{"id":5659787,"date":"2026-04-07T20:51:35","date_gmt":"2026-04-07T23:51:35","guid":{"rendered":"https:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659787"},"modified":"2026-04-08T12:31:52","modified_gmt":"2026-04-08T15:31:52","slug":"uma-conversacao-sobre-adolescencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2026\/04\/07\/uma-conversacao-sobre-adolescencia\/","title":{"rendered":"Uma conversa\u00e7\u00e3o sobre \u201cAdolesc\u00eancia\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659787?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659787?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><p>&nbsp;<\/p>\n<h6><em>Mirta Fernandes e Sandra Landim<\/em><\/h6>\n<p>O Cine CIEN tem como proposta utilizar o cinema como dispositivo para a conversa\u00e7\u00e3o interdisciplinar e \u00e9 nessa perspectiva que escolhemos abordar a miniss\u00e9rie <em>Adolesc\u00eancia<\/em>. Escolhemos o quarto epis\u00f3dio como disparador, n\u00e3o sem deixar de abordar os demais epis\u00f3dios.<\/p>\n<p>A conversa\u00e7\u00e3o se iniciou com os convidados: <strong>Daniel Barros<\/strong>, psic\u00f3logo do N\u00facleo de Atendimento \u00e0s Pessoas com Necessidades Espec\u00edficas (NAPNE) do campus Humait\u00e1 II &#8211;\u00a0 Col\u00e9gio Pedro II, <strong>Daniele Menezes<\/strong>, psic\u00f3loga e psicanalista atuante no DEGASE (Departamento Geral de A\u00e7\u00f5es Socioeducativas) e <strong>Isabel do R\u00eago Barros Duarte<\/strong>, psicanalista, membro da EBP\/AMP, trazendo suas impress\u00f5es.<\/p>\n<p>Um epis\u00f3dio traum\u00e1tico conduz os epis\u00f3dios seguintes que se organizam como tentativas de construir diferentes verdades. Uma \u201cverdade policial\u201d, a \u201cverdade jur\u00eddica\u201d e a \u201cverdade familiar\u201d. Falta a verdade de Jamie. Assim aponta Daniel Barros.<\/p>\n<p>Diferentes vers\u00f5es e pontos de vista sobre um mesmo fato, diferentes possibilidades de entender, de explicar e de tentar cernir um real traum\u00e1tico inquestion\u00e1vel.<\/p>\n<p>Embora ambientada na Inglaterra, a s\u00e9rie nos provoca a pensar a realidade brasileira. Aqui, Daniele Menezes nos traz que a maioria dos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas est\u00e1 envolvida com tr\u00e1fico, furtos e roubos. Os homic\u00eddios s\u00e3o raros nessa faixa et\u00e1ria, e no Brasil, temos o ECA (Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente) como marco legal para refletir politicamente as situa\u00e7\u00f5es de crime e viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Neste cap\u00edtulo, a vers\u00e3o dos pais, mais do que a do pr\u00f3prio personagem evidencia uma idealiza\u00e7\u00e3o dos pais junto com a pergunta: o que fizemos de errado?<\/p>\n<p>A s\u00e9rie n\u00e3o mostra o julgamento. Como olhar para essa hist\u00f3ria para al\u00e9m do julgamento? O que se pode escutar e dizer? Como escutar sem perseguir uma resposta? O ato do filho n\u00e3o cabe no universo dos pais.\u00a0 Como escutar esse estranhamento que carrega um horror?<\/p>\n<p>Isabel traz suas impress\u00f5es: n\u00e3o se acha a verdade. As verdades que s\u00e3o abordadas n\u00e3o d\u00e3o conta. A s\u00e9rie vai atravessando um burburinho. Momentos em que a enuncia\u00e7\u00e3o poderia aparecer s\u00e3o cortados. Aus\u00eancia de verdades que definam uma causa \u00fanica que justificasse o fato.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie tamb\u00e9m toca na rela\u00e7\u00e3o dos adolescentes com as redes sociais, mas n\u00e3o as coloca como centro da explica\u00e7\u00e3o. As redes n\u00e3o oferecem respostas. Importante ressaltar que \u00e9 na sa\u00edda da inf\u00e2ncia, do estranhamento do corpo, de um novo desalojamento do gozo onde os recursos da inf\u00e2ncia j\u00e1 n\u00e3o d\u00e3o mais conta. \u00c9 um corpo novo que traz novos gritos e as palavras infantis j\u00e1 n\u00e3o d\u00e3o conta de nomear. \u00c9 comum, por exemplo, adolescentes inventarem uma linguagem pr\u00f3pria \u2014 como os emojis \u2014 que justamente escapa ao entendimento dos adultos. Lacad\u00e9e em seu livro \u201cO despertar e o ex\u00edlio\u201d, j\u00e1 diz que a adolesc\u00eancia \u00e9 a mais delicada das transi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Emojis, espa\u00e7os atualmente virtuais secretos, inven\u00e7\u00e3o de uma l\u00edngua cifrada da adolesc\u00eancia \u00e9 comum nesse per\u00edodo. A l\u00edngua dos adolescentes \u00e9 feita para os adultos n\u00e3o conhecerem. Hoje a diferen\u00e7a \u00e9 a massifica\u00e7\u00e3o e alcance dessa l\u00edngua. Isabel ressalta que em outros momentos comparecia algum vetor vertical entre as gera\u00e7\u00f5es. O vai e vem entre as duas l\u00ednguas parecia existir. Hoje ao olhar para cima as autoridades parecem fr\u00e1geis. N\u00e3o h\u00e1 gente grande diz Lacan.