{"id":5659769,"date":"2026-04-07T20:03:28","date_gmt":"2026-04-07T23:03:28","guid":{"rendered":"https:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659769"},"modified":"2026-04-08T08:39:40","modified_gmt":"2026-04-08T11:39:40","slug":"as-conversacoes-na-biblioteca-hans-c-andersen-e-as-dancas-das-cadeiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2026\/04\/07\/as-conversacoes-na-biblioteca-hans-c-andersen-e-as-dancas-das-cadeiras\/","title":{"rendered":"As Conversa\u00e7\u00f5es na Biblioteca Hans C. Andersen e as dan\u00e7as das cadeiras"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659769?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659769?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><p>&nbsp;<\/p>\n<h6><em>Laborat\u00f3rio CRIAR<\/em><\/h6>\n<p>As conversa\u00e7\u00f5es ocorrem em uma biblioteca p\u00fablica, a partir da apresenta\u00e7\u00e3o feita por uma das laboratoriantes, onde a qual possui uma rela\u00e7\u00e3o anterior. Nos foi feito o convite para realizarmos as conversa\u00e7\u00f5es com as crian\u00e7as de uma escola pr\u00f3xima que frequentam as atividades da Biblioteca. Apresentaremos os recortes de algumas conversa\u00e7\u00f5es, realizadas com grupos de crian\u00e7as diferentes, a aposta do laborat\u00f3rio CRIAR foi fazer surgir nelas ditos\u00a0 singulares.<\/p>\n<p><strong>\u201cQuem \u00e9 ele\u201d? <\/strong><\/p>\n<p>No primeiro encontro, o curta Alike \u00e9 nosso disparador, um curta sem falas, somente com imagens e m\u00fasica. Inicialmente, as crian\u00e7as falam o que viram, de modo descritivo, como uma resposta ao saber pedag\u00f3gico. No entanto,\u00a0 algo da \u201csolid\u00e3o\u201d aparece em pequenos relatos: a solid\u00e3o do pai, do menino e a solid\u00e3o ao ficarem \u201cs\u00f3\u201d em casa quando os pais saem para trabalhar.<\/p>\n<p>Ainda com a proposta do curta Alike, nesta conversa\u00e7\u00e3o, as falas deslizaram metonimicamente, a partir da ambiguidade estrutural do significante, S1 e S2, em que um termo sempre est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao outro. Ou seja, um <em>e<\/em> outro<em>. Entre <\/em>mentira e verdade<em>; Entre<\/em> imagina\u00e7\u00e3o e realidade<em>; Entre<\/em> tristeza e divers\u00e3o; <em>Entre <\/em>rotina e feriado; <em>Entre <\/em>pai e filho; <em>Entre<\/em> falar e calar; <em>Entre<\/em> filme mudo e fim do mundo. E, ao final dessa Conversa\u00e7\u00e3o, surge a interroga\u00e7\u00e3o sobre \u201cilus\u00e3o de \u00f3ptica\u201d. O que se passa <em>Entre, <\/em>S1 e S2, nada mais \u00e9 que \u201cilus\u00e3o de \u00f3ptica\u201d?<\/p>\n<p>Uma foto de Hans Cristian est\u00e1 na sala, ele d\u00e1 nome \u00e0 biblioteca, ent\u00e3o uma pergunta, deslocada do contexto da conversa\u00e7\u00e3o: \u201cquem \u00e9 ele?\u201d e interrogam se Hans tem fam\u00edlia, pois na foto ele est\u00e1 \u201csozinho\u201d. Um Outro enigm\u00e1tico que atravessa. Podemos ler como a sutileza da produ\u00e7\u00e3o de um desejo de saber?<\/p>\n<p>Em uma nova conversa\u00e7\u00e3o propomos como disparador a leitura do livro &#8220;Tantos medos e outras coragens&#8221;.\u00a0 Mais que uma simples leitura, as crian\u00e7as editam o texto ao decidirem interromper a leitura feita por uma das laboratoriantes. Ao interromperem, colocam um ponto. Recortam do texto a quest\u00e3o que nortear\u00e1 a conversa\u00e7\u00e3o: medo e perder. Dizem das mudan\u00e7as de casa, de cidade, de pa\u00eds e do que a\u00ed se perde. Uma crian\u00e7a comenta que mudou de Goi\u00e1s para S\u00e3o Paulo e um menino boliviano, que rec\u00e9m havia se mudado para o Brasil \u00e9 indagado: &#8220;como foi para voc\u00ea deixar tudo l\u00e1?&#8221;. Recortamos uma outra fala: \u201cperde tudo\u201d. \u201cTudo?\u201d &#8211; interroga uma laboratoriante; ao que ele contesta: \u201cnem tudo\u201d.<\/p>\n<p>Decidem retomar a leitura. Querem ler eles mesmos a hist\u00f3ria, com suas vozes, e o livro passa de m\u00e3o em m\u00e3o. O que seria esse desejo de ler?\u00a0 Uma vez mais: \u201cquem \u00e9 ele\u201d? &#8211; uma crian\u00e7a interroga, novamente, sobre o quadro do Hans. Esse Outro enigm\u00e1tico que segue causando interesse.