{"id":5659760,"date":"2026-04-07T19:47:47","date_gmt":"2026-04-07T22:47:47","guid":{"rendered":"https:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659760"},"modified":"2026-04-08T08:32:08","modified_gmt":"2026-04-08T11:32:08","slug":"a-operacao-do-inconsciente-sobre-o-sonho-um-recorte-do-dizer-de-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2026\/04\/07\/a-operacao-do-inconsciente-sobre-o-sonho-um-recorte-do-dizer-de-jovens\/","title":{"rendered":"A opera\u00e7\u00e3o do inconsciente sobre o sonho: um recorte do dizer de jovens"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659760?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659760?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><p>&nbsp;<\/p>\n<h6><em>Clarice T\u00falio Duarte, Fernanda Bezerra Santiago e<br \/>\nMarina da Cunha Pinto Colares &#8211; Cien MG<\/em><\/h6>\n<p>As Noites do Cien-Minas foram pensadas seguindo as orienta\u00e7\u00f5es do Instituto Psicanal\u00edtico da Crian\u00e7a do Campo Freudiano, que realizar\u00e1 sua 8\u00aa Jornada de estudo sobre o tema Sonho e fantasma na crian\u00e7a. Para elaborar a programa\u00e7\u00e3o foi priorizada a indica\u00e7\u00e3o de Lacan de \u201copor-se ao despejo da crian\u00e7a do mundo dos semblantes\u201d, a ser considerada n\u00e3o apenas no tratamento cl\u00ednico, como no trabalho em institui\u00e7\u00f5es. A oportunidade, tanto para os participantes, quanto para n\u00f3s, em nossa forma\u00e7\u00e3o \u2013 centrada na leitura do Semin\u00e1rio 14, A l\u00f3gica do fantasma \u2013 , foi a de poder se deslocar dos discursos de domina\u00e7\u00e3o que buscam o assujeitamento, e explorar os significantes-mestres que contam para cada sujeito, de forma a garantir que o sonho permane\u00e7a sendo a \u201cvia r\u00e9gia\u201d para que o gozo possa se refugiar no objeto a, tal como Daniel Roy sinaliza em seu texto de orienta\u00e7\u00e3o sobre esse tema. No mercado dos discursos de nosso tempo, o discurso anal\u00edtico traz algo novo. As Conversa\u00e7\u00f5es interdisciplinares realizadas pelo Cien-Minas visaram recolher das pr\u00e1ticas de Conversa\u00e7\u00f5es realizadas com adolescentes em institui\u00e7\u00f5es, os usos poss\u00edveis do sonho.<\/p>\n<p><strong>Sonho: guardi\u00e3o do sono e realiza\u00e7\u00e3o de desejo<\/strong><\/p>\n<p>O laborat\u00f3rio \u201cSer, parecer, sonhar nas redes sociais\u201d apresentou o fen\u00f4meno contempor\u00e2neo manifestado por adolescentes que acreditam ser de alguma esp\u00e9cie animal. Chamados <em>Therians<\/em>, se organizam em torno de uma comunidade virtual. Por meio da Internet exibem suas performances, se movimentando como animais, se mostrando com adere\u00e7os de orelhas, patas e m\u00e1scaras animais. Nas conversa\u00e7\u00f5es, os <em>Therians <\/em>falam do mal-estar maior que os assolam: a dificuldade de permanecer na escola, que para eles \u00e9 um ambiente \u201chumano\u201d. Um adolescente conta que foi do conte\u00fado de um sonho, que ele extraiu a confirma\u00e7\u00e3o de seu pertencimento \u00e0 esp\u00e9cie canina. No sonho, ele se encontra em uma mata, seu \u201ccorpo est\u00e1 esquisito\u201d, ele n\u00e3o consegue dominar os movimentos. Logo em seguida percebe uma matilha de lobos correndo em sua dire\u00e7\u00e3o. \u201cEles pararam na minha frente, olharam para mim, tinha v\u00e1rios deles me olhando e, ent\u00e3o, eu acordei desconfiado que eu era um <em>Therian<\/em>.\u201d Esse sonho \u00e9 decisivo quanto ao seu ser. O olhar do grupo \u2013 matilha \u2013 o faz sentir-se parte daquela comunidade de c\u00e3es de ca\u00e7a. Nesse caso, o sonho \u00e9 relatado como tendo o estatuto de realiza\u00e7\u00e3o de seu desejo de pertencer a uma comunidade, ainda que seja de animais.