{"id":5659662,"date":"2023-03-05T16:28:39","date_gmt":"2023-03-05T19:28:39","guid":{"rendered":"https:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659662"},"modified":"2023-03-05T16:28:39","modified_gmt":"2023-03-05T19:28:39","slug":"pais-exasperados-criancas-terriveis1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2023\/03\/05\/pais-exasperados-criancas-terriveis1\/","title":{"rendered":"Pais exasperados \u2013 crian\u00e7as terr\u00edveis<sup>[1]<\/sup>"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659662?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659662?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h6><em>Daniel Roy<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup><strong>[2]<\/strong><\/sup><\/a><\/em><\/h6>\n<figure id=\"attachment_5659663\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659663\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659663\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_004-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_004-300x200.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_004-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_004-768x512.jpg 768w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_004-274x183.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_004.jpg 1158w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659663\" class=\"wp-caption-text\">Constru\u00e7\u00e3o Crep\u00fasculo Urbano &#8211; Foto gratuita no Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p>Este \u00e9 o t\u00edtulo que Jacques-Alain Miller nos prop\u00f5e para a nossa pr\u00f3xima Jornada do Instituto Psicanal\u00edtico da Crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 um t\u00edtulo \u00e0 altura da \u00e9poca, que n\u00e3o \u00e9 um jarg\u00e3o herm\u00e9tico. Ele ressoa com uma realidade bem cotidiana no que diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es dos pais e das crian\u00e7as deste nosso s\u00e9culo. Ele tamb\u00e9m nos diz respeito na medida em que estamos envolvidos nisso. Esse t\u00edtulo nos convoca a seguir o fio do questionamento de Lacan no final de seu ensino, em dezembro de 1976: \u201cEla est\u00e1, sim ou n\u00e3o, fundamentada, essa rela\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com os pais?\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Como isso est\u00e1 fundamentado para Nina, de 4 anos, que vem para uma consulta \u201cpor que n\u00e3o dou ouvidos \u00e0 mam\u00e3e e ao papai\u201d, diz ela? Eles dizem de sua filha: \u201cela tem crises\u201d. Ela grita e atira seus objetos, \u201cum verdadeiro tornado\u201d. Punir, falar com ela, nada adianta, \u201cela n\u00e3o d\u00e1 ouvidos \u00e0s ordens.\u201d A m\u00e3e se culpa por \u201cter estragado sua filha\u201d e nota as dificuldades de Nina em se separar dela em quaisquer circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>E para Maxence, 3 anos e 7 meses, que n\u00e3o para com as birras, como fazer? \u201cNa fam\u00edlia, n\u00e3o conseguimos lidar com ele, ele quer nos organizar!\u201d Ainda beb\u00ea, seus gritos eram insuport\u00e1veis para seus pais, que n\u00e3o conseguiam acalm\u00e1-lo. Nos primeiros encontros, Maxence permanecer\u00e1 muito colado \u00e0 m\u00e3e, fazendo um uso ilimitado do corpo dela. Maxence n\u00e3o tem um ursinho de pel\u00facia? \u201cMas, sou eu!\u201d, sua m\u00e3e responder\u00e1.<\/p>\n<p>Destes dois encontros e de tantos outros, deduz-se uma perspectiva precisa: as crises, os ataques de raiva, a crian\u00e7a que n\u00e3o escuta, com a qual os pais n\u00e3o conseguem lidar, se esgotando completamente ao faz\u00ea-lo, podemos considerar tudo isso como o princ\u00edpio organizador da fam\u00edlia. Al\u00e9m disso, esses significantes, e outros, tornaram-se realmente o que funda uma rela\u00e7\u00e3o direta e sem media\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com os pais, na medida em que esses significantes realizam um aglomerado de corpos em presen\u00e7a e concentram a aten\u00e7\u00e3o e a libido de todos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a fam\u00edlia que est\u00e1 em crise, \u00e9 a crise que se encontra no pr\u00f3prio fundamento da fam\u00edlia: tal \u00e9 o novo princ\u00edpio da fam\u00edlia p\u00f3s-moderna. A \u201ccrian\u00e7a-terr\u00edvel\u201d aparece a\u00ed como um condensador de gozo para cada um. Todos \u00e0 beira de um ataque de nervos. Este \u00e9 o caldeir\u00e3o em que somos convidados a mergulhar.