{"id":5659637,"date":"2023-03-05T16:16:09","date_gmt":"2023-03-05T19:16:09","guid":{"rendered":"https:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659637"},"modified":"2023-03-05T16:16:09","modified_gmt":"2023-03-05T19:16:09","slug":"o-sexual-e-a-zona-de-fratura-perspectivas-para-uma-pratica-com-criancas-e-seus-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2023\/03\/05\/o-sexual-e-a-zona-de-fratura-perspectivas-para-uma-pratica-com-criancas-e-seus-pais\/","title":{"rendered":"O sexual e a zona de fratura: perspectivas para uma pr\u00e1tica com crian\u00e7as e seus pais"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659637?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659637?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h6><em>Laborat\u00f3rio M\u00e3es e seus filhos &#8211; CIEN-MG &#8211; Cristina Marcos, Juliana Motta, Larric Johnny Malacarne, Mariana Vasconcelos dos Santos, Mateus Mour\u00e3o e Paula Pazzini Salles<\/em><\/h6>\n<figure id=\"attachment_5659638\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659638\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659638\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab011-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab011-200x300.jpg 200w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab011-274x411.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab011.jpg 564w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659638\" class=\"wp-caption-text\">Light and squares abstract art. Photo by Matthew Henry from Burst<\/figcaption><\/figure>\n<p>Provoca surpresa o quanto a advert\u00eancia feita por Lacan em 1953 permanece atual, convocando analistas de todo o mundo a se colocarem a trabalho num esfor\u00e7o coletivo de operar transforma\u00e7\u00f5es potentes na cl\u00ednica para acompanhar as mudan\u00e7as na subjetividade ao longo do tempo. Vale retornar ao texto lacaniano para sondar a for\u00e7a de suas palavras: \u201cdeve renunciar \u00e0 pr\u00e1tica da psican\u00e1lise todo analista que n\u00e3o conseguir alcan\u00e7ar em seu horizonte a subjetividade de sua \u00e9poca\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Imbu\u00eddo neste movimento, Daniel Roy, em seu texto \u201cQuatro perspectivas sobre a diferen\u00e7a sexual\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, nos transmite, antes de tudo, um convite. Um convite que foi feito a ele pr\u00f3prio por Jacques-Alain Miller e que tomamos tamb\u00e9m como um encorajamento para a nossa pr\u00e1tica dos laborat\u00f3rios do CIEN. O trabalho a ser feito, diz Daniel Roy, e aqui acrescentamos no CIEN, \u00e9 o de produzir um saber de peso frente \u00e0s desordens r\u00e1pidas. Ele diz de desordens especialmente sens\u00edveis no campo da inf\u00e2ncia e que testemunham a deriva ocorrida nos continentes de nossas convic\u00e7\u00f5es \u2013 os semblantes que nos mant\u00eam \u2013 e de nossos h\u00e1bitos \u2013 os gozos que nos conv\u00eam \u2013, deriva que produz linhas de falha e zonas de fratura. A diferen\u00e7a sexual \u00e9 o nome dado a uma dessas zonas.<\/p>\n<p>Como podemos entender a diferen\u00e7a sexual enquanto fratura? Trata-se de uma fratura nos semblantes, fratura no real produzida pelo encadeamento discursivo dos semblantes, ou ainda pela deriva contempor\u00e2nea desses \u00faltimos? Posto que a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o com a qual o ser falante deve se haver desde que \u00e9 habitado pela linguagem, o que disso muda com as desordens r\u00e1pidas do contempor\u00e2neo?<\/p>\n<p>Este trabalho \u00e9 fruto de elabora\u00e7\u00f5es do Laborat\u00f3rio <em>M\u00e3es e seus filhos<\/em> constru\u00eddo a partir da aceita\u00e7\u00e3o ao convite feito por Daniel Roy, no sentido de podermos nos ocupar de tais quest\u00f5es. Para isso, voltamos nossa aten\u00e7\u00e3o especialmente ao campo onde a diferen\u00e7a sexual, por ele nomeada enquanto zona de fratura, testemunha a \u201cderiva ocorrida nos continentes de nossas convic\u00e7\u00f5es\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Dessa forma, retomando a met\u00e1fora do autor e extrapolando seu uso, a for\u00e7a dos questionamentos colocados pode ser medida pelos efeitos que apresentou no pr\u00f3prio fazer de nosso laborat\u00f3rio &#8211; ou pelo abalo sofrido nos continentes de nossas convic\u00e7\u00f5es. Inseridos no contexto das crises psiqui\u00e1tricas que chegam nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de sa\u00fade mental para crian\u00e7as e adolescentes, o contato com a provoca\u00e7\u00e3o feita por Daniel Roy deu in\u00edcio a uma s\u00e9rie de conversa\u00e7\u00f5es no interior do laborat\u00f3rio sobre as zonas de fratura inerentes \u00e0 pr\u00f3pria maternidade, paternidade ou parentalidade. Dentre outros motivos, tais discuss\u00f5es participaram da decis\u00e3o pela troca do nome anterior do laborat\u00f3rio de \u201c<em>M\u00e3es em crise<\/em>\u201d para \u201c<em>M\u00e3es e seus filhos<\/em>\u201d. A crise, ou a zona de fratura, \u00e9 inerente e est\u00e1 colocada. Resta perguntar o que se pode fazer com isso. Desde ent\u00e3o o m\u00e9todo psicanal\u00edtico da conversa\u00e7\u00e3o tem nos permitido construir um saber sobre a pr\u00e1tica junto \u00e0 cl\u00ednica das m\u00e3es e seus filhos, com desdobramentos dentro e fora de nosso laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong><em>Teoria<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Uma das perspectivas trazidas por Daniel Roy em seu texto remete especialmente ao Semin\u00e1rio 18, quando, na segunda li\u00e7\u00e3o, Lacan<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> faz uma sutil diferencia\u00e7\u00e3o entre \u201cidentidade de g\u00eanero\u201d e \u201cidentifica\u00e7\u00e3o sexual\u201d. Na identidade de g\u00eanero, o que est\u00e1 em jogo \u00e9, dizendo cruamente, uma distribui\u00e7\u00e3o populacional dos semblantes. Trata-se de performar \u201chomem\u201d ou \u201cmulher\u201d, fato que organiza a tentativa de distinguir os g\u00eaneros antes mesmo da fase f\u00e1lica. Essa distribui\u00e7\u00e3o promove uma diferencia\u00e7\u00e3o, que Daniel Roy compara \u00e0 designa\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos de nobreza: nobres marqueses, distintos homens, eminentes mulheres.<\/p>\n<p>Se Lacan diz que \u00e9 uma diferen\u00e7a \u201ccom efeito, muito natural\u201d, n\u00e3o \u00e9 por acreditar, por exemplo, num determinismo da anatomia, mas sim porque o campo dos semblantes <em>\u00e9<\/em> o campo da natureza. Trata-se de um \u00e2mbito onde tudo \u00e9 poss\u00edvel, pois uma vez que o parecer se equivale ao ser, identificar-se a um g\u00eanero \u00e9 t\u00e3o elementar, t\u00e3o natural como dar um t\u00edtulo de nobreza. Essa simplicidade encontra seu limite quando a prolifera\u00e7\u00e3o de semblantes esbarra em algo de intranspon\u00edvel. A\u00ed sim, estamos no campo do sexual. E o que nos leva at\u00e9 l\u00e1 n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o discurso, a articula\u00e7\u00e3o discursiva dos semblantes.<\/p>\n<p>Para desenvolver um pouco mais esse ponto, pode-se recorrer ao ensino de Miller na primeira li\u00e7\u00e3o de seu curso de 1991 sobre <em>A Natureza dos Semblantes<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup><strong>[5]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>. Miller delimita a separa\u00e7\u00e3o radical entre o Real, de um lado, e os semblantes, do outro, e em seguida comenta que a natureza est\u00e1 do lado dos semblantes, como diz Lacan ao comentar das apar\u00eancias que proliferam na natureza: o arco-\u00edris, o trov\u00e3o, mesmo o p\u00eanis, as exibi\u00e7\u00f5es copulat\u00f3rias dos animais etc. Para deixar essa correspond\u00eancia mais clara, Miller recorda a natureza no sentido pr\u00e9-moderno: aquela em que abundam sereias, monstros aqu\u00e1ticos, aquela sobre a qual Hamlet p\u00f4de comentar que \u201ch\u00e1 mais coisas entre o c\u00e9u e a terra do que sonha a filosofia\u201d. \u00c9 um mundo onde virtualmente tudo \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>O que muda ent\u00e3o, no s\u00e9culo XVII, \u00e9 precisamente a introdu\u00e7\u00e3o do discurso da ci\u00eancia, ao qual devemos a subjetividade moderna e as condi\u00e7\u00f5es de nascimento da psican\u00e1lise. A ci\u00eancia interv\u00e9m trazendo um novo modo de fazer com os semblantes, que \u00e9 sua articula\u00e7\u00e3o em um discurso de tal modo que demonstre algo da dimens\u00e3o do imposs\u00edvel, tocando assim o Real. A partir desse giro, observamos um empobrecimento radical da natureza.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659639\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659639\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659639\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab012-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab012-300x200.