{"id":5659667,"date":"2023-03-05T16:32:34","date_gmt":"2023-03-05T19:32:34","guid":{"rendered":"https:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659667"},"modified":"2023-03-05T16:32:34","modified_gmt":"2023-03-05T19:32:34","slug":"um-moebius-lacaniano1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2023\/03\/05\/um-moebius-lacaniano1\/","title":{"rendered":"Um moebius lacaniano<sup>[1]<\/sup>"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659667?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659667?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h6><em>Anna Arom\u00ed<\/em><\/h6>\n<figure id=\"attachment_5659668\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659668\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659668\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_001-300x293.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"293\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_001-300x293.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_001-274x268.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_001-50x50.jpg 50w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_001.jpg 349w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659668\" class=\"wp-caption-text\">Valin Branco, 2021. Curva de moebius cl\u00e1ssica, em cedro, madeira de demoli\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Gostaria de agradecer \u00e0 Nohem\u00ed Brown, por embarcar nessa sua aventura, do outro lado do mundo. Tive que aceitar porque, nos anos em que estive trabalhando no CIEN, dirigindo a revista \u2018El Ni\u00f1o\u2019 com Judith Miller, aprendi muito, n\u00e3o s\u00f3 sobre as crian\u00e7as, mas sobre a psican\u00e1lise como tal. Agrade\u00e7o tamb\u00e9m \u00e0 equipe que traduziu os textos para o espanhol; gra\u00e7as ao trabalho minucioso, pude acompanhar muito bem a apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vou come\u00e7ar apontando o enquadre deste encontro. Um encontro CIEN-CEREDA, me parece uma proposta original e um ato importante para o Campo Freudiano e para a AMP. Por qu\u00ea? Porque, no fundo, o que est\u00e1 sendo colocado em jogo na proposta \u00e9 captar algo do real da psican\u00e1lise. Trabalhando com crian\u00e7as ou com adolescentes, fazendo conversa\u00e7\u00f5es em uma escola &#8230; poderia parecer que no CIEN, estamos longe do passe, poderia parecer que estamos longe da psican\u00e1lise pura. E, no entanto, com esta jornada intermedi\u00e1ria, com este encontro CIEN-CEREDA, voc\u00eas est\u00e3o colocando em ato, o que eu chamaria de um moebius lacaniano. E isso est\u00e1 na <em>Proposi\u00e7\u00e3o de outubro:<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup><strong>[2]<\/strong><\/sup><\/a><\/em> Lacan fala ali, da psican\u00e1lise em intens\u00e3o e em extens\u00e3o, fala da psican\u00e1lise pura e da psican\u00e1lise aplicada. Contudo, para ele, nunca se tratou de um bin\u00e1rio. \u00c9 sempre um moebius, ou seja, uma tors\u00e3o, uma volta do mesmo, bordeado a partir de \u00e2ngulos distintos.<\/p>\n<p>Recordo-me bem das palavras de Jacques-Alain Miller, no momento do surgimento do CIEN, porque tive a sorte de estar l\u00e1.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> O CIEN nasceu com esta frase: para a psican\u00e1lise com crian\u00e7as, temos o CEREDA, mas n\u00e3o temos nada para o que as outras disciplinas dizem sobre as crian\u00e7as e sobre o que a psican\u00e1lise poderia conversar com elas. Nesse momento o CIEN surge como um centro inter-disciplinar.<\/p>\n<p>Com este significante \u201cinter-disciplina\u201d, abriu-se o campo da extens\u00e3o a partir da psican\u00e1lise com crian\u00e7as, convidando a fazer funcionar este moebius, esta banda de intens\u00e3o e extens\u00e3o, que \u00e9 onde podemos verdadeiramente captar algo do real da psican\u00e1lise. Porque, se h\u00e1 um real na psican\u00e1lise com crian\u00e7as, o CIEN e o CEREDA o abordam de \u00e2ngulos diferentes e com dispositivos diferentes. Mas, o real \u00e9 o mesmo assim como nosso desejo de aprender tamb\u00e9m o \u00e9. Por isso, de alguma maneira, tanto um quanto o outro s\u00e3o laborat\u00f3rios, laborat\u00f3rios para fazer a psican\u00e1lise avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o que aprendemos com esses textos? Vou um pouco r\u00e1pido, para deixar tempo para a conversa\u00e7\u00e3o. A primeira coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o desses textos s\u00e3o os efeitos que as fotografias podem produzir. O que uma fotografia pode chegar a desencadear! No caso de Elo\u00e1, encontramos a fotografia do pai vestido de mulher, que o pai envia para a m\u00e3e, dizendo \u201ctenho uma rela\u00e7\u00e3o com um homem\u201d, com o que essa m\u00e3e deve ter se perguntado o que ela teria sido, at\u00e9 ent\u00e3o, para seu marido. Se o que ele buscava era \u201crelacionar-se com um homem\u201d, quem ou o qu\u00ea ela fora para ele? Isto est\u00e1 no caso, embora n\u00e3o dito explicitamente, e me parece ser o equ\u00edvoco, o n\u00f3 do assunto.<\/p>\n<p>Depois, encontramos o que uma fotografia desencadeia tamb\u00e9m no caso de Alice, que esteve experimentando os vestidos da histeria: ser a inocente, a sedutora&#8230; mas, quando algu\u00e9m a toma, o faz verdadeiramente e lhe envia a foto do nu, isso a deixa completamente surpresa e exposta. O que se descobre \u00e9 que, na realidade, ela tem brincado de s\u00ea-lo, o falo. Ela brincava de ser o falo e algu\u00e9m lhe mostrou que ter o falo \u00e9 outra coisa. E a\u00ed, algo se desvelou.<\/p>\n<p>Dou pinceladas, provoca\u00e7\u00f5es para que voc\u00eas possam intervir. Tentaremos produzir uma conversa\u00e7\u00e3o, na medida em que nos seja permitido pelo Zoom.<\/p>\n<p>Retomemos Elo\u00e1. O empuxo \u00e0 mulher que Margarete nos prop\u00f5e no t\u00edtulo, poder\u00edamos n\u00e3o o centrar unicamente no filho, mas abri-lo como um leque, porque algo disto est\u00e1 no pai, n\u00e3o digo um empuxo \u00e0 mulher psic\u00f3tico, mas h\u00e1 algo&#8230;. como dizer&#8230;? minimamente, h\u00e1 um vestir-se de mulher e tomar um homem como <em>partenaire<\/em>, do lado do pai. E, que, por alguma raz\u00e3o, quer mostrar \u00e0 m\u00e3e, produzindo nela um efeito de interpreta\u00e7\u00e3o e de horror.<\/p>\n<p>\u00c9 algo que nos ensinam todos esses casos, nos ensinam algo de mulheres que se horrorizam. Mulheres assustadas&#8230; de certas consequ\u00eancias de seus pr\u00f3prios atos ou de certas consequ\u00eancias de seus pr\u00f3prios percursos, porque a m\u00e3e de Elo\u00e1 havia sido parceira deste homem durante anos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, me parece que Elo\u00e1 nos ensina de entrada, que o sexo n\u00e3o \u00e9 algo que venha enganchado no corpo da crian\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 algo que vem parafusado ao corpo. Como o caso do pequeno Hans, que sonhava com a torneira da banheira parafusada em seu corpo no lugar do p\u00eanis. O sexo n\u00e3o vem assim. \u00c9 algo que se produz, que o <em>parl\u00eatre<\/em> elabora. E Elo\u00e1 d\u00e1 provas disso, quando se apresenta com esse aspecto um pouco andr\u00f3geno, um pouco desorganizado&#8230; assim como est\u00e3o desorganizadas suas rela\u00e7\u00f5es com as palavras e com os objetos. Tudo est\u00e1 desorganizado.<\/p>\n<p>Margarete se empresta para se fazer para n\u00f3s do fio condutor do trabalho dessa crian\u00e7a. Pareceu-me algo original, porque Elo\u00e1 faz um trabalho muito importante, h\u00e1 mudan\u00e7as fundamentais em quatro anos, n\u00e3o apenas na maneira de apresentar-se, que vai se definindo, mas tamb\u00e9m no final quando acaba com o tra\u00e7o simplesmente do cabelo e da voz, o cabelo e a voz, quando a apresenta\u00e7\u00e3o inicial era uma verdadeira desorganiza\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, as coisas foram se decantando, depurando e a crian\u00e7a est\u00e1 muito melhor. Mas, como isso foi produzido? Como isso foi poss\u00edvel? Isso tamb\u00e9m me evocou o caso do Pequeno Hans, de Freud, porque Margarete relata o caso, mas n\u00e3o foi ela quem o atendeu, foram outras colegas que trabalharam sucessivamente com a crian\u00e7a e contaram a Margarete, que supervisionou um pouco a coisa ou, pelo menos, foi quem alinhavou o caso para n\u00f3s. Parece-me importante assinalar que, embora a crian\u00e7a tenha trabalhado com v\u00e1rias pessoas, nem por isso podemos dizer que foi uma pr\u00e1tica entre v\u00e1rios.