<\/p>\n<p><strong><em>Fam\u00edlias \/ Transmiss\u00f5es<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A fam\u00edlia do s\u00e9culo XXI n\u00e3o \u00e9 mais a fam\u00edlia dita tradicional ou patriarcal, nem a fam\u00edlia conjugal do s\u00e9culo passado. Ela \u00e9 uma nova resposta ao enigma da transmiss\u00e3o que est\u00e1 no cerne desta \u201cforma\u00e7\u00e3o humana\u201d.<\/p>\n<p>Em 1938, em seu texto \u201cOs Complexos familiares na forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo\u201d, a \u201cfam\u00edlia moderna\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> \u00e9 para Lacan o produto \u201cde uma profunda reorganiza\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> que n\u00e3o \u00e9 de forma alguma uma simplifica\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a uma unidade social elementar (pai, m\u00e3e, filhos), mas \u201cuma contra\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o familiar\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>, \u201csob a influ\u00eancia prevalente do casamento\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> e ele adota o termo \u201cfam\u00edlia conjugal\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>, retirado de Durkheim.<\/p>\n<p>Esta reorganiza\u00e7\u00e3o tem a consequ\u00eancia direta de fazer aparecer toda uma nova dimens\u00e3o da transmiss\u00e3o, que Lacan destaca em 1969, em sua Nota sobre a crian\u00e7a: \u201cA fun\u00e7\u00e3o de res\u00edduo exercida (e, ao mesmo tempo, mantida) pela fam\u00edlia conjugal na evolu\u00e7\u00e3o das sociedades, destaca a irredutibilidade de uma transmiss\u00e3o [&#8230;] que \u00e9 de uma constitui\u00e7\u00e3o subjetiva, implicando a rela\u00e7\u00e3o com um desejo que n\u00e3o seja an\u00f4nimo\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A transmiss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais aqui a transmiss\u00e3o autom\u00e1tica de um nome e de uma autoridade. Ela s\u00f3 existe vinculada a um desejo, enquanto encarnado, seja pela via de uma falta, seja pela da nomea\u00e7\u00e3o na palavra. H\u00e1, a\u00ed, uma mudan\u00e7a de \u201ceixo da fun\u00e7\u00e3o significante ligada ao termo <em>fam\u00edlia\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup><strong>[10]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>.<\/p>\n<p>Nesta configura\u00e7\u00e3o, se desenharmos dois c\u00edrculos que se sobrep\u00f5em parcialmente e, se escrevermos em um dos c\u00edrculos os dois significantes de \u201cpai\u201d e \u201cm\u00e3e\u201d, e no outro o de \u201ccrian\u00e7a\u201d, podemos, ent\u00e3o, escrever em sua intersec\u00e7\u00e3o, com o significante \u201cdesejo\u201d, os dois nomes de falta e de nomea\u00e7\u00e3o. Percebemos, assim, a parte que se trama neste lugar, ao mesmo tempo tra\u00e7o de uni\u00e3o (h\u00edfen) e espa\u00e7o de separa\u00e7\u00e3o, onde vir\u00e1 se alojar o sintoma da crian\u00e7a, como Lacan o indica na sequ\u00eancia de sua \u201cNota sobre a crian\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Mas a fam\u00edlia daqui em diante est\u00e1 imersa no banho de nossa civiliza\u00e7\u00e3o, onde os objetos provindos da tecnologia, os objetos mais-de-gozar, assumiram a autoridade e fundam a lei para todas as formas do ideal. O gozo est\u00e1 a\u00ed em primeiro lugar. Em um de seus \u00faltimos semin\u00e1rios, em 10 de junho de 1980, e intitulado por J.