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab012-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab012-768x512.jpg 768w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab012-274x183.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab012.jpg 1086w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659639\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Matthias Zomer no Pexels (pexels-matthias-zomer-68814)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Voltando ao texto de Roy, vemos que \u201ca cada vez que o sujeito \u00e9 convocado como homem ou mulher, esses semblantes t\u00eam efic\u00e1cia real\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. Na medida do discurso, nem todos os semblantes se equivalem; nem todos t\u00eam essa efic\u00e1cia que Miller articula como a passagem do n\u00edvel do parecer\/ser para o n\u00edvel da exist\u00eancia. S\u00e3o alguns semblantes que logram \u201cpescar\u201d alguma coisa do Real, alguma coisa do gozo sexual exilado no imposs\u00edvel; eles escavam um buraco que aloja um peda\u00e7o desse gozo na forma de um mais-de-gozar.<\/p>\n<p>Esses semblantes que t\u00eam uma \u201csolidariedade\u201d ao gozo sexual s\u00e3o precisamente o Falo e o Nome-do-Pai, aqueles a que Daniel Roy se refere quando diz \u201cos semblantes que nos conv\u00eam\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>. Eles s\u00e3o transmitidos pela tradi\u00e7\u00e3o e nomeiam um modo de gozo, o gozo f\u00e1lico, precisamente atrav\u00e9s de uma fratura, de uma incid\u00eancia do significante no Real. Em outras palavras, a fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica incide no Real, produzindo ali um corte, que \u00e9 a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. O sujeito sexuado \u00e9 uma resposta do Real a esse corte, a escrita de um modo de gozo, masculino ou feminino, que far\u00e1 supl\u00eancia a essa zona de fratura. Logo, para a psican\u00e1lise o que est\u00e1 em cena n\u00e3o \u00e9 um determinismo biol\u00f3gico, mas uma posi\u00e7\u00e3o do sujeito frente a esses semelhantes, frente \u00e0 linguagem. No caso do gozo do mais-de-gozar, ele tem um nome que geralmente \u00e9 transmitido pela tradi\u00e7\u00e3o paterna.<\/p>\n<p>O que muda nisso tudo, quando pensamos no contempor\u00e2neo? Diversos autores do campo freudiano t\u00eam comentado sobre uma caracter\u00edstica espec\u00edfica deste contexto que ganha v\u00e1rias nuances: queda do falocentrismo, descren\u00e7a no grande Outro, forclus\u00e3o generalizada, feminiza\u00e7\u00e3o do mundo, decl\u00ednio da fun\u00e7\u00e3o paterna, deple\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, etc. Nas derivas dessa \u00e9poca, aqueles semblantes escolhidos pela tradi\u00e7\u00e3o se encontram menos assegurados, sua efic\u00e1cia \u00e9 menos garantida. E essas desordens, relembrando Daniel Roy, s\u00e3o especialmente sens\u00edveis no campo da inf\u00e2ncia. Temos observado em conversa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas do Laborat\u00f3rio <em>M\u00e3es e seus filhos<\/em>, entretanto, que tamb\u00e9m s\u00e3o marcadamente sens\u00edveis no campo da maternidade e da paternidade. Os semblantes que nomeiam o gozo precisam ser transmitidos; a identifica\u00e7\u00e3o sexual depende de uma \u201cimiscui\u00e7\u00e3o do adulto na crian\u00e7a\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> que se d\u00e1 sob a \u00e9gide do Nome-do-Pai. Essa identifica\u00e7\u00e3o depende certamente de \u201cuma decis\u00e3o insond\u00e1vel do ser\u201d, mas tamb\u00e9m depende de algo da estrutura familiar. N\u00e3o se trata exatamente do romance familiar, que \u00e9 um semblante e pode assumir as formas mais diversas poss\u00edveis, mas sim do fato de que <em>ser<\/em> pai ou <em>ser<\/em> m\u00e3e \u00e9 mais do que um parecer, n\u00e3o s\u00e3o semblantes quaisquer na medida em que transmitem um modo de gozo. Da\u00ed a ang\u00fastia pr\u00f3pria das fun\u00e7\u00f5es paterna e materna, que n\u00e3o se cumprem sem uma certa visita do Real.