{"id":5659612,"date":"2023-03-05T15:55:06","date_gmt":"2023-03-05T18:55:06","guid":{"rendered":"https:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659612"},"modified":"2023-03-05T16:03:01","modified_gmt":"2023-03-05T19:03:01","slug":"laboratorio-o-saber-da-crianca-comeco-meio-e-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2023\/03\/05\/laboratorio-o-saber-da-crianca-comeco-meio-e-fim\/","title":{"rendered":"Laborat\u00f3rio O saber da Crian\u00e7a: Come\u00e7o meio e fim."},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659612?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659612?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h6><em>Cl\u00e1udia Regina Santa Silva (respons\u00e1vel do laborat\u00f3rio). Participantes: Beth Rossin, Cassia Rosato, Nataly Pimentel e Tatiana Vidotti.<\/em><\/h6>\n<figure id=\"attachment_5659613\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659613\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659613\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/ponto001-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/ponto001-300x169.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/ponto001-274x154.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/ponto001.jpg 567w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659613\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Pixabay: https:\/\/www.pexels.com\/pt-br\/foto\/colina-verde-perto-da-agua-462162\/<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para in\u00edcio deste texto, j\u00e1 de sa\u00edda, coloco algumas quest\u00f5es: Quando come\u00e7a um laborat\u00f3rio do CIEN, e quando termina? Neste intervalo entre come\u00e7o e fim, o que se pode verificar no percurso? Cada laborat\u00f3rio tem sua hist\u00f3ria, com pontos de intersec\u00e7\u00e3o, sejam pelos princ\u00edpios que norteiam o CIEN, sejam pelos encontros e trocas nas conversa\u00e7\u00f5es e nas manh\u00e3s de trabalho.<\/p>\n<p>Para falar do que sustenta a exist\u00eancia de um laborat\u00f3rio, me parece fundamental tocar em pontos que s\u00e3o cruciais para o CIEN. O encontro entre pessoas de diversas disciplinas, um impasse no trabalho com a crian\u00e7a e o adolescente, e o desejo de que algo de novo possa aparecer, parece fundamental para movimentar a cria\u00e7\u00e3o de um laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O laborat\u00f3rio \u201cO saber da Crian\u00e7a\u201d teve seu in\u00edcio em 2013 quando um encontro entre trabalhadores de institui\u00e7\u00f5es ligadas a crian\u00e7as e adolescentes (tanto da \u00e1rea da Sa\u00fade como da \u00e1rea da Assist\u00eancia Social) despertou o interesse em criar um laborat\u00f3rio do CIEN na cidade de Campinas. As primeiras conversa\u00e7\u00f5es versaram sobre como um laborat\u00f3rio poderia funcionar. Localizamos que, da palavra fixada em impot\u00eancias, ou de um impasse no trabalho com crian\u00e7as e adolescentes, atrav\u00e9s dos encontros, algo poderia surgir. As quest\u00f5es que apareciam iam desenhando novos arranjos, sa\u00eddas interessantes, a partir de algo que se deslocava de um ponto duro e poderia ir em outras dire\u00e7\u00f5es. Esta era a aposta neste dispositivo do laborat\u00f3rio. E ao longo de algumas conversa\u00e7\u00f5es ainda t\u00edmidas, leituras de alguns textos, nos encontramos com o CIEN digital e com um texto de Jacques Allain Miller \u201cA crian\u00e7a e o saber\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, texto que nos instigou. Em uma das conversa\u00e7\u00f5es, no laborat\u00f3rio ainda se formando, um educador (com experi\u00eancia em trabalhos com crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de rua) disse a seguinte frase: \u201cEu escutava muito das crian\u00e7as quando trabalhava na rua: ningu\u00e9m quer saber da gente, ningu\u00e9m quer escutar o que dizemos. Mas n\u00f3s tamb\u00e9m sabemos o que \u00e9 melhor para gente\u201d. E a\u00ed surge o mote do laborat\u00f3rio e seu nome: \u201cO saber da Crian\u00e7a\u201d. Como escutamos o que as crian\u00e7as dizem, elas tamb\u00e9m sabem sobre elas, para al\u00e9m dos saberes que s\u00e3o constru\u00eddos para elas, seja da pedagogia, da pediatria etc. O laborat\u00f3rio surge ent\u00e3o nesta conversa\u00e7\u00e3o. O saber da Crian\u00e7a passou ent\u00e3o por diversas fases.