em>, Cuadernos del CIEN, Buenos Aires, 2001.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u2003 Udenio, B. \u201cArgumento\u201d, <em>Cuaderno 7<\/em>, Cuardernos del CIEN, Buenos Aires, 2014.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>II Conversa\u00e7\u00e3o CIEN Am\u00e9rica &#8211; A crian\u00e7a violenta e a dignidade do sujeito S\u00e3o Paulo, 13 de setembro de 2019. Um encerramento, uma abertura Paola Salinas (CIEN Brasil) e Beatriz Udenio (CIEN Argentina) Paola Salinas: Um encerramento e uma abertura. Vamos tentar extrair algo do que se trabalhou hoje intensamente, e tentar abrir alguns pontos.&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5659584,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[142],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-5659561","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cien-digital-24","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659561","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5659561"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659561\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5659584"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5659561"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5659561"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5659561"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5659561"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}