-A. Miller, \u201cO mal-entendido\u201d, Lacan extrai as consequ\u00eancias disso e evoca \u201cdois falantes que n\u00e3o falam a mesma l\u00edngua [&#8230;] Dois que se conjuram para a reprodu\u00e7\u00e3o, mas por um mal-entendido realizado\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a><br \/>\ne que, ao dar a vida, transmitem esse mal-entendido. Trata-se de um mal-entendido que incide sobre o gozo e que se enra\u00edza nas \u201calgaravias<em> (bafouillage)<\/em> dos seus ascendentes\u201d, do qual o corpo novo de falante faz parte. O an\u00fancio do nascimento \u00e9 essa algaravia em que se aloja o gozo, mal-entendido estrutural. Ent\u00e3o, vamos colocar \u201cdois falantes\u201d em um dos c\u00edrculos, deixar \u201ccrian\u00e7a\u201d no outro, e colocar (inscrever) na interse\u00e7\u00e3o, o gozo cercado por seu mal-entendido e pelas algaravias. O real do gozo vem, assim, \u201cse imprimir\u201d por debaixo na trama do discurso e dar uma nova perspectiva ao sintoma, aquela de um real irredut\u00edvel entre pais e crian\u00e7as que os une e os separa, \u201ca um ponto de \u201cn\u00e3o se fala disso\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>, presente em cada fam\u00edlia.<\/p>\n<p><strong><em>Fam\u00edlias \/ Disfuncionamentos<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Eis, ent\u00e3o, a atual fam\u00edlia res\u00edduo: um conjunto formado pela reuni\u00e3o, no sentido matem\u00e1tico, de dois conjuntos, o dos \u201cpais\u201d, de dois falantes, de um lado e o das \u201ccrian\u00e7as\u201d, do outro. A interse\u00e7\u00e3o, sendo constitu\u00edda pelo que eles t\u00eam em comum, ou seja, mal-entendido e algaravia sobre o gozo dos corpos, transmitidos por meio de desejos encarnados, no melhor dos casos. Essa estrutura \u00e9 suficiente para dar conta da incr\u00edvel diversidade sociol\u00f3gica das fam\u00edlias atuais e da grande variedade de tipos de pais e tipos de crian\u00e7as que elas re\u00fanem, como constatamos em nossas pr\u00e1ticas. Mas, o que passa despercebido \u00e9 que \u201cfam\u00edlia\u201d n\u00e3o \u00e9 mais um significante dado de antem\u00e3o como inscrito no simb\u00f3lico, seja por filia\u00e7\u00e3o ou por alian\u00e7a. Esta inscri\u00e7\u00e3o \u00e9 a parte que retorna a cada um dos<em> falasseres<\/em>, na medida em que eles fazem &#8211; ou n\u00e3o &#8211; existir a fun\u00e7\u00e3o significante da fam\u00edlia, ali onde se imp\u00f5e sua fun\u00e7\u00e3o de gozo, essa disjun\u00e7\u00e3o que muitas vezes faz vir, ao primeiro plano, a fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria da fam\u00edlia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659664\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659664\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659664\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_005-240x300.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_005-240x300.jpg 240w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_005-274x342.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_005.jpg 671w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659664\" class=\"wp-caption-text\">P\u00e1ssaro Esgrima Bico &#8211; Foto gratuita no Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00c9 nessa inconsist\u00eancia da fam\u00edlia p\u00f3s-moderna, quanto ao simb\u00f3lico, que penetram os discursos de ajuda aos pais e de remedia\u00e7\u00e3o cognitiva e comportamental, a fim de rastrear disfun\u00e7\u00f5es. Eles v\u00eam atualmente sustentar os ideais da fam\u00edlia, explorando a discrep\u00e2ncia inevit\u00e1vel entre a \u201ccrian\u00e7a-perfeita\u201d e a \u201ccrian\u00e7a-terr\u00edvel\u201d, entre a crian\u00e7a-falo prometida pelo ideal e a crian\u00e7a-objeto, ser de gozo. Essa divis\u00e3o marca uma mulher ou um homem quando eles se tornam \u201cpai\u201d ou \u201cm\u00e3e\u201d. Ela vem \u201cexasperar\u201d em cada um deles, a tens\u00e3o entre a mais-valia que conta com o acesso a esses significantes mestres e o efeito de castra\u00e7\u00e3o que, por sua vez, \u00e9 registrado como perda, se n\u00e3o como falta.