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659669\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659669\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659669\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_002-300x290.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_002-300x290.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_002-274x265.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_002.jpg 657w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659669\" class=\"wp-caption-text\">Valin Branco, 2021. Curva de moebius cl\u00e1ssica, em cedro, madeira de demoli\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O fato de que v\u00e1rias pessoas atendam sucessivamente uma crian\u00e7a, n\u00e3o faz desse trabalho uma pr\u00e1tica entre v\u00e1rios. A pr\u00e1tica entre v\u00e1rios \u00e9 outra coisa, \u00e9 um trabalho em uma institui\u00e7\u00e3o onde toda a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 comprometida, onde todos est\u00e3o em transfer\u00eancia com a psican\u00e1lise e as crian\u00e7as circulam nesse ambiente transferencial no qual qualquer um pode se tornar seu parceiro em dado momento. \u00c9 uma pr\u00e1tica da conting\u00eancia. \u00c9 preciso ler Antonio Di Ciaccia, ou os colegas belgas e italianos, que t\u00eam muitos anos de experi\u00eancia. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica entre v\u00e1rios, tampouco \u00e9 uma an\u00e1lise nos moldes de uma crian\u00e7a que fala com um psicanalista &#8230; Aqui \u00e9 outra coisa, \u00e9 outra dimens\u00e3o, o que produziu efeitos terap\u00eauticos not\u00e1veis.<\/p>\n<p>Elo\u00e1 \u00e9 uma crian\u00e7a que inventa, inventa solu\u00e7\u00f5es, inventa jogos e inventa tamb\u00e9m seu tratamento. Minha hip\u00f3tese \u00e9 que essa crian\u00e7a inventou sua maneira de trabalhar, falando com algu\u00e9m orientado pela psican\u00e1lise. E com efic\u00e1cia! As <em>estagiaire<\/em> foram suficientemente d\u00f3ceis para segui-la e Margarete soube orient\u00e1-las o suficiente, para que se pudesse produzir os efeitos obtidos ao final. O que poder\u00edamos nos perguntar aqui \u00e9 se cada crian\u00e7a n\u00e3o inventa sua maneira de se analisar e, do que se trata, \u00e9 de segui-la em suas inven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Outro ponto importante a destacar \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel que uma crian\u00e7a esteja em uma posi\u00e7\u00e3o de abandono do Outro, ou seja, que sua m\u00e3e n\u00e3o se ocupe dela, n\u00e3o lhe d\u00ea banho, n\u00e3o a lave e que a deixe um pouco abandonada, mas isso n\u00e3o significa obrigatoriamente que a crian\u00e7a consinta, em todos os casos, em se identificar com esse abandono; esta crian\u00e7a n\u00e3o consente, pelo menos n\u00e3o completamente. Ele se queixa com a brincadeira de boneca que cheira mal e que tinha que tomar banho &#8211; est\u00e1 falando dela, \u00e9 claro. Quer dizer, o Outro d\u00e1 as cartas, mas o sujeito ainda tem que peg\u00e1-las. Nesse ato que se produz no inconsciente, uma escolha for\u00e7ada est\u00e1 em jogo no sujeito, atrav\u00e9s da qual teremos um melanc\u00f3lico, caso a crian\u00e7a pegue a carta do objeto dejeto.<\/p>\n<p>Neste sentido, me parece muito interessante, isolar o recorte do jogo do p\u00eanis. Essa crian\u00e7a n\u00e3o tinha acabado de sair de dentro da boneca e ent\u00e3o aparece o p\u00eanis, \u201cvoc\u00ea viu o menino?\u201d, \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o dele: \u201cn\u00e3o sou uma menina\u201d. Havia brincado de boneca, havia se apresentado como uma bailarina e, no final, pergunta ao outro \u201cvoc\u00ea viu o menino?\u201d, \u201cvoc\u00ea me viu?\u201d, \u201cvoc\u00ea me notou?\u201d<\/p>\n<p>Um dos trabalhos apresentados hoje retoma a frase de Eric Laurent, \u201ca internet muda a forma de gozar\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. A Internet mudou o modo de gozar, e eu acrescentaria, inclusive, que antes que a Internet mudasse o modo de gozar, os filmes de Hollywood mudaram a maneira de beijar. Tem um filme do Giuseppe Tornatore sobre os beijos, <em>Cinema Paradiso<\/em> &#8211; n\u00e3o sei como se chamava aqui no Brasil &#8211; que \u00e9 uma beleza. N\u00e3o podemos imaginar como as pessoas se beijavam antes de Hollywood, mas, seguramente, depois de Hollywood, as pessoas se beijam como nos filmes ou pelo menos tentam. \u00c9 o poder do imagin\u00e1rio sobre o gozo e sobre o corpo.