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es que mencionamos acima t\u00eam lugar em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de refer\u00eancia em sa\u00fade mental para crian\u00e7as e adolescentes do Munic\u00edpio de Belo Horizonte, nas quais alguns dos membros do laborat\u00f3rio <em>M\u00e3es e seus filhos<\/em> compunham o corpo cl\u00ednico. Tais espa\u00e7os concedem o privil\u00e9gio do questionamento e produ\u00e7\u00e3o de saber que parte de uma cl\u00ednica vasta e complexa. Pais e av\u00f3s, sejam eles biol\u00f3gicos ou adotivos, cuidadores do abrigo, ou at\u00e9 mesmo profissionais do sistema socioeducativo, est\u00e3o e precisam estar sempre presentes. Pensando na dupla sujeito-analista, trata-se de uma cl\u00ednica que n\u00e3o se faz sem a presen\u00e7a de um outro elemento, este que frequentemente, na ordem das interven\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 o terceiro. Os impasses e desafios oriundos desse trabalho foram levados mensalmente para conversa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas entre todos os membros do laborat\u00f3rio <em>M\u00e3es e seus filhos<\/em>, originando as quest\u00f5es que se desdobram ao longo deste texto.<\/p>\n<p><strong><em>Teoria e Pr\u00e1tica<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica com crian\u00e7as e adolescentes e seus pais\/respons\u00e1veis, com frequ\u00eancia encontramos diante de n\u00f3s algo da ordem de uma fratura exposta, verdadeiras urg\u00eancias subjetivas. De fato, os Laborat\u00f3rios do Centro Interdisciplinar de Estudos sobre a Crian\u00e7a (CIEN) nascem de um impasse, de uma quest\u00e3o que possa ligar seus participantes pela falta, criando um desejo de trabalho. Tem como orienta\u00e7\u00e3o a \u201coferta da palavra\u201d, um lugar em que a palavra possa circular e que, cada um com sua experi\u00eancia, possa trazer para o trabalho uma miudeza, uma preciosidade que possa orientar seus participantes a cada vez, criando sa\u00eddas para as quest\u00f5es e impasses que surgem no trabalho com esses sujeitos<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O laborat\u00f3rio \u201cM\u00e3es e seus filhos\u201d nasce com a pergunta: \u201cDe onde operar o encontro das m\u00e3es com seus filhos, crian\u00e7as e adolescentes, durante a visita hospitalar?\u201d Essa pergunta se constituiu, em princ\u00edpio, a partir dos casos cl\u00ednicos constru\u00eddos em uma institui\u00e7\u00e3o hospitalar manicomial. Naquele contexto, as m\u00e3es estavam internadas em momento de crise psiqui\u00e1trica e o encontro com seus filhos se dava pelas visitas, ou pelo discurso das m\u00e3es sobre seus filhos. A atividade atual ainda se sustenta pelo encontro, agora em rede de servi\u00e7os de urg\u00eancia substitutivos, voltados para crian\u00e7as e adolescentes, e as conversa\u00e7\u00f5es com os respons\u00e1veis pelos usu\u00e1rios do servi\u00e7o que ocorrem dentro do espa\u00e7o. Os elementos oriundos destas conversa\u00e7\u00f5es s\u00e3o a mola propulsora daquelas que empreendemos em um segundo momento, entre os laboratoriantes, a fim de extrair algum saber que nos possa orientar a pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Em um destes encontros entre os profissionais de diferentes categorias que comp\u00f5em o laborat\u00f3rio, temos como impulsionador o relato de um dos trabalhadores do servi\u00e7o substitutivo de sa\u00fade mental. O conte\u00fado trata de uma fam\u00edlia de cinco integrantes: o pai pastor, a m\u00e3e e tr\u00eas filhas. A perda do poder financeiro do genitor provoca um deslocamento de responsabilidade \u00e0 m\u00e3e, que passa a exercer a fun\u00e7\u00e3o de trabalhadora sexual para sustentar a casa. Diante do insuport\u00e1vel do corpo, inicia uso devastador de subst\u00e2ncias para trat\u00e1-lo. Deixa as duas filhas mais novas na cidade do interior e parte para a capital com a filha mais velha, adolescente. Ambas circulam pelas cenas de uso, indiferenciadas, a adolescente em situa\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o sexual constante para obten\u00e7\u00e3o do objeto droga para consumo de ambas. Em seu discurso, a menina relata que a \u00fanica forma de cessar o uso \u00e9 se <em>tornando uma m\u00e3e<\/em>.<\/p>\n<p>Este relato de um corpo adolescente indiferenciado causou \u00e0 nossa discuss\u00e3o o resgate do termo utilizado por Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>, que recorre \u00e0 figura dos buracos negros &#8211; como descritos pelos astrof\u00edsicos no quadro da teoria da relatividade &#8211; para caracterizar os efeitos da diferen\u00e7a sexual sobre o discurso e a fala. Para a autora, assim como tudo o que entra no interior do buraco negro \u2013 toda a informa\u00e7\u00e3o, toda a mat\u00e9ria \u2013, \u00e9 assimilada ao buraco negro, de modo que todos os objetos que caem nele se tornam inacess\u00edveis, desde o momento em que se entra no campo da diferen\u00e7a sexual, tudo o que define a singularidade dos modos de gozar e das posi\u00e7\u00f5es subjetivas torna-se inacess\u00edvel.