<\/p>\n<p>Ao n\u00e3o ser tomada por um dizer singular, essa divis\u00e3o, ent\u00e3o sentida como insuport\u00e1vel, \u00e9 projetada sobre a crian\u00e7a que assume os tra\u00e7os de um ser enganador e cuja presen\u00e7a custa tempo, energia, dinheiro etc. O <em>coaching<\/em> parental, o suporte aos pais, enquanto pr\u00e1ticas de discurso, asseguram o \u201cservi\u00e7o de p\u00f3s-venda\u201d da ag\u00eancia-mestre da fam\u00edlia: colocando palavras no sofrimento, dando sentido, ensinando a lidar com as emo\u00e7\u00f5es, segundo a vulgata atual. Esses sintagmas de agora em diante ocupam seu lugar no discurso corrente, assim como certos termos \u201cpseudocient\u00edficos\u201d elaborados por especialistas. Substituindo-se aos significantes particularizados que se transmite na l\u00edngua falada nesse tal grupo familiar, eles fazem consistir os la\u00e7os de depend\u00eancia.<\/p>\n<p>Nesta zona de aliena\u00e7\u00e3o significante, fica ocultado o que circula como desejo e o que se deposita como gozo em jogo, para cada um dos parceiros. Na verdade, \u00e9 nessa intersec\u00e7\u00e3o, que o m\u00ednimo processo de separa\u00e7\u00e3o se funda, dos desmames da inf\u00e2ncia at\u00e9 as aventuras tumultuadas da adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Depende disso a possibilidade de uma crian\u00e7a decifrar as coordenadas do lugar que ela ocupa para seus pais como \u201ccausa de seu desejo\u201d e como \u201cdejeto de seus gozos\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>. Essa decifra\u00e7\u00e3o, uma crian\u00e7a a faz com os significantes que ela recolhe<em>,<\/em> que assumem o valor singular do gozo pulsional que os lastreia. Essa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o privilegiada do jogo da crian\u00e7a, que enla\u00e7a, em torno do objeto indiz\u00edvel, as extremidades de corpo, fiapos de gozo e fragmentos de discurso. Este objeto \u00e9 a v\u00e1lvula que abre, entreabre ou fecha o espa\u00e7o para uma separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando este objeto n\u00e3o tem lugar subjetivamente como causa de desejo e resto de gozo, ele se encarna na crian\u00e7a terr\u00edvel, que \u201cn\u00e3o ouve nada\u201d, \u201cque s\u00f3 faz o que lhe d\u00e1 na telha\u201d, \u201ctem uma crise\u201d, \u201cimpede a todos de dormir\u201d. Os conselhos de orienta\u00e7\u00e3o dos pais, assim como os diagn\u00f3sticos de tipo m\u00e9dico, se somam \u00e0s queixas dos pais e \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas da crian\u00e7a e desencadeiam o poder de ang\u00fastia do objeto <em>a<\/em>. Essa presen\u00e7a n\u00e3o reconhecida, que assombra o sintoma da crian\u00e7a-terr\u00edvel, passa a questionar cada um dos pais sobre \u201ca verdade do par parental\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>, exaspera o lugar que um filho pode ocupar \u201ccomo objeto <em>a <\/em>na fantasia\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> de cada um. Essa presen\u00e7a tamb\u00e9m aterroriza a \u201ccrian\u00e7a-terr\u00edvel\u201d, sob diversas formas fantasm\u00e1ticas e de pesadelo.<\/p>\n<p>Assim, o disfuncionamento n\u00e3o \u00e9 o que se acredita, ele n\u00e3o se relaciona com um mau arranjo dos pap\u00e9is parentais ou das rela\u00e7\u00f5es pais-crian\u00e7as, nem com o mau funcionamento de uma fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica ou cognitiva. O disfuncionamento consiste em n\u00e3o querer saber que a fam\u00edlia j\u00e1 \u00e9 um modo de tratamento do gozo dos corpos falantes presentes, que n\u00e3o responde a nenhum ideal, mas que \u00e9, antes, da ordem de uma \u201creligi\u00e3o privada\u201d, da qual ignoramos tudo quando encontramos pais e filhos e da qual temos tudo a aprender sobre as regras que ali se aplicam, os ritos que ali se celebram, os pequenos deuses que ali reinam. Mais fundamentalmente, temos que aprender a l\u00edngua que ali \u00e9 falada, sua gram\u00e1tica, seu vocabul\u00e1rio. Estamos, portanto, mais pr\u00f3ximos da posi\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, buscando decifrar os enigmas, dar conta do valor de gozo das palavras, dos atos e dos objetos que circulam e dar a cada um, a parte que lhe cabe. Descompactar \u201ca fam\u00edlia hol\u00f3frase\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>, de alguma forma, sem uma grade de avalia\u00e7\u00e3o ou um modelo ideal.