<\/p>\n<p>Elo\u00e1 vem com o impacto da fotografia de seu pai, atrav\u00e9s de sua m\u00e3e, e sente que precisa colocar uma moldura no seu trabalho pela internet, ou seja, que n\u00e3o \u00e9 suficiente que haja a imagem e haja a tela como filtro para a coisa; ela precisa adicionar uma moldura, uma caixa, para se proteger melhor. A \u00faltima quest\u00e3o com que termina o texto de Margarete \u00e9 se o encontro de Elo\u00e1 com o gozo feminino ser\u00e1 pac\u00edfico. Ela anuncia que pode n\u00e3o o ser e, de fato, me parece prov\u00e1vel, mas a grande quest\u00e3o \u00e9: para quem o encontro com o outro sexo \u00e9 pac\u00edfico, alguma vez? Porque o que vemos \u00e9 que para o pai n\u00e3o foi, para a m\u00e3e n\u00e3o foi e nos trabalhos que ouvimos, tamb\u00e9m n\u00e3o. Assim, o encontro com o outro sexo \u00e9 algo que justamente n\u00e3o \u00e9 \u2013 pac\u00edfico \u2013 nunca. O desejo n\u00e3o \u00e9 a paz.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5659670\" aria-describedby=\"caption-attachment-5659670\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5659670\" src=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_003-300x290.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_003-300x290.jpg 300w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_003-768x743.jpg 768w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_003-274x265.jpg 274w, https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/hifen_003.jpg 793w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5659670\" class=\"wp-caption-text\">Valin Branco, 2021. Curva de moebius cl\u00e1ssica, em cedro, madeira de demoli\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Vamos agora entrar no trabalho de Soraya. Uma boa maneira de come\u00e7ar \u00e9 marcando, como avan\u00e7amos em uma pequena reuni\u00e3o preparat\u00f3ria com Fl\u00e1via e Nohem\u00ed, que as conversa\u00e7\u00f5es que o CIEN prop\u00f5e e sustenta &#8211; Soraya disse muito bem &#8211; n\u00e3o fazem interpreta\u00e7\u00e3o. As conversa\u00e7\u00f5es do CIEN n\u00e3o s\u00e3o um tratamento, n\u00e3o s\u00e3o uma terap\u00eautica, n\u00e3o se trata de interpretar ningu\u00e9m ali. Dito isso, \u00e9 preciso afirmar que n\u00e3o s\u00e3o uma conversa\u00e7\u00e3o qualquer, n\u00e3o s\u00e3o uma conversa\u00e7\u00e3o como as outras, como esses&#8230; como se chamam? Tert\u00falias! Encontros. Os encontros do r\u00e1dio, televis\u00e3o, bl\u00e1bl\u00e1bl\u00e1. Ali, n\u00e3o acontece nada, em geral n\u00e3o tem nada de interessante, no fundo, eles s\u00e3o feitos para adormecer o <em>staff<\/em>. As conversa\u00e7\u00f5es do CIEN t\u00eam a particularidade de ter uma espinha dorsal &#8211; a ideia da espinha dorsal \u00e9 de Fl\u00e1via &#8211; t\u00eam uma espinha dorsal, que \u00e9 a psican\u00e1lise. Portanto, por esse simples fato, pelo fato de que os que coordenam ou sustentam as conversa\u00e7\u00f5es s\u00e3o, antes de tudo, analisantes orientados\/as pela psican\u00e1lise, isso d\u00e1 a essas conversa\u00e7\u00f5es uma orienta\u00e7\u00e3o precisa que n\u00e3o \u00e9 como as outras, e os efeitos que elas produzem tamb\u00e9m podem ser diferentes.<\/p>\n<p>O caso de Alice, que Soraya nos apresenta, nos faz voltar a encontrar com o horror das mulheres ou, pelo menos, com o susto das mulheres diante do falo, como algo que vem lhes dizer: \u201cvoc\u00ea pode pensar que o \u00e9, mas outra coisa \u00e9 quem o tem\u201d. Essa seria uma primeira quest\u00e3o e a segunda, como diz Lacan, \u00e9 captar que o falo \u00e9 algo que se interp\u00f5e, \u00e9 paradoxalmente o que impede a rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>No trabalho de Soraya, h\u00e1 uma frase a destacar: \u201cposicionar-se nas redes sociais como um eu sem corpo\u201d, porque diz algo do momento atual, agora quando, em todo o Campo Freudiano, a \u00fanica maneira de trabalhar com os colegas e com os pacientes \u00e9 com Zoom, Skype ou telefone. Ainda n\u00e3o sabemos os efeitos