<\/p>\n<p>Destacamos esses trechos que relatam os pequenos encontros na Biblioteca feitos de ditos que parecem fugir do saber estabelecido e ir se alojando na singularidade. Podemos dizer que esses s\u00e3o os efeitos das Conversa\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Em outra conversa\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3ria do &#8220;Soldadinho de Chumbo&#8221; aparece. H\u00e1 uma r\u00e9plica desse soldadinho na Biblioteca e algumas crian\u00e7as apontaram para a falta de sua perna e uma das crian\u00e7as pede para sentar em uma cadeira, que se parece com um trono, as outras crian\u00e7as o observam e perguntam se pode, as laboratoriantes respondem afirmamente e a Conversa\u00e7\u00e3o segue.<\/p>\n<p><strong>Dan\u00e7a das cadeiras e dos discursos<\/strong><\/p>\n<p>Apesar dos professores estarem presentes nas Conversa\u00e7\u00f5es, eles escolhem ficar fora das rodas. \u201cDe fora\u201d parece ser o lugar que eles ocupam nas atividades da Biblioteca, apenas acompanham e organizam as crian\u00e7as para a atividade.<\/p>\n<p>Nossa proposta \u00e9 que as conversa\u00e7\u00f5es sejam feitas em roda, sentados no ch\u00e3o. H\u00e1 cadeiras dispon\u00edveis que ficam \u00e0 margem. Diante disso, um dos nossos questionamentos foi de como poder\u00edamos dispor das cadeiras, posto que nas primeiras Conversa\u00e7\u00f5es os professores a\u00ed sentaram e, ent\u00e3o, as cadeiras passaram a simbolizar o outro discurso, o pedag\u00f3gico, que ficou \u201cde fora\u201d. Cadeiras que representam o dentro e fora. Nesta dan\u00e7a das cadeiras e discursos, como trabalhamos <em>entre<\/em> dentro e fora? Existe dentro e fora?<\/p>\n<p><strong>O lugar da Biblioteca na Conversa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em um dos encontros n\u00e3o foi poss\u00edvel as crian\u00e7as irem at\u00e9 a Biblioteca, a coordenadora prop\u00f4s que fossemos fazer a Conversa\u00e7\u00e3o na escola. Desta vez, a partir da leitura da hist\u00f3ria do &#8220;Soldadinho de Chumbo&#8221; e a constru\u00e7\u00e3o de desenhos, a convite das laboratoriantes, a professora tamb\u00e9m faz parte dessa constru\u00e7\u00e3o. Mas, numa situa\u00e7\u00e3o de desentendimento entre as crian\u00e7as negras, que queriam usar o l\u00e1pis preto para pintar a pele do soldadinho, a professora interv\u00e9m recolhendo todos os l\u00e1pis dessa cor. O efeito dessa interven\u00e7\u00e3o foi imobilizador nas crian\u00e7as e laboratoriantes presentes, sendo que nenhuma palavra e dito foi poss\u00edvel surgir diante dessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, foi pensado que o lugar da Biblioteca de alguma maneira atravessou esses discursos, permitindo que outra coisa pudesse aparecer.<\/p>\n<p>Pensamos em aos poucos trazer os professores para a Conversa\u00e7\u00e3o, os convidando tamb\u00e9m \u00e0 fala, de modo singular. Lugar in\u00e9dito para eles, isto \u00e9, o de poder falar de outro lugar. Algumas participa\u00e7\u00f5es, por vezes se referem a ordem, a partir de certa posi\u00e7\u00e3o professoral, do discurso que a eles compete. Assim, surgiram interven\u00e7\u00f5es, mesmo que desde seus lugares, que favoreceram a conversa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a obstaculizaram, ainda que fora da roda, mas n\u00e3o da Conversa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dessa maneira, pensamos no lugar da Biblioteca como um lugar importante, um lugar que favoreceu emergirem outros dizeres, possibilitando um espa\u00e7o <em>entre <\/em>discursos, um lugar de anfitri\u00e3o que possibilitou um trabalho <em>de h\u00edfen<\/em> desses discursos, um lugar aberto para palavra singular surgir?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Laborat\u00f3rio CRIAR As conversa\u00e7\u00f5es ocorrem em uma biblioteca p\u00fablica, a partir da apresenta\u00e7\u00e3o feita por uma das laboratoriantes, onde a qual possui uma rela\u00e7\u00e3o anterior. Nos foi feito o convite para realizarmos as conversa\u00e7\u00f5es com as crian\u00e7as de uma escola pr\u00f3xima que frequentam as atividades da Biblioteca. 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