<\/p>\n<p><strong><em>Fam\u00edlias \/ Equ\u00edvocos \u2013 b\u00e9vues<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio das evid\u00eancias antropol\u00f3gicas, parece que a fam\u00edlia n\u00e3o se enquadra, de forma alguma, em uma l\u00f3gica do universal e que ela, daqui em diante, entrou em uma l\u00f3gica do n\u00e3o-todo. Isso condiciona nosso acolhimento dos sintomas das crian\u00e7as e das queixas e preocupa\u00e7\u00f5es dos pais. N\u00e3o podemos mais colocar no princ\u00edpio de nossa interven\u00e7\u00e3o que <em>para todos os seres falantes, a fam\u00edlia \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o<\/em>, com o que isso implica que exista um, que seja o pai, a m\u00e3e, ou os pais, ou mesmo o especialista ou o <em>coach<\/em>, que seria seu fundador ou o mantenedor e que, em fun\u00e7\u00e3o disso, ficaria de fora. Deve-se acrescentar que a pr\u00f3pria crian\u00e7a \u00e9, muitas vezes, localizada, pelos pais, no lugar daquele que funda a fam\u00edlia. Sabemos por experi\u00eancia, que todas essas configura\u00e7\u00f5es produzem efeitos potencialmente devastadores para os membros dessa fam\u00edlia.<\/p>\n<p>N\u00f3s partimos, portanto, de outro ponto de vista, colocando que <em>n\u00e3o existe ser falante que n\u00e3o seja de uma fam\u00edlia<\/em>, o que abre muitas perspectivas a todos aqueles que est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o delicada com sua fam\u00edlia ou que se consideram \u201csem fam\u00edlia\u201d, mas tamb\u00e9m para todos os outros. Para cada crian\u00e7a, protegida ou abandonada, h\u00e1 possibilidades de \u201cbricolagens\u201d. Respondendo a uma l\u00f3gica do n\u00e3o-todo, a institui\u00e7\u00e3o \u201cfam\u00edlia\u201d oferece outros recursos: aqueles, para a crian\u00e7a, de ser n\u00e3o-toda dependente das identifica\u00e7\u00f5es familiares, n\u00e3o-toda dependente do amor, filial e parental, ou seja, ser capaz de explorar seus lados menos am\u00e1veis. E isso tamb\u00e9m se aplica aos seus \u201cparceiros no jogo da vida\u201d, pai, m\u00e3e, padrasto, madrasta e outros \u201cfamiliares\u201d.<\/p>\n<p>Talvez agora tenhamos voz e esp\u00edrito mais livres para enfrentar a crian\u00e7a-terr\u00edvel, o hiperativo, os <em>dis<\/em><a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>, aquele que morde, aquele que n\u00e3o dorme e seus pais exasperados, em p\u00e2nico ou desesperados. Podemos acompanhar aqui, o desenvolvimento feito por J.-A. Miller em seu curso \u201cPe\u00e7as soltas\u201d de 19 de janeiro de 2005, sobre \u201ca quest\u00e3o do exerc\u00edcio da psican\u00e1lise na \u00e9poca da leveza\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>. Ele faz valer que face a este \u201cdom\u00ednio da leveza\u201d, que visa reduzir o sujeito de sua particularidade a um universal, a psican\u00e1lise n\u00e3o precisa entrar \u201cem uma competi\u00e7\u00e3o de poder terap\u00eautico\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>, na medida em que, com Lacan, ela \u00e9 a \u00fanica a levar em conta o lugar do objeto <em>a<\/em>, tanto como causa do desejo, como mais-gozar, mas igualmente como consist\u00eancia l\u00f3gica, como um real \u201cproduto do simb\u00f3lico\u201d<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\"><sup>[20]<\/sup><\/a>. Ele nos incentiva a assumir um ponto de vista \u201cpragm\u00e1tico e de quem faz bricolagem\u201d<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a> que consiste em buscar com os sujeitos, os significantes, os S1 que \u201cajudam a tornar o gozo leg\u00edvel\u201d<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> e que, portanto, \u201cajudam