{"id":5659801,"date":"2026-04-07T21:23:15","date_gmt":"2026-04-08T00:23:15","guid":{"rendered":"https:\/\/ciendigital.com.br\/?p=5659801"},"modified":"2026-04-08T09:40:36","modified_gmt":"2026-04-08T12:40:36","slug":"editorial-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/2026\/04\/07\/editorial-3\/","title":{"rendered":"Abertura\u00a8(depois da de Nohemi Brown) \u2013 4 setembro de 2025"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659801?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5659801?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h6><\/h6>\n<h6><em>Eve Miller-Rose<\/em><\/h6>\n<p>\u00c9 uma alegria estar com voc\u00eas em Belo Horizonte para a terceira conversa\u00e7\u00e3o<strong> CIEN-CEREDA na Am\u00e9rica Latina sobre \u00abAs imagens que d\u00e3o medo\u00bb.<\/strong> Este tema situa-se num campo de investiga\u00e7\u00e3o mais amplo que mobilizou os participantes das <strong>redes do Campo freudiano sobre a Inf\u00e2ncia<\/strong>, nos \u00faltimos dois anos: \u00abSonhos e fantasmas na crian\u00e7a\u00bb.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise opera com as palavras porque \u00abo inconsciente s\u00f3 possui um corpo de palavras\u00bb<sup>1<\/sup>. O inconsciente implica que o escutemos e que o leiamos com o apoio do discurso anal\u00edtico.<\/p>\n<p>Como voc\u00eas ouvir\u00e3o nas apresenta\u00e7\u00f5es de casos e de vinhetas, os praticantes orientados pela psican\u00e1lise est\u00e3o atentos ao que se diz, se mostra, se decifra, ou permanece insond\u00e1vel.<\/p>\n<p>Trata-se de colher as surpresas e de acolh\u00ea-las como sendo \u00abo feito do inconsciente\u00bb<sup>2<\/sup>. A partir deste acolhimento, o que vem a ser dito ou a se mostrar pode ent\u00e3o, para a crian\u00e7a, constituir-se como saber.<\/p>\n<p>O inconsciente se abre quando a crian\u00e7a faz de conta. Ela conduz o jogo, e seus significantes-mestres assim como seus objetos privilegiados se isolam. Forma\u00e7\u00f5es do inconsciente participam disso, como que por surpresa! O analista sustenta a opera\u00e7\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o no sonho, no jogo, nas hist\u00f3rias. S\u00e3o lugares onde a crian\u00e7a tenta dizer, para fisgar o imposs\u00edvel de suportar, para cernir o indiz\u00edvel.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>\u00ab<strong>As imagens que d\u00e3o medo<\/strong>\u00bb ocupam muitas vezes um lugar privilegiado nos encontros e nas an\u00e1lises de crian\u00e7as &#8211; e n\u00e3o apenas de crian\u00e7as -, que tentam compartilh\u00e1-las, atrav\u00e9s do desenho ou da narrativa imag\u00e9tica. Perguntemo-nos ent\u00e3o: quando as imagens que d\u00e3o medo surgem para o sujeito? Pode acontecer que \u00abo imagin\u00e1rio do sonho ofere\u00e7a [&#8230;] uma figura\u00e7\u00e3o pat\u00e9tica que se paga com a ang\u00fastia\u00bb<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>Quando o ser falante \u00e9 confrontado com \u00aba inadequa\u00e7\u00e3o das palavras \u00e0s coisas\u00bb<sup>4<\/sup> precisamente, \u00aba tentativa \u00e9 imaginar o real\u00bb<sup>5<\/sup>. Esta \u00e9 a leitura que Jacques-Alain Miller nos d\u00e1 do \u00faltimo ensino de Lacan, e ele especifica: \u00abImaginar o real passa por essa estranha materializa\u00e7\u00e3o que constituem essas figuras, que s\u00e3o figuras de objetos\u00bb.<\/p>\n<p>Perguntemo-nos tamb\u00e9m sobre o horror. Qual figura ele toma para cada um?<\/p>\n<p>J.-A. Miller, leitor de Lacan, nos convida a n\u00e3o nos deixar fascinar pelo horror. Na fenomenologia da ang\u00fastia, o horror pode aparecer como um esplendor fascinante, deslumbrante, ofuscante. O horror designa um abismo pat\u00e9tico. Consideremos, em vez disso, o momento de ang\u00fastia como logicamente necess\u00e1rio e at\u00e9 produtivo<sup>6<\/sup>.<\/p>\n<p>O monstro seria um objeto f\u00f3bico ou um aparelhamento imagin\u00e1rio que permite ao real da ang\u00fastia, que a crian\u00e7a n\u00e3o pode nomear, <span style=\"text-decoration: line-through;\">de<\/span> n\u00e3o se manifestar?<\/p>\n<p>O monstro \u00e9 portador de objetos pulsionais ferozes. Passar pela descri\u00e7\u00e3o e pelo desenho permite que o monstro se desinfle; o uso dos significantes e do tra\u00e7o permite uma localiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00abNa teoria anal\u00edtica, nota J.-A. Miller, Freud situa [&#8230;] <strong>o horror como uma defesa do sujeito<\/strong>\u00bb<sup>7<\/sup>. \u00c9 uma defesa da qual ele sofre. Mas de que o sujeito se defende? \u00ab<strong>Ser\u00e1 que o sujeito se defende de uma verdade? de um saber?<\/strong>\u00bb Talvez \u00ab<strong>dos impasses do saber, e precisamente do real como impasse do saber?<\/strong>\u00bb<\/p>\n<p>Fiquemos, portanto, atentos em cada caso: a imagem que d\u00e1 medo ser\u00e1 que ela surge no lugar mesmo do que faz impasse para o sujeito? Esta localiza\u00e7\u00e3o do sofrimento seria tamb\u00e9m uma localiza\u00e7\u00e3o do gozo? Ser\u00e1 que a crian\u00e7a procura domar o monstro ou se servir dele para se assustar?