<\/p>\n<p>A cena do carro onde os pais falam na presen\u00e7a da filha de como se conheceram, traz um relance de um di\u00e1logo de gente grande ao exibir o rid\u00edculo do encontro entre os dois, do embara\u00e7o que viveram com o encontro sexual e diante dos pares. Isso cria uma certa dist\u00e2ncia temporal entre os adolescentes que foram e dos adultos que s\u00e3o hoje. \u201cIsso passa\u201d.<\/p>\n<p>Outro ponto bastante comentado tamb\u00e9m aponta para a quest\u00e3o do olhar.\u00a0 O pai n\u00e3o consegue olhar para o filho na cena do futebol. Essa mesma cena \u00e9 narrada pelo filho e se repete quando o pai v\u00ea a filmagem do crime e quando ouve que o filho vai se declarar culpado.<\/p>\n<p>Daniel aponta a\u00ed o luto dos pais e do menino. Como cada um fala desse luto para o outro e desse real insuport\u00e1vel que o pai n\u00e3o consegue olhar. A frustra\u00e7\u00e3o do menino que sabe que n\u00e3o corresponde ao desejo do pai. Pacto de sil\u00eancio entre pai e filho. Pacto pelo recalque. \u201cvoc\u00ea diz que n\u00e3o fez e eu digo que acredito\u201d, mas os dois sabem. Pacto perante o outro. A fala no anivers\u00e1rio do pai liberta o pai e ele do pacto. Voc\u00ea n\u00e3o precisa mais mentir sobre isso. \u00c9 um al\u00edvio para o menino e para o pai.<\/p>\n<p>Daniel traz de sua experi\u00eancia na institui\u00e7\u00e3o de ensino o embara\u00e7o entre pais e filhos, na escola, entre os pares, o lugar do professor na institui\u00e7\u00e3o e qual a rela\u00e7\u00e3o diferenciada daquela dos pais que o professor pode ter com os adolescentes.<\/p>\n<p>Circulando a palavra para o zoom, surge a quest\u00e3o do insulto. Algo que toca no mais \u00edntimo do ser que o faz passar ao ato.<\/p>\n<p>Na plateia, o cuidado de n\u00e3o cair numa explica\u00e7\u00e3o, criar rela\u00e7\u00e3o causa e efeito: ele nunca disse que matou. \u201cEu vou dizer que eu sou culpado\u201d. N\u00e3o \u00e9 incomum encontrar isso em crian\u00e7as e adolescentes. A ideia de que o fez n\u00e3o \u00e9 errado.<\/p>\n<p>Os diretores queriam abordar com a s\u00e9rie, a misoginia. Uma preocupa\u00e7\u00e3o em n\u00e3o tentar entender, mas provocar essa conversa sobre o que estaria levando meninos a matarem meninas. Qual o discurso que est\u00e1 circulando muito cedo para esses jovens, misoginia com viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Misoginia aparece com a psic\u00f3loga, e ela procurava compreender se ele tinha ou n\u00e3o consci\u00eancia do que havia feito. Muitas controv\u00e9rsias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conduta da psic\u00f3loga, e da fun\u00e7\u00e3o do seu trabalho como interessada em recolher pontos para dar argumentos ao juiz.<\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o da misoginia vem sendo debatida nas m\u00eddias. Casos agora aparecendo de viol\u00eancia contra meninas, o que traz preocupa\u00e7\u00e3o com a internet e o lugar dos pais.<\/p>\n<p>Citando Ansermet \u2013 <em>ex\u00edlio das respostas que os pais deram \u00e0s perguntas fundamentais: de onde eu vim? Para onde eu vou? Sou homem ou sou mulher?<\/em> Quest\u00f5es que permanecem sem resposta, e na atualidade sem interlocutores.<\/p>\n<p>A singularidade \u00e9 algo que n\u00e3o tem sentido. \u201cA gente fez ele&#8230; a gente fez ela\u201d.\u00a0 Como a singularidade extrapola o que se pode dar, construir, desejar para o outro.<\/p>\n<p>A fala da irm\u00e3: \u201cO Jamie \u00e9 nosso\u201d parece apontar a possibilidade de incluir o estranho. O olhar do pai para o filho \u00e9 poss\u00edvel, apontando para um futuro deste menino.<\/p>\n<p>Neste momento de muita passagem ao ato, a s\u00e9rie pegou todos em seus pontos obscuros.<\/p>\n<p>Isabel lembra que Lacad\u00e9e fala no \u201cponto de onde\u201d, ponto que possa servir para um adolescente se apoiar, podendo ser reconhecido como sujeito, para dar conta dessa nova l\u00edngua que est\u00e1 construindo. Esse ponto de onde pode ser qualquer um: professor, tio, adulto em algum lugar que possa servir de apoio. Ponto de onde o adolescente possa se apoiar para construir essa tarefa.<\/p>\n<p>Ressaltamos o papel do Cien \u2013 pensar e se debru\u00e7ar sobre essas quest\u00f5es, a patologiza\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia e os desafios do profissional de sa\u00fade nas institui\u00e7\u00f5es.\u00a0 Aqui, a delicada contribui\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise, do ponto de vista da singularidade, um discurso, espa\u00e7o que suporte o consentimento de uma dist\u00e2ncia necess\u00e1ria entre o sujeito e ele mesmo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Mirta Fernandes e Sandra Landim O Cine CIEN tem como proposta utilizar o cinema como dispositivo para a conversa\u00e7\u00e3o interdisciplinar e \u00e9 nessa perspectiva que escolhemos abordar a miniss\u00e9rie Adolesc\u00eancia. Escolhemos o quarto epis\u00f3dio como disparador, n\u00e3o sem deixar de abordar os demais epis\u00f3dios. 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