a tornar leg\u00edvel a hist\u00f3ria\u201d<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Mas, todas as situa\u00e7\u00f5es que encontramos n\u00e3o respondem a esta dial\u00e9tica que permite instalar \u201co aparelho de decifrar da psican\u00e1lise\u201d<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>. H\u00e1 aquelas para as quais devemos considerar que, no seio da exaspera\u00e7\u00e3o de pais exasperados e do terror dos filhos terr\u00edveis, se aloja \u201cum gozo ileg\u00edvel\u201d<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a>, que s\u00f3 pode permanecer uma \u201cletra velada\u2019, o que significa que temos que respeit\u00e1-lo neste lugar, que n\u00e3o temos que procurar reduzi-lo, anul\u00e1-lo, interpret\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Devemos, portanto, levar em conta, essa \u201ceconomia do gozo\u201d pr\u00f3pria a uma fam\u00edlia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659665\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659665\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659665\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_006-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_006-300x200.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_006-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_006-768x512.jpg 768w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_006-274x183.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_006.jpg 1159w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659665\" class=\"wp-caption-text\">Navio Colher Mar &#8211; Foto gratuita no Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para tanto, o uso do termo equ\u00edvoco (<em>b\u00e9vue<\/em>), de um equ\u00edvoco (<em>une-b\u00e9vue<\/em>)<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a>, introduzido por Lacan em seu Semin\u00e1rio XXIV, \u00e9 inestim\u00e1vel para n\u00f3s aqui, na medida em que amplia o conceito de inconsciente freudiano, enfatizando a\u00ed o tra\u00e7o de uma passagem: algo aconteceu, um rel\u00e2mpago chegou. Um equ\u00edvoco, n\u00e3o h\u00e1 nada mais pr\u00f3ximo, no ser falante, para fazer signo do acontecimento contingente. N\u00e3o s\u00e3o novas significa\u00e7\u00f5es que se trata de isolar, mas, a partir de um equ\u00edvoco (<em>une b\u00e9vue<\/em>), \u201cna medida em que cada um, a cada instante, d\u00e1 uma m\u00e3ozinha \u00e0 l\u00edngua que fala\u201d<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\"><sup>[27]<\/sup><\/a>. Lacan indica \u201cque n\u00e3o h\u00e1 nada mais dif\u00edcil de apreender do que esse tra\u00e7o do equ\u00edvoco, pelo qual traduzo o<em> Unbewusst<\/em>, que significa <em>inconsciente<\/em> em alem\u00e3o. Mas, traduzido como um equ\u00edvoco, significa outra coisa \u2013 um obst\u00e1culo, um trope\u00e7o, um deslizamento de palavra a palavra\u201d<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\"><sup>[28]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O um-equ\u00edvoco \u00e9 um tra\u00e7o que Lacan equipara ao tra\u00e7o un\u00e1rio, como a \u00fanica coisa que faz Um em um mundo onde \u201ctodos n\u00e3o t\u00eam nenhum tra\u00e7o comum\u201d<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\"><sup>[29]<\/sup><\/a>. O \u00fanico tra\u00e7o comum \u00e9 ser marcado com o tra\u00e7o do um-equ\u00edvoco. As \u201cbesteiras\u201d das crian\u00e7as, os seus v\u00e1rios trope\u00e7os, encontram a\u00ed, uma luz renovada!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o isso nos interessa muito, porque nos coloca de cara com a taxionomia dos dist\u00farbios da inf\u00e2ncia: dist\u00farbio da linguagem, da aten\u00e7\u00e3o, disforia de g\u00eanero, dist\u00farbio das condutas, do comportamento, dist\u00farbios dos esf\u00edncteres. Eis todas as principais fun\u00e7\u00f5es do corpo falante, j\u00e1 ordenadas pelo discurso biopsicossocial da OMS<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\"><sup>[30]<\/sup><\/a>, que todas elas entram no tra\u00e7o do um-equ\u00edvoco. O \u201cdist\u00farbio\u201d \u00e9 um tra\u00e7o do um-equ\u00edvoco, mas acolhido, sem o recurso de um v\u00e9u sobre a letra, por algu\u00e9m que se confere o atributo do saber, e por este fato impede que Um encerrado no tra\u00e7o do um-equ\u00edvoco v\u00e1 em busca de seu Outro. Esta \u00e9, de fato, a \u00fanica maneira de saber que ele n\u00e3o estava escrito ali, e que, portanto, ele n\u00e3o faz destino.