<\/p>\n<p>A primeira sequ\u00eancia abrir\u00e1 estas perguntas: o horror, seus usos e suas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>A segunda sequ\u00eancia ser\u00e1 dedicada ao pesadelo, e ao que ele fisga.<\/p>\n<p>Em nossa pr\u00e1tica, n\u00f3s nos interessamos pelos sonhos das crian\u00e7as. Nos relatos dos sonhos das crian\u00e7as, localizamos <strong>o ponto de inflex\u00e3o que coincide com o momento de ang\u00fastia<\/strong>.<\/p>\n<p>Com Freud, h\u00e1 o que faz sentido. Com Lacan, h\u00e1 tamb\u00e9m o que faz furo<sup>8<\/sup>. Quando a crian\u00e7a \u00e9 cruamente confrontada com o real, sem interposi\u00e7\u00e3o de palavras, \u00abtodas as palavras estacam e [&#8230;] o objeto de ang\u00fastia<sup>9<\/sup>\u00bb surge.<\/p>\n<p>Trata-se de seguir o fio do que Lacan chama de umbigo do sonho. O umbigo do sonho indica a parte de gozo indiz\u00edvel que \u00e9 inerente ao sonho e que ganha seu valor m\u00e1ximo no pesadelo que ele, por sua vez, desperta.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m casos em que o sonho continua, e tudo \u00e9 engolido, tal como uma figura da morte onde tudo se acaba.<\/p>\n<p>Lacan indica-nos que, no sonho princeps de Freud intitulado sonho da inje\u00e7\u00e3o de Irma, h\u00e1 a \u00abaparecimento angustiante de uma imagem que resume o que podemos chamar de revela\u00e7\u00e3o do real naquilo ele tem de menos penetr\u00e1vel, do real sem nenhuma media\u00e7\u00e3o poss\u00edvel<sup>10<\/sup>\u00bb. Ele reconhece no umbigo do sonho, um furo, um imposs\u00edvel de dizer. Aquilo de que se trata \u00abs\u00f3 pode ser formulado de uma maneira deslocada, nunca no bom lugar<sup>11<\/sup>\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 palavra final. Nenhuma \u00faltima palavra. Nada que constitua uma resposta ao que quer que seja sobre o sentido do sonho. No sonho de Freud, surge uma f\u00f3rmula qu\u00edmica, a da trimetilamina, herm\u00e9tica, que n\u00e3o quer dizer nada.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes surge uma imagem que d\u00e1 medo e que condensa o irrepresent\u00e1vel, conforme ao modo pelo qual uma f\u00f3rmula qu\u00edmica condensa o indiz\u00edvel. Nisso, esta imagem que d\u00e1 medo poderia ser tamb\u00e9m um recurso, uma constru\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, confrontada com o real como impasse do saber?<\/p>\n<p>Agora damos lugar para a conversa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n<h6><\/h6>\n<ol>\n<li>\n<h6>Lacan J., \u201cConsidera\u00e7\u00f5es sobre a histeria\u201d, Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n.50. S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia, 2007, p. 17.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Lacan J., \u201cTelevis\u00e3o\u201d, Outros Escritos, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003, p. 517.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Miller J.-A., El ultim\u00edsimo Lacan, Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2012.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Lacan J, Le S\u00e9minaire, livre XXV, \u201cLe moment de conclure\u201d, le\u00e7on du 17 novembre 1977.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Miller J.-A., El ultim\u00edsimo Lacan, Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2012, p. 193.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Cf. Miller J.-A., \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura do Semin\u00e1rio 10 da Ang\u00fastia de Jacques Lacan\u201d. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n. 43. S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia, 2005, p. 54.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>\u00a0Miller J.-A., \u00ab Vers un signifiant nouveau \u00bb, Comment finissent les analyses, Paris, Navarin, 2022.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Cf. Miller J.-A., \u00ab Pr\u00e9face \u00bb, in Bonnaud H., L\u2019Inconscient de l\u2019enfant, Paris, Navarin\/Le Champ freudien, 2013, p. 9.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Lacan J., O Semin\u00e1rio, livro II, O eu na teoria de Freud e na t\u00e9cnica da psican\u00e1lise, texto estabelecido por J.-A. Miller, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2010, p. 209.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>\u00a0Ibid.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>\u00a0Lacan J., \u201cO umbigo do sonho \u00e9 um furo. Resposta a uma pergunta de Marcel Ritter\u201d, Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n. 82, S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia, abril 2020, p. 18-19.<\/h6>\n<\/li>\n<\/ol>\n<h6><\/h6>\n<h6><em>Tradu\u00e7\u00e3o\u00a0: Maria Antunes<br \/>\nRevis\u00e3o\u00a0: Cristina Drummond<\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eve Miller-Rose \u00c9 uma alegria estar com voc\u00eas em Belo Horizonte para a terceira conversa\u00e7\u00e3o CIEN-CEREDA na Am\u00e9rica Latina sobre \u00abAs imagens que d\u00e3o medo\u00bb. 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