{"id":5659627,"date":"2023-03-05T16:06:48","date_gmt":"2023-03-05T19:06:48","guid":{"rendered":"https:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659627"},"modified":"2023-03-05T16:06:57","modified_gmt":"2023-03-05T19:06:57","slug":"entre-o-questionamento-agressivo-e-a-apatia-depressiva-conversacao-como-campo-de-mediacao-subjetiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2023\/03\/05\/entre-o-questionamento-agressivo-e-a-apatia-depressiva-conversacao-como-campo-de-mediacao-subjetiva\/","title":{"rendered":"Entre o questionamento agressivo e a apatia depressiva, conversa\u00e7\u00e3o como campo de media\u00e7\u00e3o subjetiva"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659627?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659627?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h6><em>Laborat\u00f3rio Diga\u00ed-Escola \u2013 CIEN-Rio &#8211; Bernadete Mara (coordenadora pedag\u00f3gica e professora), Mirta Fernandes (psicanalista) e Pedro Ara\u00fajo Marinho (coordenador pedag\u00f3gico e professor)<\/em><\/h6>\n<figure id=\"attachment_5659628\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659628\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659628\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab017-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab017-300x200.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab017-768x512.jpg 768w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab017-274x183.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab017.jpg 787w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659628\" class=\"wp-caption-text\">Deep beneath the ant\u00edlope canyon.<br \/>Photo by Ana Knezevic from Burst<\/figcaption><\/figure>\n<p>Este recorte textual tem por objetivo apresentar a experi\u00eancia da pr\u00e1tica de conversa\u00e7\u00e3o com jovens, ocorridas ao longo do segundo semestre do ano letivo de dois mil e vinte e dois com uma turma do ensino m\u00e9dio da Escola Alfa, em Maca\u00e9-RJ, composto por adolescentes entre 14 e 18 anos, tr\u00eas meninas e seis meninos.<\/p>\n<p>H\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o, por parte dos professores, de uma resist\u00eancia latente com as atividades escolares, tais como: atrasos frequentes, tanto na primeira aula como no retorno do recreio, n\u00e3o cumprimento de prazos na realiza\u00e7\u00e3o de atividades, e se recusar a permanecer em sala de aula, entre outros.<\/p>\n<p>Na primeira conversa\u00e7\u00e3o, poucas falas dos alunos foram recolhidas. A conversa\u00e7\u00e3o se inicia com A., estudante mais velho do grupo, fazendo uma reivindica\u00e7\u00e3o; \u201cQueremos aulas fora de sala de aula\u201d, alguns colegas ratificam, e ressalta o fato de que todos se mant\u00eam calados, que foram silenciados pela falta de respostas \u00e0s suas demandas, mas eles continuam calados.<\/p>\n<p>Depois dessa primeira fala A. continua e, num tom de cr\u00edtica, acusa a escola de est\u00fapida por n\u00e3o possuir um Gr\u00eamio como espa\u00e7o de reivindica\u00e7\u00f5es e luta. Pedro, professor e membro da coordena\u00e7\u00e3o, interfere afirmando que a constru\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o pertence aos alunos e s\u00e3o eles que devem constru\u00ed-lo. A. rebate, afirmando que a leitura de Marx seria indispens\u00e1vel para que tal espa\u00e7o de discuss\u00e3o pudesse existir. Pedro continua e pergunta: \u201cquem surge primeiro a teoria ou a a\u00e7\u00e3o?\u201d Nesse momento, cessa o debate. A. parece ter sido atravessado por sua contradi\u00e7\u00e3o e desvia o olhar.<\/p>\n<p>Este primeiro encontro deixa algumas reflex\u00f5es a serem feitas e nos convoca a um lugar de escuta. Existem res\u00edduos de comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o est\u00e3o sendo escutados? Que falas est\u00e3o deixando de ser ouvidas? Esses questionamentos nos convocam a pensar: o que fazer com isso?<\/p>\n<p>Diante dos questionamentos, a equipe pedag\u00f3gica se prop\u00f5e a acolher a reivindica\u00e7\u00e3o dos estudantes de que todos os professores deveriam se envolver com a 17\u00aa Feira de Ci\u00eancias. Para isso foi proposto aos professores que buscassem se inserir nos projetos dos estudantes atrav\u00e9s dos conte\u00fados de suas mat\u00e9rias, aprofundando e orientando, sem, contudo, restringir a autonomia dos estudantes.<\/p>\n<p>A segunda conversa\u00e7\u00e3o se inicia a partir de demandas relativas ao trabalho pedag\u00f3gico: definir tempos para constru\u00e7\u00e3o dos projetos da Feira de Ci\u00eancias nas aulas dos demais professores, com a inser\u00e7\u00e3o de seus objetivos naqueles projetos. Novamente poucos alunos se pronunciaram nessa conversa\u00e7\u00e3o. Pontua\u00e7\u00f5es breves criticando as estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas da maioria dos professores, exemplificadas no conte\u00fado no quadro da sala aula, e reclama\u00e7\u00f5es quanto \u00e0s normas de conviv\u00eancia propostas pela institui\u00e7\u00e3o, como a impossibilidade de jogar futebol sem camisa na quadra. Manifestaram ainda insatisfa\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio processo da conversa\u00e7\u00e3o, alegando que a escola oferece espa\u00e7o de fala, mas n\u00e3o escutam.