{"id":5659762,"date":"2026-04-07T19:50:00","date_gmt":"2026-04-07T22:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659762"},"modified":"2026-04-08T08:33:53","modified_gmt":"2026-04-08T11:33:53","slug":"duas-conversacoes-e-mais-uma-qual-a-particularidade-do-discurso-analitico-na-pratica-do-cien","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2026\/04\/07\/duas-conversacoes-e-mais-uma-qual-a-particularidade-do-discurso-analitico-na-pratica-do-cien\/","title":{"rendered":"Duas conversa\u00e7\u00f5es e mais uma: \u201cQual a particularidade do discurso anal\u00edtico na pr\u00e1tica do CIEN?\u201d*"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659762?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659762?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><p>&nbsp;<\/p>\n<h6><em>Emelice Prado Bagnola &#8211; Cien SP <\/em><\/h6>\n<p>Gostaria de introduzir o contexto, o tempo delicado de nossa hist\u00f3ria, em que a s\u00e9rie de duas conversa\u00e7\u00f5es e mais uma est\u00e1 inserida. Na vida cotidiana: a pandemia de COVID 19 e uma \u201cdemocracia em vertigem\u201d. Na Pol\u00edtica de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana: a constru\u00e7\u00e3o das Redes da inf\u00e2ncia do Campo Freudiano, que preserva a natureza de um trabalho em andamento. Neste boletim: a polifonia de uma pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>A conversa\u00e7\u00e3o que ocorreu no dia 28 de maio de 2022, coordenada por Fl\u00e1via C\u00eara e animada por Beatriz Ud\u00eanio, produziu um esclarecimento ao apontar a rampa de sa\u00edda de um tempo sombrio e revelar um desejo l\u00facido, atrav\u00e9s da experi\u00eancia no CIEN. Penso que para construir um trabalho e seguirmos orientados no discurso, o que a pr\u00e1tica das conversa\u00e7\u00f5es ensinam \u00e9 que ser\u00e1 necess\u00e1rio colocar \u00e0 prova o efeito da conversa\u00e7\u00e3o a cada vez. \u201cSer\u00e1 preciso demonstrar a cada vez a pertin\u00eancia da pr\u00e1tica dos laborat\u00f3rios do CIEN para a psican\u00e1lise\u201d ressalta Beatriz Ud\u00eanio.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o do CIEN Brasil elegeu uma quest\u00e3o para dar suporte \u00e0 conversa\u00e7\u00e3o com os respons\u00e1veis dos laborat\u00f3rios no Brasil e escolheu um pequeno fragmento da aula de Lacan de 19 de dezembro de 1972. Uma quest\u00e3o que, me parece, pode nos levar longe. Vou manter a pergunta do t\u00edtulo deste texto para que ela possa ressoar entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u201c<strong><em>Qual a particularidade do discurso anal\u00edtico na pr\u00e1tica do CIEN?\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O que est\u00e1 em jogo quando o CIEN, ao formular uma pergunta, visa tocar um ponto para extrair deste ponto, que n\u00e3o \u00e9 um ponto qualquer, algo novo? Como o tema: \u201cPais exasperados e crian\u00e7as terr\u00edveis\u201d pode ser o anfitri\u00e3o dessa novidade e nos lan\u00e7ar ao futuro?<\/p>\n<p>No rastro dessa reflex\u00e3o, recordo uma entrevista que Judith Miller concedeu por ocasi\u00e3o dos 15 anos da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise e que toca o nascimento do CIEN.