<\/p>\n<p>Mesmo assim, \u00e9 frente a buracos negros e zonas de fratura que n\u00f3s, laboratoriantes, somos afinal convidados a colocar nosso desejo. Com Daniel Roy, recordamos que \u201cnenhum c\u00f3digo permite ao sujeito decifrar o que lhe acontece e, portanto, ele n\u00e3o sabe por que aquilo lhe acontece, nem o que quer dizer\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>. Contudo, est\u00e1 a seu cargo fazer disso alguma coisa, e a escuta do psicanalista pode contribuir para fazer derivar novas possibilidades. Destacamos que \u00e9 diante dessa falha que v\u00e3o se construir as teorias sexuais infantis e se edificar as diversas identifica\u00e7\u00f5es da inf\u00e2ncia, de maneira que cabe ao analista preservar essa singularidade e bordejar a novidade da inven\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a quando ela se torna violenta demais.<\/p>\n<p>No contexto das urg\u00eancias psiqui\u00e1tricas, contudo, frequentemente o praticante \u00e9 convocado a dar uma resposta \u00e0quilo que se apresenta na institui\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, por vezes essa resposta precisa ser r\u00e1pida, pois a demanda pode ser exorbitante. Em uma cl\u00ednica t\u00e3o complexa, falta espa\u00e7o para pensar, verdadeiro impasse que foi tema de uma conversa\u00e7\u00e3o ampliada entre diversos laborat\u00f3rios do CIEN Minas em Agosto de 2020. Chegou-se ao significante \u201cpausa\u201d enquanto uma necessidade, no trabalho, ordenadora de uma possibilidade de incid\u00eancia do discurso anal\u00edtico nesta cl\u00ednica: assim como o momento de ver, o momento de compreender tem seu lugar. Desse modo, as discuss\u00f5es em sala de plant\u00e3o, antes de definir a \u201cconduta\u201d para o caso e as conversa\u00e7\u00f5es entre psicanalistas, aparecem como possibilidades de operar essa fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em uma segunda conversa\u00e7\u00e3o, outro laboratoriante traz o relato de\u00a0 uma menina que aos 12 anos chega para acolhimento e, quando indagada sobre os motivos de estar ali, prontamente anuncia: \u201c<em>Minha m\u00e3e fala que eu tenho crises, tiques e TOCs\u201d<\/em>. Impressionado, o profissional reformula sua indaga\u00e7\u00e3o e questiona \u201c<em>Sua m\u00e3e fala? E o que voc\u00ea me diz<\/em>?\u201d A isso, sem vacilar, a crian\u00e7a repete: \u201c<em>Minha m\u00e3e fala que piorei depois que eu conheci meu pai. Minha m\u00e3e fala que eu puxei isso que tenho do meu pai, ele tinha crises de nervoso\u2026<\/em>\u201d O profissional, insiste: \u201c<em>Sua m\u00e3e fala&#8230; Sua m\u00e3e fala&#8230; Eu quero ouvir de voc\u00ea! O que voc\u00ea me conta?\u201d. <\/em>A menina d\u00e1 risada, mas fica em sil\u00eancio e o discurso se interrompe. O profissional tenta uma vez mais fazer um corte e dizer para a menina que ela n\u00e3o \u00e9 nem a m\u00e3e e nem o pai, mas sim ela pr\u00f3pria, ao que ela responde, sem rodeios: \u201c<em>\u00c9, mas tem a gen\u00e9tica<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Ela parece se referir a uma transmiss\u00e3o de um modo peculiar de gozo, um modo de ser e sofrer naquela fam\u00edlia e, portanto, tamb\u00e9m a transmiss\u00e3o de um modo de filia\u00e7\u00e3o. A menina nos convida a pensar em uma outra gen\u00e9tica, uma gen\u00e9tica discursiva. Mais uma vez o convite feito por Roy<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> nos coloca a trabalho. O autor nos fala de uma solidariedade de semblante entre as gera\u00e7\u00f5es, solidariedade que indica e encobre ao mesmo tempo o real do gozo em jogo e que confere consist\u00eancia \u00e0 estrutura familiar, sob suas modalidades t\u00e3o diversas. Neste sentido, a fam\u00edlia aparece tanto como o lugar onde se transmite a falha do sexual, como o lugar em que ela se mascara.