<\/p>\n<p>Um outro adolescente relata ter sentido muita sede durante o sono e ent\u00e3o sonhou estar bebendo \u00e1gua em um bebedouro para cachorros, do jeito como o animal faz. Mesmo sendo evidente nesse caso a fun\u00e7\u00e3o do sonho como guardi\u00e3o do sono, o adolescente, inclinado que est\u00e1 em confirmar o erro da natureza sobre a esp\u00e9cie \u00e0 qual pertence, interpreta esse sonho como a prova de que ele \u00e9 um <em>Therian<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Pesadelo, o guardi\u00e3o do sonhador<\/strong><\/p>\n<p>O laborat\u00f3rio \u201c<em>N\u00e3o dormir para n\u00e3o sonhar<\/em>\u201d, composto por profissionais que atuam em institui\u00e7\u00f5es de interna\u00e7\u00e3o para adolescentes cumprindo medidas socioeducativas, apresentou como impasse, as manobras deles para passarem as noites em claro. Fala-se de ins\u00f4nia, mas na verdade h\u00e1 uma busca deliberada de meios para n\u00e3o dormir. N\u00e3o querem dormir para n\u00e3o sonhar, t\u00eam medo dos pr\u00f3prios sonhos, que s\u00e3o pesadelos. Ent\u00e3o, pedem medica\u00e7\u00e3o capaz de fazer apagar e nada lembrar no dia seguinte.<\/p>\n<p>Esses jovens sinalizam que quando est\u00e3o em liberdade, envolvidos com a criminalidade, n\u00e3o sonham, porque \u201c<em>a vida do corre n\u00e3o permite<\/em>\u201d. A inser\u00e7\u00e3o no discurso capitalista por meio da oferta e da resposta desenfreada \u00e0 demanda de consumo de drogas, precipita esses jovens em uma vida de atua\u00e7\u00f5es em s\u00e9rie. Por\u00e9m, quando s\u00e3o capturados pelo sistema de justi\u00e7a, a pr\u00f3pria condena\u00e7\u00e3o \u00e0 medida de interna\u00e7\u00e3o, lhes imp\u00f5e uma parada no ritmo turbulento da pr\u00e1tica il\u00edcita. Nesse tempo de pausa, sozinhos consigo mesmos, se at\u00e9m ao trabalho do inconsciente movido pelo real dos delitos, em meio a medos, viol\u00eancia e mortes. Os pesadelos mostram cenas de corpos sendo alvejados, fugas angustiantes, pessoas assassinadas. Para a psican\u00e1lise o pesadelo que marca o desprazer, n\u00e3o \u00e9 diferente da ideia do sonho enquanto a realiza\u00e7\u00e3o do desejo, pois, de acordo com Freud, ambos t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de \u201cguarda-noturno\u201d. Diferentemente do sonho que impede a interrup\u00e7\u00e3o do sono, o pesadelo coloca um fim no sonho, fazendo o sujeito despertar no \u00e1pice da ang\u00fastia, em um ponto de imposs\u00edvel. Em ambos os casos, o inconsciente opera sem interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quem interpreta o sonho \u00e9 o sonhador<\/strong><\/p>\n<p>O Laborat\u00f3rio \u201cEntre escolhas e expectativas\u201d realizou Conversa\u00e7\u00f5es sobre sonhos com jovens universit\u00e1rios. Inicialmente, eles se dispuseram a compartilhar seus sonhos, caracterizando-os: sonhos de ang\u00fastia, de repeti\u00e7\u00e3o, de inf\u00e2ncia, sonhos bons de sonhar e confusos. Conclu\u00edram que os sonhos t\u00eam efeitos sobre o corpo e refletem como cada um se sente. Em seguida, observaram um ponto de absurdo nos sonhos e se debru\u00e7aram sobre esse ponto, um tentando decifrar o incoerente do sonho do outro. Ent\u00e3o recorrem ao sentido universal das significa\u00e7\u00f5es, mas isso incomoda. Concluem que nem tudo pode ser decifrado. Ao se depararem com esse limite do sentido e, mesmo, o sem-sentido, surge o impasse: <em>\u201cT\u00f4 dando mais import\u00e2ncia para meu sonho, mas ao mesmo tempo n\u00e3o quero saber\u201d<\/em>. Quando a conversa caminha para decifrar os sonhos de qualquer jeito, os jovens param de levar sonhos, n\u00e3o se lembram deles e esquecem de anot\u00e1-los. Quando n\u00e3o se pode mais fazer valer que \u00e9 o sonhador que interpreta seu sonho, os jovens se fecham: tenho <em>\u201cMedo do meu inconsciente ser descoberto\u201d. <\/em>A enuncia\u00e7\u00e3o do sonhador mostra-se necess\u00e1ria, como esclarece Lacan ao afirmar que \u201co sonho \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o produzida pelo inconsciente, e o sentido incoerente que encena oniricamente \u00e9 uma roupagem daquilo que se articula como frase\u201d.<\/p>\n<p>O sonho que vai ter lugar na conversa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s esse impasse, \u00e9 o sonho para o futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Clarice T\u00falio Duarte, Fernanda Bezerra Santiago e Marina da Cunha Pinto Colares &#8211; Cien MG As Noites do Cien-Minas foram pensadas seguindo as orienta\u00e7\u00f5es do Instituto Psicanal\u00edtico da Crian\u00e7a do Campo Freudiano, que realizar\u00e1 sua 8\u00aa Jornada de estudo sobre o tema Sonho e fantasma na crian\u00e7a. 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