\u00a0 \u00c9 na resposta de Judith sobre o debate entre a psican\u00e1lise pura e a psican\u00e1lise aplicada, que escuto uma dire\u00e7\u00e3o que pode ser \u00fatil para a formula\u00e7\u00e3o das Redes da inf\u00e2ncia. Quando o movimento pode ser tomado como alternativo, Judith esclarece: \u201cSim, mas tomar isso como movimentos alternativos \u00e9 um erro. N\u00e3o h\u00e1 alternativa, n\u00e3o \u00e9 um ou outro, nem um sem o outro. N\u00e3o entendo como isso p\u00f4de ser interpretado como alternativa quando, na realidade, s\u00e3o batimentos.\u201d<\/p>\n<p>Lacan nos diz: \u201cMuito bem! \u00c9 no que algo do aparelho do corpo \u00e9 estruturado da mesma maneira, \u00e9 em raz\u00e3o da unidade topol\u00f3gica das hi\u00e2ncias em jogo, que a puls\u00e3o tem seu papel no funcionamento do inconsciente.\u201d<\/p>\n<p>Penso ser essa uma maneira de dizer que o lugar para as conversa\u00e7\u00f5es nos laborat\u00f3rios vai mais al\u00e9m do pai morto. Visa, nomear para. \u201cA chave \u00e9 sempre preservar algo por dizer. Encarnar o que resta por dizer.\u201d<\/p>\n<p>Tomo as palavras de Judith com Lacan, para destacar o primeiro efeito da conversa\u00e7\u00e3o na voz de Fl\u00e1via C\u00eara. Ela nos recorda que assim como o inconsciente que n\u00e3o cessa de se escrever, n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever, pode estar a f\u00f3rmula de uma proposta de conversa\u00e7\u00e3o. Esta me parece uma orienta\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. A conversa\u00e7\u00e3o desenhada hom\u00f3loga ao inconsciente.<\/p>\n<p>Vou passar ao fragmento de leitura, eleito pela comiss\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o com Beatriz, para essa conversa\u00e7\u00e3o e destaco nesse, o amor: \u201cMuito bem, eu diria agora que desse discurso psicanal\u00edtico h\u00e1 sempre alguma emerg\u00eancia de um discurso ao outro. Ao aplicar essas categorias que em si mesmas s\u00f3 se estruturam pela exist\u00eancia do discurso psicanal\u00edtico, \u00e9 preciso prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 coloca\u00e7\u00e3o em prova dessa verdade de que h\u00e1 emerg\u00eancia do discurso anal\u00edtico a cada travessia de um discurso a outro. N\u00e3o \u00e9 outra coisa que eu digo quando digo que o amor \u00e9 o signo de que trocamos de discurso\u201d<\/p>\n<p>O empuxo \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o aliado \u00e0 incid\u00eancia do discurso capitalista sobre o saber, tomo aqui o exemplo dos links e likes, a incid\u00eancia destes tamb\u00e9m sobre os corpos, no imperativo de gozo onde nada falta, nos permitem perceber a escolha do tema para o trabalho das Redes e do texto de orienta\u00e7\u00e3o que o acompanha. De entrada o texto j\u00e1 funciona como borda. Nesse intervalo de tempo e com o tema na m\u00e3o, foi importante a perguntar do Cien Bahia atrav\u00e9s do convite que recebi, para animar uma conversa\u00e7\u00e3o em dezembro de 2021: \u201cDe onde vem a demanda para o CIEN?\u201d quando pontuei:\u00a0 O que o CIEN demanda da cidade? Desta maneira introduzimos a pergunta: Qual a particularidade do amor de transfer\u00eancia no CIEN?<\/p>\n<p>Nos momentos preparat\u00f3rios da conversa\u00e7\u00e3o no Cien Brasil, ressoou a lembran\u00e7a de uma interven\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1via C\u00eara. Um daqueles bons efeitos de compreender a posteriori. Fl\u00e1via trabalhava conosco durante a conversa\u00e7\u00e3o no estado de S\u00e3o Paulo que ocorreu em maio de 2022 intitulada: \u201cO vis\u00edvel e o invis\u00edvel da inf\u00e2ncia.