<\/p>\n<p>Em uma terceira situa\u00e7\u00e3o, os pais de um menino de seis anos procuram o plant\u00e3o de um servi\u00e7o demandando um relat\u00f3rio psiqui\u00e1trico que diga que o filho n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de ir \u00e0 escola. Fazem isto porque o menino n\u00e3o quer ir pra escola de jeito nenhum. Quando s\u00e3o informados de que na avalia\u00e7\u00e3o da equipe o menino tinha plenas condi\u00e7\u00f5es de frequentar a escola, amea\u00e7am processar o servi\u00e7o de sa\u00fade mental. Em nenhum momento passou pela cabe\u00e7a dos pais daquele menino que eles poderiam &#8211; e talvez fosse importante &#8211; dizer a um menino de seis anos que ele precisa ir \u00e0 escola. Seria este um exemplo das desordens ocorridas no campo da inf\u00e2ncia que testemunham a deriva ocorrida nos continentes de nossas convic\u00e7\u00f5es \u2013 os semblantes que nos mant\u00eam \u2013 e de nossos h\u00e1bitos \u2013 os gozos que nos conv\u00eam? Sobre isto, vale resgatar mais algumas provoca\u00e7\u00f5es feitas por Daniel Roy:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o seria nesse momento de crise que a psican\u00e1lise ou o praticante s\u00e3o solicitados por um desses dist\u00farbios da crian\u00e7a que proliferam hoje sob denomina\u00e7\u00f5es que s\u00e3o a roupagem dos experts? N\u00f3s n\u00e3o ter\u00edamos que fazer ressoar o valor da inibi\u00e7\u00e3o, do sintoma ou da ang\u00fastia para a crian\u00e7a? Estes diversos dist\u00farbios n\u00e3o seriam com efeito respostas e defesas face a este momento de crise, em que se v\u00ea abalada a identifica\u00e7\u00e3o f\u00e1lica que sustentava at\u00e9 ent\u00e3o esta crian\u00e7a? Devemos considerar que esta identifica\u00e7\u00e3o f\u00e1lica \u2013 sempre dispon\u00edvel no tempo da inf\u00e2ncia e atualmente privilegiada no seio da fam\u00edlia e no discurso corrente \u2013 permite realmente a uma crian\u00e7a se manter \u00e0 dist\u00e2ncia das quest\u00f5es da identifica\u00e7\u00e3o sexual? N\u00e3o dever\u00edamos considerar de prefer\u00eancia a crise do falo como o momento fundamental em que se sintomatiza a vida da crian\u00e7a, em que ela come\u00e7a a aprender o regime sinthom\u00e1tico de sua inscri\u00e7\u00e3o no discurso sexual?<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ao permitir que as provoca\u00e7\u00f5es do autor possam ressoar em n\u00f3s e dar in\u00edcio a um trabalho que tenha no horizonte produzir um saber de peso, o laborat\u00f3rio <em>M\u00e3es e seus filhos<\/em> sustenta a convic\u00e7\u00e3o de que o campo da diferen\u00e7a sexual, essa fissura discursiva, zona de fratura por excel\u00eancia, \u00e9 anterior ao sofrimento das crian\u00e7as e atravessa tamb\u00e9m seus pais e m\u00e3es.<\/p>\n<p>O que pode um laborat\u00f3rio do CIEN frente \u00e0s desordens com crian\u00e7as e seus pais no contempor\u00e2neo? A qual saber poder\u00e1 ele recorrer quando se deparar com essas zonas de fratura em seu fazer? No texto \u201c<em>A crian\u00e7a e o saber<\/em>\u201d, Miller<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> nos apresenta o vetor que guia nossa a\u00e7\u00e3o: restituir o lugar do saber da crian\u00e7a, disso que as crian\u00e7as &#8211; e por que n\u00e3o seus pais? &#8211; sabem. Para Daniel Roy<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>], \u00e0queles que se prop\u00f5em a atuar a partir da psican\u00e1lise cabe se informar sobre o que as crian\u00e7as, meninas ou meninos, sabem da diferen\u00e7a sexual, do que querem ou n\u00e3o saber a respeito da mesma, e do que podem ou n\u00e3o podem saber. Para n\u00f3s, do laborat\u00f3rio<em> M\u00e3es e seus filhos<\/em>, seguramente o que podemos &#8211; e esperamos saber fazer- \u00e9 n\u00e3o recuar diante daquilo que \u00e9 ca\u00f3tico e disruptivo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659640\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659640\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659640\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab013-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab013-300x200.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab013-768x511.jpg 768w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab013-274x182.