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, isso abre duas maneiras de fazer as coisas: acolher, como tra\u00e7o do um-equ\u00edvoco, as diversas desordens, dist\u00farbios, a partir do momento em que eles s\u00e3o colhidos em um discurso e, assim, permitir que esses significantes se emitam para outros significantes. \u00c9 a inven\u00e7\u00e3o do inconsciente no sentido freudiano, sempre atual. Mas, a outra manobra que podemos designar com uma palavra que Lacan tomou emprestado do pequeno Hans, \u201cisso consiste em servir-se de uma palavra para um uso diferente daquele para o qual \u00e9 feita, n\u00f3s a amarrotamos um pouco e \u00e9 neste amarrotamento que reside o seu efeito operativo\u201d<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\"><sup>[31]<\/sup><\/a>. Assim, ou amarrotamos para deter a hemorragia ou visamos o rel\u00e2mpago, esse \u00e9 o efeito ao qual, \u00e0s vezes, a poesia ou o dito espirituoso alcan\u00e7am.<\/p>\n<p>Sugiro que retenhamos deste percurso, que o tra\u00e7o de uni\u00e3o (h\u00edfen) entre pais exasperados e filhos terr\u00edveis n\u00e3o se enquadra nem na dimens\u00e3o da transmiss\u00e3o, nem num veredito de disfun\u00e7\u00e3o, mas que ele n\u00e3o \u00e9 nada mais que esse tra\u00e7o do um-equ\u00edvoco que sulca a fam\u00edlia. Esse Um-equ\u00edvoco que, sozinho, pode fundar essa rela\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com os pais e dos pais com as crian\u00e7as que, com Lacan, interrogamos no in\u00edcio.<\/p>\n<p>O equ\u00edvoco contra a norma, sim, \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Cristina Vidigal.<\/h6>\n<h6><strong>Revis\u00e3o:<\/strong> Cristina Drummond e M\u00aa Cristina Maia Fernandes.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u2003Texto publicado no Zapresse em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s JIE7, pronunciado no dia 13 de mar\u00e7o de 2021, por ocasi\u00e3o do encerramento 6\u00aa Jornada do Institut de l\u2019Enfant. Editado por Fr\u00e9d\u00e9rique Bouvet e Isabelle Magne. Original dispon\u00edvel em: https:\/\/institut-enfant.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/PARENTS_EXASPERES.pdf Tamb\u00e9m dispon\u00edvel em Rayuela. Publicaci\u00f3n virtual de la Nueva Red Cereda Am\u00e9rica, n 9, novembro de 2022.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u2003Secret\u00e1rio Geral do Institut Psychanalytique de l\u2019Enfant.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u2003LACAN J., Le S\u00e9minaire, Livre 24, L\u2019insu que sait de l\u2019Une-b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre, le\u00e7on du 14 d\u00e9cembre 1976, \u00bfOrnicar?, no 12\/13, d\u00e9cembre 1977, p. 14.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u2003LACAN J., Os complexos familiares na forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Outros Escritos, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003, p. 32.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>\u2003Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>\u2003Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>\u2003Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>\u2003Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>\u2003LACAN J., Nota sobre a crian\u00e7a. In Outros Escritos, op. cit., p. 369.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>\u2003LACAN J., O Semin\u00e1rio, Livro 5, As forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, texto estabelecido por J.-A. Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999, p. 59.