\u201d O impasse, uma impot\u00eancia acentuada pela impossibilidade de realizar os encontros em presen\u00e7a com as crian\u00e7as que atingia o cora\u00e7\u00e3o do funcionamento do laborat\u00f3rio. O trabalho dos laborat\u00f3rios seguia sustentado pelo desejo dos laboratoriantes, no entanto, sem contar com o vivo da voz da crian\u00e7a.\u00a0 Ent\u00e3o Fl\u00e1via nos disse algo que eu recordo desta maneira. Havia uma impot\u00eancia observada nos laborat\u00f3rios, por\u00e9m se mantiv\u00e9ssemos aberta a oferta da palavra nos encontros, e eu diria mesmo que fossem encontros modestos, haveria espa\u00e7o para um encontro contingente. Uma conting\u00eancia poderia abrir as vias para passar, uma impot\u00eancia \u00e0 uma impossibilidade e uma impossibilidade a uma possibilidade recordando uma li\u00e7\u00e3o de Lacan. N\u00e3o estava a\u00ed j\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o com os giros!?<\/p>\n<p>O amor de transfer\u00eancia pode emergir quando o submetemos a uma estrutura de linguagem. Aqui sup\u00f5e-se que o sujeito, apoiado em um pequeno coletivo, esse constitu\u00eddo em formato de laborat\u00f3rio, possa fazer sua escolha ao tomar a palavra. Como no ap\u00f3logo dos tr\u00eas prisioneiros, a escolha parece ser um modo, sendo ele crian\u00e7a ou crian\u00e7a grande, de poder responder e inventar uma decis\u00e3o sincera frente ao imposs\u00edvel. Fazer vacilar a certeza sens\u00edvel quando se coloca uma pergunta, por exemplo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, mais al\u00e9m de nos mantermos interessados no que cada disciplina na pr\u00e1tica de um laborat\u00f3rio tem a dizer sobre a crian\u00e7a, \u00e9 crucial situar como os discursos afetam as disciplinas. Beatriz nos recorda de maneira sutil que o importante para a psican\u00e1lise \u00e9 o valor \u201cno inter\u201d e n\u00e3o \u201cdo inter\u201d para esclarecer a import\u00e2ncia das disciplinas e tamb\u00e9m como os discursos aparecem na conversa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste ponto Virg\u00ednia Carvalho costura a conversa servindo-se do texto de orienta\u00e7\u00e3o. Ela nos diz: \u201cOs discursos geralmente exploram as discrep\u00e2ncias entre a crian\u00e7a perfeita e a crian\u00e7a terr\u00edvel. Colocam palavras no sofrimento, d\u00e3o sentido, ensinam a lidar com as emo\u00e7\u00f5es. No discurso anal\u00edtico interessa uma leitura.\u201d Tomar a palavra na conversa\u00e7\u00e3o: \u201cAssim, amarrotamos para deter a hemorragia ou visando o rel\u00e2mpago, esse \u00e9 o efeito ao qual, \u00e0s vezes, a poesia ou o dito espirituoso alcan\u00e7am.\u201d<\/p>\n<p>Para concluir, pergunto: h\u00e1 algo novo no impasse? Lacan nos diz: \u201ch\u00e1 sempre alguma emerg\u00eancia de um discurso ao outro.\u201d Estaria a\u00ed, na emerg\u00eancia, lugar do impasse, tomando o impasse como \u00edndice que fundamenta a iniciativa de uma conversa\u00e7\u00e3o, a estrutura que nos permitiria prosseguir nos laborat\u00f3rios \u00e0 altura de nossa \u00e9poca? Situar o impasse para compreender devagar o que traz cada um para o CIEN ser\u00e1 importante para mantermos os prop\u00f3sitos da conversa\u00e7\u00e3o, onde cada um possa escrever algo novo tamb\u00e9m de si.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Emelice Prado Bagnola &#8211; Cien SP Gostaria de introduzir o contexto, o tempo delicado de nossa hist\u00f3ria, em que a s\u00e9rie de duas conversa\u00e7\u00f5es e mais uma est\u00e1 inserida. Na vida cotidiana: a pandemia de COVID 19 e uma \u201cdemocracia em vertigem\u201d. 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