<\/p>\n<p>E, nesse momento, o encontro \u00e9 dominado por A., insatisfeito, insistindo que nada se fazia, nada mudava, enquanto os demais alunos se mantinham passivos, alguns no celular e outros apenas observando. Esse encontro se encerra com um impasse diante da atitude agressiva e desafiadora de A. para com os coordenadores, afirmando que os professores n\u00e3o mudavam, n\u00e3o trabalhavam com seus projetos, debochando quando a analista (Mirta) aponta as dificuldades e equ\u00edvocos na comunica\u00e7\u00e3o, e a import\u00e2ncia de confiar e acreditar nas possibilidades de mudan\u00e7a de ambas as partes (alunos e professores\/escola). A. diz \u201cse n\u00e3o consegue entender, ent\u00e3o melhor mandar algu\u00e9m que consiga\u201d. Pedro j\u00e1 havia sa\u00eddo em fun\u00e7\u00e3o de seu hor\u00e1rio de aula e Mirta encerra a reuni\u00e3o, apontando para o fato de que estava apenas \u201cdiscutindo\u201d com A. e os outros todos nos celulares.<\/p>\n<p>Esse ponto de exaspera\u00e7\u00e3o que resta deste encontro, para Mirta e Pedro, deixa d\u00favidas e quest\u00f5es sobre o manejo com os adolescentes, suas posi\u00e7\u00f5es na rela\u00e7\u00e3o com eles e uma grande inc\u00f3gnita sobre a fun\u00e7\u00e3o da conversa\u00e7\u00e3o, esse espa\u00e7o de escuta que \u00e9 oferecido. Recolher os res\u00edduos, suportar e acolher os equ\u00edvocos, incluindo-se no impasse parece necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ocorrido o conselho de classe, diante da avalia\u00e7\u00e3o dos resultados da turma, h\u00e1 um consenso dos professores, coordena\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o. Medidas disciplinares foram tomadas: aumento da censura ao uso do celular, terceiro atraso do m\u00eas como alerta para as fam\u00edlias e suspens\u00e3o no quarto atraso.<\/p>\n<p>Num terceiro encontro, somente com Pedro, ap\u00f3s a notifica\u00e7\u00e3o \u00e0 turma das medidas disciplinares que passariam a valer, aparecem diversas falas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s novas regras. A t\u00f4nica era a dificuldade para chegar no hor\u00e1rio. A pontualidade tornara-se dif\u00edcil para a maioria desses jovens. Isso levou a dire\u00e7\u00e3o, junto com a coordena\u00e7\u00e3o, a promover uma conversa sobre o assunto com a turma e, a partir principalmente das coloca\u00e7\u00f5es de L. e de A., aceitas pelos outros alunos. A coordena\u00e7\u00e3o articulou com os professores envolvidos mudan\u00e7as no hor\u00e1rio para que eles pudessem chegar um pouco mais tarde \u00e0 escola, o que alterou a rotina de professores e fam\u00edlias, mas a reivindica\u00e7\u00e3o dos alunos foi atendida.<\/p>\n<p>Ao longo da semana mudan\u00e7as de postura foram percebidas, tais como: A. saiu de sua postura inabal\u00e1vel e superior, mostrando-se vulner\u00e1vel para a turma, expondo suas dificuldades e se emocionando. Alguns alunos foram pontuais com o hor\u00e1rio escolar comemorando explicitamente sua chegada no hor\u00e1rio, se comprometeram diante da turma em apresentar o trabalho proposto para a escola e come\u00e7aram a nomear inc\u00f4modos com um professor.<\/p>\n<p>Tendo em vista nossa experi\u00eancia recente com a turma e o trabalho no laborat\u00f3rio, do que fica e n\u00e3o \u00e9 necessariamente muito claro, fertilizam-se as a\u00e7\u00f5es. Ao suportar e acolher uma impossibilidade, produziu-se uma tomada de posi\u00e7\u00e3o modificando a rotina pedag\u00f3gica. A partir do impasse inicial colocado pelos professores, a falta de desejo e comprometimento dos alunos, e o n\u00e3o saber o que fazer com isso por parte dos professores, pode se localizar na conversa\u00e7\u00e3o um impasse dos alunos diante do n\u00e3o-saber dos professores. Diante do que exaspera, ao fazer vacilar o lugar de cada profissional, abriu-se um espa\u00e7o para constru\u00e7\u00e3o de respostas singulares, dando lugar a algo novo e contingencial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Laborat\u00f3rio Diga\u00ed-Escola \u2013 CIEN-Rio &#8211; Bernadete Mara (coordenadora pedag\u00f3gica e professora), Mirta Fernandes (psicanalista) e Pedro Ara\u00fajo Marinho (coordenador pedag\u00f3gico e professor) Este recorte textual tem por objetivo apresentar a experi\u00eancia da pr\u00e1tica de conversa\u00e7\u00e3o com jovens, ocorridas ao longo do segundo semestre do ano letivo de dois mil e vinte e dois com uma&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5659628,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143,22],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-5659627","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cien-digital-25","category-laboratorios","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659627","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5659627"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659627\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5659628"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5659627"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5659627"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5659627"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5659627"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}