<\/p>\n<p><strong><em>Um momento de forma\u00e7\u00e3o.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Ainda est\u00e1vamos entendendo o funcionamento. O que se caracterizava como uma conversa\u00e7\u00e3o de fato? Os efeitos foram dando um norte. Passamos por momentos de euforia, quando perceb\u00edamos rearranjos poss\u00edveis, impasses que nos faziam caminhar<\/p>\n<p><strong>Momentos \u201caltos\u201d:<\/strong> tivemos algumas passagens onde verific\u00e1vamos que de um impasse poderiam surgir novos arranjos. Tamb\u00e9m podemos contar como bons momentos as atividades promovidas na cidade (As conversa\u00e7\u00f5es abertas para a cidade) e as conversa\u00e7\u00f5es e os textos produzidos para as manh\u00e3s do CIEN, e os textos para o CIEN digital.<\/p>\n<p><strong>Momentos \u201cbaixos\u201d<\/strong>: O laborat\u00f3rio tamb\u00e9m se deparou com momentos em que a demanda para o trabalho se caracterizou como demanda de supervis\u00e3o, ou confus\u00f5es de que o laborat\u00f3rio pudesse ser um local do discurso psicanal\u00edtico. Tivemos que nos perguntar como voltar ao rumo. Um trabalho que s\u00f3 foi poss\u00edvel localizando que o desejo de trabalho estava orientado pelos princ\u00edpios do CIEN, sobretudo pela preval\u00eancia do impasse e de que o n\u00e3o saber orientava as conversa\u00e7\u00f5es, mesmo que elas n\u00e3o produzissem de fato efeitos de mudan\u00e7as ou outros efeitos de deslocamentos. Tamb\u00e9m passamos por momentos de esvaziamentos e outros de uma profus\u00e3o de participantes.<\/p>\n<p>Mas em todos os momentos, \u00e0s vezes mais, \u00e0s vezes menos, identific\u00e1vamos um fio condutor, que sustentava tanto os momentos altos como os baixos. Neste percurso o laborat\u00f3rio ia tecendo sua exist\u00eancia sustentada nos impasses que surgiam orientados na escuta das crian\u00e7as. Mas e quando esse fio condutor vai perdendo a for\u00e7a? O Laborat\u00f3rio \u201cO saber da Crian\u00e7a\u201d construiu um espa\u00e7o na cidade, fez seu nome.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<em>O que caracteriza um fim?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Nos tempos atuais uma pergunta come\u00e7ou a surgir: o que de fato est\u00e1 movimentando a exist\u00eancia deste laborat\u00f3rio? Na pandemia conseguimos sustentar as conversa\u00e7\u00f5es mas j\u00e1 com a quest\u00e3o: como vamos incluir a voz das crian\u00e7as? Conseguimos criar uma sa\u00edda: recolhemos algumas falas de crian\u00e7as via WhatsApp sobre como elas estavam elaborando a quarentena e o momento de pandemia. Esse foi o trabalho do ano de 2020. Mas j\u00e1 identificando um certo for\u00e7amento no impasse que nos fez trabalhar por esse ano. Depois deste trabalho foi poss\u00edvel verificar que houve uma mudan\u00e7a de rota, quando uma ex-participante do laborat\u00f3rio ligada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o nos convidou a trabalhar junto com um grupo de estudos da Universidade de Campinas (UNICAMP). Naquele momento o laborat\u00f3rio teve a ideia de fazer duas conversa\u00e7\u00f5es com esse grupo (GRE- Cotidiano- Grupo de estudos do cotidiano escolar) e o trabalho aconteceu de forma muito interessante. As conversa\u00e7\u00f5es giraram em torno das ang\u00fastias dos professores em viver a pandemia na escola e tamb\u00e9m as ang\u00fastias da volta \u00e0s aulas. Foi um momento rico e muito interessante. Neste