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/lab013.jpg 945w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659640\" class=\"wp-caption-text\">pixabay cornfield-gff49cb941_1920<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><em>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Em momento de concluir, uma hip\u00f3tese se insinua. A diferen\u00e7a sexual sempre foi uma zona de fratura, j\u00e1 que a rela\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 exclu\u00edda para o ser falante. O que o desafio particular das desordens contempor\u00e2neas p\u00f5e em jogo \u00e9 uma certa fal\u00eancia dos semblantes que at\u00e9 ent\u00e3o tinham efic\u00e1cia em recobrir e organizar um gozo e uma identifica\u00e7\u00e3o em torno dessa zona. A deriva das identifica\u00e7\u00f5es e as irrup\u00e7\u00f5es do gozo parecem testemunhar algo que \u00e9 da ordem de uma fratura exposta. Esse significante nos faz pensar, uma vez que nosso laborat\u00f3rio tem se ocupado da irrup\u00e7\u00e3o dessas fraturas nas urg\u00eancias subjetivas na cl\u00ednica de crian\u00e7as e adolescentes e seus pais. De fato, Lacan<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> p\u00f5e em primeiro plano os \u201ccasos de urg\u00eancia\u201d no seu Pref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o inglesa do Semin\u00e1rio 11, e nos parece que a urg\u00eancia com a qual estamos confrontados \u00e9 aquela da inven\u00e7\u00e3o. Os sujeitos que buscam a cl\u00ednica, e assim encontram as vias para as conversa\u00e7\u00f5es que ocorrem nos servi\u00e7os e que estimulam tamb\u00e9m as que ocorrem no laborat\u00f3rio, hoje em dia est\u00e3o \u00e0s voltas com a inven\u00e7\u00e3o de algo que d\u00ea conta de manusear os impactos destrutivos dessa fratura, talvez sem o recurso da tradi\u00e7\u00e3o paterna, mas podendo a cada vez se servir dos efeitos das conversa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dessa forma, ao longo do trabalho do laborat\u00f3rio p\u00f4de-se coletar a partir das conversa\u00e7\u00f5es alguns elementos para uma pr\u00e1tica com <em>M\u00e3es e seus filhos<\/em>, os quais foram sendo discutidos at\u00e9 aqui. Em um momento inicial as conversa\u00e7\u00f5es ocupavam-se de relatos trazidos por profissionais na escuta de crian\u00e7as e adolescentes que chegavam aos servi\u00e7os de urg\u00eancias em sa\u00fade mental. Como fruto desses primeiros encontros, fomos identificando que tamb\u00e9m os pais e respons\u00e1veis apresentavam a demanda por um espa\u00e7o de palavra para tratar justamente essa zona de fratura, cujos efeitos se observava nas crian\u00e7as. Assim, desde o in\u00edcio de 2022 nosso laborat\u00f3rio tem sustentado um espa\u00e7o de conversa\u00e7\u00e3o para m\u00e3es e pais das crian\u00e7as e adolescentes atendidas nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de sa\u00fade mental de Belo Horizonte, sendo este um efeito de nossas pr\u00f3prias conversa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> LACAN, J. (1998[1953]) \u201c<em>Fun\u00e7\u00e3o e Campo da Fala e da linguagem em Psican\u00e1lise<\/em>\u201d. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 321.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> ROY, D. (2019) \u201cQuatro perspectivas sobre a diferen\u00e7a sexual\u201d. Interven\u00e7\u00e3o na 5\u00aaJournn\u00e9e d\u00b4\u00e9tude de l\u00b4Institute psychanalytique de l\u00b4Enfant. In: CIEN Digital, n\u00ba 23, nov, 2019, p. 6. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Cien_Digital_23.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> ROY, D. (2019). \u201cQuatro perspectivas sobre a diferen\u00e7a sexual\u201d. Interven\u00e7\u00e3o na 5\u00aaJournn\u00e9e d\u00b4\u00e9tude de l\u00b4Institute psychanalytique de l\u00b4Enfant. In: CIEN Digital, n\u00ba 23, nov, 2019. Dispon\u00edvel em https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Cien_Digital_23.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> LACAN, J. (1971) O Semin\u00e1rio, livro 18: de um discurso que n\u00e3o fosse semblante. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2009, p. 30.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> MILLER, J. A (1991) De la naturaleza de los semblantes. Buenos Aires: Paid\u00f3s Editora, 2002. p. 14.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> ROY, D. (2019) \u201cQuatro perspectivas sobre a diferen\u00e7a sexual\u201d. Interven\u00e7\u00e3o na 5\u00aaJournn\u00e9e d\u00b4\u00e9tude de l\u00b4Institute psychanalytique de l\u00b4Enfant. In: CIEN Digital, n\u00ba 23, nov, 2019, p. 10. Dispon\u00edvel em https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Cien_Digital_23.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> ROY, D. (2019). \u201cQuatro perspectivas sobre a diferen\u00e7a sexual\u201d. Interven\u00e7\u00e3o na 5\u00aaJournn\u00e9e d\u00b4\u00e9tude de l\u00b4Institute psychanalytique de l\u00b4Enfant. In: CIEN Digital, n\u00ba 23, nov., 2019, p. 6. Dispon\u00edvel em https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Cien_Digital_23.