{"id":5659624,"date":"2023-03-05T16:05:06","date_gmt":"2023-03-05T19:05:06","guid":{"rendered":"https:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659624"},"modified":"2023-03-05T16:07:17","modified_gmt":"2023-03-05T19:07:17","slug":"a-familia-em-questao1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2023\/03\/05\/a-familia-em-questao1\/","title":{"rendered":"A fam\u00edlia em quest\u00e3o!<sup>[1]<\/sup>"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659624?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659624?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><p><em>Flavia C\u00eara<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_5659625\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659625\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659625\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/cont001-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/cont001-300x200.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/cont001-768x512.jpg 768w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/cont001-274x183.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/cont001.jpg 885w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659625\" class=\"wp-caption-text\">Concrete spiral in monochrome. Photo by Adrien Olichon from Burst<\/figcaption><\/figure>\n<p>A fam\u00edlia em quest\u00e3o! tema que re\u00fane duas Redes sobre a Inf\u00e2ncia do Campo Freudiano, Cien e NR Cereda, chegou at\u00e9 aqui como um desdobramento do tema \u201cPais exasperados-Crian\u00e7as terr\u00edveis\u201d. Esse desdobramento se deu a partir das reuni\u00f5es que mantivemos com o Bureau do Instituto da Crian\u00e7a &#8211; \u00c8ve Miller-Rose, Anne Ganivet, Daniel Roy -, com os colegas coordenadores das Redes na Am\u00e9rica e com as conversas entre mim e Nohem\u00ed Brown, que sempre estiveram atravessadas pelos trabalhos que acontecem nos N\u00facleos da NRCereda e dos Laborat\u00f3rios do Cien. As redes Cien e NRCereda trazem, assim, o frescor do saber das crian\u00e7as e dos adolescentes e recolhem um real que orienta a leitura do nosso tempo e do porvir. Como redes, ambas contam com a feitura, o desejo e a sustenta\u00e7\u00e3o de muitas pessoas, de muitas m\u00e3os, muitas vozes, ouvidos, escritas.<\/p>\n<p>Colocar a fam\u00edlia em quest\u00e3o e, sobretudo, como uma quest\u00e3o para a psican\u00e1lise, \u00e9 um exerc\u00edcio constante. As mudan\u00e7as na cultura, nas leis, nas parcerias amorosas incidem diretamente sobre ela. Freud e, radicalmente, Lacan, acompanharam essas incid\u00eancias da cultura ao lado dos romances, das fic\u00e7\u00f5es, das marcas contadas por cada um. A\u00ed o horizonte da fam\u00edlia se transforma e se amplia desde muito cedo para a psican\u00e1lise. Se com Freud t\u00ednhamos a \u00eanfase nas tramas ed\u00edpicas, com Lacan aprendemos a pensar a fam\u00edlia al\u00e9m do \u00c9dipo, a partir de suas fun\u00e7\u00f5es, de suas inc\u00f3gnitas e enigmas, de seus ditos e n\u00e3o-ditos, do desejo e do gozo.<\/p>\n<p>Podemos acompanhar sua impressionante atualidade no texto de orienta\u00e7\u00e3o de Daniel Roy<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> onde nos adverte que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais universal para a fam\u00edlia, que ela se inscreve em uma l\u00f3gica do n\u00e3o-todo em que a crian\u00e7a tem um papel fundamental. A partir deste ponto perguntamos: entre os pais exasperados e as crian\u00e7as terr\u00edveis, neste h\u00edfen, como a institui\u00e7\u00e3o fam\u00edlia se articula hoje ou ainda, o que ela articula hoje? O que ela separa e o que ela re\u00fane? O que ela transmite? Em quais mal-entendidos ela se funda? O que, quem, constitui uma fam\u00edlia? Foi o que pretendemos recolher das Redes da Inf\u00e2ncia tanto no discurso anal\u00edtico quanto no discurso inter-disciplinar; na cl\u00ednica, nas institui\u00e7\u00f5es, na cidade.<\/p>\n<p>Falar da fam\u00edlia, no entanto, est\u00e1 longe de ser um assunto privado. A l\u00edngua particular de cada uma delas se articula com a l\u00edngua da cultura, enfrentando ou corroborando paix\u00f5es pol\u00edticas. Quanto menos consenso sobre a fam\u00edlia, quanto menos universal, mais recrudescimento para restitu\u00ed-la aos moldes patriarcais. No Brasil, vimos muito de perto &#8211; e veremos por bom tempo &#8211; como essa institui\u00e7\u00e3o pode ser capturada e manipulada politicamente para que exista em uma \u00fanica forma, para que exista em uma \u00fanica l\u00edngua, em um \u00fanico sentido. Cabe a n\u00f3s, ent\u00e3o, essa responsabilidade, que n\u00e3o deixa de ter sua inscri\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, de fazer ressoar as in\u00fameras formas de fam\u00edlia que a cl\u00ednica e as conversa\u00e7\u00f5es nos ensinam, de aprender e depreender de cada uma delas o que faz fam\u00edlia para cada ser falante.