ponto, vale trazer uma frase de uma participante sobre o efeito desta conversa\u00e7\u00e3o do laborat\u00f3rio com o GRE Cotidiano: \u201cAlgumas reflex\u00f5es circuladas nesses encontros s\u00e3o dignas de nota: \u2018vivemos tempo de fratura\u2019; \u2018a escola n\u00e3o entrou em intervalo, pois a escola est\u00e1 sendo\u2019 &#8230; e assim fomos produzindo la\u00e7os com o outro, professora, escola e crian\u00e7a. Deslocamentos da escassez, falta, impot\u00eancia para a inven\u00e7\u00e3o potente e com excesso de humanidade\u201d. Esse trabalho aconteceu no ano de 2021. Mas refor\u00e7ou a quest\u00e3o: Ser\u00e1 que esse trabalho cabe neste laborat\u00f3rio, ou podemos extrair da\u00ed outros impasses e outras motiva\u00e7\u00f5es de CIEN na cidade de Campinas? J\u00e1 era hora de deixar cair algo que caminhava para uma cristaliza\u00e7\u00e3o, e deixar caminho para novas fagulhas, novos impasses que poderiam recorrer ao dispositivo do CIEN, como um dispositivo vivo, n\u00e3o como um laborat\u00f3rio que correria o risco de existir por um nome constru\u00eddo e n\u00e3o por um desejo genu\u00edno.<\/p>\n<p><em>Da conclus\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Em uma conversa\u00e7\u00e3o que aqui denomino conversa\u00e7\u00e3o de conclus\u00e3o, chegamos ao ponto de verificar que algo do \u201cmote\u201d \u201cescutar o que as crian\u00e7as tinham a dizer de seus saberes\u201d j\u00e1 tinha ca\u00eddo. N\u00e3o localizamos o que era mesmo que nos movia para querer falar de um impasse, embora sempre sa\u00edssemos bem dos encontros. Parece que esse efeito surgia mais pelo fato de falarmos entre pessoas que queriam estar juntas. A quest\u00e3o que se colocava nesta conversa\u00e7\u00e3o era o motivo pelo qual est\u00e1vamos l\u00e1. Algo deste \u201cmotivo\u201d j\u00e1 havia ca\u00eddo, embora ainda identificando a vontade de estarmos juntos. Falando nesta \u00faltima conversa\u00e7\u00e3o localizamos a import\u00e2ncia de deixar cair um laborat\u00f3rio que j\u00e1 n\u00e3o se reconhecia em seu impasse propulsor, para deixar algo em suspenso, talvez abrindo outros caminhos para o CIEN em Campinas. Por exemplo, com as palavras da participante, ser\u00e1 que agora n\u00e3o \u00e9 o momento de nos perguntarmos se h\u00e1 algo que passa pelo desejo de fazer um la\u00e7o com a educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>O ponto inicial do laborat\u00f3rio se deu em uma conversa\u00e7\u00e3o na qual um educador social diz: como escutamos o que as crian\u00e7as sabem? E teve sua conclus\u00e3o em outra conversa\u00e7\u00e3o na qual uma das participantes, no caminho at\u00e9 o encontro do laborat\u00f3rio se percebe pensando: onde mesmo podemos localizar a voz das crian\u00e7as no trabalho do laborat\u00f3rio?<\/p>\n<p>Escutamos os saberes que as crian\u00e7as nos disseram em v\u00e1rias vozes, delas pr\u00f3prias, de psiquiatras, pediatras, enfermeiras, psic\u00f3logos. Mas n\u00e3o para sempre, e para continuar a escut\u00e1-las, faz-se necess\u00e1rio finalizar para talvez reabrir. Por agora o que temos a dizer \u00e9 que o laborat\u00f3rio \u201cO saber da crian\u00e7a\u201d chegou ao fim de sua jornada.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. H\u00edfen: A crian\u00e7a e o saber in CIEN digital 11, dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/CIEN-Digital11.pdf acesso em 01\/05\/22<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cl\u00e1udia Regina Santa Silva (respons\u00e1vel do laborat\u00f3rio). Participantes: Beth Rossin, Cassia Rosato, Nataly Pimentel e Tatiana Vidotti. Para in\u00edcio deste texto, j\u00e1 de sa\u00edda, coloco algumas quest\u00f5es: Quando come\u00e7a um laborat\u00f3rio do CIEN, e quando termina? Neste intervalo entre come\u00e7o e fim, o que se pode verificar no percurso? 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