{"id":5659777,"date":"2026-04-07T20:21:00","date_gmt":"2026-04-07T23:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659777"},"modified":"2026-04-08T08:46:04","modified_gmt":"2026-04-08T11:46:04","slug":"a-conversacao-sobre-sonhos-ponto-de-impossivel-ou-um-lugar-a-pertencer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2026\/04\/07\/a-conversacao-sobre-sonhos-ponto-de-impossivel-ou-um-lugar-a-pertencer\/","title":{"rendered":"A conversa\u00e7\u00e3o sobre sonhos: ponto de imposs\u00edvel ou um lugar a pertencer?"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659777?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659777?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><p>&nbsp;<\/p>\n<h6><em>Laborat\u00f3rio Entre Escolhas e Expectativas<\/em><\/h6>\n<p>O laborat\u00f3rio \u201cEntre escolhas e Expectativas\u201d acontece na PUC Minas e produz, duas vezes ao ano, conversa\u00e7\u00f5es com jovens universit\u00e1rios de diversos cursos. O tema proposto pelo CIEN-Minas para os trabalhos do primeiro semestre de 2024 foi o sonho, e o t\u00edtulo pensado para convocar os jovens a participarem da atividade do laborat\u00f3rio foi amb\u00edguo: \u201cVoc\u00ea realiza seu sonho?\u201d. A discuss\u00e3o com a tem\u00e1tica dos sonhos na Conversa\u00e7\u00e3o com jovens caminha para duas poss\u00edveis articula\u00e7\u00f5es: o sonho on\u00edrico e o sonho de vida e \u00e9 sobre esse ponto que o texto discorre. Foi deixado aos participantes caminhar em uma dessas dire\u00e7\u00f5es, sem que algo fosse imposto, e assim se fez uma Conversa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Conversa\u00e7\u00e3o, o tema dos sonhos foi discutido em suas diversas formas e como eles aparecem para cada um. No momento inicial, os jovens se propuseram a conversar sobre os sonhos de vida, dizendo que n\u00e3o tinham um sonho de futuro e que estavam animados para discutir esse tema, quase que para procurar, no sonho de vida do colega, algo para poder se sonhar tamb\u00e9m: <em>\u201cE eu tamb\u00e9m t\u00f4 no momento da minha vida em que eu t\u00f4 procurando um sonho\u201d <\/em>diz uma das participantes. Apesar dessa vontade inicial, n\u00e3o foi nesse caminho que a conversa\u00e7\u00e3o correu. Ao dizer da falta de sonhos \u201cde futuro\u201d e da vontade de faz\u00ea-los, o que aparece s\u00e3o os diversos relatos de sonhos on\u00edricos: os jovens descrevem sonhos \u201cabsurdos\u201d em que n\u00e3o podem extrair nenhum sentido e outros com mensagens sobre a vida real &#8211; sempre tentando dar sentido.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, os participantes diziam que o sonho era um term\u00f3metro para medir se a vida ia bem. Outros, diziam do sonho como uma premoni\u00e7\u00e3o. Por exemplo, um dos sonhos mais discutidos e citados foi o do \u201ccoelho preto\u201d, em que um adolescente conta que estava h\u00e1 um ano tentando mudar do curso de Direito, e num determinado dia, sonha com um coelho preto, de rel\u00f3gio e cartola que dizia para ele: \u201cnovas oportunidades vir\u00e3o\u201d. A partir disso, o jovem muda de curso, e ao contar ao grupo todos ficam muito impressionados. Apesar de, nesse in\u00edcio, a conversa\u00e7\u00e3o ter um tom mais festivo, o que predomina a partir do segundo encontro s\u00e3o os sonhos de ang\u00fastia, em que relatam sonhos nos quais s\u00e3o perseguidos por algum animal que possuem muito medo, ou que correm e n\u00e3o conseguem chegar a nenhum lugar, que gritam e n\u00e3o sai nenhuma voz. Aparece na discuss\u00e3o relatos sobre sonhos de inf\u00e2ncia e sonhos repetitivos, nesse ponto eles concluem, em grupo, que esses sonhos \u201cmarcaram a personalidade\u201d deles. Sobre os pesadelos, uma das participantes diz:<em> \u201cgeralmente nos meus pesadelos eu tenho a sensa\u00e7\u00e3o de desamparo. Eu acho que \u00e9 porque\u2026 eu me sinto fr\u00e1gil, e exposta\u201d<\/em><\/p>\n<p>Quando se fala de sonhos na teoria psicanal\u00edtica, o despertar \u00e9 um ponto importante. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 isso que aparece nessa conversa\u00e7\u00e3o: quando os jovens fazem um sonho de ang\u00fastia, ao acordarem, a ang\u00fastia n\u00e3o perdura. O despertar \u00e9 sem ang\u00fastia, sem quest\u00e3o. Eles dizem que voltam a dormir normalmente, pois, durante o dia, possuem muitas coisas para fazer e precisam estar bem descansados. Se acordam assustados, n\u00e3o fazem quest\u00e3o de lembrar e trabalhar o que foi sonhado: \u201c<em>eu sonhei. Se eu consegui lembrar, beleza. Se eu n\u00e3o lembrei, tamb\u00e9m \u00e9 a vida que segue, entendeu?\u201d<\/em>, outro participante adiciona: <em>\u201cseja l\u00e1 qual for o significado do meu sonho, eu deixo pra l\u00e1\u201d<\/em>. Essa posi\u00e7\u00e3o diante dos sonhos nos lembra o que Carolina Koretzky desenvolve a respeito do que Freud e Lacan falam a respeito dos sonhos. O sujeito, ao se confrontar com esse ponto de horror no sonho, volta a dormir na realidade &#8211; no sentido de dormir nas representa\u00e7\u00f5es, no pr\u00f3prio fantasma e no mundo dos semblantes. \u00c9 o que os jovens universit\u00e1rios nos contam: se a ang\u00fastia aparece, fogem disso com naturalidade e se escondem nos discursos hipnotizantes da realidade.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos \u00faltimos encontros, quando a discuss\u00e3o se move para a decifra\u00e7\u00e3o do sonho do outro, os participantes tentam chegar a uma explica\u00e7\u00e3o dos sonhos. A partir disso, um impasse se presentifica na Conversa\u00e7\u00e3o: se no in\u00edcio dos encontros havia um esfor\u00e7o de se lembrar dos sonhos e anotar, no fim da conversa\u00e7\u00e3o, eles relatam que continuam sonhando, mas n\u00e3o se lembram mais do conte\u00fado dos sonhos. \u201c<em>T\u00f4 dando mais import\u00e2ncia para meu sonho, mas ao mesmo tempo n\u00e3o quero saber\u201d, <\/em>diz um dos participantes. Fica claro que o efeito de falar dos sonhos on\u00edricos na Conversa\u00e7\u00e3o, para os jovens universit\u00e1rios, \u00e9 de um trabalho inconsciente de n\u00e3o recordar. Podemos nos perguntar, ent\u00e3o, se a interpreta\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do grupo causa um ponto de imposs\u00edvel e se um dos efeitos da conversa\u00e7\u00e3o foi ocasionar uma nova rela\u00e7\u00e3o de cada um com seus sonhos.<\/p>\n<p>No final, frente ao impasse, a Conversa\u00e7\u00e3o volta ao ponto inicial:\u00a0 \u201cprocurar um sonho de vida\u201d, e essa busca retorna \u00e0 inten\u00e7\u00e3o dos meninos de terem procurado, na conversa\u00e7\u00e3o, um espa\u00e7o para ouvir os pares falarem sobre seus sonhos de vida, e assim talvez, fazerem seu pr\u00f3prio. Uma das participantes comenta: <em>\u201c\u00c0s vezes, voc\u00ea queria ouvir o (sonho de vida) dos outros. Eu t\u00f4 tentando pensar sobre, porque eu acho que eu preciso, entendeu? A\u00ed, essa \u00e9 a minha tentativa, construir conjuntamente: ah, eu n\u00e3o tenho um sonho, voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o? Vamos criar um.\u201d<\/em>. Assim, fica aparente que a inten\u00e7\u00e3o dos jovens, ao participarem de uma conversa\u00e7\u00e3o sobre sonhos, n\u00e3o \u00e9 ser um sonhador que diz de si, mas sim, ter um lugar a pertencer. Isso nos revela que o lugar poss\u00edvel para se implicar a partir do discurso do sonho \u00e9 apenas no trabalho de an\u00e1lise.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Laborat\u00f3rio Entre Escolhas e Expectativas O laborat\u00f3rio \u201cEntre escolhas e Expectativas\u201d acontece na PUC Minas e produz, duas vezes ao ano, conversa\u00e7\u00f5es com jovens universit\u00e1rios de diversos cursos. 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