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> ROY, D. (2019). \u201cQuatro perspectivas sobre a diferen\u00e7a sexual\u201d. Interven\u00e7\u00e3o na 5\u00aaJournn\u00e9e d\u00b4\u00e9tude de l\u00b4Institute psychanalytique de l\u00b4Enfant. In: CIEN Digital, n\u00ba 23, nov, 2019, p. 10. Dispon\u00edvel em https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Cien_Digital_23.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> MOTTA, J.; MARCOS, C. (2018). M\u00e3es em Crise. In: CIEN Digital, n\u00ba 22, nov., 2018, p.37. Dispon\u00edvel em https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Cien-Digital-22.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> BROUSSE, M.-H. (2019) \u201cO buraco negro da diferen\u00e7a sexual\u201d. Interven\u00e7\u00e3o na 5\u00aaJournn\u00e9e d\u00b4\u00e9tude de l\u00b4Institute psychanalytique de l\u00b4Enfant. In: CIEN Digital, n\u00ba 23, nov, 2019,p. 18. Dispon\u00edvel em https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Cien_Digital_23.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> ROY, D. (2019) \u201cQuatro perspectivas sobre a diferen\u00e7a sexual\u201d. Interven\u00e7\u00e3o na 5\u00aaJournn\u00e9e d\u00b4\u00e9tude de l\u00b4Institute psychanalytique de l\u00b4Enfant. In: CIEN Digital, n\u00ba 23, nov, 2019, p. 7. Dispon\u00edvel em https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Cien_Digital_23.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> ROY, D. (2019). \u201cQuatro perspectivas sobre a diferen\u00e7a sexual\u201d. Interven\u00e7\u00e3o na 5\u00aaJournn\u00e9e d\u00b4\u00e9tude de l\u00b4Institute psychanalytique de l\u00b4Enfant. In:CIEN Digital, n\u00ba 23, nov, 2019, p.10. Dispon\u00edvel em https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Cien_Digital_23.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> ROY, D. (2019). \u201cQuatro perspectivas sobre a diferen\u00e7a sexual\u201d. Interven\u00e7\u00e3o na 5\u00aaJournn\u00e9e d\u00b4\u00e9tude de l\u00b4Institute psychanalytique de l\u00b4Enfant. In: CIEN Digital, n\u00ba 23, nov, 2019, p. 11-12. Dispon\u00edvel em https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Cien_Digital_23.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A (2011). \u201cA crian\u00e7a e o saber\u201d. In: CIEN Digital, n\u00ba 11, jan., 2012, p. 8. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/CIEN-Digital11.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> ROY, D. (2019) \u201cQuatro perspectivas sobre a diferen\u00e7a sexual\u201d. Interven\u00e7\u00e3o na 5\u00aaJournn\u00e9e d\u00b4\u00e9tude de l\u00b4Institute psychanalytique de l\u00b4Enfant. In: CIEN Digital, n\u00ba 23, nov, 2019, p. 12. Dispon\u00edvel em https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Cien_Digital_23.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> LACAN, J. (1976). \u201cPref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o inglesa do semin\u00e1rio 11\u201d. In: Outros Escritos, Rio de Janeiro: Zahar, p. 567.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Laborat\u00f3rio M\u00e3es e seus filhos &#8211; CIEN-MG &#8211; Cristina Marcos, Juliana Motta, Larric Johnny Malacarne, Mariana Vasconcelos dos Santos, Mateus Mour\u00e3o e Paula Pazzini Salles Provoca surpresa o quanto a advert\u00eancia feita por Lacan em 1953 permanece atual, convocando analistas de todo o mundo a se colocarem a trabalho num esfor\u00e7o coletivo de operar transforma\u00e7\u00f5es&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5659638,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143,22],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-5659637","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cien-digital-25","category-laboratorios","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659637","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5659637"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659637\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5659638"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5659637"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5659637"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5659637"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5659637"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}