disso tudo, estamos fazendo a experi\u00eancia, ou seja, os estamos usando sem saber os efeitos que produzimos. N\u00e3o sabemos quais efeitos de forma\u00e7\u00e3o ir\u00e3o se produzir, se \u00e9 que se produzem; n\u00e3o sabemos quais s\u00e3o os efeitos de relan\u00e7amento do desejo; poderemos entender tudo isso depois. Ent\u00e3o, me parece que essa ideia de \u201ceu sem corpo\u201d, \u00e9 preciso recort\u00e1-la, porque tem um valor de ensino. O que Alice nos ensina \u00e9 que talvez as redes sociais favore\u00e7am um eu sem corpo, mas n\u00e3o sem o inconsciente. As redes sociais n\u00e3o tamponam, n\u00e3o impedem que o inconsciente surja: \u00e9 o que acontece com Alice ao receber a foto.<\/p>\n<p>Outra foto que revela! Desta vez, revela a <em>d\u00e9robade<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup><strong>[5]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>, a fuga da histeria, como se dissesse \u2018isso n\u00e3o funciona comigo\u2019, mas que se denuncia, fica claro que ali havia um desejo em jogo, precisamente, que o falo estava em jogo.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, antes de entrar na conversa\u00e7\u00e3o, eu diria que, neste exerc\u00edcio de moebius entre CIEN e CEREDA, h\u00e1 algo que nos toca como psicanalistas, nos toca no \u00edntimo do nosso desejo de analistas. Parece-me que o que esses trabalhos t\u00eam em comum \u00e9 que eles nos ensinam algo da \u00e9tica anal\u00edtica. Ou seja, que n\u00e3o poderiam ser realizados, se n\u00e3o estivessem apoiados na firme convic\u00e7\u00e3o, como diz Lacan no Semin\u00e1rio 7, de que o analista n\u00e3o sabe o que \u00e9 o Soberano Bem<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. E isso, trabalhando com crian\u00e7as, \u00e9 totalmente imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p>Se trabalh\u00e1ssemos pensando que sabemos qual \u00e9 o bem para uma crian\u00e7a, fosse numa conversa\u00e7\u00e3o do CIEN ou num trabalho anal\u00edtico com uma crian\u00e7a, se pens\u00e1ssemos que sabemos o que lhes conv\u00e9m, os efeitos que vimos n\u00e3o teriam sido produzidos, nem os efeitos terap\u00eauticos, nem os efeitos de ensino. Esta \u00e9 a hip\u00f3tese que lhes proponho e agora vamos conversar e escutar as de voc\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Transcri\u00e7\u00e3o:<\/strong> Daniela Nunes Ara\u00fajo<\/h6>\n<h6><strong>Tradu\u00e7\u00e3o do texto estabelecido pela autora<\/strong>: M\u00aa Cristina Maia Fernandes<\/h6>\n<h6><strong>Revis\u00e3o da Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Paola Salinas<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u2003Texto elaborado pela autora a partir da transcri\u00e7\u00e3o da sua fala no VI Encontro dos N\u00facleos da NRCereda no Brasil &#8211; \u201cOs Impasses do sexual e os arranjos da sexua\u00e7\u00e3o\u201d, na Mesa \u201cNRCereda e CIEN: Sobre a Diferen\u00e7a Sexual\u201d, em 11 de mar\u00e7o de 2021, via Zoom.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u2003LACAN, J., \u201cProposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola\u201d, Outros Escritos, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u2003AROM\u00cd, A., \u201cLa alegr\u00eda del Ni\u00f1o\u201d, El Ni\u00f1o n\u00ba 10. Barcelona, febrero de 2002.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u2003LAURENT, E., Jouir d\u2019internet. Conversation avec Eric Laurent, <em>La Cause du d\u00e8sir<\/em> n\u00ba 97, Navarin Editeur, novembre 2017. Dispon\u00edvel em portugu\u00eas: Laurent. Eric. Gozar da internet. In: Revista Digital de Psican\u00e1lise e Cultura da EBP-MG, n. 12, agosto de 2020. http:\/\/www.revistaderivasanaliticas.com.br\/index.php\/gozar-internet<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>\u2003NT: evas\u00e3o, fuga.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>\u2003LACAN, J., <em>O Semin\u00e1rio, Livro 7<\/em>, A \u00c9tica da Psican\u00e1lise, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1995.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anna Arom\u00ed Gostaria de agradecer \u00e0 Nohem\u00ed Brown, por embarcar nessa sua aventura, do outro lado do mundo. 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