<\/p>\n<p><em>As fam\u00edlias e a experi\u00eancia do Cien:<\/em><\/p>\n<p>De modo que, para o discurso anal\u00edtico, os assuntos de fam\u00edlia s\u00e3o tamb\u00e9m assuntos do inconsciente<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Mas como se opera com isso (ou com o <em>Isso<\/em>) em uma conversa\u00e7\u00e3o do Cien? Essa pergunta est\u00e1 sempre aberta. E \u00e9 importante lembrar, como lembra Laurent, dos limites de uma conversa\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Talvez possamos nos orientar no Cien pelas muta\u00e7\u00f5es do la\u00e7o e da pr\u00f3pria ideia de fam\u00edlia sobre as quais as conversa\u00e7\u00f5es d\u00e3o not\u00edcias, nos impasses sobre os quais os laborat\u00f3rios s\u00e3o chamados para o trabalho. Dois lugares aparecem neste dispositivo: um de leitura, da interpreta\u00e7\u00e3o que as institui\u00e7\u00f5es e outros saberes fazem da crian\u00e7a a partir dos significantes-mestres que regem os discursos, e das modalidades de cren\u00e7a que operam a partir deles. Mas, para isso, precisamos das conversa\u00e7\u00f5es, do que elas podem produzir como localiza\u00e7\u00e3o e sa\u00eddas. \u00c0s vezes, como produto, se decantam os S1 aos quais profissionais ou crian\u00e7as est\u00e3o submetidos, localizando assim o impasse, colocando o saber sobre ele em circula\u00e7\u00e3o para que cada um possa l\u00ea-lo reenviando, ao mesmo tempo, cada sujeito \u201caos seus assuntos\u201d, para que se abra o caminho em dire\u00e7\u00e3o a novas veredas quando se toma dist\u00e2ncia das identifica\u00e7\u00f5es, das classifica\u00e7\u00f5es e determina\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas, tecno-cient\u00edficas, jur\u00eddicas, etc. O saber anal\u00edtico n\u00e3o entra a\u00ed interpretando, nem mesmo como saber privilegiado, mas advertido de que tomar a palavra \u00e9 colocar coisas em jogo, que o dom da palavra pode ser oferecido ali onde Isso n\u00e3o fala, e que temos o corte como instrumento para operar podendo dar sentido e ao mesmo tempo desconfiando da m\u00e1quina de produzir sentido, operando por certa opacidade da l\u00edngua. O Cien, portanto, n\u00e3o promove uma sa\u00edda coletiva, um para todos, mas ele pode incidir em um coletivo \u201cespeculando sobre o sentido para obter efeitos de verdade\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Para tanto, por\u00e9m, precisamos de um consentimento, consentir com as surpresas da fala que perfuram os ideais de funcionamento, consentir com a equivocidade que a l\u00edngua opera. Esse \u00e9 um desafio constante para as conversa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Parte deste texto foi apresentada na abertura da atividade conjunta das redes Cien e da NRCereda no Brasil, <em>A fam\u00edlia em quest\u00e3o!<\/em>, em novembro de 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> ROY, D. Pais exasperados-Crian\u00e7as terr\u00edveis. Publicado nesta revista.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Assuntos de fam\u00edlia no inconsciente. <em>Revista aSEPHallus<\/em>, n.4. Maio a setembro de 2007. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.isepol.com\/asephallus\/numero_04\/asephallus04.pdf<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> LAURENT, \u00c9. Las partidas del Cien. <em>Cuadernos del CIEN<\/em>, n.5. Buenos Aires, 2004.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> LARENT, \u00c9. Retomar a defini\u00e7\u00e3o do projeto do Cien e examinar sua situa\u00e7\u00e3o atual. Brown, N.; Mac\u00eado, L; Lyra, R. (Orgs.). <em>Trauma, Solid\u00e3o e La\u00e7o na Inf\u00e2ncia e na Adolesc\u00eancia \u2013 Experi\u00eancias do CIEN no Brasil<\/em>. Belo Horizonte: EBP Editora, 2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Flavia C\u00eara A fam\u00edlia em quest\u00e3o! tema que re\u00fane duas Redes sobre a Inf\u00e2ncia do Campo Freudiano, Cien e NR Cereda, chegou at\u00e9 aqui como um desdobramento do tema \u201cPais exasperados-Crian\u00e7as terr\u00edveis\u201d. 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