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>\u2003LACAN J., O mal-entendido. In Op\u00e7\u00e3o Lacaniana n\u00ba 72, mar\u00e7o de 2016, p. 11.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>\u2003MILLER J.-A., Assuntos de fam\u00edlia no inconsciente. In: Asephallus, Revista eletr\u00f4nica do N\u00facleo Sephora, v. 2 n\u00ba 4, maio a outubro, 2007.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>\u2003MILLER J.-A., Pr\u00e9face. In L\u2019inconscient de l\u2019enfant. Du sympt\u00f4me au d\u00e9sir de savoir, Bonnaud H., Paris, Navarin \/ Le Champ freudien, 2013, p. 11.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>\u2003LACAN J., Nota sobre a crian\u00e7a, op. cit, p. 369.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>\u2003Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>\u2003Cf. LAURENT \u00c8., Institution du fantasme, fantasmes de l\u2019institution, Les feuillets du Courtil, n\u00ba 4, efin 1992, p. 9.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>\u2003N.T.: Dys em franc\u00eas faz refer\u00eancia aos dist\u00farbios e disfun\u00e7\u00f5es da linguagem e da aprendizagem como s\u00e3o nomeados os sintomas no DSM: dislalia, dislexia, disfagias, dispraxias. Mais recentemente nessa sequ\u00eancia foi inclu\u00edda a disforia de g\u00eanero para nomear as singularidades de respostas no campo do sexual.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>\u2003MILLER J.-A., Piezas Sueltas, Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2013, p. 102.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>\u2003Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a>\u2003Ibid., p. 109.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\"><sup>[21]<\/sup><\/a>\u2003Ibid., p. 115.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>\u2003Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>\u2003Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>\u2003Ibid., p. 114.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\"><sup>[25]<\/sup><\/a>\u2003Ibid., p. 113.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\"><sup>[26]<\/sup><\/a>\u2003 LACAN J., Le S\u00e9minaire, Livre 24, L\u2019insu que sait de l\u2019Une-b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre, le\u00e7ons du 10 et du 17 mai 1977, Ornicar ?, n\u00ba 17\/18, Printemps 1979, p. 16-23.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\"><sup>[27]<\/sup><\/a>\u2003LACAN J., O Semin\u00e1rio, Livro 23, O Sinthoma, texto estabelecido por J.-A. Miller, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2007, p. 129.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\"><sup>[28]<\/sup><\/a>\u2003LACAN J., Le S\u00e9minaire, Livre 24, L\u2019insu que sait de l\u2019Une-b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre, op. cit.p. 18.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\"><sup>[29]<\/sup><\/a>\u2003 Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\"><sup>[30]<\/sup><\/a>\u2003 A OMS define e divulga \u201cuma fam\u00edlia de classifica\u00e7\u00f5es\u201d para definir as duas dimens\u00f5es de estados disfuncionais e comportamentos disfuncionais: por um lado o CID, Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as, por outro a CIF, Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Sa\u00fade, dispon\u00edvel no site da OMS (https:\/\/apps.who.int\/iris\/bitstream\/handle\/10665\/42418\/9242545422_fre.pdf)<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\"><sup>[31]<\/sup><\/a>\u2003 LACAN J., Le S\u00e9minaire, Livre 24, \u00abL\u2019insu que sait de l\u2019Une-b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre\u00bb, op. cit., p. 21.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Roy[2] Este \u00e9 o t\u00edtulo que Jacques-Alain Miller nos prop\u00f5e para a nossa pr\u00f3xima Jornada do Instituto Psicanal\u00edtico da Crian\u00e7a. \u00c9 um t\u00edtulo \u00e0 altura da \u00e9poca, que n\u00e3o \u00e9 um jarg\u00e3o herm\u00e9tico. 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